quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

‘Bondade’ eleitoreira de Lula resulta em má gestão da dívida

Por O Globo

Estímulo à economia atingiu 1,1% do PIB no primeiro semestre, agravando endividamento público

As “bondades” eleitoreiras que o governo anunciou desde o ano passado já resultaram, só no primeiro semestre, em estímulo à economia de R$ 149 bilhões (ou 1,1% do PIB) na forma de empréstimos ou linhas de crédito. O valor, calculado pela consultoria BRCG a pedido da reportagem do GLOBO, representa quase tudo que o governo concedeu em medidas dessa natureza no ano passado.

Como o dinheiro é emprestado a taxas mais baixas do que as pagas pelo Tesouro ao captar recursos no mercado, a generosidade resulta em prejuízo aos cofres públicos. Além disso, o estímulo exerce pressão sobre a inflação, obrigando o Banco Central a manter os juros mais altos do que seria necessário em condições de equilíbrio — e forçando o governo a pagar ainda mais pelo dinheiro que toma emprestado. Tudo somado, a má gestão financeira deverá aumentar a dívida pública em 10 pontos percentuais do PIB ao longo dos quatro anos do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Breve história da política brasileira, de Carneiro Leão a Lula da Silva, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A reeleição não pode depender apenas da frente formada por PT, PSB e outros partidos de esquerda, precisa de setores conservadores e velhas oligarquias

O apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva vai além das conveniências eleitorais da Paraíba. Reproduz o pacto entre o poder central e as oligarquias regionais, pelo qual interesses contraditórios se acomodam em torno da governabilidade e da preservação do poder. É a recidiva da velha “política de conciliação” incorporada ao projeto eleitoral de Lula.

José Honório Rodrigues analisou esse fenômeno em Conciliação e reforma no Brasil: um desafio histórico-político (Editora Civilização Brasileira), escrito depois do golpe militar de 1964. Discípulo de Capistrano de Abreu, o mestre via a conciliação de maneira crítica: “Os poderes dominantes tiveram sempre força para conter as aspirações profundas de mudança e reverter os movimentos de modo a sustentar seu sistema e seus privilégios”.

Para José Honório, a Independência, as revoltas do período regencial, a República e as crises de 1930, 1945, 1961 e 1964 revelavam uma característica recorrente da formação do Brasil: as estruturas do patronato brasileiro demonstram extraordinária capacidade de sobrevivência. “O povo brasileiro é uma vítima, um derrotado no processo histórico.”

Os (poucos) 45 dias que decidem o Brasil, por Mauricio Moura

O Globo

Não foi sempre assim: até a minirreforma eleitoral de 2015, a campanha oficial durava 90 dias.

Todo ciclo eleitoral brasileiro carrega o mesmo paradoxo: escolhemos quem vai administrar bilhões em orçamento público, definir políticas de segurança, saúde e educação para 215 milhões de pessoas, e o fazemos depois de um debate público oficial que dura, na prática, 45 dias. É o tempo que a legislação eleitoral reserva para a propaganda nas ruas antes do primeiro turno, um intervalo que, comparado ao de outras democracias relevantes, é curto até para os padrões de um país que historicamente prefere resolver tudo em cima da hora.

Não foi sempre assim. Até a minirreforma de 2015, a campanha oficial durava 90 dias. A justificativa para o corte foi legítima: reduzir custos, atenuar o desgaste institucional e coibir o abuso do poder econômico e de máquina. Só que a reforma resolveu um problema e criou outro: comprimiu radicalmente o tempo em que o eleitor tem contato formal, regulado e comparável entre propostas de governo, plataformas partidárias e planos de governo. Trocamos excesso de abusos por escassez de deliberação. E muitas vezes mantivemos ou ampliamos certos abusos.

O perigo de relativizar o sigilo da fonte, por Vera Magalhães

O Globo

Decisão de Alexandre de Moraes relativa ao Maranhão ignora instituto garantido pela Constituição e abre precedente perigoso

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de autorizar a busca e apreensão contra um político do Maranhão sob a alegação de que ele foi a fonte para a publicação de reportagens por um blog a respeito do uso de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino e sua família coloca em xeque o princípio do direito de jornalistas ao sigilo da fonte, assegurado na Constituição.

O caso é intrincado e muitas informações essenciais à sua compreensão permanecem sob sigilo judicial, mas as justificativas para a decisão não parecem suficientes para relativizar um dos mais importantes instrumentos para o exercício da liberdade de imprensa —tão importante que o constituinte fez questão de torná-lo textual.

Diz o artigo 5º, inciso XIV, da Constituição: “É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.

Na revolução sem povo do PCO, verba pública abastece negócios da família, por Bernardo Mello Franco

O Globo

PF apura suspeita de desvio milionário do Fundo Eleitoral; Rui Costa Pimenta se diz vítima de 'perseguição política'

O chamado foi de Rui Costa Pimenta, o eterno presidente do Partido da Causa Operária: “Temos que dizer claramente que o caminho é a revolução”. Em convenção no último sábado, o dirigente pregou a “derrubada da burguesia” e avisou que as eleições “não vão mudar absolutamente nada”. Apesar da descrença no voto, ele anunciou sua quarta candidatura ao Planalto.

Com discurso de extrema esquerda, Pimenta participou das corridas presidenciais de 2002, 2010 e 2014. As massas faltaram ao encontro, e ele terminou todas as disputas em último lugar. Na primeira, recebeu 0,05% dos votos válidos. Nas últimas duas, encolheu para 0,01%. Também ensaiou se candidatar em 2006, mas teve o registro negado pelo TSE. Não havia apresentado prestação de contas da campanha anterior.

Vorcaro desvia o foco das fraudes para a delação, por Elio Gaspari

O Globo

A colaboração do banqueiro quer embaralhar os celulares

A delação premiada é uma prerrogativa da Viúva. Em dezembro de 2008, o FBI prendeu o financista Bernie Madoff, que brilhava sentado numa pirâmide de US$ 65 bilhões. Comparado às conexões de Madoff, Daniel Vorcaro com seu banco Master era um flanelinha. Madoff tinha o que contar, um de seus fundos juntava boa parte da grã-finagem internacional (com alguns brasileiros). Não se conhecem os detalhes de suas conversas com o Ministério Público, mas nem o governo nem ele puseram a carta da delação na mesa.

Novos padrões e métricas para a diplomacia, por Fernando Exman

Valor Econômico

Regras do jogo nas relações internacionais mudaram e os desafios neste campo irão aumentar até as eleições

Está evidente, para autoridades do governo Lula e diplomatas de carreira, que as regras do jogo nas relações internacionais mudaram e os desafios neste campo irão aumentar até as eleições. Os próximos anos também já são dados como um período turbulento e de eventual transição, a depender do destino político de alguns dos líderes estrangeiros responsáveis pelas atuais crises e que já enfrentam problemas de popularidade em seus respectivos países.

Não será uma adaptação trivial para uma tradicional instituição de Estado como o Itamaraty. Seu patrono, o barão do Rio Branco, cunhou conceitos, premissas e condutas até hoje seguidas no Ministério das Relações Exteriores. Práticas que sempre funcionaram, aqui e no exterior, em um ambiente marcado em geral pela cordialidade mesmo em momentos de maior tensão.

No debate do ajuste fiscal, nada é o que parece, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Informações sobre a política fiscal que circulam antes das eleições não contam toda a história

Nos debates sobre as contas públicas no próximo governo, nada é o que parece.

Se algum candidato planeja uma reforma estrutural, como recomenda boa parte dos especialistas, não vai detalhar suas ideias nos palanques. São mudanças impopulares.

Se, ao contrário, promete gastar mais sem cortar do outro lado, vende terrenos na lua ou planta crise. O Orçamento federal está cada vez mais apertado.

Ou seja, as informações sobre a política fiscal que circulam antes das eleições não contam toda a história.

Por exemplo: o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, apareceu na semana passada usando um broche em formato de tesoura. Simbolismos à parte, é bom lembrar que seu pai e guru político, o ex-presidente Jair Bolsonaro, interditou a agenda liberal de sua equipe econômica.

Eleições são um perigo, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Democracias não são conhecidas por favorecer a escolha de governantes sábios

Diluição de responsabilidades e vieses de autosseleção de candidatos estão entre os problemas

Se me pedissem para desenvolver o pior sistema possível para selecionar governantes, eu talvez chegasse às eleições. A lista de problemas que elas engendram é grande.

Pelo lado do eleitor, temos a diluição de responsabilidades. Se você quer um serviço bem-feito, não o encomende a múltiplos prestadores que não podem ser individualmente cobrados por suas ações. Mas é exatamente o que fazemos quando encarregamos um eleitorado, que pode chegar a centenas de milhões nos países mais populosos, de escolher os dirigentes da nação. O próprio eleitor resiste em aderir ao projeto. Ele sabe que o peso de cada voto individual tende à irrelevância e por isso nem se dá ao trabalho de conhecer minimamente as propostas de cada postulante, como exigiria o modelo de democracia racional.

Candidatos criticam, mas não explicam como frear emendas, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Não há no debate eleitoral uma abordagem consistente sobre o uso abusivo do Orçamento da União

Do jeito que vai, o Congresso acaba capturando a totalidade dos recursos disponíveis para as despesas do país

A escrita corrente na política reza que o marco inaugural do avanço desmedido no uso das emendas parlamentares deu-se na presidência de Eduardo Cunha (Republicanos) e se consolidou na gestão de Arthur Lira (PP) no comando da Câmara dos Deputados.

A história, contudo, traz registro mais antigo. Data do ano 2000 e tem a paternidade do então poderoso e já falecido senador Antônio Carlos Magalhães (PFL), autor de proposta para tornar todo Orçamento da União impositivo.

Gente de peso nas empresas começa a falar de recessão que economistas ainda não veem, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Arminio Fraga e Alfredo Setúbal alertam para risco de economia abaixo de zero em 2027

Previsões mais pessimistas que chegam ao BC estimam alta do PIB de pelo menos 0,7%

Gente de peso da finança começa a dizer em público que 2027 pode ser de recessão. No final de julho, foi Arminio Fraga, economista, ex-presidente do Banco Central, da Gávea. Nesta semana, foi Alfredo Setúbal, CEO da Itaúsa, "holding" que tem parte do Itaú Unibanco e de um monte de empresas. Disse que o cenário é de "economia bastante desacelerada e podemos ter uma pequena recessão". Fraga parece mais pessimista do que Setúbal.

Entrevista | Esquerda se acostumou a ser pessimista, diz ex-presidente do Parlamento Europeu, por Victor Lacombe

Folha de S. Paulo

Alemão Martin Schulz avalia que medo fortalece extrema direita no mundo todo e chama Lula de político otimista

Para Schulz, 'governo perigoso está hoje em Washington, não em Brasília', e Trump interfere nas eleições do Brasil

O político alemão Martin Schulz, que passou mais de 20 anos no Parlamento da União Europeia e liderou o bloco de esquerda no órgão, acredita que um dos grandes erros de progressistas hoje é ser pessimista —e que Lula vai vencer as eleições deste ano no Brasil porque, ao contrário, investe em uma mensagem otimista.

Para o ex-presidente do Parlamento Europeu, Lula "é alguém que, em toda a vida, não se permitiu ficar cabisbaixo. Por isso creio que seja um bom exemplo para a esquerda", que, segundo ele, "se acostumou a ser pessimista" enquanto a direita "transmite, de alguma forma, otimismo, com o lema: vamos destruir tudo, e aí as coisas vão melhorar".

No Brasil para o aniversário de 50 anos da Fundação Friedrich Ebert, da qual é presidente, Schulz conversou com a Folha sobre a extrema direita no mundo, incluindo o partido AfD (Alternativa para a Alemanha), o governo Friedrich Merz, as eleições brasileiras, e a política externa de Donald Trump.

O espectro que ronda a eleição de 2026, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Escândalos chegam a uma disputa polarizada

Ambiente digital multiplica impactos públicos

Um espectro ronda a eleição presidencial de 2026. Aliás, não um, dois. O primeiro vem do escândalo dos descontos ilegais do INSS. O segundo, das investigações sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master. Ambos continuam em desenvolvimento e já alcançaram as duas principais candidaturas. Num país em que a prova de corrupção continua a ser uma arma letal na disputa pelo Executivo, todos sabem que, a qualquer momento, um dos dois escândalos pode desferir o golpe fatal.

A circunstância torna-se especialmente explosiva porque esta não é uma eleição normal de conquistar. O país chega à disputa partido ao meio, com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em levantamentos recentes de segundo turno e rejeitados por parcelas enormes do eleitorado. Numa eleição assim, o veto pode importar mais do que o voto. Na impossibilidade de ampliar o próprio eleitorado, as campanhas passam a torcer —e, quando podem, a trabalhar— para que o outro lado seja o mais rejeitado. Uma revelação devastadora de última hora, a associação ao personagem errado e a vaca vai para o brejo.

Lula e a Segurança 24 anos depois, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Plano de segurança do petista repete promessas feitas por sua primeira campanha em 2002

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria reler o documento Projeto Segurança Pública para o País. Editado em 2002, ele defendia a criação dos Conselhos Consultivo de Segurança Pública e de Proteção a Testemunhas, a unificação progressiva das polícias, com corregedorias únicas, bem como academias integradas de formação. Também afirmava ser preciso investir no policiamento comunitário e na criação de um piso nacional para as polícias, assim como aumentar o controle do uso da força letal pelos agentes da lei.

O documento defendia 28 propostas, pregava uma “reforma das polícias”, com a criação de uma Escola Superior de Segurança e Proteção Social. Atacava a corrupção, afirmando que “o grau de promiscuidade das polícias com as organizações criminosas” constituía “também variável decisiva” no quadro de insegurança. E concluía: “ou haverá segurança para todos, ou ninguém estará seguro no Brasil”.

A tomada da IA pela China, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

De chips a modelos de código aberto, a China entrou de vez na corrida pela liderança da inteligência artificial

A China entrou de vez na corrida pela liderança da inteligência artificial: não somente na fabricação de chips e de outros insumos numa cadeia de produção bilionária, em segmentos dominados por empresas coreanas e taiwanesas, mas também no desenvolvimento de modelos de IA de código aberto a preços bem mais baixos que os cobrados pelos rivais americanos OpenAI e Anthropic. Em julho, a estreia na Bolsa de Valores de Xangai da CXMT, maior fabricante chinesa de chips de memória, cujas ações dispararam quase 500% no primeiro pregão, foi o último empurrão que fez o principal índice acionário da Coreia chegar a cair 40% do seu pico em junho.

Poesia | Se eu fosse eu, de Clarice Lispector

 

Música | Teresa Cristina | Show 25 Anos do Museu do Samba