quarta-feira, 4 de abril de 2012

Sinal amarelo no comércio:: Rolf Kunts

Há um enorme sinal amarelo nas contas externas, aceso pela redução de preços e de volumes de commodities embarcadas em portos brasileiros. Até a relação semicolonial com o mercado chinês pode ficar menos confortável. De janeiro a março, o déficit comercial com a China, US$ 292 milhões, foi 484% maior que o do primeiro trimestre de 2011, US$ 50 milhões. O superávit comercial do Brasil com todos os parceiros ficou em modestíssimos US$ 2,4 bilhões, valor 23,6% menor que o de janeiro a março do ano passado, pela comparação das médias diárias. A rápida erosão da conta de mercadorias torna urgente a adoção de medidas para destravar a indústria - de preferência, mudanças permanentes e de maior alcance que o novo pacote anunciado ontem.

Em março, 14 das 23 principais commodities comercializadas pelo Brasil foram vendidas por preços inferiores aos de um ano antes. Em nove casos, houve redução combinada de cotações e de volumes. Algumas das quedas mais desastrosas: farelo de soja, com perda de 11,8% na quantidade e de 9,5% no preço; açúcar em bruto, com 43,7% e 3,6%; alumínio, com 17,6% e 11,9%.

Apesar disso, houve um pequeno aumento da receita desse conjunto, proporcionado pelas vendas de alguns poucos produtos, como a soja em grão, com preço 3,8% menor e quantidade 47,9% maior que a de março de 2011. No caso do suco de laranja, a tonelagem foi 8,3% menor, mas o preço médio foi 35,8% superior.

O Banco Central reduziu de US$ 23 bilhões para US$ 22 bilhões o superávit comercial projetado para o ano. O resultado de 2011 foi US$ 29,7 bilhões. A mediana das previsões do mercado financeiro e das consultorias ficou em US$ 19 bilhões, na última sexta-feira, segundo a pesquisa semanal do BC. Mas há estimativas bem mais inquietantes, como aquelas elaboradas pelo Iedi, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial.

Os cálculos foram baseados em três cenários. No básico, levam-se em conta as quedas de preços estimadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), de 14% para as commodities não energéticas e de 4,9% para as energéticas. No segundo, classificado como favorável, os preços médios do ano repetem os de dezembro de 2011. No terceiro, as cotações voltam aos níveis de janeiro de 2009. Para simplificar o trabalho, os autores do estudo mantiveram os volumes de commodities embarcados em 2011 e a receita dos demais produtos.

No cenário básico (FMI), o superávit comercial cairá para US$ 13,2 bilhões. No quadro favorável, o saldo diminuirá para US$ 23,7 bilhões. No terceiro, o resultado será um buraco de US$ 41,3 bilhões. Nos dois últimos casos, as estimativas são até otimistas, segundo os autores do trabalho, porque as quantidades exportadas também devem ser afetadas pela desaceleração da economia global. Preços de janeiro de 2009 correspondem às condições de um mundo em recessão. Na projeção do FMI, o volume do comércio mundial cresce 3,8%, variação ainda positiva, mas bem pior que a de 2011, estimada em 6,8%.

Todas as projeções, até as mais sofisticadas, envolvem alguma simplificação, mas nem por isso deixam de ser instrutivas. Esses três cenários são úteis porque realçam a enorme e perigosa dependência do Brasil, neste momento, das condições de comércio de matérias-primas e bens intermediários padronizados e produzidos em massa. Durante anos, a receita comercial brasileira foi reforçada pela valorização desses produtos, em grande parte resultante do rápido e prolongado crescimento econômico chinês.

No primeiro trimestre, a China proporcionou 14,3% da receita comercial do Brasil e se manteve como principal país importador de produtos brasileiros - mas quase exclusivamente de commodities. De certa forma, o Brasil se tornou refém do crescimento da China. Os responsáveis pela política econômica e pela diplomacia comercial negligenciaram a abertura de espaços nos grandes mercados desenvolvidos e, ao mesmo tempo, deixaram deteriorar-se o poder de competição da indústria de transformação.

A sucessão de pacotes e pacotinhos circunstanciais é um reconhecimento implícito, mas incompleto, dos problemas de um setor manufatureiro enfraquecido no mercado externo e acuado no mercado interno pelos produtores de fora. O governo insiste na política de incentivos restritos e de alcance conjuntural, combinados com medidas protecionistas. Age como se os principais problemas do produtor nacional viessem de fora, quando obviamente são made in Brazil e refletem deficiências internas muito bem conhecidas. A presidente Dilma Rousseff as enumerou amplamente, na reunião da semana passada com empresários de vários setores. Mas continua incapaz de traduzir esse conhecimento em política de gente grande e país sério.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Desenvolvimentismos :: Ricardo Carneiro

Ressuscitado contemporaneamente pela incompetência das políticas de inspiração liberal em estimular o desenvolvimento no Brasil, o desenvolvimentismo desperta polêmicas, como na série de artigos de José Luís Fiori publicados na editoria de Opinião do Valor.

Neles, Fiori busca criticar essa concepção referindo-se tanto ao seu caráter de estratégia de desenvolvimento quanto às reflexões intelectuais da esquerda que lhe deram suporte, originadas no Partido Comunista Brasileiro (PCB), no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb), na Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) e, após 1970, na escola de Economia da Unicamp.

Nesses textos, Fiori sugere reiteradamente o caráter conservador e, atualmente, ultrapassado do desenvolvimentismo. Assim, propõe que este só se concretizou no Brasil como uma estratégia fundada numa ideologia de direita, a da segurança nacional. A sua vertente de esquerda seria menos relevante e teria perdido importância desde os anos 1960, pela sua incapacidade de explicar o desenvolvimento capitalista no Brasil e pela sua cisão política durante o Plano Trienal.

No plano das ideias, a despeito da sua simpatia pelas teorias da dependência, Fiori admite a centralidade da escola da Unicamp, que partiu da escola cepalina para reinterpretar o capitalismo brasileiro e fundamentar o desenvolvimentismo após 1970. Já nos anos recentes isto não mais ocorreria, dentre outras razões, porque essa escola teria se dedicado às análises setoriais ou macroeconômicas restritas, orientando-se para formar quadros burocráticos para o governo, sacrificando assim sua capacidade interpretativa. Em um de seus artigos, chega afirmar que a Unicamp se converteu ao "varejo keynesiano e suas deblaterações macroeconômicas".

Para contestar Fiori é preciso ter em conta as conjunturas históricas particulares nas quais essas estratégias e teorias ganharam momento. Os anos que vão de 1930 a 1980 expressam uma condição particular do capitalismo que permite, por várias razões, um grau elevado de autonomia do desenvolvimento nacional. No caso brasileiro, isso abriu a possibilidade para a hegemonia das correntes desenvolvimentistas, à direita e à esquerda. A correlação de forças sociais e políticas conformaram, em momentos distintos, os diversos padrões do desenvolvimento do período, nos quais seus diversos matizes tiveram influência variada.

Já os 30 anos que se iniciam nos anos 1980, e que correspondem à ascensão do neoliberalismo, teriam sido difíceis para o desenvolvimentismo e as teorias econômicas que lhes dão suporte, independentemente das suas correntes. Do mesmo modo, o seu ressurgimento atual deve-se menos às ações de economistas e intelectuais e mais à incapacidade do neoliberalismo e de sua política econômica em promover o desenvolvimento.

Hoje, à esquerda ou à direita, as várias correntes desenvolvimentistas que Fiori é incapaz de identificar ou distinguir comungam, como no passado, do antiliberalismo econômico. Mas há diferenças relevantes entre elas.

De um lado está o novo desenvolvimentismo, cujo centro de irradiação é a FGV-SP, que privilegia as dimensões macroeconômicas das políticas e subordina a elas as políticas de desenvolvimento e dando maior peso ao papel do mercado. Esta corrente prioriza o desenvolvimento das forças produtivas e o mercado externo, entendendo que a distribuição da renda decorrerá, mas não automaticamente, da primeira, sendo necessário a implementação de políticas que garantam a transferência de ganhos de produtividade aos salários.

Em outro plano, coloca-se o social-desenvolvimentismo, com origem na Unicamp e na UFRJ. Como a qualificação sugere, nessa estratégia o social é o eixo do desenvolvimento e isto se daria pela centralidade do mercado interno via a ampliação do consumo - de bens públicos e privados - das massas. Nessa vertente se propõe a subordinação das políticas macroeconômicas às de desenvolvimento e o maior peso do Estado. O desenvolvimento das forças produtivas seria, nesse caso, um meio para atingir o objetivo almejado. Em nenhum momento Fiori é capaz de enxergar essas diferenças e põe todo mundo no mesmo saco.

A afirmativa de Fiori de o que desenvolvimentismo de esquerda teria se convertido ao "keynesianismo de varejo" revela desconhecimento dessa corrente. Tome-se, por exemplo, o documento de fundação da Rede Desenvolvimentista, "Desenvolvimento brasileiro: temas estratégicos". Nele, estão propostos para discussão temas considerados essenciais para o desenvolvimento brasileiro. No plano internacional são destacados: a reformulação da ordem econômica internacional após a crise financeira, abarcando o futuro do sistema monetário internacional e do padrão-dólar, a organização e a evolução do mercado de matérias-primas, a influência da China na configuração de nova divisão internacional do trabalho e, ainda, a consolidação dos blocos regionais com ênfase na América do Sul.

No âmbito da economia brasileira são postos em relevo temas como: o setor produtor de commodities no desenvolvimento nacional, as possibilidades da industrialização brasileira face à nova divisão internacional do trabalho, e a necessidade de recuperação da infraestrutura nacional e o desenvolvimento regional. Considera-se também o financiamento externo da economia brasileira, o financiamento interno em longo prazo, e os perfis de intervenção do Estado na economia pela ótica da carga tributária, transferências e gastos. Por fim, mas não por último, a estrutura de emprego e mercado de trabalho e as políticas sociais ativas para obter crescimento com distribuição da renda. Tudo isso em um contexto da formulação das estratégias de desenvolvimento, contrapondo Estado e mercado.

Comparar os resultados históricos do período desenvolvimentista com as utopias, como faz Fiori, é um exercício útil, mas parcial. Outra tarefa igualmente relevante é avaliar os resultados obtidos, à luz das possibilidades concretas ou alternativas de desenvolvimento colocadas pela história do país. Isto certamente permite enxergar melhor as opções que se colocam em cada conjuntura.

Ricardo Carneiro é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp e coordenador da Rede Desenvolvimentista.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

Indústria sobe 1,3%, mas no ano cai 3,4%

Atividade maior atingiu 18 dos 27 ramos pesquisados pelo IBGE. Maiores destaques são veículos e indústria extrativa

Fabiana Ribeiro

Para surpresa de analistas, a produção industrial subiu em fevereiro: cresceu 1,3% frente a janeiro, no maior avanço mensal desde o mesmo mês de 2011 (2,2%). No entanto, o nível de produção ficou 3% abaixo do de setembro de 2008. E, na comparação com fevereiro de 2011, a atividade recuou 3,9% - sexta taxa negativa e a mais intensa desde setembro de 2009 (-7,6%).

Os números levam o setor a acumular perda de 3,4% apenas nos dois primeiros meses deste ano. Cenário que, para especialistas, só deve mostrar uma retomada mais acentuada a partir do segundo semestre - mesmo com o pacote de medidas anunciadas pelo governo.

- O resultado de hoje mostra uma recuperação frente ao mês anterior. Das 27 áreas, 18 apresentaram taxas positivas em relação ao mês anterior. No mês passado, eram 14 setores em queda. Ainda assim, o patamar da produção, que está em níveis de fevereiro de 2010, segue 3,4% abaixo do seu ponto mais elevado (março de 2011) - comentou André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE.

Segundo Macedo, houve recuperação nos setores que registraram forte queda de produção no mês anterior. Caso do segmento de veículos, que cresceu 13,1% em fevereiro, eliminando parte da queda de 31,2% de janeiro. Outro destaque foi a produção da indústria extrativa, com expansão de 9,3%. Também contribuíram positivamente setores como equipamentos de instrumentação médico-hospitalares (23,8%), farmacêutica (7%), outros produtos químicos (3,1%) e bebidas (6%).

Para Felipe França, economista do ABC Brasil, apesar do desempenho da atividade industrial continuar fraco, as perspectivas para 2012 são positivas. Em sua avaliação, reaquecimento da demanda doméstica, retomada dos investimentos e esforços do governo para evitar uma desindustrialização devem contribuir para o crescimento no ano.

FONTE: O GLOBO

Para analistas, incentivos são insuficientes para fazer PIB crescer mais que 3,5%

Francine De Lorenzo e Tainara Machado

SÃO PAULO - O pacote de incentivos à indústria anunciado ontem em Brasília trará alívio para o setor no curto prazo, mas dificilmente tornará possível que o crescimento neste ano seja de 4,5%, como deseja o governo, segundo economistas consultados pelo Valor.

Para se chegar a esse resultado, calcula a LCA Consultores, seria necessário que o PIB crescesse 2,4% por trimestre, entre o segundo e o quarto trimestres deste ano - uma vez que a expectativa é de que o avanço não passe de 0,5% nos três primeiros meses de 2012, na comparação com o último trimestre de 2011, já descontados os efeitos sazonais. Até mesmo a projeção do Banco Central, de expansão de 3,5% em 2012, é vista como otimista. "Uma expansão acima de 3% neste ano só seria possível se houvesse mais medidas para impulsionar a demanda", diz Bráulio Borges, economista-chefe da LCA.

"Embora positivas, as medidas não alteram o cenário para a economia neste ano. Já era esperada uma recuperação da indústria baseada em ajuste de estoques e retomada da confiança dos empresários, e o pacote contribui nesse sentido", avalia Roberto Padovani, economista-chefe da Votorantim Corretora. Para ele, haverá uma melhora gradual na indústria, mas um ganho expressivo de ritmo não será visto neste ano. "Ainda que o governo promova a desoneração da folha de pagamento, os custos da indústria permanecem altos."

Para o economista-chefe do Crédit Agricole, Vladimir do Vale, é difícil para o governo conseguir se contrapor ao que é uma tendência global, referindo-se à queda da demanda nos países desenvolvidos e a destinação de parte da capacidade para mercados que apresentam crescimento, caso do Brasil. Para ele, o pacote dará "auxílio marginal" ao setor industrial.

O professor José Márcio Camargo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), avalia que o alívio poderá ser observado no curto prazo, mas faz uma ressalva: "É possível que, em seis meses, a indústria se encontre novamente nesta situação." Isso pode ocorrer, argumenta, mesmo que o câmbio nominal se mantenha estável. "Como a inflação no Brasil é maior do que a de seus parceiros comerciais, sem reformas estruturais o câmbio real será de novo um entrave à indústria", afirmou.

O maior mérito do pacote, na avaliação de Carlos Kawall, economista-chefe do Banco J. Safra, está em sua capacidade de estimular a confiança empresarial e, dessa forma, tornar o ambiente mais atrativo para investimentos. "Essas medidas fazem parte de um esforço para criar um clima mais positivo para a indústria", afirma. A visão, no entanto, não é consensual. Para Camargo, da PUC-RJ, a indústria não investe por causa das baixas expectativas em relação ao futuro. Por isso, baratear o custo do crédito surte pouco efeito.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

Obra de Jirau volta a parar após incêndio

Fogo no canteiro de obras teria sido criminoso, segundo as autoridades; onze suspeitos foram detidos

Nilton Salina

PORTO VELHO - Um novo incêndio criminoso ocorrido na madrugada de ontem no canteiro de obras da hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, destruiu 36 dos 57 alojamentos dos operários. Onze pessoas foram presas por policiais militares de Rondônia e por soldados da Força Nacional de Segurança.

De acordo com informações de funcionários, o fogo começou em um matagal ao lado dos alojamentos e se alastrou rapidamente, causando grande confusão. Em pouco tempo as chamas atingiram alojamentos e vândalos teriam começado a depredar os dormitórios. Houve correria e tumulto, o que dificultou a identificação dos responsáveis.

O tumulto causou nova paralisação da obra, que já ficou parada por 23 dias até a última segunda-feira, por causa da greve dos trabalhadores.

Em março do ano passado, o canteiro de Jirau já havia sido palco de depredação de ônibus e alojamentos, com incêndio criminoso e saque de caixas eletrônicos.

Ontem, cerca de 7 mil trabalhadores estavam nos alojamentos. Eles foram levados após o tumulto para o ginásio do Sesi, onde receberam alimentação. Mais tarde, a empresa Camargo Corrêa iniciou a triagem dos funcionários para que eles fossem hospedados em hotéis ou recebessem passagens para voltar às suas cidades de origem até que a situação seja resolvida.

O Gabinete de Gestão Integrada do governo do Estado reuniu-se pela manhã na Secretaria de Segurança e definiu que por enquanto não será preciso pedir apoio ao Exército.

O secretário, delegado da Polícia Federal Marcelo Bessa, explicou que manteve contato com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que autorizou o envio de mais homens da Força Nacional de Segurança para Porto Velho e anunciou que, se for preciso, acionará o Exército.

Marcelo Bessa explicou que não será possível para a Polícia de Rondônia se responsabilizar pela segurança no canteiro de obras, porque isso significaria sacrificar o policiamento em Porto Velho.

"Massa de manobra". A secretaria de segurança acredita que grupos não identificados estariam usando os trabalhadores como "massa de manobra" para provocar desordem em canteiros de grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.

A greve nas usinas de Santo Antônio e Jirau terminou na manhã da última segunda-feira, após uma assembleia onde os funcionários aceitaram a proposta dos consórcios construtores - reajuste salarial de 7% para quem recebe até R$ 1,5 mil e 5% para quem tem salário superior a esse valor.

A paralisação começou na Usina Jirau, no dia 9 de março.

O clima é de tensão entre os trabalhadores e há denúncias de que um grupo teria impedido que os operários favoráveis ao fim da greve de votarem nas assembleias da semana passada. Representantes do Ministério Público do Trabalho acompanharam a última reunião.

A greve foi considerada ilegal e abusiva pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que autorizou a demissão de funcionários que comprovadamente participassem de atos de vandalismo, que aterrorizassem colegas ou os impedissem de ter acesso ao canteiro de obras.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Governo reforça segurança em Jirau

Força Nacional envia mais 120 homens após incêndio em 36 alojamentos

Danilo Fariello, Rennan Setti

BRASÍLIA. O governo federal enviou na madrugada de ontem mais 120 homens da Força Nacional de Segurança para Porto Velho. Pela manhã, 11 pessoas foram presas, depois que 36 dos 53 alojamentos da margem direita do rio Madeira foram incendiados por volta de 1h da manhã. Ninguém ficou ferido no incêndio, mas um operário morreu de infarto durante o incidente. No local, já havia 113 membros da Força Nacional e 140 policiais militares para auxiliar a Polícia Militar de Rondônia no combate aos tumultos nas obras da usina hidrelétrica de Jirau.

Em assembleia, a maioria dos trabalhadores da construção aprovou na segunda-feira a volta ao trabalho. Mas, segundo a construtora Camargo Corrêa, após os incêndios, a obra foi paralisada e três mil dos sete mil trabalhadores foram levados para Porto Velho. A construtora - que classificou o incidente de "novos atos de vandalismo" - ainda não avaliou os prejuízos. Em 2011, também houve tumultos violentos no canteiro e, agora, a Secretaria de Segurança de Rondônia vai instalar uma delegacia provisória em Jirau.

O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil do estado, Altair Donizete, acredita que o incêndio foi iniciativa de uma minoria de trabalhadores insatisfeitos com o acordo que encerrou a greve na segunda-feira, ou ainda de intrusos.

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência (SGP), Gilberto Carvalho, disse que o governo vai oferecer o apoio necessário da Força Nacional para evitar tumulto. Ontem, a SGP reuniu representantes de governo, trabalhadores e empresas. Na reunião, representantes dos trabalhadores da hidrelétrica de Belo Monte, que esteve em greve nos últimos dias, pediram uma melhor forma para pagamento dos salários. Ontem, segundo o consórcio, os trabalhos eram executados normalmente.

FONTE: O GLOBO

Greve em Belo Monte foi suspensa, diz consórcio

Luciana Collet e Fátima Lessa

CUIABÁ - O Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) informou ontem que as obras de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte foram retomadas em todas as frentes de trabalho. A informação foi confirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada do Estado do Pará (Sintrapav), que representa os trabalhadores da hidrelétrica.

O sindicato deu o prazo até o dia 16 de abril para uma contraproposta às reivindicações encaminhadas pelos trabalhadores ao consórcio, mas já está marcada para o próximo dia 10 uma reunião entre as partes.

O CCBM exigiu o retorno ao trabalho dos operários para dar início à negociação, o que, segundo o Sintrapav, foi aprovado pelos trabalhadores na sexta-feira. A retomada das atividades deveria ter sido feita no sábado, dia de trabalho em Belo Monte, mas segundo o sindicato e o consórcio, houve o bloqueio da estrada que leva aos canteiros. Ontem, o CCBM efetuou o pagamento dos trabalhadores e por isso não houve expediente.

Em informativo distribuído ontem aos trabalhadores de Belo Monte, o Sintrapav afirma que pessoas estão "infiltradas no meio da categoria, fazendo tumulto e propagando a violência". Segundo a entidade, essas pessoas teriam interesses políticos, inclusive relacionados ao ano eleitoral, ou ainda estariam buscando interromper definitivamente a construção da usina.

Ainda no documento, o Sintrapav se declara o "legítimo e único representante dos trabalhadores da categoria, e nenhuma federação, central sindical ou outra entidade sindical tem competência para fazer reivindicações e melhorias para a categoria".

O sindicato reivindica também que a CCBM e a Justiça garantam o trabalhador que quer trabalhar "sem ser constrangido e sem sofrer violências".

Ontem quatro lideranças do Movimento Xingu Vivo para Sempre, contrárias à construção da hidrelétrica, foram proibidas de se aproximar do canteiro de obras por decisão judicial. Uma liminar de interdito proibitório (ação judicial para repelir algum tipo de ameaça) foi concedida pela Justiça Estadual do Pará, atendendo a um pedido encaminhado pelo CCBM.

O Movimento diz que a paralisação ainda é parcial e que ontem os trabalhadores foram levados aos canteiros em ônibus escoltados pela Polícia Militar.

O CCBM disse que em dias de pagamento não há expediente nos canteiros de obras, e por isso na segunda-feira "era impossível avaliar sobre a continuidade ou mesmo sobre o fim da greve". A nota diz ainda que "em nenhum momento a greve atingiu todos os canteiros".

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Armênio Guedes é cidadão Paulistano

A entrega do título de Cidadão Paulistano a Armênio Guedes, ocorreu na sexta feira, dia 30/3, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo. Foi comovente ver o respeito e o carinho de todos por ele. Entre outros, estiveram presentes o ex-Governador José Serra, o Ministro do STF Eros Grau, o senador Aloysio Nunes, o infectologista Luiz Hildebrando Pereira da Silva; a vice-prefeita, Alda Marco Antonio; o Frei Oswaldo Rezende; o jornalista Marco Antonio Coelho e o ex-deputado federal Marcelo Cerqueira.

FONTE: Vereador Eliseu Gabriel - PSB

Síntese da felicidade:: Carlos Drummond de Andrade

Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

terça-feira, 3 de abril de 2012

OPINIÃO DO DIA – Habermas: opinião pública

Tal degradação da opinião pública resulta, necessariamente, do conceito que Hegel tinha da sociedade burguesa. Bem que ele louva uma vez as leis dela, apontando a economia política de Smith, Say e Ricardo como aparência de racionalidade, mas a sua visão do caráter ao mesmo tempo anárquico e antagônico desse sistema de necessidades destrói, decididamente, as ficções liberais, sobre as quais repousava o auto-entendimento da opinião pública como sendo a razão nua e crua. Hegel descobre a profunda divisão da sociedade burguesa, que “não só não supera dialeticamente (...) a desigualdade (...) posta por natureza, mas (...) eleva-a a uma desigualdade das aptidões, da fortuna e até mesmo da formação intelectual e moral”. Pois, “mediante a generalização da vida conjunta dos homens através de suas necessidades e dos modos e meios de evitá-las e satisfazê-las, aumenta o acúmulo de riquezas (...) por um lado, assim como, por outro lado, a individualização e limitação do trabalho singular e, com isso, a dependência e necessidade da classe presa a esse trabalho (...) Aqui se mostra que, apesar do seu excesso de riqueza, a sociedade burguesa não é suficientemente rica, ou seja, em sua peculiar riqueza, ela não possui o suficiente para pagar tributo ao excesso de pobreza e a plebe que ela cria”.

HABERMAS, Jürgen (Düsseldorf, 18 de Junho 1929), filósofo e sociólogo alemão. Mudança estrutural da esfera pública, p.143-4. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, 1984.

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
DEM abrirá processo para expulsar 'senador do bicho'
Pacote pode superar os R$ 30 bilhões
Turismo para Brasil cai 10% entre espanhóis

FOLHA DE S. PAULO
Taxa de roubos do Estado de SP ultrapassa a do Rio
PF afirma que Cachoeira pagou propina no Incra
Cúpula do DEM decide expulsar Demóstenes
Governo quer tarifa igual para celular de outra operadora
Entra em vigor novo sistema de ponto eletrônico

O ESTADO DE S. PAULO
DEM abrirá processo para expulsar Demóstenes
Investigação sobre Mantega é suspensa pelo Supremo
Governo lança mais medidas de incentivo à indústria

VALOR ECONÔMICO
Energia no mercado livre tem maior preço desde 2010
Economia sustentável divide OCDE e emergentes
Cade avalia oferta da Camargo
Governo prepara nova estatal
Cisco vai investir R$ 1 bi

CORREIO BRAZILIENSE
DEM abre processo hoje para expulsar Demóstenes
Projeto que extingue o 14° e o 15° salários está pronto para ir à votação no Senado
Brasil ameaça, Madri negocia
Dia de pacote para indústria

ESTADO DE MINAS
Acordo com o México atingiu Minas e Paraná
Estrada boa? Nem pagando...
Projeto acaba com 14º e 15º de vereadores

ZERO HORA (RS)
Como o pacote de Dilma ajuda a indústria gaúcha
Está mais caro conquistar o diploma na universidade
Cristina no ataque

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
DEM já prepara a expulsão de Demóstenes

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Analistas prevêem crescimento menor do PIB este ano

Balança comercial fecha trimestre com superávit de US$ 2,4 bilhões

Gabriela Valente e Eliane Oliveira

BRASÍLIA. Nem a redução dos juros básicos, nem a confirmação pelo Banco Central (BC) da previsão de crescimento de 3,5% em 2012 contagiou as expectativas dos analistas do mercado financeiro. A pesquisa semanal da autarquia mostra que eles continuam pessimistas em relação à economia, pois revisaram para baixo suas apostas tanto para o crescimento deste ano, como do ano que vem. A projeção para 2012 passou de 3,23% para 3,2%. Já para 2013, a queda foi maior: de 4,29% para 4,2%. De acordo com o levantamento do BC, a estimativa para a inflação oficial, o IPCA, passou de 5,28% para 5,27% neste ano, ainda está bastante acima da meta central estabelecida pelo governo para 2012 de 4,5%.

O Ministério do Desenvolvimento divulgou ontem que a balança comercial brasileira teve superávit de US$ 2,440 bilhões no primeiro trimestre do ano. As vendas para os EUA aumentaram 38,8% frente ao mesmo período de 2011. Em março, o crescimento dos embarques para os EUA foi de 40,3%, com destaque para petróleo, produtos siderúrgicos, bens de capital, aeronaves e eletroeletrônicos. Ainda assim, o resultado da balança ficou 22,4% abaixo do primeiro trimestre de 2011, quando o superávit chegou a US$ 3,145 bilhões.

No primeiro trimestre, as exportações somaram US$ 55,080 bilhões e as importações, US$ 52,640 bilhões. Já no mês passado, houve superávit de US$ 2,019 bilhões, o maior dos últimos cinco anos para meses de março. As vendas externas foram de US$ 20,911 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 18,892 bilhões, também as mais elevadas da História para o mês.

FONTE: O GLOBO

Dilma quer leilão do Galeão após eleições

Presidente também já decidiu sobre concessão de Confins, além de outro aeroporto no Norte ou no Nordeste

Geralda Doca

BRASÍLIA. A presidente Dilma Rousseff já bateu o martelo sobre a concessão à iniciativa privada dos aeroportos Galeão (Tom Jobim), Confins, em Belo Horizonte, e um terceiro no Norte ou Nordeste. Os leilões serão feitos este ano, mas depois das eleições municipais de outubro, para evitar o uso político da privatização na campanha.

De acordo com fontes, o governo quer adiar a segunda rodada para depois das eleições para não alimentar críticas de que o primeiro leilão (Viracopos, Brasília e Guarulhos) foi mal feito. Apesar dos ágios elevados, nenhum grande administrador aeroportuário entrou no processo.

Apesar de não ter problemas de capacidade, o Galeão sofre com a qualidade do serviço prestado e por isso seria um dos primeiros da lista. Já Confins precisa de investimentos para atender à demanda. No Nordeste, podem ser transferidos à inciativa privada os aeroportos de Salvador ou Recife. No Norte, o de Manaus tem mais chances devido a gargalos de atendimento.

Para aumentar a competição, a ideia é que os vencedores dos três primeiros leilões fiquem de fora dos seguintes, ainda que em regiões distintas. Oficialmente, porém, os técnicos do governo evitam fazer comentários sobre futuras concessões. O plano de outorga elaborado pela Secretaria de Aviação Civil, que vai ajudar a definir o destino de cada terminal, precisa passar pela aprovação da presidente.

Já em relação a Viracopos (Campinas), o processo continua em análise na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), aguardando parecer da Advocacia-Geral da União. Disputam o aeroporto, leiloado em 6 de fevereiro, Triunfo Participações, vencedora, e Odebrecht, segunda.

Conforme o GLOBO antecipou, o acirramento da disputa levou a Anac a adiar o prazo para um parecer final. Segundo cronograma publicado ontem no Diário Oficial da União, a agência fixou para quinta-feira a decisão final. O prazo era sexta-feira passada.

FONTE: O GLOBO

O PAC que não existe

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é candidato a maior fiasco da história do país. Lançado e relançado sem que uma boa parte de suas obras tenha sequer saído do papel, vem se confirmando uma mera peça de propaganda. Seu fracasso é a melhor tradução do engano que o PT oferece aos brasileiros.

Não é necessário nem se debruçar por muito tempo sobre relatórios, planilhas e números do PAC para atestar o malogro. A constatação pode ser feita a olho nu: obras anunciadas com cores vívidas em peças de marketing revelam-se esmaecidas e desbotadas ao vivo. Onde deveria haver tijolo e cimento, há poeira e lama.

A lista é extensa: as obras da transposição das águas do rio São Francisco, a ferrovia Transnordestina, o estaleiro cujos navios não navegam, o Arco Rodoviário do Rio, os metrôs das capitais e, especialmente, as ações de saneamento básico, conforme mostra O Globo em suas edições de hoje e ontem.

"Cinco anos após a criação do PAC, as maiores obras de infraestrutura do país têm atraso de até 54 meses em relação ao cronograma original. (...) Em dez megaobras, que somam R$ 171 bilhões, os prazos de conclusão previstos no cronograma inicial foram revistos", sintetiza o jornal carioca.

O que deveria ter ficado pronto ainda no governo Lula corre o risco de não ser entregue sequer na gestão Dilma Rousseff. Alheio a isso, o marketing petista lançou a segunda fase do PAC sem ter entregado uma ínfima parte do PAC original. A prestação de contas do programa também é nebulosa e o desempenho geral só melhora um pouco quando se inclui nas contas recursos de financiamento habitacional - dinheiro, frise-se, que terá de ser pago pelos tomadores.

O fracasso mais gritante é o do saneamento, em que o atraso brasileiro é vergonhoso. Em 2007, o governo petista anunciou, com estardalhaço, que R$ 40 bilhões seriam investidos como parte do PAC. Mas, até o fim de 2010, apenas R$ 1,5 bilhão haviam sido aplicados na expansão dos sistemas de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos. Um malcheiroso vexame.

O governo do PT só conseguiu finalizar oito das 114 obras de saneamento previstas. Pior: de acordo com levantamento feito pela organização Trata Brasil, 60% dos empreendimentos estão paralisados, atrasados ou não foram iniciados. "O Norte tem 100% das obras do PAC paralisadas, seguido por Centro-Oeste (70%) e Nordeste (34%)", informou O Globo ontem.

Os petistas gostam de jactar-se de ter "ressuscitado" o planejamento no aparato estatal. Dilma Rousseff, mesmo antes de ser eleita presidente, era uma das que mais dizia isso. O discurso era sempre o mesmo, mais ou menos nesta linha: "Encontramos um Estado falido, sem capacidade de planejar e realizar nada. Agora é diferente". Diferente onde?

Vejamos o que aconteceu com o calamitoso saneamento. Entre 1991 e 2000, o serviço de abastecimento de água cresceu 1,1% ao ano no país. Parece pouco? A redenção chegou a galope com o PT? Nada disso: na década seguinte, por assim dizer a "década petista", o ritmo de expansão caiu a 0,6% anual. No caso do atendimento com coleta de esgotos, passamos de um avanço médio de 1,9% entre 1991 e 2000 para 0,7% de 2001 a 2010.

Não é difícil constatar que a publicidade petista só sobrevive à custa de muita mentira. Não é apenas o PAC que mascara realidades para apresentá-las em cores menos decepcionantes à sociedade. A chamada "contabilidade criativa" também tem sido usada para maquiar o desempenho dos investimentos públicos como um todo.

Mansueto Almeida, do Ipea, mostrou, na semana passada, que os investimentos públicos caíram aproximadamente 30% em termos reais no primeiro bimestre. Por que ninguém leu isso nos jornais? Porque o governo mudou a forma de contabilizar despesas de custeio do Ministério das Cidades, passando a tratá-las como investimento - que, lidos assim, de cabeça para baixo e de trás para frente, cresceram, oficialmente, 2%.

Entretanto, assim como a mentira, a manipulação também tem pernas curtas. A enganação que acabou se revelando o PAC é cada vez mais notada pela população, que continua a esperar melhorias que nunca chegam. Este histórico de fracassos desnuda o desrespeito da gestão petista pelo interesse público e a flagrante incapacidade de realizar aquilo que o país realmente precisa.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela (2/4/2012)

Governo lança mais medidas de incentivo à indústria

O governo anuncia hoje um pacote de medidas para estimular a indústria, que enfrenta crise de competitividade em razão da forte concorrência internacional e do câmbio. As ações estão focadas na queda do custo dos empréstimos, sobretudo do BNDES, e na redução de tributos para alguns dos setores mais atingidos pela crise. As vendas de carros caíram no primeiro trimestre e o setor pede incentivos à produção e crédito ao consumidor.

Sai hoje mais um pacote de estímulo à indústria

Medidas devem reduzir o custo do crédito e cortar imposto para setores em dificuldade

Renata Veríssimo, Adriana Fernandes

BRASÍLIA - Oito meses após o lançamento da política industrial e de comércio exterior da presidente Dilma Rousseff, o governo anuncia hoje mais um pacote de medidas para estimular a indústria brasileira que passa por uma crise de competitividade em função da forte concorrência internacional e da taxa de câmbio valorizada.

As ações estão focadas no barateamento dos empréstimos, sobretudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e na redução pontual de tributos a alguns setores mais combalidos pela crise.

Desde o lançamento do último pacote em agosto de 2011, batizado de Plano Brasil Maior, a situação da indústria só piorou. E agora a ameaça da desindustrialização já é realidade em alguns setores. Esse cenário forçou o governo a reagir rapidamente, para não deixar o crescimento da economia ser mais afetado. Porém, as medidas foram preparadas usando o mesmo remédio adotado no auge da crise de 2009 e no lançamento do Brasil Maior, que não deslanchou.

A desoneração tributária de alguns setores da indústria mais afetados pelos câmbio valorizado e a redução do custo dos financiamentos para estimular o crédito dão o tom das ações.

A data escolhida para o lançamento das medidas é simbólica. Hoje também o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o resultado da produção industrial em fevereiro. As projeções de mercado mostram que o desempenho do setor continua fraco.

Toque de caixa. O senso de urgência levou o governo a fechar as medidas a toque de caixa. Até o início da noite de ontem, os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, ainda fechavam com a presidente Dilma as medidas que seriam incluídas no pacote. Durante todo o dia, representantes do setor automotivo tiveram reuniões com integrantes da equipe econômica para entender o novo regime do setor. Uma fonte deixou o último encontro com a informação de que a medida estaria no pacote.

Do lado do crédito, o governo promete um "choque" no custo dos empréstimos voltados para novos investimentos e capital de giro, graças ao subsídio do Tesouro. Algumas taxas do BNDES ficarão mais baratas do que no auge da crise internacional, até mesmo com juros negativos (abaixo da inflação do período). Segundo antecipou o Estado, o Tesouro terá custo de R$ 6,4 bilhões ao permitir que o BNDES eleve em R$ 18 bilhões o volume de recursos que poderão ser emprestados a juros subsidiados.

A presidente Dilma também anunciará a desoneração da folha de pagamento de salários para setores da indústria afetados pelo câmbio. Em troca, pagarão uma contribuição sobre faturamento bruto. A medida desonera as exportações, já que uma lei aprovada no âmbito do Brasil Maior retirou do cálculo do faturamento as receitas com vendas externas. Para onerar as importações dos mesmos setores, o governo também deve anunciar o aumento da Cofins, seguindo o mesmo modelo do projeto-piloto adotado no Brasil Maior para três setores.

O governo também quer deslanchar os investimentos anunciados pelo setor automotivo que não foram iniciados. Por isso, a expectativa é que, entre as medidas a serem anunciadas, estejam as regras de estímulo para a instalação de novas empresas no Brasil e para aquelas já instaladas que queiram ampliar ou abrir novas unidades no País.

Também se espera, como antecipou Pimentel, que sejam divulgadas as regras de redução do IPI para as montadoras já instaladas no Brasil, de acordo com o nível de conteúdo local e investimento em inovação.

O pacote vai incluir também a desoneração dos investimentos para construção de redes de comunicação. A desoneração será de R$ 6 bilhões nos próximos cinco anos e o governo exigirá contrapartida das empresas beneficiadas. Para ter direito à desoneração, as empresas terão de construir redes em áreas menos desenvolvidas apontadas pelo Ministério das Comunicações.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

A crise da indústria e a política do governo

Julio Gomes de Almeida*

A enrascada em que se meteu a indústria brasileira não é de simples encaminhamento porque são múltiplos os fatores envolvidos. É uma crise propriamente da indústria porque a produtividade desse setor vem crescendo pouco e sem produtividade não há como enfrentar a concorrência que vem de fora. É também uma crise do país, que se tornou caro antes de ficar rico. O Brasil acumula recordes mundiais em matéria de carestia em várias áreas como na tributação, logística, energia e no custo de capital das empresas que não têm acesso ao BNDES. O câmbio, que deveria neutralizar esses fatores, agrava ainda mais o desbalanceamento da competitividade da produção realizada no país.

O impasse industrial corresponde ainda a um desdobramento da crise mundial, que estreitou sobremaneira os mercados consumidores ao redor do mundo ao mesmo tempo em que ampliava extraordinariamente a capacidade de produção de bens industriais, em especial do grande produtor manufatureiro que se tornou a China. Nesse sentido, a retração que se assiste na produção, nas exportações e nos investimentos industriais no Brasil nada mais é do que reflexo de inconsistências internas que agora sofrem contestação diante do que ocorre no mundo. Como isto não tende a se alterar tão cedo e os fatores internos relativos à produtividade, custo e câmbio são de difícil encaminhamento e levam tempo para surtirem efeito, a situação adversa da indústria deverá se prolongar por mais alguns anos.

A crise, portanto, é grave e exige medidas de curto prazo como as que o governo vem tomando, mas ao lado disso requer também ações em profundidade capazes de redirecionar as variáveis em questão. A política econômica está aprimorando os mecanismos de contenção da concorrência predatória e desleal dos produtos importados, o que é importante, mas ir além disso na direção de um maior protecionismo é impossível dado o elevado nível de dependência da produção doméstica com relação aos insumos e bens de capital que vêm do exterior.

As medidas na área do financiamento lançadas pelo governo fazem efeito mais imediato e por isso tendem a ser privilegiadas, embora sobrecarreguem o Tesouro. Um aperfeiçoamento para o futuro poderia ser um maior direcionamento do crédito bancário ou a utilização do recolhimento compulsório das instituições financeiras para o financiamento da atividade produtiva. Medidas adicionais para ampliar o financiamento voluntário de longo prazo seriam também bem vindas.

Contudo, não se deve perder de vista o que também é essencial. Sem programas de redução do custo Brasil, sem um incentivo ainda maior do que o governo vem concedendo à inovação e ao aumento da produtividade da economia e sem uma maior estabilidade do câmbio não há solução possível ainda que uma boa política industrial venha a ser aplicada, como nos parece ser o caso da atual política industrial brasileira.

Economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

FONTE: O GLOBO

Gustavo Binenbojm: ‘Decisão do TSE é incompatível com liberdade de expressão’

O constitucionalista Gustavo Binenbojm, responsável pela ação que derrubou a censura a programas de humor e críticas jornalísticas no período préeleitoral, considera a legislação eleitoral, em alguns pontos, incompatível com a liberdade de expressão.

O GLOBO: Qual a sua opinião sobre a restrição do uso do Twitter ?

GUSTAVO BINENBOJM: A decisão se deu por uma apertada maioria, 4 votos a 3. Mas vê-se que o TSE tem adotado uma postura muito restritiva, pesando demais a balança para a defesa do processo eleitoral e de certa forma restringindo excessivamente a liberdade de expressão e o direito de expressão.

Por quê?

BINENBOJM: Nessa matéria, propaganda eleitoral e seus limites, dialogam dois princípios jurídicos importantes que têm que ser harmonizados de forma que um não exclua a incidência e o peso do outro. De um lado, a garantia da liberdade de expressão e do direito à informação. De outro, a lisura do processo eleitoral. A liberdade de expressão, no caso, não apenas a dos candidatos, mas a liberdade de expressão dos cidadãos em geral que pretendam se manifestar em relação a candidaturas, ou a partir dos políticos.

Como esses princípios devem conviver?

BINENBOJM: A lisura do processo eleitoral, no Brasil, deu ensejo a uma regulação por lei — e acho que corretamente — do acesso ao chamado horário eleitoral gratuito. Eu acho que é correta a regulação, na medida em que você tem a dificuldade de acesso aos meios rádio e televisão, porque o horário e o espaço são muito caros, e isso poderia ensejar um desequilíbrio. Agora, toda vez que a regulação vai além do necessário, por exemplo, em e-mails, em twitters, em manifestações espontâneas das pessoas nas ruas — em camisas ou em cartazes —, que não tenham a ver com a garantia ou a lisura do processo eleitoral, e não envolvem poder econômico de ninguém, essa restrição à liberdade de expressão e ao direito à informação é excessiva, ela é irrazoável, é desproporcional.

Como contornar o problema?

BINENBOJM: A lei eleitoral é de 1997 e precisa ser atualizada à luz desse princípio.

Qual é esse princípio? A regra geral é a liberdade de expressão e o direito à informação. A regulação é exceção.

FONTE: O GLOBO

Operários mantêm greve em Belo Monte

No quinto dia de greve, há informações de um trabalhador preso e dois atendidos por ingestão de gás de pimenta, usado por policiais

Fátima Lessa

CUIABÁ - Trabalhadores continuam parados nos canteiros de obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construída na Volta Grande do Rio Xingu, em Altamira, no Estado do Pará. Ontem, no quinto dia da greve que paralisou as obras, um trabalhador foi preso pela Polícia Militar e dois teriam sido atendidos no hospital da cidade, segundo Fábio Kanan, armador do Sítio Canais e Diques de Belo Monte, por causa da ingestão de gás usado por policiais.

Durante a ação, os policiais teriam usado spray com gás de pimenta. A coordenadora do Movimento Xingu Vivo para Sempre, a advogada Antonia Melo, disse que pelo menos 12 trabalhadores estão ameaçados de demissão por causa das movimentações dos últimos cinco dias.

Para hoje, está prevista a realização de uma reunião entre representantes do governo federal, das empresas construtoras da usina e do sindicato da categoria, em Brasília. Nos canteiros de obras, os trabalhadores se mobilizam para realizar uma assembleia no Sítio Belo Monte. Estão de braços cruzados 8,3 mil trabalhadores.

Ontem o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), responsável pela obra, adiantou o pagamento dos salários, previsto para quinta-feira, dia 5. Cerca de 7 mil trabalhadores costumam receber o salário, em dinheiro vivo, em uma danceteria da cidade de Altamira. "O pagamento é entregue em envelopes de papel, colocando em risco os trabalhadores", contou Karan.

De acordo com as informações, três trabalhadores teriam sido assaltados ontem, logo após receber o pagamento. "No mês passado ocorreram 14 assaltos", disse.

Acidente. O movimento grevista dos trabalhadores começou na quarta-feira, 28 de abril, em um dos canteiros da obra, o Sítio Pimental, após um acidente de trabalho que matou um operador de motosserra. Na quinta-feira, a greve atingiu todos os canteiros de obras.

As reivindicações são as mesmas da greve ocorrida em novembro do ano passado: equiparação salarial, redução do intervalo da baixada (visita à família, quando são de outras regiões) de seis para três meses, melhorias na comida e na água, o fim do desvio de função, baixada para ajudantes de produção (cargo mais baixo na hierarquia da obra), capacitação para funcionários, plano de saúde, aumento do cartão alimentação (hoje, em cerca de R$ 90), aumento de salário, pagamento de horas extras aos sábados, transporte digno e o direito à baixada para os trabalhadores que decidirem, por conta própria, morar fora dos canteiros de obras.

As obras de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte estão distribuídas em cinco canteiros: Sítio Pimental, Sítio Belo Monte, Sítio Porto e Acessos a 27 quilômetros de Altamira e Sítio Canais e Diques.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Santo Antônio e Jirau: fim da greve

Em Belo Monte, trabalhadores decidem hoje se aceitam proposta do consórcio

BRASÍLIA E RIO. Chegaram ao fim as greves nas hidrelétricas da Amazônia. Em assembleia ontem, os trabalhadores das usinas do Rio Madeira Jirau e Santo Antônio aceitaram uma antecipação de aumento de até 7% nos salários e a elevação do valor da cesta básica para R$ 220 por mês para quem recebe até R$ 1,5 mil. Para quem ganha acima desse valor, o aumento será de 5% e o valor da cesta, R$ 200. As negociações, mediadas pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), porém, continuam até maio.

Em Santo Antônio, o consórcio construtor confirmou o retorno dos funcionários do turno da manhã. Em assembleia, houve adesão de 100% ao retorno. Em Jirau, o percentual ficou acima de 90%, e a volta ao trabalho era feita ao longo do dia. As empresas prometeram não descontar os dias de greve. Em Jirau, foram 24 dias, e em Santo Antônio, 12.

— O bom senso prevaleceu, e caminhamos para acordo — disse Claudio Gomes, presidente da Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira (Conticom), filiada à CUT.

Em Belo Monte, no Pará, onde trabalhadores também cruzaram os braços semana passada, ontem foi dia de pagamento, e quando os cerca de sete mil funcionários vão à cidade receber e não trabalham. Houve tumulto. Segundo um dos membros da comissão que tenta negociar com o consórcio, Jeverson Vieira da Silva Ferreira, hoje pela manhã os trabalhadores devem decidir se aceitam, ou não, a proposta do consórcio:

— Estamos abertos para negociar, mas não nos procuram. (Colaborou Cássia Almeida)

FONTE: O GLOBO

PT-SC pode ser punido por campanha de Ideli em 2010

Falhas na prestação de contas ao TRE \"ostentam gravidade suficiente\" para sua rejeição, diz procuradoria do Estado

Alana Rizzo

BRASÍLIA - O Ministério Público Eleitoral pediu a reprovação das contas de 2010 do PT de Santa Catarina, responsável por 81% dos custos da campanha da ministra Ideli Salvatti ao governo do Estado. De acordo com a Procuradoria Regional Eleitoral, as irregularidades encontradas "ostentam gravidade suficiente a ensejar a desaprovação as contas".

A manifestação foi seguida pelo parecer técnico da Coordenadoria de Controle Interno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC). Para o órgão, as infrações comprometem a confiabilidade das contas prestadas, indicando inconsistência. O relatório pediu ainda a perda, por parte do PT-SC, da quota do Fundo Partidário.

A Corte, no entanto, decidiu aprovar com ressalvas as contas do Comitê Financeiro. Os juízes entenderam que as irregularidades identificadas na documentação eram "formais". O acórdão foi publicado em 17 de agosto de 2011. De acordo com o relatório do Controle Interno do TRE, o PT de Santa Catarina recebeu doações não registradas e usou recursos que não eram da campanha para quitar gastos eleitorais.

Inconsistências. Também foram identificadas inconsistências no cruzamento de informações com as doações de candidatos e com a base de dados da Receita Federal. O partido, por exemplo, declarou ter recebido, em 30 de outubro de 2010, um cheque de R$ 1.000 da então candidata Ideli Salvatti. Segundo o relatório, no entanto, a ministra não registrou a doação.

O Controle Interno do TRE-SC afirma ainda que foram feitas alterações no demonstrativo de Receitas e Despesas do partido, sem esclarecimentos.

Os recursos provenientes de pessoas físicas passaram de R$ 27.172,41 para R$ 26.932,50. As doações de combustível sofreram decréscimo, enquanto as locações de veículos aumentaram em R$ 5,3 mil. Pelo menos 18 recibos de doações eleitorais foram preenchidos incorretamente, inclusive sem a assinatura do doador. A própria prestação de contas do PT não está assinada.

"Embora o comitê tenha declarado que o presidente encontra-se em Brasília, onde exerce suas funções de chefe de gabinete da ministra da Pesca e Aquicultura do governo federal, com compromissos que impossibilitaram assinar o documento", consigna-se a irregularidade da ausência da sua assinatura," diz o parecer.

Segundo os técnicos, o partido não conseguiu comprovar despesas de R$ 74,9 mil da Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina. "Foram detectadas despesas contraídas junto a pessoas jurídicas cuja comprovação se deu irregularmente por meio de outros documentos, o que denota que tais despesas não foram comprovadas por documentação hábil", afirma o relatório final, que diz ter encontrado indícios de doações de fontes vedadas. O Estado ligou para o presidente do PT-SC, José Fritsch, ex-ministro da Pesca, que não respondeu às chamadas. Segundo o diretório, ele está na Bahia e o partido não tem assessoria de imprensa.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

PSD vai apoiar Marcio Lacerda

Bertha Maakaroun

O novo PSD formalizou ontem apoio à reeleição de Marcio Lacerda (PSB). Diferentemente do PT e do PSDB, que reivindicam a coligação proporcional com o PSB de olho no voto de legenda, o PSD não pleiteou a aliança para as eleições de vereador. "Nossa chapa de vereadores é muito pequena em Belo Horizonte", admitiu Paulo Simão, presidente estadual do PSD.

O partido do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, exige, entretanto, participar da campanha, da elaboração do programa de governo e de uma eventual futura administração. "A nossa parceria com o PSD será em todo o estado", garantiu o presidente estadual do PSB, Walfrido Mares Guia.

Na agenda do PSB, estão conversas também com PR e PTB. Até agora, o PSB recebeu o apoio do PSDB, do PP, do PCdoB, do PSL e, segundo indica o resultado do encontro de tática eleitoral do PT, Lacerda também terá os petistas na coligação. "Estamos partindo da premissa, em função da resolução, de que o PT aprovou a coligação e indicará o vice. As coisas que vêm a partir daí são da economia interna deles", analisou Walfrido.

O presidente estadual do PSB afirmou ter recebido o aval para a aliança também do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na quarta-feira, logo após o anúncio dos bons resultados do tratamento contra o câncer. "Lula me disse: Fiquei muito feliz com a decisão do PT de Belo Horizonte de apoiar Lacerda." Walfrido evitou comentar a recomendação da resolução petista, para que o PSB vete a presença do PSDB na chapa. "Como é recomendação não preciso comentar. Se já convidamos o PSDB, não tem sentido vetá-lo porque outro companheiro que convidamos não gostaria de sentar-se à mesa com ele", alegou.

Da mesma forma que os vereadores de seu partido, Walfrido deu a entender, ontem, que o PSB tende a não se coligar nas eleições proporcionais, a menos que seja bom para a legenda. "Vamos estudar. Desde que não saiamos prejudicados", afirmou. Segundo ele, a coligação proporcional é o jogo do ganha-ganha. "Ninguém faz para perder. Quem perde é compensado na hora da montagem do governo", garantiuu.

O PMDB lançará candidatura própria contra a coligação encabeçada por Lacerda, assim como PV, DEM, PPS e PRP.

FONTE: ESTADO DE MINAS

Guerra oficializa Betinho no Cabo

Juliane Menezes

O PSDB do Cabo de Santo Agostinho oficializou ontem à noite a pré-candidatura do deputado Betinho Gomes (PSDB) a prefeito da cidade. A cerimônia ocorreu na casa de recepções Flor de Macaíba, em Ponte dos Carvalhos. Ao falar da sua postulação, Betinho a definiu como “uma afirmação do PSDB para representar as mudanças que o município precisa enfrentar”. Após esse pontapé inicial, o partido deve definir propostas de governo e buscar alianças.

Já falando como pré-candidato, o tucano afirmou que, se eleito, a sua gestão terá como foco os problemas sociais enfrentados pelo povo cabense, em contraste com o rápido desenvolvimento econômico registrado na cidade. “O Cabo desenvolveu-se bastante economicamente, mas a população não tem tirado proveito dessas mudanças. Há muitos problemas de infraestrutura, problemas sociais e déficit na educação”, conta o parlamentar.

Ele afirma, ainda, que sente-se plenamente confiante para assumir esse projeto e se diz um conhecedor dos problemas da cidade. Desde novembro do ano passado ele integra o movimento “De Olho no Futuro”, juntamente com outros partidos de oposição – como o PPS, PCdoB, PMDB, PHS, PR, DEM e PRB. Esse movimento organizou seminários e ouviu da população quais os principais problemas que elas enfrentam. O resultado desse estudo deve estar pronto em maio, quando deve ser feito um relatório para ser apresentado à prefeitura.

Estiveram presentes ao evento o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, o prefeito de Jaboatão dos Guararapes e pai de Betinho, Elias Gomes (PSDB), os deputados estaduais Rodrigo Novaes (PSD), Pedro Serafim Neto (PDT), Mary Gouveia (PSD), Luciano Siqueira (PCdoB), Terezinha Nunes (PSDB), Ricardo Costa (PTC), Antonio Moraes (PSDB), a vereadora do Recife Aline Mariano (PSDB), além de outros representantes dos partidos aliados.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Henry vai ao Palácio e nega interesse político

OPOSIÇÕES

Peemedebista tem reunião com o secretário da Casa Civil, Tadeu Alencar, mas ressalta que pauta foi só “administrativa”

Débora Duque

Quase uma semana após o encontro entre o governador Eduardo Campos (PSB) e o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), em Brasília, o afilhado político do peemedebista e pré-candidato à Prefeitura do Recife, Raul Henry (PMDB), visitou ontem a sede do governo estadual. O deputado federal esteve no gabinete do secretário da Casa Civil, Tadeu Alencar, que tem como uma de suas atribuições cuidar das articulações políticas do governo. Henry, no entanto, fez questão de afastar qualquer conotação política da reunião e alegou que a pauta foi exclusivamente administrativa.

Sinal disso é de que ele se dirigiu ao Palácio acompanhado de Pedro Henrique Alves, que ocupou a procuradoria-geral do Estado durante as gestões de Jarbas (1999-2002, 2003-2006). A reunião, segundo Henry, foi realizada a pedido do antigo procurador-geral, que necessitava resgatar documentos referentes ao período em que exerceu tal cargo, só disponíveis na chamada procuradoria de apoio, instalada na Casa Civil.

“Fui com Pedro atrás de questões formais da Procuradoria. Inclusive, estavam Tadeu Alencar e Thiago Norões (atual procurador-geral do Estado). Como tenho boa relação com ambos, e pedi que nos recebessem para tratar de pendências de documentos. Nada de política. Por que iria tratar de política com três procuradores?”, rechaçou Henry. A reunião aconteceu por volta das 19h, após o peemedebista ter finalizado as gravações das inserções do PMDB que irão ao ar na sexta-feira (6).

Para refutar o caráter político do encontro, Henry acrescentou ainda que entrou no Palácio “pela porta da frente” e bem na hora de um evento oficial. Na ocasião, estava sendo lançado o Movimento Brasil Eficiente, na sede do Executivo estadual. “Não houve mistério”, assegurou, lembrando que esteve lá em outras oportunidades.

Embora o ingresso de Henry na disputa municipal esteja praticamente sacramentado, circulam especulações de que ele, seguindo os gestos de Jarbas, poderia se aproximar do Palácio. Oficialmente, no entanto, o deputado tem buscado articular sua candidatura no campo das oposições.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Ala do PDT defende Ibsen

Vice-presidente estadual da sigla, Pompeo de Mattos diz que ex-deputado daria "upgrade" à chapa

Paulo Germano

As articulações para indicar o ex-deputado Ibsen Pinheiro (PMDB) à vaga de vice-prefeito na chapa de José Fortunati (PDT) já ganharam simpatizantes no partido do prefeito de Porto Alegre. O movimento ameaça as pretensões do vereador Sebastião Melo (PMDB), até então favorito para o posto.

Ontem, o vice-presidente estadual do PDT, Pompeo de Mattos – que também é secretário do Trabalho de Fortunati –, revelou preferência por Ibsen.

– Melo é muito respeitado por nós. Mas sabemos que Ibsen daria um upgrade à candidatura. E essa hipótese começa a ganhar corpo – garantiu Pompeo.

O upgrade ocorreria porque Ibsen, eleito cinco vezes deputado federal, teria mais força para angariar votos à tentativa de reeleição do prefeito. Segundo Pompeo, líderes do PDT evitam se envolver nas discussões do PMDB, mas "existe uma torcida".

Entre os peemedebistas, uma guerra interna divide o partido. Quem mais trabalha para enfraquecer Melo é o secretário municipal da Indústria e Comércio, Valter Nagelstein – que no mês passado chegou a dizer, no Twitter, que Melo "nomeia pessoas que não trabalham" para a prefeitura de Porto Alegre.

Dirigente do PP estadual nega preferência por ex-deputado O deputado Alceu Moreira engrossou o coro em defesa de Ibsen:

– Continuo defendendo a candidatura própria, com Ibsen na cabeça de chapa. E se ele é o candidato ideal para prefeito, em uma coligação também seria o melhor vice.

Na bancada de vereadores, no entanto, Melo goza de apoio majoritário. E este é o principal amparo para sustentá-lo na vaga de vice.

– O outro (Ibsen) até tem condições (de ser vice-prefeito), mas estamos falando de um dos melhores vereadores da cidade – argumentou o líder da bancada, Idenir Cecchim.

Ontem à tarde, o presidente estadual do PP, Celso Bernardi, lançou nota contestando informação publicada por ZH na segunda-feira.

A reportagem dizia que o ingresso de Ibsen na chapa facilitaria a entrada do PP na coligação com Fortunati. O ex-presidente da Câmara, em virtude da idade mais avançada (ele está com 76 anos), não seria um candidato natural para a eventual sucessão de Fortunati em 2016.

Os aliados, assim, poderiam disputar a indicação. Bernardi negou a articulação. "(...) não faz parte da minha conduta política tratar assuntos que digam respeito a indicação de candidato e/ou coligação de outros partidos", escreveu ele.

Um interlocutor dele, no entanto, garantiu que o grupo do PP que defende a coligação com Fortunati – e não com Manuela D"Ávila (PC do B) – ganha força com a possibilidade de Ibsen ganhar a vaga de vice.

FONTE: ZERO HORA (RS)

Entidades estudantis e de anistiados fazem ato pela Comissão da Verdade

“Tortura não se comemora, nem se esconde”. Com esse tema, estudantes, integrantes de movimentos de defesa dos direitos humanos e da associação de anistiados promovem manifestação, hoje, às 15h, no Centro de Artes e Comunicação (CAC) da UFPE. Eles vão protestar contra setores militares que comemoraram a passagem do aniversário do golpe de 1964 e reforçar a defesa da Comissão da Verdade – cobrando pressa da presidente Dilma na formação do grupo que vai investigar crimes da ditadura.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Ministério ficha suja

O governo Dilma Rousseff tem hoje dois ministros sob investigação de órgãos de fiscalização e controle e um terceiro na berlinda. Para uma gestão que, em seu primeiro ano de vida, notabilizou-se pelas quedas em série de integrantes envolvidos em denúncias de corrupção, trata-se de uma ficha corrida e tanto de "malfeitos".

Fernando Pimentel está tendo de se explicar à Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Ele tem até esta semana para mostrar como embolsou cerca de R$ 2 milhões por consultorias que até agora ninguém conseguiu comprovar que sequer existiram de fato.

As denúncias surgiram em dezembro e até hoje o ministro do Desenvolvimento esquivou-se de dar explicações públicas. Queridinho da presidente, contou com uma verdadeira tropa de choque para impedir que fosse ao Congresso prestar contas. A hora do acerto está chegando para ele.

Já o caso de Guido Mantega ficará sob a jurisdição da Procuradoria-Geral da República, depois que o ministro da Fazenda apelou e conseguiu suspender, no Supremo Tribunal Federal, uma investigação por suspeita de improbidade administrativa que seria realizada pelo Ministério Público Federal (MPF).

Sobre ele, pesa a suspeita de omissão em relação a um suposto esquema de corrupção na Casa da Moeda. Mantega nunca conseguiu explicar como nomeou Luiz Felipe Denucci e o manteve no cargo por mais de três anos, mesmo com reiteradas denúncias de que o presidente do órgão teria recebido US$ 25 milhões de propina por meio de empresas no exterior. O que será que o ministro tanto teme, a ponto de barrar o MPF?

O mais novo caso da lista de assaltos aos cofres públicos pelo esquema petista de poder deu-se no Ministério da Pesca. Sem ter sequer a atribuição legal de fiscalizar a pesca ilegal no país, que cabe à Polícia Ambiental, a pasta torrou R$ 31 milhões na compra de lanchas de patrulhamento. O negócio é, em tudo, nebuloso e eivado de suspeitas.

O contrato para aquisição das 28 lanchas-patrulha foi pago entre 2009 e 2011. Destas, apenas três embarcações estavam funcionando poucas semanas atrás. Outras 23 ainda não entraram em operação ou estão com avarias no pátio do estaleiro - localizado, não por acaso, na Grande Florianópolis, berço político de três dos ex-ministros petistas da Pesca.

A parte rumorosa do caso inclui a doação, sob coação, de R$ 150 mil para a campanha eleitoral petista em Santa Catarina em 2010, feita pela empresa contratada para construir as lanchas, a Intech Boating. Até o ex-ministro Luiz Sérgio, defenestrado do cargo no mês passado, considerou que houve um "malfeito" na Pesca.

O dinheiro foi parar nas contas do comitê financeiro da campanha catarinense, que, por sua vez, bancou a maior parte (81%) dos gastos da malsucedida campanha de Ideli Salvatti - hoje no comando do Ministério de Relações Institucionais de Dilma - ao governo do estado.

O Tribunal de Contas da União já pediu abertura de processo para recuperar o dinheiro desviado. Para o ministro Aroldo Cedraz, a licitação que resultou na compra de lanchas que não navegam e em dinheiro nos cofres do PT foi um negócio claramente direcionado para a empresa catarinense ganhar.

"O edital reproduzia os requisitos técnicos do modelo de estreia da empresa no mercado. (...) Além disso, o aviso de licitação foi publicado em jornal que circula apenas no Distrito Federal, onde não há estaleiros. A licitação exigia que as lanchas fossem entregues em São Luís (MA) e Belém (PA)", informa O Estado de S.Paulo em sua edição desta terça-feira.

São, portanto, muitas as evidências de que, embora tenham saído do foco diário da imprensa, os esquemas de corrupção continuam ativos na Esplanada. Não houve faxinas, não houve reformas, não se tem sequer notícia de algum constrangimento presidencial diante dos novos "malfeitos". Uma equipe de governo formada por tão ilustres investigados e demitidos só pode ser classificada como um ministério ficha suja.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Chico Buarque - Mil perdões

Futuro em risco:: Merval Pereira

Tudo que o partido Democratas quer é se descolar da imagem do senador Demóstenes Torres, para interromper a sangria que as recentes revelações de suas relações promíscuas com o bicheiro Carlinhos Cachoeira têm provocado.

Nos últimos dias, prevendo o desfecho contrário às suas pretensões, o senador parecia estar "em estado de torpor, muito sem rumo", e propôs acordos considerados "inexequíveis" pela maioria da direção partidária, que já avaliava sua situação definida a partir das novas revelações deste fim de semana.

Foi colocado para ele que sua presença no partido já não era aceitável, havia um clamor geral que não deixava alternativa a não ser sua desfiliação ou abertura de um processo sumário de expulsão.

O partido já aguentou o que podia aguentar, deu o tempo que podia dar, na avaliação de seu presidente, senador Agripino Maia, e o que não se quer agora é colocar em risco o futuro do partido, se é que ele ainda é viável depois de tantas baixas com a criação do PSD, mas, sobretudo, com dois de seus mais importantes líderes sendo apanhados em escândalos de corrupção que não deixam margem a dúvidas.

Não se fala de extinção do partido nem mesmo de sua fusão com o PSDB ou o PMDB, ou melhor, se fala, sim, mas tudo a depender do resultado das eleições municipais, que será, esse sim, o definidor dos caminhos.

Se o partido se sair razoavelmente bem das urnas, mostrando perspectiva de futuro, Agripino Maia e seus companheiros de direção partidária acham que conseguem segurar uma segunda debandada.

"Os valores que nós tínhamos para disputar as eleições municipais estão mantidos e fortalecidos pela decisão de cortar na carne", avalia Maia. "Mais uma vez o partido será o único a tomar uma atitude radical, coisa que nenhum outro tomou", frisa, lembrando que o Democratas já expulsara o ex-governador de Brasília José Roberto Arruda, enquanto partidos envolvidos em escândalos como o PT continuam mantendo em seus quadros, muito prestigiados, correligionários envolvidos no mensalão.

Se o partido toma uma posição correta, o discurso continua vivo, ressalta Maia, para lembrar que existem ainda candidatos fortes em seus quadros.

O partido hoje joga seu futuro em duas candidaturas de peso no Nordeste, ACM Neto, em Salvador, e João Alves, em Sergipe, além de tentar indicar o companheiro de chapa de José Serra em São Paulo.

Na avaliação de Agripino Maia, se ACM Neto vencer em Salvador, e Serra, em São Paulo, "a oposição terá se saído bem nesta eleição".

As negociações com o PSDB na Bahia esbarram na insistência do ex-prefeito Antonio Imbassahy em concorrer, em que pese aparecer bem atrás de ACM Neto nas pesquisas eleitorais.

Mas o acordo parece bem encaminhado no sentido de ter o endosso do partido a ACM Neto, em troca de apoio em São Paulo a Serra.

Se bem que, de qualquer maneira, para o DEM estar acoplado à candidatura de Serra em São Paulo, é um trunfo político forte na luta pela sobrevivência, especialmente na situação atual.

Outro trunfo que o DEM pretende preservar é o tempo de televisão, que lhe dá força nas negociações políticas.

Ainda mais que existe a possibilidade clara de o PSD não conseguir ficar com o tempo dos seus filiados, tornando-se um parceiro sem grandes atrativos nesta eleição municipal.

Depois das eleições, eles pretendem repensar a estratégia futura "em função do que as urnas falarem". A questão da fusão com o PSDB ou o PMDB, ou mesmo a dissolução da legenda, será discutida de acordo com o resultado das eleições municipais, e Agripino Maia acha que, mesmo para uma eventual negociação futura, o mais importante é "não perder o discurso".

Maia, desde que assumiu a presidência do DEM em uma situação crítica, defende que o caminho é fazer de suas convicções seu carrochefe.

"Quanta gente no Brasil não quer um Estado inchado, quer ver a infraestrutura feita, e aceita que seja com capital privado, para ter aeroporto, estrada, porto, como muitos países fizeram. Brigar contra a alta carga tributária é brigar pela competitividade do país." Ele rejeita a ideia de que o partido seja de direita, mas o classifica, sim, de "um partido moderno" e cita países da América do Sul que são dirigidos por partidos semelhantes, como Chile, Peru e Colômbia.

Seu sonho era fazer a massificação das ideias liberais do partido, não apenas durante as campanhas eleitorais.

"Temos que colocar em prática nossas ideias".

Esse sonho foi atropelado pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab, que criou o PSD a partir de uma base do DEM, e teve outro contratempo que parece intransponível com a derrocada de um de seus principais líderes, o senador Demóstenes Torres, justamente aquele que parecia disposto a vocalizar os valores conservadores defendidos pelo DEM.

A refundação programática do partido, numa posição que era classificada de "centro-humanista e reformadora", não foi seguida da reformulação das bases partidárias, e os chamados cartórios eleitorais continuaram em vários estados.

A mudança programática já se desenhava desde uma reunião da Internacional Democrática de Centro (IDC) realizada no Rio em 2005. A IDC se contrapõe à Internacional Socialista, que reúne os partidos de esquerda e social-democratas no mundo.

O que os Democratas defendem é que está na hora de uma verdadeira experiência liberal, com uma reforma do pacto federativo para diminuir o tamanho do Estado e para conseguir também uma redução de impostos.

A vontade de ser um grande partido liberal, próximo especialmente da classe média, trabalhando questões que afetam seu dia a dia como meio ambiente, altos impostos, desemprego, apagão aéreo e insegurança pública, terá de ser mais uma vez adiada, enquanto tratam de uma realidade mais dura, a crise de credibilidade provocada pelas denúncias, aparentemente irrespondíveis, contra o senador Demóstenes Torres.

FONTE: O GLOBO