O Estado de S. Paulo
A pergunta que se faz é como o Brasil vai
aproveitar a bonança desse boom de commodities?
Gestores de fundos e analistas vêm alardeando, nas últimas semanas, que um novo superciclo de commodities está a caminho, mas que, desta vez, essa tendência de alta nos preços será alimentada pelos gastos com o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e não pela demanda da China, cujo crescimento econômico vertiginoso nos anos 2000 financiou, entre outras coisas, a forte expansão fiscal no Brasil nos governos Lula e Dilma.
Por ora, o que vem chamando a atenção é a
montanha-russa nos preços do ouro e da prata, após esses metais terem atingido
recordes de alta. O ouro, por exemplo, chegou a superar US$ 5.600 a onça-troy.
Desde então, a volatilidade tem sido de perder o equilíbrio. No dia 30 de
janeiro, as cotações do ouro (-11%) e da prata (31%) registraram a pior queda
num único dia desde 1980. Dois pregões depois, o preço do ouro subiu 6% e o da
prata saltou 8%.
Para além desses dois metais preciosos, é
inegável o desempenho excepcional nas cotações de outras commodities,
principalmente minérios que servem de insumos para indústrias, como as de
fabricação de veículos elétricos, de energia sustentável e, sobretudo, de IA.
Esse rali vem turbinando desde os preços de ações de empresas produtoras de
metais até as moedas de países exportadores de minérios.
O índice S&P 500 para as ações de
empresas do setor de matérias-primas subia 12,5% no ano, até a semana passada,
enquanto o índice principal registrava alta de apenas 1,3% no período. Já o
índice DXY, que mede a variação do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes,
acumulava queda de 0,7%, enquanto o dólar australiano registrava ganho de 5,1%.
“As commodities, particularmente os metais
industriais e preciosos, vão seguir se beneficiando do atual boom de gastos com
IA”, escreveram os estrategistas da corretora Brown Brothers Harriman, em
relatório. “Cada novo servidor e sistema de energia exigem grandes quantidades
de prata, ouro, platina, paládio e cobre, para chips de alta performance,
fiação e infraestrutura de energia.”
O banco Barclays elegeu o dólar australiano
como um dos principais beneficiários do boom de commodities alimentado pelos
gastos com IA. Já o Goldman Sachs projeta, em 2026, um crescimento de 3,1% do
PIB do Peru, outro grande exportador de ouro e cobre.
Se, compensando a desaceleração do PIB chinês
ante o que se viu nos anos 2000, a construção de data centers e de
infraestrutura de IA irá mesmo turbinar a demanda por matérias-primas, a
pergunta é: como o Brasil aproveitará essa nova bonança? •

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