O Globo
PF apura suspeita de desvio milionário do
Fundo Eleitoral; Rui Costa Pimenta se diz vítima de 'perseguição política'
O chamado foi de Rui Costa Pimenta, o eterno
presidente do Partido da Causa Operária: “Temos que dizer claramente que o
caminho é a revolução”. Em convenção no último sábado, o dirigente pregou a
“derrubada da burguesia” e avisou que as eleições “não vão mudar absolutamente
nada”. Apesar da descrença no voto, ele anunciou sua quarta candidatura ao
Planalto.
Com discurso de extrema esquerda, Pimenta participou das corridas presidenciais de 2002, 2010 e 2014. As massas faltaram ao encontro, e ele terminou todas as disputas em último lugar. Na primeira, recebeu 0,05% dos votos válidos. Nas últimas duas, encolheu para 0,01%. Também ensaiou se candidatar em 2006, mas teve o registro negado pelo TSE. Não havia apresentado prestação de contas da campanha anterior.
Embora diga não acreditar nas urnas, o chefão
do PCO engajou toda a família na política institucional. Sua mulher, Anaí
Caproni, concorreu seis vezes a prefeita e governadora de São Paulo. Os filhos
disputaram eleições para vereador, deputado e prefeito. Ontem a Polícia Federal
deu pistas que podem ajudar a desvendar o enigma do clã.
Por ordem da Justiça, os agentes fizeram
buscas para apurar suspeitas de desvios do Fundo Eleitoral. Segundo reportagem
do UOL, a sigla pagou R$ 1,4 milhão a uma gráfica que pertencia ao genro do
presidenciável. Em 2024, mais da metade da verba destinada ao PCO foi repassada
a empresas e pessoas ligadas à cúpula da legenda.
“O juiz pode achar estranho, mas não é
ilegal”, defendeu-se Pimenta. Em transmissão na internet, ele disse que a
Operação Causa Própria foi “ridícula” e se declarou vítima de “perseguição
política”. “A sabotagem contra o partido é muito grande”, protestou.
Mesmo sem votos, o PCO receberá mais R$ 3,3
milhões neste ano. O dinheiro público abastecerá uma sigla que já defendeu a
“dissolução” do STF, entre outras ideias antidemocráticas. Ontem Pimenta voltou
a defender o fuzilamento de rivais como arma política. Em seguida, acusou a PF
de truculência. “O pior de tudo é que quebraram o vidro do quadro do Trotsky”,
lamentou.

Um comentário:
Radicalismo é sempre nocivo à sociedade.
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