O Estado de S. Paulo
As notícias sobre as relações próximas entre
ministros do Supremo Tribunal Federal e o exbanqueiro Daniel Vorcaro se sucedem
e nada acontece. Nem mesmo a gritaria de sempre no Congresso Nacional.
É um sinal grave do aparelhamento dos órgãos
de investigação e do sistema de pesos e contrapesos que deveria reger a
República.
Graças ao trabalho investigativo da imprensa,
as revelações se avolumam.
Contra o ministro Alexandre de Moraes pesam o contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua esposa com o Master, as trocas de mensagens no dia da primeira prisão de Vorcaro e, agora, as viagens no avião de uma empresa do ex-banqueiro.
Já o ministro Dias Toffoli está envolvido na
venda da participação de resort de luxo no Paraná ao ecossistema do Master, foi
relator do caso e brecou a investigação, e também voou nos jatinhos da empresa
de Vorcaro.
O ministro Kassio Nunes Marques também
apareceu na confusão depois que uma consultoria tributária que recebeu dinheiro
do banco subcontratou seu filho.
Os parlamentares fizeram uma série de
representações à Procuradoria-Geral da República, que disse que não havia nada
o que investigar. O PGR, Paulo Gonet, participou de um evento de degustação de
uísque promovido por Vorcaro em Londres junto com outras autoridades.
Deputados e senadores tentaram investigar o
caso via CPIs e tiveram quebras de sigilo e tentativas de ouvir testemunhas
barradas pelo STF. A prorrogação da CPI do INSS foi negada pelo Supremo numa
mudança de entendimento e não há motivos para acreditar que a CPI do Crime
Organizado, que termina dia 14, terá destino diferente.
Uma CPI do Master nem sequer chegou a sair da
gaveta dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre.
Alinhados com o governo e parte do Supremo, Motta e Alcolumbre recorrem a
manobras para afastar investigações sobre o caso.
Resta a delação de Vorcaro, que está nas mãos
da Polícia Federal e da PGR, sob supervisão do ministro André Mendonça. Vorcaro
resiste a se admitir um criminoso e a falar sobre suas relações com ministros
do Supremo. Ele teme que, mesmo que sua delação passe pelo crivo de Mendonça,
acabe esbarrando na resistência de outros colegas do tribunal.
Os parlamentares jogaram a toalha diante da
blindagem. Decidiram partir para as eleições e ganhar no voto a força para
controlar o comando do Congresso, principalmente do Senado.
A avaliação dentro da oposição é de que o
caso Master mostrou que existe corrupção na mais alta Corte do País e que o STF
recorre à blindagem em vez da autocontenção. Por isso, parlamentares já falam
nos bastidores, mesmo os mais moderados, em impeachment de ministros do STF
caso saiam vencedores em outubro.

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