Folha de S. Paulo
Primeiras sanções contra brasileiros e três
empresas sediadas em São Paulo suspeitas de integrar um esquema de lavagem de
dinheiro para o PCC indicam que vem mais pressão por aí
É fácil prever que esse primeiro movimento dos americanos é só o começo, e tudo indica que vai acabar chegando indiretamente nos envolvidos no escândalo do Master
O governo Donald Trump não perdeu tempo. Um
mês depois de os Estados
Unidos decidirem classificar o CV (Comando
Vermelho) e o PCC (Primeiro
Comando da Capital) como organizações terroristas, os americanos anunciaram as
primeiras sanções contra brasileiros e três empresas sediadas em São Paulo
suspeitas de integrar um esquema de
lavagem de dinheiro para a facção paulista.
A aplicação das sanções nesta quarta-feira (1º) indicou não só que o governo dos EUA tem acesso a informações detalhadas do esquema das empresas envolvidas para ocultar a origem dos recursos ilícitos e escapar da fiscalização, como sinalizou também que eles podem estar sendo abastecidos de informações repassadas diretamente por brasileiros envolvidos nas investigações.
De forma legal, por meio de cooperação entre
investigadores dos dois países, ou por debaixo dos panos, de forma sigilosa,
com razões políticas neste ano de eleições presidenciais por aqui? É a dúvida
que paira.
É fácil prever que esse primeiro movimento
dos americanos é só o começo, e tudo indica que vai acabar chegando
indiretamente nos envolvidos no escândalo do Master.
Afinal, como revelou a Folha em
janeiro deste ano, o Banco Central identificou
seis fundos de investimento suspeitos de fazerem parte do esquema de fraude
capitaneado pelo banqueiro Daniel
Vorcaro, dono do Master.
Todos esses fundos mapeados também aparecem
nas investigações que miram a infiltração do PCC na economia formal feitas pela
equipe que deflagrou a Operação Carbono Oculto, de acordo com o cruzamento de
dados feito pela reportagem na época.
A revelação dos nomes dos fundos —Astralo 95,
Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna— abriu as trilhas para que a
imprensa chegasse às conexões importantes de Vorcaro com figurões em Brasília,
como o ministro Dias Toffoli.
Os americanos vão elevar a pressão. Eles
querem ampliar a influência no Brasil com atuação do FBI. O céu é o
limite para os americanos.

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