sexta-feira, 13 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Segunda Turma do STF tem de manter Vorcaro preso

Por O Globo

Investigações demonstraram que ele representa ameaça ao andamento das investigações e à sociedade

Não faltam motivos para a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, determinada pelo ministro André Mendonça no começo do mês. Vorcaro, dono do Banco Master, liquidado em novembro pelo Banco Central, representa ameaça ao bom andamento das investigações e à própria sociedade, como comprova a apuração da Polícia Federal (PF). Há evidência de aliciamento de agentes públicos, monitoramento de “adversários”, invasão de sistemas digitais do Estado e planejamento de ações violentas para tentar calar notícias desfavoráveis.

Como semear valores contra a barbárie, por Fernando Luiz Abrucio

Por Valor Econômico

A escola deve semear o ideal de uma sociedade justa e tolerante, gerando indivíduos que não excluam o diferente nem admitam a desigualdade

Acompanhar o noticiário nas últimas semanas tem sido desanimador. O ataque ao Irã mostra como o mundo se tornou incerto e perigoso sob as novas regras estabelecidas por Trump e seus aliados, gerando um cenário sombrio no curto prazo. No Brasil a situação não é muito melhor: a epidemia de feminicídios tomou conta do país e as instituições políticas estão sob suspeita desde a eclosão do caso Master. É muito difícil lutar contra o imperialismo trumpista, mas é possível, em alguma medida, atuar sobre os valores que alimentam a barbárie brasileira. Para isso, uma via essencial é a educação, tomada como instrumento formador das pessoas desde a tenra idade.

Polarização aumentou mais entre grupos menos propensos a usar redes sociais, diz sociólogo Manuel Castells

Por Marcus Lopes / Valor Econômico

Em “Sociedade digital”, o pensador espanhol mostra que a comunicação digital transformou para sempre o modo de viver e conviver em sociedade

Em 1986, menos de 1% da informação mediada no planeta estava armazenada em formato digital, índice que hoje supera os 99,5%. O número de usuários de internet ao redor do globo terrestre saltou de 2,6 milhões, em 1990, para 5,3 bilhões em 2022. Já a quantidade de contas de telefonia celular passou de 23.500, em 1980, para mais de 8 bilhões em 2020, segundo dados do Banco Mundial.

Em poucas décadas, as populações que vivem nas mais diferentes partes do planeta presenciaram a transformação de uma realidade analógica para a digital, com reflexos em todos os setores da sociedade. Da organização espacial das cidades aos conflitos geopolíticos entre nações, a comunicação digital transformou para sempre o modo de viver e conviver em sociedade, conforme demonstra o sociólogo espanhol Manuel Castells em “Sociedade digital”.

Um dos maiores estudiosos da internet e mobilizações sociais da atualidade, Castells analisa a rede e os seus efeitos na comunicação e nas relações entre as pessoas, desde a década de 90. Efeitos que, conforme demonstra no livro, foram potencializados com o lançamento do iPhone, em 2007, pela Apple. O aparelho desenvolvido pela equipe de Steve Jobs é considerado como a tecnologia-chave para uma nova esfera da interação entre as pessoas e a comunicação em massa.

Brasília convida à ópera: ‘Nessun dorma’, por Andrea Jubé

Valor Econômico

“Ninguém dorme, ninguém dorme”, é o estado de nervos na capital federal

Um político experiente, que circula entre Brasília e São Paulo, com trânsito nos três Poderes e no setor produtivo, depois de ouvir muito, resumiu assim o estado de nervos na capital federal: “Ninguém dorme, ninguém dorme”.

Nada mais apropriado para descrever Brasília em tempos de crise do Banco Master do que uma frase que remete à ópera “Turandot”, de Giacomo Puccini. No ato final, o príncipe Calaf canta a ária “Nessun dorma” - “Que ninguém durma”, em livre tradução. A princesa Turandot proíbe que os súditos durmam naquela noite enquanto não descobrirem o nome do príncipe. Do contrário, todos morrerão e ela teria de se casar com ele.

Lula está com a caixa de ferramentas vazia, por Vera Magalhães

O Globo

Ao apostar tudo no 'nós contra eles', presidente não colheu resultado esperado, e, com essa e outras escolhas, abriu mão do eleitor de centro, que garantiu sua eleição em 2022

Ao abrir mão paulatinamente do eleitor da chamada frente ampla, que, na prática, assegurou sua vitória apertada em 2022, Lula plantou a dificuldade que enfrenta agora na largada oficial de sua campanha à reeleição.

Na disputa de quatro anos atrás, o então candidato Lula admitiu em entrevista ao Jornal Nacional a ocorrência de corrupção na Petrobras. Naquela mesma jornada, disse que não disputaria a reeleição em 2026. Fez um aceno ao centro escolhendo o antigo adversário Geraldo Alckmin como vice e se esforçando para atrair o apoio de Marina Silva, no primeiro turno, e o de Simone Tebet, no segundo.

A Sexta-Feira 13 do Supremo, Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Julgamento de habeas corpus de Vorcaro pode assombrar o STF por bastante tempo

A Segunda Turma do Supremo começa a julgar hoje o pedido de habeas corpus de Daniel Vorcaro. A votação terá início numa sexta-feira 13, e suas consequências podem assombrar o tribunal por bastante tempo.

O ministro Dias Toffoli, que negava proximidade com o banqueiro, agora declarou-se suspeito e não participará do julgamento. Pode parecer má notícia para Vorcaro, mas não é. Com um ministro a menos, ele passa a precisar de apenas dois votos para sair da cadeia.

10 mil ou 10 milhões de misóginos? Por Pablo Ortellado

O Globo

Dez mil ou 10 milhões de misóginos? A resposta importa, e os dados disponíveis sugerem que estamos mais próximos do número menor

Após conhecermos os detalhes do brutal estupro coletivo em Copacabana, descobrimos nesta semana que os estupradores parecem estar ligados a grupos radicais masculinistas on-line (um dos jovens se entregou à polícia com uma camiseta com frase do influenciador Andrew Tate). Descobrimos também que, nesta semana, uma trend no TikTok, “Caso ela diga não”, viralizou ensinando meninos a responder com violência física a mulheres que rejeitam suas abordagens amorosas. Descobrimos também que essa trend faz parte de um conjunto muito mais amplo de conteúdos misóginos on-line que registram mais de 3,9 bilhões de visualizações no YouTube. O estupro coletivo é, assim, visto como fruto de campanhas de misoginia politicamente organizadas que atingem público alarmante na internet.

Biruta de aeroporto, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

A ‘biruta’ de Trump sopra como as pesquisas e os fatos, a favor de Flávio Bolsonaro

Tanto quanto como Quaest, Datafolha e Atlas, os últimos movimentos de Donald Trump apontam uma reversão de expectativas a favor de Flávio Bolsonaro e contra Lula, que atravessou 2025 como favorito, mas chegou a 2026 sob dúvidas que evoluíram para temores no Planalto. Enquanto Flávio cresce, Lula não só estacionou como enfrenta um turbilhão de notícias negativas.

Flávio é hoje candidato praticamente único da direita e tem empate numérico com Lula num 2.º turno. Tornou-se “novidade” contra um candidato manjado, que sofre desgaste pelas peraltices de Lulinha, os vexames de Dias Toffoli e a queda do pedestal de Alexandre de Moraes.

Para onde vai o caso Master, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Em caso de investigação, que seja séria e fundamentada; em caso de delação premiada, que seja examinada com lupa

Temos muitos temas estratégicos para discutir. E outros urgentes, como o impacto da guerra e do fechamento do Estreito de Ormuz em nossa economia. No entanto, será difícil avançar em algo enquanto a atenção nacional estiver concentrada no escândalo do Banco Master.

Escândalos financeiros de maior volume, como foi o caso de Bernie Madoff nos EUA, foram muito discutidos, mas não conseguiram monopolizar o debate político. O caso brasileiro é crucial, porque envolve autoridades políticas, financeiras e judiciárias. Mais especificamente, algo inédito na História: dois ministros do Supremo Tribunal Federal.

Por que Vorcaro deveria continuar preso? Por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Se Vorcaro for liberado para ir para casa, muita gente em Brasília respira aliviada

Caberá aos ministros André Mendonça, Gilmar Mendes, Nunes Marques e Luiz Fux decidirem se mantêm ou revogam a prisão preventiva de Daniel Vorcaro do Banco Master.

Criminalistas ouvidos pela coluna afirmam que sobram motivos para ele continuar sob a custódia da Justiça. A defesa argumenta o contrário. A votação começa hoje e segue por uma semana em plenário virtual.

Intervenção no mercado de petróleo, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O governo Lula tenta atacar as distorções que atingem o mercado interno de derivados do petróleo com decisões que provocam novas distorções.

Ontem, os preços internacionais do petróleo tipo Brent voltaram a ultrapassar os US$ 100 por barril. Como a Petrobras não reajusta os preços internos dos derivados há quase um ano e, no caso do diesel, estão com uma “defasagem” em torno de 41%, ficou inevitável o desabastecimento em vários Estados do País.

A primeira causa desse desabastecimento é o aumento da estocagem. Como os consumidores sabem que, mais cedo ou mais tarde, a Petrobras terá de corrigir os preços internos, passaram a recorrer ao armazenamento aos preços atuais, subsidiados, não só para garantir o abastecimento, mas também para ganhar com a diferença de preços.

Alta da inflação e endividamento das famílias tiram o sono de Lula, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O Palácio do Planalto teme que o choque do petróleo frustre uma das principais apostas políticas de Lula para sua campanha de reeleição: a “economia do afeto”

A guerra no Oriente Médio introduziu uma variável externa que pode alterar significativamente o cenário político brasileiro em pleno ano eleitoral, sobretudo a estratégia de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A escalada do conflito e o risco de interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz provocaram a disparada do preço do barril, que chegou a ultrapassar a casa dos US$ 120 antes de recuar para a faixa de US$ 90. Governos do mundo inteiro estão diante da ameaça de inflação doméstica e desgaste político.

Lula está certo de limitar o estrago da guerra nos combustíveis, no curto prazo, Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Governo vai jogar a conta do subsídio na Petrobras e em outros exportadores de petróleo

União Europeia estuda que medidas tomar para conter o impacto da alta de preços

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva vai usar dinheiro dos impostos a fim de evitar alta maior do preço do diesel. Por ora, não se fez nada em relação à gasolina. O economista-padrão não deve gostar da medida. Mas, no curto prazo, faz sentido. Por falar nisso, a União Europeia estuda fazer algo parecido. Na Ásia, já se toma providência na mesma linha.

O governo vai compensar a perda de receita ou o gasto com subsídios cobrando imposto sobre exportação de petróleo. No ano passado, o Brasil exportou petróleo no valor de US$ 44,7 bilhões (dados da Agência Nacional do Petróleo, a ANP). A Petrobras registra que exportou US$ 25,6 bilhões, mais de 50% do total (a proporção é imprecisa, pois os produtos que entram na conta desses dois valores exportados são um pouco diferentes). Os acionistas da petroleira, governo inclusive, e suas irmãs privadas vão pagar a conta.

O Brasil deveria gastar mais em defesa? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Ministro usa guerra no Irã como pretexto para pedir mais verbas

Reunir poderio bélico para dissuadir EUA de ataque não é meta realista

O ministro da Defesa, José Mucio, se valeu da guerra no Irã para pedir mais recursos para as Forças Armadas. Na visão de Mucio, a escalada bélica no Oriente Médio mostra que o Brasil precisa ampliar seu poder de dissuasão militar. Investimos hoje 1% do PIB em defesa e, no entender do ministro, precisaríamos aplicar no mínimo 2%. Ele diz que há países gastando até 7% nessa rubrica.

Cony aos incríveis 100, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Ele via a morte como uma pândega. O homem que se dizia terminal parecia cada vez mais inaugural

Ativo até o fim, aos 92 anos, Cony seria o primeiro a desmoralizar o seu próprio centenário

Já contei esta história. Em 2012, coordenando um ciclo no Sesi, em São Paulo, sobre o centenário de Nelson Rodrigues, convidei Carlos Heitor Cony a participar de um dos debates. Cony, com 86 anos, tinha um câncer linfático crônico, cujo tratamento lhe provocava um enfraquecimento que o obrigava à cadeira de rodas. Mas sua cabeça continuava atilada, surpreendente e com a molecagem intacta. Aceitou e tomou o avião no Santos-Dumont.

Governo anuncia pacote de medidas e zera PIS/Cofins do diesel para conter impacto da alta do petróleo

Por Sofia AguiarMarlla SabinoGabriel Shinohara e Mariana Andrade / Valor Econômico

Brasília - O governo federal anunciou nesta quinta-feira (12) um pacote de medidas para conter o impacto nos preços dos combustíveis diante da pressão internacional no preço do petróleo, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. Entre as medidas, o Executivo irá zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel para importação e comercialização para conter a alta do combustível.

Na prática, segundo o governo, isso elimina os únicos dois impostos federais atualmente cobrados sobre o combustível e representa uma redução de R$ 0,32 por litro.

O pacote foi anunciado durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto, convocada para anunciar medidas do governo em meio a alta do petróleo no mercado internacional pela escalada dos conflitos no Oriente Médio.

Lula zera tributo sobre diesel e cria imposto de exportação para conter preços com guerra no Irã

Caio Spechoto, Marcos Hermanson e Mariana Brasil  / Folha de S. Paulo

Governo afirma que redução de tributos, com impacto de R$ 30 bi, será compensada por taxa sobre vendas ao exterior.

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, nesta quinta-feira (12), medida provisória que zera o PIS e a Cofins do óleo diesel, estabelece o pagamento de subvenção a produtores e importadores e institui um imposto de exportação de petróleo.

O anúncio foi feito como uma resposta ao aumento de preços dos combustíveis causado pela guerra no Irã, que pressiona as cotações do petróleo. Com as medidas, válidas até 31 de dezembro, o governo estima redução de R$ 0,64 no litro do diesel vendido na bomba.

Lula fala com jornalistas sobre medidas para reduzir impacto da oscilação do preço do petróleo

 

Um ciclo esgotado, por Ivan Alves Filho

Há alguns meses, antes mesmo de eclodir o escândalo do banco Master, eu publiquei um texto intitulado Eu gostaria de saber o que está acontecendo com o Brasil. 

E acontece que, de lá para cá, a nossa crise só vem se aprofundando. Endividamento crescente das pessoas, aumento no número de dependentes inscritos no bolsa família, avanços escabrosos no crime organizado, casos chocantes de corrupção, feminicídio e estupros com frequência quase avassaladora; enfim, problemas de todo o tipo não saem mais das páginas dos jornais e do noticiário em geral. Tudo isso deixa a impressão de fim de um ciclo, senão de fundo do poço, tamanho os impasses que vivemos. Creio que estamos de volta aos tempos da República Velha, do Estado Novo e da ditadura militar. Um fechamento de época, pedindo urgentemente uma mudança de rumos. Caso contrário, a Democracia correrá sérios riscos, a descrença popular nas instituições da República se aprofundando cada vez mais. E esta descrença engloba igualmente os partidos políticos e boa parte de suas lideranças. 

Poesia | Os Vagabundos, de Afonso Schmidt

 

Música | Celso Viáfora - Daqui (Celso Viáfora e Zé Edu Camargo)

 

quinta-feira, 12 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

É temerário pacote de bondades para o funcionalismo

Por O Globo

Em vez da reforma administrativa, governo improvisa com aumentos e contratações em ano eleitoral

Diante de um cenário econômico repleto de incertezas, foi temerária a decisão do Senado de chancelar a criação de 17,8 mil cargos no Executivo federal. O pacote, aprovado de forma simbólica na terça-feira depois de passar pela Câmara, também reestrutura carreiras do funcionalismo e concede reajuste a diversas categorias. O impacto no Orçamento de 2026 é estimado em R$ 5,3 bilhões. Mas é evidente que a busca por paridades, reparações e isonomias se encarregará de aumentar essa conta, estendendo bondades pelas três esferas de governo, ainda mais em ano eleitoral.

Pesquisa Quaest crava Flávio como principal adversário de Lula, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A roda da história parece girar para trás: Trump no poder, governos de direita nas vizinhanças e o caso Master desgasta as instituições políticas, inclusive o Supremo

Contra os prognósticos iniciais de que seria o único candidato incapaz de derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições — ao contrário, por exemplo, do governador de São Paulo, Tarcísio Freitas (Republicanos), que era o “pule de dez” da Faria Lima e do agronegócio —, a pesquisa Genial Quaest, divulgada ontem, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em empate numérico com o petista no segundo turno: 41% de intenções de votos para cada um.

Meses atrás, isso era impensável. Flávio era considerado, pelo Palácio do Planalto e mesmo pela maioria da oposição, o adversário mais fácil de derrotar. Agora, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é o mais difícil. Com isso, a polarização entre lulismo e bolsonarismo volta a ocupar o centro do cenário político, como em 2022, e reduz o espaço para alternativas de terceira via. As razões principais são a mudança de conjuntura política e o comportamento recente de cada candidato. Ou seja, a velha dialética entre a Fortuna e a Virtú.

O recuo de Toffoli e o avanço da crise à direita, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Ministro reconhece suspeição no caso Master que avança sobre o União Brasil

A crise do Supremo Tribunal Federal ganha panos quentes com a decisão do ministro Dias Toffoli de se declarar suspeito para a relatoria do mandado de segurança pela instalação da CPI do Master na Câmara dos Deputados e para o julgamento da Segunda Turma que vai se manifestar sobre a prisão de Daniel Vorcaro, dono do banco.

Por quanto tempo, não se sabe, até porque o ministro Alexandre de Moraes, nomeou, para seu gabinete, o delegado da Polícia Federal Fábio Schor, seu braço direito nos inquéritos do golpe e das ‘fake news’, e o Fórum de Lisboa, popularmente conhecido como “Gilmarpalooza”, já está anunciado para os primeiros dias de junho. Abre-se, pelo menos, a perspectiva de que os holofotes do caso venham a ser partilhados com a política.

Não há dúvida, no entorno do presidente, de que sua popularidade e intenção de voto têm pago a conta do escândalo do Master pela condição de “representante máximo do status quo”, como disse o presidente do PT, Edinho Silva, ao Valor.

Resultado ruim para o presidente pode levar a guinada na economia, por César Felício

Valor Econômico

A tendência desenhada pela pesquisa Genial/Quaest na quarta-feira (11) é inequívoca: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tornou-se, por ora, o favorito para vencer as eleições presidenciais de outubro e, mantidas as balizas atuais, já deve aparecer à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas simulações de segundo turno na próxima rodada. Todos os indicadores da pesquisa, tanto a de avaliação de governo quanto a de intenção de voto, são ruins para o atual chefe do Executivo.

Aversão ao governo petista é resistente, por Carlos Melo

O Globo

Tomados pelo autoengano de acreditarem-se portadores da verdade mais certa, governo e partido quedam-se blasés

Em fevereiro de 2025, pesquisa Datafolha apontava 41% de desaprovação ao governo Lula, para uma aprovação de 24%. Neste mês de março, os números apurados foram 40% de desaprovação para 32% que o aprovam. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem, a desaprovação subiu de 49% em janeiro de 2025 para 51% neste mês; a aprovação caiu de 47% para 44%. Há resistente aversão ao governo petista de modo, talvez, intransponível. A Genial/Quaest mostra Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) empatados nas intenções de voto para presidente num eventual segundo turno, ambos com 41%.

STF na rinha política, por Merval Pereira

O Globo

Os próprios supremos deram razões para ser criticados e submetidos a uma ação de impeachment

A pesquisa Quaest divulgada ontem confirma o empate técnico no segundo turno das eleições presidenciais entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, reafirmando a polarização ou calcificação da disputa, como define a própria Quaest. Com uma diferença importante: a calcificação se dá entre o representante do antipetismo e o lulismo, com a vantagem para os oposicionistas. Eles se unem em torno de qualquer dos nomes que vá para o segundo turno em desfavor do presidente Lula, que não tem, como demonstrado em 2018, representante que absorva integralmente seus votos.

Morte de Sicário não é fatalidade, por Julia Duailibi

O Globo

Ele deveria ser julgado. Além do mais, era um delator potencial. Por incompetência ou omissão, o Estado tem culpa nessa morte

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, morreu sob a custódia do Estado brasileiro, e esse não deveria ser um escândalo menor dentro dos tantos absurdos revelados pelo caso Master. É espantoso que um preso, com papel central na organização criminosa, tenha conseguido se matar dentro das dependências da polícia, numa cela monitorada, em tempo real, por essa mesma polícia. Sicário ainda deu uma chance aos agentes de plantão: atentou contra a vida não uma, mas duas vezes. Mesmo assim, ninguém, em tese, viu.

A dor humana e o dano econômico, por Míriam Leitão

O Globo

Conflito no Oriente Médio escala, com mortes de inocentes e efeitos econômicos que atingem diversos países

O The New York Times mostrou ontem um vídeo, com autenticidade verificada pelo próprio jornal, da escola para meninas no Irã atacada pelos Estados Unidos. A reportagem conta que uma investigação militar em andamento indica que o míssil Tomahawk foi disparado em direção ao colégio elementar por “dados desatualizados” dos alvos no Irã. Os gritos das mães procurando sobreviventes ficam no ouvido de quem assiste. Morreram 175 pessoas, a maioria meninas. Ontem, Israel escalou seus ataques contra o Líbano, nesta guerra que já virou uma tragédia humana e uma crise econômica.

Nada a comemorar no castelo da insensatez, por José Serra

O Estado de S. Paulo

Este início de ano tem mostrado que a palavra ‘civilizados’ não pode ser empregada para os atos das autoridades deste planeta

A primeira metade do século passado pode ser caracterizada como um pesadelo coletivo. Ela foi repleta de líderes que não serviam ao povo ou às instituições, mas preferiam mostrar seu ego reluzente. Também foi salpicada de partidos inconsequentes, dirigentes medíocres e empresários que viam apenas o lucro fácil, o que conduziu ao crash de 1929.

Nesses últimos anos, isso parecia coisa de um passado distante, de um tempo em que éramos muito menos civilizados e tínhamos instituições muito mais frágeis. Ledo engano: este início de ano tem mostrado que a palavra “civilizados” não pode ser empregada para os atos das autoridades deste planeta.

Sede de poder sem projeto de país? Por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

Com um projeto bem acabado para o Brasil, as forças políticas que buscam vencer a eleição devem demonstrar sua capacidade de colaborar com um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social

Nestas eleições, espera-se que os diferentes grupos políticos já colocados para a disputa apresentem um projeto de nação. Não há mais espaço para discursos populistas, de parte a parte, diante de uma sociedade machucada pela negligência dos poderes públicos. É preciso planejar o futuro e liderar essa construção.

A Constituição de 1988 estabeleceu as bases necessárias para a ação do Estado, isto é, para a elaboração e execução de políticas públicas, nas mais diversas áreas, com vistas à expansão do bem-estar social. O cumprimento do mandato constitucional, contudo, requer o resgate do planejamento.

As correntes profundas, por William Waack

O Estado de S. Paulo

As dificuldades de Lula para se reeleger não são apenas momentâneas

Mesmo com o desempenho recente de Flávio Bolsonaro, no fundo o cenário da eleição presidencial é estável, demonstram seguidas pesquisas de vários institutos. É essa estabilidade e o uso de modelos estatísticos que levam respeitadas agências de análise de risco (como a Eurásia, por exemplo) a dizer que Lula tem 60% de chances de ganhar.

Mas modelos estatísticos têm célebre dificuldade em captar movimentos subterrâneos e correntes estruturais, ainda que pesquisas acusem tendências e sofram oscilações. E a grande corrente está trabalhando contra os planos de reeleição de Lula.

STF está preocupado, dividido e sem plano, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

O clima está ruim, e ninguém sabe qual o caminho para sair da crise. Hoje, essa avaliação é a única unanimidade no Supremo Tribunal Federal. Sobre todo o resto, a Corte se dividiu na nova temporadado escândalo do Banco Master.

Mesmo com o bloqueio de R$ 22 bilhões em bens dos investigados, a dimensão financeira do caso ficou em segundo plano. O foco foi deslocado para o impacto político e institucional das revelações, com consequências para a dinâmica interna do Supremo.

Uma avaliação da Era Haddad na economia, por Benito Salomão

Correio Braziliense

O que Haddad fez durante o seu período enquanto ministro foi trazer racionalidade à pauta fiscal brasileira, que é importante e foi atacada com a redução do deficit primário de 2,43% do PIB em 2023 para 0,48% em 2025

Enquanto este artigo era escrito, a imprensa noticiava a possível troca do comando no Ministério da Fazenda, com a saída do ministro Fernando Haddad e a entrada de algum substituto. O supracitado Ministério da Fazenda não é o único responsável pela economia do país, compartilha afazeres com os Ministérios do Planejamento, Indústria e Comércio, Gestão e transcende todos os outros ministérios. Portanto é difícil avaliar o desempenho específico de uma única pasta ministerial e de seu mandatário. Mas eu tentarei.

Até gente de Trump vê petróleo subir, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Agência de estatísticas e estudos de energia dos EUA prevê petróleo em US$ 95 até maio

Antes da guerra, barril custava US$ 72; juros sobem, receio de inflação também

O preço do barril do petróleo do tipo Brent deve ficar em US$ 95 mais ou menos até maio. É a previsão da agência de estatísticas e estudos de energia do governo dos Estados Unidos, a EIA ("Energy Information Administration"). Estimativas de preço de petróleo e gás são tão ruins quanto os chutes informados sobre taxa de câmbio. Em tempos de guerra, pior ainda. Mas o cheiro de queimado fica mais forte com as estimativas da EIA, embora o mercado de petróleo esteja mais otimista nas projeções.

Fila do INSS é dor de cabeça dupla para Lula, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Com o avanço de Flávio nas pesquisas, reduzi-la ainda neste semestre passa a ser urgente para o presidente

Imagens de velhinhos e doentes reclamando do INSS são um prato cheio para os adversários políticos

fila represada do INSS é dor de cabeça eleitoral para Lula. No momento em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) avança nas pesquisas e empata tecnicamente com o petista no segundo turno, a necessidade de reduzi-la passa a ser urgente para o presidente ainda neste primeiro semestre.

Esse é o caso em que o processo de normalização do fluxo de pedidos não tem potencial para garantir sozinho ganhos elevados de popularidade. Mas a permanência da fila em níveis recordes pode tirar votos de Lula numa disputa eleitoral acirrada.

Comando Vermelho e PCC são terroristas? Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Objetivo de Trump é fazer da América Latina o seu quintal

Definição não trará mais segurança, mas maior militarização

A consequência prática da eventual designação pelo governo Trump das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras é tão incerta quanto o próprio regime trumpista. Se o fizer, os EUA colocarão sobre o Brasil o símbolo de alvo de sua artilharia legal, diplomática e militar; se vai atirar ou não, são outros 500, o que dependerá da habilidade da diplomacia brasileira. Por partes, portanto.

O que cabe à Suprema Corte, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Escândalo do Banco Master causa estrago à legitimidade do STF

Corte precisa de solução que escape à defesa corporativista dos colegas de toga

As operações do Banco Master são um caso clássico daquilo que os economistas chamam de "rent seeking". O termo descreve o comportamento de todos quantos busquem ganhos econômicos via acesso privilegiado a quem tem poder de decisão sobre políticas públicas. Na prática, a busca de vantagens por meios políticos geralmente envolve corrupção e se aproveita de oportunidades que nenhum desenho institucional é capaz de bloquear completa e definitivamente.

O amigo da corte e o bajulador de ministro, por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Manual prático para ajudar o STF ou proteger o centrão supremocrático

O amigo da corte tenta imaginar como estancar o sangramento, seja por aposentadoria ou sanção jurídica

Ser ministro do STF é exercer função pública, não ostentar estilo de vida. O cargo permite vida privada com o privilégio e o conforto do topo da pirâmide social brasileira. Só não permite o luxo extrativista, os cortejos oligárquicos e gangsteristas, o empreendedorismo familiar.

A carreira de ministro vem com muito poder, prerrogativa e prestígio, só pede não agredir a instituição. E não paga o suficiente para vestir-se de ouro. Não por moralismo. Não só por razões éticas ou estéticas, mas por razões legais compatíveis com a realidade socioeconômica brasileira.

A nova agenda social de Vorcaro, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Todas as propriedades de Daniel Vorcaro são cinemascópicas, de milhares de metros quadrados

Mas seus domínios neste momento espalham-se por uma cela de 9 metros quadrados na Papuda

Um histórico milionário paulistano vendeu sua mansão na avenida Paulista para uma construtora por uma fábula e, como não queria sair dali, exigiu também um apartamento ocupando toda a cobertura do prédio que seria levantado no lugar. Sua mulher estrilou: "Mas, Fulano, vamos ter de nos espremer em 1.000 metros quadrados???". Mostra que Ernest Hemingway não estava de todo certo ao responder à pergunta de F. Scott Fitzgerald sobre a diferença entre os ricos e os pobres. "Os ricos têm mais dinheiro", disse Hemingway. Não só isso —precisam de mais espaço.