terça-feira, 18 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Descoberta na Margem Equatorial é promissora

Por O Globo

Indícios de petróleo são apenas passo inicial. Ibama deve acelerar licenças para pesquisa em novos poços

A descoberta de hidrocarbonetos em poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas significa que há indícios de petróleo ou gás natural numa região que pode vir a ser a nova fronteira petrolífera do país, a Margem Equatorial. Por enquanto, porém, são apenas indícios. É fundamental que a Petrobras continue o trabalho de pesquisa para investigar a extensão da descoberta e se a exploração é viável economicamente. Qualquer decisão depende dessa análise.

O anúncio acontece dez meses depois de o Ibama ter concedido licença para a estatal perfurar o primeiro poço, em meio a debates sobre impactos na fauna, na flora e nos povos da floresta. A área de prospecção fica a 175 quilômetros da costa do Amapá, numa profundidade de 2.886 metros. A Petrobras aguarda autorização do órgão ambiental para perfurar outros três poços. “Não vejo razão para negar a licença”, diz a presidente da estatal, Magda Chambriard.

Por que juros extorsivos e metas irrealistas destroem o Brasil sem baixar a inflação, por José Luís Oreiro*

Correio Braziliense

Essa narrativa, embalada por jargões técnicos para impressionar o leigo, tenta convencer a opinião pública de que o remédio amargo dos juros reais mais altos do mundo é a única alternativa para conter os preços

Tornou-se um dogma quase religioso entre analistas e economistas ligados ao sistema financeiro a tese de que a desaceleração da atividade econômica é um "efeito desejado" do aperto monetário e que o Banco Central precisa manter a taxa de juros nas alturas para "reconstruir sua credibilidade". Essa narrativa, embalada por jargões técnicos para impressionar o leigo, tenta convencer a opinião pública de que o remédio amargo dos juros reais mais altos do mundo é a única alternativa para conter os preços. Trata-se, contudo, de um diagnóstico profundamente equivocado, que confunde a doença com o remédio e sacrifica o desenvolvimento nacional no altar do rentismo.

O vício de origem desse arranjo reside na fixação de uma meta de inflação em 3% ao ano. Nos últimos 27 anos de vigência do sistema de metas no Brasil, a média histórica do IPCA acumulado em 12 meses situou-se acima de 5,5%. Essa diferença não é mero detalhe estatístico: reflete a realidade de uma economia dotada de forte memória inflacionária e mecanismos arraigados de indexação formal e informal.

Vila Euclides, São Januário e Pacaembu, palcos da história política do Brasil, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Os maiores comícios foram os das Diretas Já, que empolgaram o país, mas nem por isso garantiram a aprovação da Emenda Dante de Oliveira. A ditadura caiu no Colégio Eleitoral, com eleição indireta de Tancredo Neves

O primeiro comício a que assisti foi o da Central do Brasil, realizado em 13 de março de 1964, na Praça da República, no Rio de Janeiro, que reuniu entre 150 mil e 200 mil pessoas. O presidente João Goulart (Jango) e Leonel Brizola lideraram o evento para defender as reformas de base e pressionar o Congresso.

Era apenas um menino, levado pelos pais ao ato político no qual Jango anunciou que faria reformas por decreto, entre as quais a agrária. Carrego poucas recordações de criança: pessoas no teto das plataformas de bonde, penduradas nos postes e nas árvores; eu sobre os ombros de meu pai. Aquele comício era um “apelo às massas” para que apoiassem Jango. Talvez seja o mais famoso da nossa história política porque, semanas depois, houve o golpe militar de 1964.

Os maiores foram os das Diretas Já, que empolgaram o país, mas nem por isso garantiram a aprovação da Emenda Dante de Oliveira. A ditadura caiu no Colégio Eleitoral, com a eleição de Tancredo Neves, cuja campanha também promoveu grandes comícios. Tão grandes que, em determinado momento, o velho pessedista resolveu suspendê-los, porque temia perder o controle do povo nas ruas. Dois outros são históricos: o de Getúlio Vargas, em São Januário, e o de Luiz Carlos Prestes, no Pacaembu.

Lula e Flávio traçam rotas opostas, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Presidente apela à memória do eleitor e senador, à tecla do antipetismo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro partem quase empatados e se assim continuarem daqui a 45 dias não é porque terão seguido a mesma rota. Aquelas traçadas no lançamento de suas campanhas foram opostas.

A embalagem era passadista, do nome com que foi batizado - “Onde tudo começou”-, às camisetas dos velhos companheiros, “ó nóis (sic) aqui outra vez” -, mas o candidato à reeleição, desta vez, tinha foco. Não foi apenas na duração, cortada pela metade, que o discurso se diferenciou do emaranhado de ideias da convenção do PT.

Como Trump revitaliza a democracia, por Jan-Werner Mueller*

Valor Econômico

Testemunhamos um efeito global inesperado do trumpismo: um governo que se alia ao governo mais corrupto da história dos EUA corre o risco de abrir espaço para que adversários internos se levantem contra ele

Na capital da Albânia, os recepcionistas dos hotéis fazem questão de ressaltar que os protestos em andamento do lado de fora são totalmente pacíficos. Aparentemente, houve um número considerável de cancelamento de reservas desde que as manifestações em massa começaram no segundo trimestre. Mas, se perguntados diretamente, eles podem insinuar discretamente que veem com bons olhos a participação de turistas nos protestos. Todas as noites, pessoas de todas as idades se reúnem diante do escritório do primeiro-ministro Edi Rama para denunciar a corrupção e exigir sua renúncia.

A chamada “Revolução dos Flamingos” foi deflagrada por um acordo que muitos consideram questionável entre o governo albanês e Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump. Assim, estamos testemunhando um efeito global inesperado do trumpismo: um governo que se alia ao governo mais corrupto da história dos Estados Unidos corre o risco de abrir espaço para que adversários internos se levantem contra ele.

Caminhos tortuosos, por Merval Pereira

O Globo

É inacreditável que um ministro do STF possa servir de mediador de um encontro político.

O presidente da República visitou o Amapá para ver de perto o local onde a Petrobras descobriu indícios de petróleo na Foz do Rio Amazonas. A seu lado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que até há poucos dias estava rompido com Lula, mas se acertou com ele após um encontro de reconciliação promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Mas, advertem seus assessores, fez a viagem não na qualidade de candidato à reeleição, mas com o chapéu (literalmente) de presidente.

Na estação das escolhas, por Míriam Leitão

O Globo

É fundamental lutar contra o desalento das generalizações indevidas. Há pessoas que querem sinceramente servir ao país 

Todos os políticos devem estar sob o mesmo escrutínio popular, eles representarão o país inteiro e, por isso, têm contas a prestar. Porém, não se pode tratar todo mundo com a mesma desconfiança. Há uma convicção disseminada de que eles e elas estão nesse caminho para ter vantagem pessoal. Esse sentimento difuso não surgiu à toa. Veio na esteira dos inúmeros escândalos políticos, das desculpas esfarrapadas dadas por muitos, e das imagens dos dinheiros em caixas, malas, bolsas, cofres, cuecas. No país das altas taxas de juros, nenhum dinheiro guardado em casa, em grande quantidade, parecerá inocente. No banco estaria rendendo.

Quando as máquinas falham, por Fernando Gabeira

O Globo

Reflexões não são uma oposição ao desenvolvimento tecnológico. Ele deveria obedecer às necessidades humanas e sociais de segurança

A morte da menina de 13 anos numa transmissão ao vivo na plataforma Discord trouxe um grande e importante debate. Apesar de tantas intervenções esclarecedoras, fiquei com muitas dúvidas.

O Discord comunicou ao governo que suas máquinas de aprendizagem detectaram o problema, mas foram incapazes de mensurar sua gravidade e acionar o alarme. Na verdade, quem parece ter acionado o alarme foi a vigilância humana de um núcleo digital da Polícia Civil de São Paulo.

De quem é o poder da IA? Por Pedro Doria

O Globo

Mark Zuckerberg propõe que a solução é colocar inteligências artificiais poderosas nas mãos de todo mundo

Mark Zuckerberg soltou, na semana passada, um manifesto para tratar de inteligência artificial. A esta altura, deve ser o quinto ou sexto ensaio ou manifesto que algum figurão do Vale do Silício divulga para tratar do tema. Há um aspecto nisso que passa pelo encontro do marketing e da antropologia — o Vale passou a se comunicar com o mundo por ensaios e manifestos, como costumam fazer os movimentos políticos. Mas, no caso de Zuck, há algo de diferente. É, incrivelmente, um manifesto com um tom liberal que não se ouve faz tempo vindo daquele canto da Califórnia.

O risco Trump, hoje e amanhã, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Com Trump e bandeira americana, Flávio Bolsonaro ameaça o Brasil com outro tipo de golpe

Os Estados Unidos e o presidente Donald Trump estão no centro da campanha eleitoral do Brasil e isso não vai parar, só piorar, com o presidente Lula usando a “soberania nacional” como sua principal bandeira e o senador Flávio Bolsonaro trocando o slogan de “Pátria e Família” por imensas bandeiras americanas nos seus palanques.

Esse contraste pode ser mais um erro de Flávio, um novo tiro no pé, num momento em que Trump e seu franco-atirador Marco Rubio aumentam a pressão e acrescentam ameaças ao Brasil após os tarifaços que causam prejuízos à economia, aos negócios, a empregadores e empregados do Brasil. O que o eleitor independente acha disso?

O vício alcolúmbrico, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Davi Alcolumbre preside o Senado desde 2019, considerados os anos em que teve Rodrigo Pacheco por fachada, período em que dirigiu a Casa a partir da Comissão de Constituição e Justiça. Entre aquele 19 e este 26, o imperador do Congresso movimentaria mais de R$ 1,2 bilhão em emendas parlamentares para o Amapá, Estado de cujo governo tem o guidão. Imperador do Congresso porque um dos controladores-distribuidores dos dinheiros do orçamento secreto, ferramenta autoritária – fundo eleitoral paralelo – por meio da qual exerce poder e impõe desequilíbrios. Não será auspicioso lhe ter como inimigo. É um querido. Irresistível.

Esforço concentrado é clichê de pura enganação, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Recessos informais são tratados como se fosse natural congressistas serem pagos para gazetear

Convocações extras do Parlamento não compensam as folgas em campanhas, festas juninas e feriados

O Congresso Nacional foi chamado a um esforço concentrado na semana passada e, como de hábito, se resumiu à jornada 3x4, com muito de concentrado e pouco de esforço. Há nova convocação para a primeira semana de setembro, cuja expectativa é a de que siga o mesmo ritmo.

Esses períodos de recesso informal em épocas de eleição são tratados como se fosse a coisa mais natural do mundo parlamentares serem pagos para se ausentar enquanto cuidam das próprias sobrevivências eleitorais, ao duplo custo do financiamento público das campanhas. Triplo, considerado o papel das emendas no incremento das despesas.

Com a Bíblia aberta, Eduardo Paes mira primeiro turno, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Parque Terra Prometida é um mimo milionário aos eleitores evangélicos

Ex-prefeito inaugura campanha oficial favorecido pelo isolamento do grupo bolsonarista

Em 2024, ao ser eleito prefeito do Rio pela quarta vez, Eduardo Paes disse que iria concluir o mandato, mas não descartava a candidatura ao governo estadual dali a dois anos. Uma mágica simples: seu pupilo Eduardo Cavaliere assumiria; na prática, ele continuaria no cargo, tendo a máquina municipal a seu dispor.

Em 2018, encaixotado pela onda bolsonarista, Paes perdeu a eleição estadual para Wilson "Atirar na Cabecinha" Witzel em cima do laço, depois de liderar as pesquisas durante toda a campanha. O Palácio Guanabara nunca mais lhe saiu da cabeça.

Poesia | Dorme que a vida é nada, de Fernando Pessoa

 

Música | Mulheres de Atenas, Chico Buarque