quarta-feira, 25 de março de 2026

Ratinho pulou do navio, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Próximo da fila do PSD, Caiado não tem nada a perder além de mais uma eleição

Ratinho, o Júnior, foi o primeiro a abandonar o navio. O governador do Paraná anunciou que não é mais candidato a presidente. Vai ficar no cargo até o fim do mandato.

O herdeiro do animador de TV se apresentava como candidato da “direita democrática”. Ensaiou um discurso moderado, mas prometeu militarizar escolas e indultar os golpistas, a começar por Jair Bolsonaro.

O equilibrismo não o ajudou a se firmar na disputa. Em três meses, Ratinho encolheu de 12% para 7% no Datafolha. O eleitor bolsonarista dispensou o genérico e escolheu o original, filho do capitão.

Em alta nas pesquisas, Flávio Bolsonaro deu o tiro de misericórdia nos planos do governador. Depois de tentar cooptá-lo com a vaga de vice, lançou seu desafeto Sergio Moro como candidato do PL no Paraná.

Sem avançar na corrida ao Planalto, Ratinho recuou para defender o Palácio Iguaçu. Vai cuidar dos assuntos da província, na esperança de emplacar um aliado como sucessor.

O tempo dirá se o caso Master também influiu na decisão. O paranaense tem sido cobrado pela venda da distribuidora de energia Copel ao empresário Nelson Tanure, parceiro de negócios de Daniel Vorcaro. Ratinho, o pai, foi sócio dos irmãos Toffoli numa filial do resort Tayayá.

A desistência do governador lança novas dúvidas sobre o projeto presidencial do PSD. O partido de Gilberto Kassab lançou três pré-candidatos, mas não deu garantias a nenhum. Agora terá que escolher entre Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, que comem poeira nas pesquisas. Os dois oscilam entre 3% e 4% das intenções de voto. Aparecem numericamente atrás de Romeu Zema, do nanico Partido Novo.

Favorito para o lugar de Ratinho, Caiado não tem nada a perder além de mais uma eleição. O homem do cavalo branco sonha com a Presidência desde 1989, quando tentou se vender como antagonista do PT. Foi atropelado por Fernando Collor e terminou em décimo lugar, com 0,7% dos votos.

No ano passado, ele se lançou candidato pelo União Brasil, mas teve o tapete puxado pelos donos da sigla. A ver se Kassab terá incentivos para mantê-lo no páreo até o fim.

 

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