quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Ao aceitar corte de gastos, Haddad revela sensatez

O Globo

Para cumprir meta fiscal e aumentar credibilidade, ministro deveria adotar plano de contenção de despesas

É conhecida a resistência do PT a cortar gastos para equilibrar as contas públicas. A ideia de que “gasto é vida” e a dívida pública apenas uma distração infelizmente continua a ter adeptos com gabinetes na Esplanada dos Ministérios ou acesso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Felizmente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem demonstrado bom senso em relação à questão. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Haddad afirmou haver espaço para corte de gastos na máquina pública — necessidade há muito evidente para cumprir a meta de déficit fiscal zero.

Ao explicar não haver incongruência entre ser de esquerda e a favor do equilíbrio das contas públicas, Haddad diz uma obviedade, é certo, mas trata-se de mensagem necessária em Brasília — e mais importante neste ano de teste do novo arcabouço fiscal. Ainda que de forma oblíqua e cautelosa, Haddad demonstrou ter noção de que, com toda a cooperação do Congresso no ano passado aprovando diversas medidas para aumentar a arrecadação, não haverá como equilibrar as contas apenas pela via das receitas. Será preciso cortar.

Ele disse acreditar ser possível haver consenso no tema, tendo como ponto de partida a redução ou a extinção de despesas que não despertam controvérsia. “Tem de começar pelo que ninguém vai discutir se é justo”, disse. “Um pacto a começar de cima para baixo, e aí cortando com racionalidade, levando em consideração justiça social, desigualdade, princípios com os quais todo mundo é capaz de concordar.”

Vera Magalhães – Acabou a lua de mel?

O Globo

Atritos e falta de interlocução ameaçam tanto investimentos do PAC quanto pauta arrecadatória

O casamento entre o governo Lula e o Congresso nunca foi convencional. Interesses mútuos ditaram uma lua de mel pragmática, sem amor, que durou da PEC da Transição à reforma tributária. Agora, a relação entrará numa nova fase na volta do recesso, e, por ora, os sinais são de crise.

Arthur Lira precisava do governo para se reeleger sem sustos. O governo precisava de Lira para colocar as promessas de campanha de Lula no Orçamento de Bolsonaro. Esses foram os termos que ditaram a união nada estável. O 8 de Janeiro acabou reforçando os laços que ainda eram bem tênues. A governabilidade trôpega foi construída a partir desse pacto fundador, e graças a ela foram aprovadas medidas como o marco fiscal e a reforma tributária.

Mas para que os votos sejam renovados há algumas dificuldades adicionais. A começar pelo fato de a agenda do governo não ser única. Há o projeto de Fernando Haddad de colocar as contas públicas nos eixos aumentando a arrecadação, para o qual ele depende do Congresso. E existe a outra plataforma, de Lula e Rui Costa, que é fazer deslanchar o canteiro de obras, para a qual o governo e o Congresso competem por recursos na inflada coluna do gasto. Haja DR para compatibilizar tantos interesses dispersos.

Bernardo Mello Franco - Todos querem ser frente ampla

O Globo

Campanhas de Guilherme Boulos e Ricardo Nunes disputam mesmo rótulo em SP; na esquerda e na direita, propaganda tenta dar verniz de nobreza à negociação de palanques

Frente ampla virou a expressão da moda na eleição de São Paulo. A ex-prefeita Marta Suplicy reivindicou o termo ao anunciar o apoio a Guilherme Boulos. Na segunda-feira, o governador Tarcísio de Freitas discordou. Disse que ampla mesmo é a frente do prefeito Ricardo Nunes.

A propaganda mastiga as palavras até esvaziar seu sentido. Na disputa paulistana, a ordem é dar verniz de nobreza à velha negociação de palanques.

Líder das pesquisas, Boulos mostrou força ao tirar Marta da gestão do rival. A ex-prefeita abandonou um cargo no governo para se juntar ao candidato da oposição. Daí a falar em frente ampla, é outra história. A chapa terá titular do PSOL e vice do PT. As siglas pertencem ao mesmo campo político e já são aliadas no plano federal.

Elio Gaspari - Sem metas, a Nova Indústria é velha

O Globo

Como disse Lula, 'que a gente possa cumprir isso que a gente escreveu no papel'

Faz tempo, quando o governo do presidente Ernesto Geisel divulgou seu Plano Nacional de Desenvolvimento, o professor Mário Henrique Simonsen, seu ministro da Fazenda, comentou:

— Não leio obras de ficção.

Quem as lê pode perder algum tempo com o programa Nova Indústria Brasil e suas “metas aspiracionais”, com seis missões. Provável mesmo é que a Viúva colocará na mesa créditos de R$ 300 bilhões até 2026.

(Durante a fala de Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento e vice-presidente, a câmera percorreu parte da audiência, e pelo menos nove convidados — três dos quais colegas de ministério — liam papéis ou mensagens nos celulares.)

Louvem-se os autores. Eles chamaram as metas de “aspiracionais”. Enunciaram desejos, em vez de cravar promessas. Na Missão 3 aspira-se a “reduzir em 20% o tempo de deslocamento de casa para o trabalho” (atualmente, esse tempo médio é de 4,8 horas semanais).

Na defesa dessa nova política industrial, os doutores repetiram que países como Coreia e Japão cresceram porque suas indústrias foram amparadas pelo governo. Deixando de lado o fato de lá empresários larápios irem para a cadeia e não receberem alívio do Supremo Tribunal Federal, essa é uma velha questão. No Japão e na Coreia havia metas, compromissos e penalizações. Quais serão as metas que as empresas se obrigam a cumprir com a Nova Indústria? Por enquanto, nem uma palavra.

Zeina Latif - Política industrial: use com muita moderação

O Globo

Poderia haver a seguinte regra: para cada nova política proposta, outra ineficiente precisa ser eliminada

Políticas industriais (PIs) visam compensar falhas de mercado prejudiciais ao investimento em setores que geram externalidade ou benefício público superior ao ganho privado. Alguns exemplos são o apoio à indústria nascente e às atividades de pesquisa e inovação.

No entanto, há uma grande distância entre a intenção e a entrega.

A questão é se, na prática, há governança e instrumentos adequados para o governo identificar corretamente o setor a ser contemplado, e desenhar e implementar boas políticas. Isso inclui suspender a PI que fracassou ou não fez bom uso do recurso público.

Apesar da maior quantidade de iniciativas em países desenvolvidos, isso não significa que lá são mais utilizadas – elas tampouco escapam de questionamentos de sua efetividade. O correto é considerar os recursos dispendidos como proporção do PIB dos países (um retrato ainda parcial pela dificuldade de incluir as proteções regulatórias).

Fernando Exman - Segue a marcha da impositividade orçamentária

Valor Econômico

Processo foi iniciado durante o governo Dilma, passou pelas administrações seguintes e agora tenta dar novos saltos

O ano começa com mais um capítulo da disputa entre governo e Centrão em torno do controle do Orçamento. Existe, na visão de integrantes do Executivo, uma “marcha” do Congresso em busca da impositividade da execução das emendas parlamentares. Um processo iniciado durante o governo Dilma Rousseff que, com “galopes trienais”, passou pelas administrações seguintes e agora tenta dar novos saltos.

O movimento teve início a partir de 2013. Candidato a presidente da Câmara, o ex-deputado Henrique Eduardo Alves (MDB-RN) prometeu aos seus pares durante a campanha pelo comando da Casa aprovar o orçamento impositivo para emendas parlamentares individuais.

Ele argumentava que era preciso acabar com a “humilhação do conta-gotas”, numa referência ao esforço empreendido pelos deputados junto ao Executivo para a liberação das emendas. Nas palavras de Alves, que foi eleito presidente da Câmara e depois conseguiu emplacar uma emenda constitucional nesse sentido no ano seguinte, buscava-se um Orçamento “respeitosamente” impositivo.

Nilson Teixeira* - Projeções do PIB são pouco confiáveis

Valor Econômico

Sem ação bem coordenada nos próximos anos, cenário dominante é o de manutenção de baixo crescimento de longo prazo com eventuais surtos de expansão seguidos por períodos recessivos

O erro absoluto da média diária das projeções de crescimento do PIB formadas em dezembro do ano anterior na série do Focus iniciada em 2000 varia entre 0,3 ponto percentual (pp) em 2005 e 5,5 pp em 2019, sendo o erro mediano de 1,4 pp. Das 24 observações disponíveis, as projeções subestimam o crescimento em 11 anos, com mediana de 1,5 pp, e o superestimam em 13 anos, com mediana de 1,3 pp.

De forma simplificada, assume-se que a realização do crescimento do PIB no ano é distribuída de acordo com uma curva normal, com o centro sendo o resultado mais provável e a probabilidade dos outros possíveis valores diminuindo à medida que esses se afastam do centro da distribuição. Apesar de curta, a série não sugere que essa hipótese seja razoável até, pelo menos, a divulgação em março dos resultados do PIB do 4º trimestre do ano anterior.

A mediana das projeções de mercado do Focus de 19 de janeiro para o crescimento do PIB em 2024 foi de 1,6%, com o mínimo de 0,0% e o máximo de 2,5%. A análise dos dados não descarta a hipótese de distribuição uniforme para valores distantes da mediana das previsões em cerca de um ponto percentual. Assim, a projeção máxima do Focus para 2024 de 2,5% ou uma expansão de apenas 0,5% não deve ser lida como mais improvável do que a chance de ocorrer um crescimento similar à atual mediana das previsões de 1,6%.

Martin Wolf* - Os perigos de um mundo imprevisível

Valor Econômico

Fragilidades do sistema econômico global são reais e devem ser enfrentadas

Na semana passada, discuti cinco motores de longo prazo da economia mundial - demografia, mudanças climáticas, avanço tecnológico, difusão mundial do conhecimentos e o próprio crescimento econômico. Esta semana analisarei choques, riscos e fragilidades. Eu sugiro que, juntos, todos eles moldam a economia em que vivemos.

Um “choque” é um risco que se concretiza. Riscos, por sua vez, são quase todos imagináveis. Na fraseologia útil de Donald Rumsfeld, eles são “desconhecidos conhecidos”. Mas a probabilidade de que aconteçam e sua gravidade são desconhecidas. Estamos rodeados por tais riscos - novas pandemias, instabilidade social, revoluções, guerras (inclusive guerras civis), megaterrorismo, crises financeiras, colapsos do crescimento econômico, reversões na integração econômica mundial, transtornos cibernéticos, fenômenos climáticos extremos, colapsos ecológicos, terremotos muito fortes ou erupções de supervulcões. Todos são imagináveis. Que um deles se concretize aumenta a probabilidade de que pelo menos alguns dos outros também aconteçam. Além disso, as fragilidades conhecidas tornam maiores as chances desses choques, ou no mínimo sua provável gravidade.

Luiz Carlos Azedo - Novo cenário frustra a política externa de Lula

Correio Braziliense

O presidente brasileiro vive um dilema na escolha entre a audácia e a prudência ante a mudança de conjuntura mundial. Duas guerras impactaram a política e a economia global

“De quanto pode a fortuna nas coisas humanas e de que modo se lhe deva resistir” (Quantum fortuna in rebus humanis possit, et quomodo illis sit occurren dum) é um capítulo de O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, que trata das virtudes e da fortuna dos governantes. Tem mais a ver com as contingências do que com o acaso ou a sorte propriamente. “Muitos têm tido e têm a opinião de que as coisas do mundo sejam governadas pela fortuna e por Deus (…) Essa opinião se tornou mais aceita nos nossos tempos pela grande modificação das coisas que foi vista e que se observa todos os dias, independentemente de qualquer conjectura humana”, disse Maquiavel.

“Contudo, para que o nosso livre arbítrio não seja extinto, julgo poder ser verdade que a sorte seja o árbitro da metade das nossas ações, mas que ainda nos deixe governar a outra metade, ou quase”, concluiu. A releitura de Maquiavel nos faz refletir sobre as mudanças que ocorreram na política mundial desde a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu o poder com a memória de quem foi considerado “o cara” por Barack Obama e amplo apoio internacional, sobretudo depois do 8 de janeiro, quando se completou o diagnóstico das principais chancelarias do Ocidente de que o ex-presidente Jair Bolsonaro seria mesmo uma ameaça à democracia.

Vera Rosa - O dia em que dona Marta do PT gritou

O Estado de S. Paulo

Ex-prefeita já mandou Maluf calar a boca e não tem perfil para vice decorativa

O debate estava tenso quando, de repente, um grito ecoou no auditório da TV Bandeirantes: “Cala a boca, Maluf!”. A “ordem” partiu da psicóloga Marta Suplicy, que, dias antes, havia ensaiado aquela forma impactante de interromper Paulo Maluf, seu adversário no segundo turno da disputa pela Prefeitura de São Paulo. Era outubro de 2000.

Durante a campanha, marqueteiros apresentavam Marta como uma mulher que não levava desaforo para casa. Mas pesquisas mostravam que São Paulo era uma capital conservadora. A estratégia foi traçada, então, para buscar um meio-termo, na tentativa de não colar o nome da candidata ao PT de Luiz Inácio Lula da Silva.

Fábio Alves - Dilma, é você?

O Estado de S. Paulo

O novo plano industrial do governo gerou receios de volta de fantasmas fiscais

O primeiro impacto do plano Nova Indústria Brasil poderá ser um indigesto aperto das condições financeiras, apesar de o Banco Central estar no meio de um ciclo de corte de juros, diante dos temores de investidores e analistas de que o governo Lula irá ressuscitar os fantasmas fiscais e parafiscais da gestão da ex-presidente Dilma Rousseff.

Um pacote de R$ 300 bilhões até 2026, sem transparência suficiente sobre como os gastos serão financiados – com aumento do crédito subsidiado –, tampouco metas concretas de avaliação da sua eficiência em termos de política pública, lançado num momento em que a política fiscal do governo Lula sofre uma grave crise de credibilidade com a ameaça de mudança da meta de déficit primário zero já no primeiro ano de vigência do novo arcabouço fiscal.

Cláudio Carraly* - Obsolescência programada - um crime premeditado

A obsolescência programada, estratégia em que fabricantes limitam deliberadamente a vida útil de produtos para impulsionar o consumo, é uma questão complexa e multifacetada, essa prática tem suas raízes no início do século XX, quando as empresas perceberam que podiam aumentar suas vendas limitando a vida útil dos seus produtos, analisando as teorias estratégias que impulsionaram esse fenômeno, é possível entender como a busca incessante pelo lucro moldou esse modelo econômico perverso. Vários países e entidades internacionais, buscam um aparato jurídico para  enfrentamento da obsolescência programada evidenciando a complexidade do problema, enquanto alguns Estados estão na vanguarda dessa discussão, adotando medidas rigorosas, como a França que criou a lei de transição energética, outros países ainda carecem de regulamentações específicas, a análise de tratados internacionais e as propostas de padronização legal são cruciais para o enfrentamento dessa questão, compreender como diferentes nações buscaram soluções e unificar essas abordagens é fundamental para resolução definitiva desse problema. 

Bruno Boghossian - Anabolizante nacional

Folha de S. Paulo

Petista enxerga nacionalização como oportunidade para recuperar terreno e manter viva rejeição a Bolsonaro

Apesar de conhecer as contraindicações, Lula aplicou um anabolizante nacional nas eleições municipais. O presidente definiu a disputa pela Prefeitura de São Paulo como "uma confrontação direta" entre ele e Jair Bolsonaro. Na sequência, estendeu a lógica para o restante do país.

"A disputa é entre um governo que coloca o povo em primeiro lugar, para tentar resolver os problemas dele, e o governo das fake news", disse o petista à rádio Metrópole.

Nenhum político desafia à toa a máxima de que, na hora de votar para prefeito, o eleitor está mais preocupado com buracos nas ruas do que com embates partidários. Mas Lula parece enxergar a nacionalização como uma oportunidade.

Vinicius Torres Freire - Plano Lula 3 para a indústria

Folha de S. Paulo

Crítica foi precipitada e estereotipada; há defeitos velhos e novidades interessantes

O plano de reindustrialização de Lula 3 não é tudo isso que dele estão dizendo. Em particular, não é tudo isso de ruim, segundo a opinião mais comum do economista padrão, "mainstream".

As reações ao anúncio do Nova Indústria Brasil (NIB) foram estereotipadas. Pouca gente leu as 102 páginas muito resumidas do projeto; pelo menos este jornalista não conhece quem seja capaz de avaliar o conjunto de tantas providências relativas a aspectos diversos dos setores público e privado.

Não se trata de reedição de políticas de Lula 2 e Dilma 1. Quanto a dinheiro, por exemplo, não está previsto endividamento exorbitante do governo a fim de inflar os fundos de empréstimo do BNDES.

O NIB terá recursos de uns R$ 300 bilhões em quatro anos (2023-2026), dos quais R$ 250 bilhões em empréstimos do BNDES.

São R$ 62,5 bilhões por ano, menos do que os R$ 100 bilhões dos desembolsos anuais do banco de 2022 e 2023.

Tostão - Existe uma inversão no aprendizado esportivo

Folha de S. Paulo

Crianças precisam se divertir com a bola antes de aprender técnica e regras

Na quinta-feira, dia 25, aniversário de São Paulo, que fará 470 anos, haverá a final da Copinha entre Cruzeiro e Corinthians. Seria aniversário de Tom Jobim, um dos maiores craques da história da música brasileira. É também aniversário de um grande número de cidadãos brasileiros, como este colunista, um idoso de 77 anos, racional, sonhador e independente.

Quero ver ainda a seleção brasileira ganhar mais uma Copa do Mundo e o Cruzeiro ser campeão do Brasileirão, da Libertadores ou da Copa do Brasil. Quero ver ainda o Brasil melhor, trocar muitas benesses, subsídios, fortunas em emendas parlamentares e fundos eleitorais por uma ação mais rápida e eficiente para diminuir os graves problemas sociais, como a violência, a má educação e a falta de saneamento básico e de água potável em quase metade das residências brasileiras, uma vergonha.

Poesia | Dois e dois são quatro - Ferreira Gullar com Narração de Mundo dos Poemas

 

Música | Xodó do Caboclinho - Nonô Germano (Sérgio Kirillos/Joca Leão/Jairo Gonçalves)

 

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Risco da nova política industrial é repetir erros da velha

O Globo

Histórico recomenda ceticismo sobre os planos do governo de investir R$ 300 bilhões até 2026

O governo abriu ontem mais um capítulo na longa história das políticas industriais brasileiras. Desta vez, o plano se chama Nova Indústria Brasil e prevê financiamentos da ordem de R$ 300 bilhões até 2026, a maior parte do BNDES. É verdade que o mundo tem sido palco de uma nova onda de ações governamentais para reavivar a indústria. Mas o pretexto da “onda global” não necessariamente justifica as medidas. O governo amontoou diversos objetivos num só plano: quer reduzir a pegada de carbono, obter autonomia em tecnologias de defesa, aumentar a participação da agroindústria, transformar digitalmente as empresas etc. Não disse, porém, como cada um desses objetivos se traduzirá em benefícios e incentivos.

Fortalecer a indústria é sonho antigo dos governantes. No mundo emergente, a industrialização sempre foi vista como elevador para o desenvolvimento. No Brasil, a desindustrialização aconteceu antes de o país ficar rico. No começo dos anos 1990, o setor industrial ocupava 23% da mão de obra. Hoje ocupa 19%. A redução se deve a uma combinação de fatores internos e à conjuntura global. O Brasil não foi o único país a sofrer desindustrialização, nem o mais afetado. Na Coreia do Sul, a mão de obra industrial caiu de 36% do total em 1991 para 25%. Nos Estados Unidos também, de 23% para 19%.

Merval Pereira - Sem controle

O Globo

A situação do PT está difícil e complicada como nunca. Do lado da direita, existem forças políticas de oposição muito fortes. Lula tem sido obrigado a engolir sapos de diversos tamanhos.

Quando o então presidente Bolsonaro desistiu de influenciar as decisões do Congresso e entregou ao Centrão a negociação do Orçamento, abriu mão de um poder que o Executivo já havia perdido, para manter uma base partidária fiel. Como seu interesse estava em outra ponta do processo político — na formação de uma base militar e popular, por meio das redes sociais, que lhe permitisse dar um autogolpe —, não se incomodou com a perda do controle do Congresso.

Tinha a maioria que impediria qualquer tentativa de impeachment, e os partidos da massa heterogênea de políticos lhe foram fiéis na campanha eleitoral. O presidente Lula venceu a eleição com a mais estreita margem de votos dos últimos anos, mas herdou um Congresso adverso. Tem sido obrigado a engolir sapos de diversos tamanhos, especialmente com a derrubada de vetos e derrotas em votações no Congresso.

Carlos Andreazza - Refinaria da História

O Globo

Se há uma campanha de reescritura da História recente da bandalheira no país, em curso um movimento pela reabilitação de agentes corruptos, natural será que se tentem limpar também os objetos da corrupção. Donde o discurso fraudador sobre a Refinaria Abreu e Lima, exemplo de “volta por cima”.

O Brasil que volta consistindo também naquele que nada aprendeu. O crítico já acusado de fascista a favor da reencarnação do capeta. A adulteração do passado protegida — beneficiada, acelerada — por este 8 de Janeiro permanente; estado de vigília que, em defesa da democracia, autoriza variadas modalidades de autoritarismo virtuoso e tolera a imposição da História deturpada.

E então: o petrolão foi armação. Envolvido no complô o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que não desejaria uma Petrobras pujante.

Blitz refazedora do passado a se estender — potencialmente — até as piratarias do mensalão. Por que não? O bolsoportunista Valdemar Costa Neto, outrora sócio do lulopetismo, já farejou o possível alcance regenerativo das distorções sobre a verdade. Elogiou o presidente como gancho para atacar Moro, o corrompimento da Lava-Jato tendo o condão de desmontar o combate à corrupção e reabilitar biografias retroativamente. Injustiçado também ele, Valdemar. Por que não? Às favas o fato de que condenado antes da existência da operação.

Andrea Jubé - Lula e o medo de virar o Schumacher da política

Valor Econômico

Sucessão sempre foi um tema sensível e ambíguo para o presidente

A sucessão sempre foi um tema sensível e ambíguo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um querer e não querer.

Em 2014, ele se viu sob pressão do PT para que fosse candidato novamente no lugar da então presidente Dilma Rousseff, que tentaria a reeleição. Curiosamente, naquele ano, o “queremismo” lulista tinha como um dos expoentes a ex-prefeita e ex-ministra Marta Suplicy.

Um ano depois, amargurada com a reeleição de Dilma e com denúncias de corrupção contra o partido no âmbito da Lava-Jato, ela deixou o PT. Agora, passados dez anos do “volta, Lula”, Marta voltou ao PT pelas mãos de Lula para ajudar a legenda a reaver o comando da Prefeitura de São Paulo, em aliança com o Psol.

Pedro Cafardo - Ensino técnico, Pé-de-Meia e sonhos de Beneditos

Valor Econômico

Brasil tem presença de jovens no ensino técnico menor que a média de outros países, inclusive da América Latina

Forte, alto e magro, José Benedito (nome fictício) tinha tudo para ser um zagueirão. Desde garoto, destacou-se entre os coleguinhas do bairro pela estatura, que hoje chega quase a 1,90m. Era um gigante intransponível na defesa em jogos de futebol no terrão.

O tempo foi passando e Benedito teve de abandonar os amiguinhos do bairro, enquanto alguns já faziam testes na base de grandes times de São Paulo. Tendo pai ausente, aos 9 anos começou a ajudar a mãe, empregada doméstica, a sustentar a família, com cinco irmãos menores. Vendeu picolés caseiros no farol e ao mesmo tempo carregou tijolos como servente de pedreiro.

Assis Moreira - Política industrial: todos juntos

Valor Econômico

Modelos econômicos diferentes, mas apetite parecido em meio à competição tecnológica e geopolítica

O plano de nova política industrial no Brasil, anunciado ontem, provocaria anos atrás uma imediata chuva de advertências por parte de outros parceiros. Desta vez, porém, o anúncio do presidente Lula ocorre num cenário global de renascimento das políticas industriais e de expansão significativa de programas de subsídios, em meio à intensificação da competição tecnológica e geopolítica entre as principais potências.

Na prática, quase todos os países se envolvem sistematicamente em alguma forma de política industrial, especialmente grandes economias como os EUA, Europa e a China, apesar de seus modelos econômicos diferentes.

Em março de 2019, o Conselho Europeu, que reúne os líderes do bloco comunitário, convidou a Comissão Europeia a apresentar uma nova "política industrial assertiva que permita que a UE continue sendo uma potência industrial". A avaliação em Bruxelas é de que a Europa não pode se dar ao luxo de perder a corrida por certas tecnologias avançadas consideradas cruciais no século XXI.

Luiz Carlos Azedo - Nova política industrial de Lula não convence

Correio Braziliense

"Com o programa anunciado ontem, Lula gera a desconfiança de que optou pelo "capitalismo de estado" como modelo de desenvolvimento. O mercado reagiu negativamente"

Com o programa anunciado ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gera a desconfiança de que optou pelo "capitalismo de Estado" como modelo de desenvolvimento. O mercado recebeu com a desconfiança a Nova Política Industrial anunciada ontem, em Brasília, da qual são protagonistas o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior, e principalmente o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. A ausência do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, gerou especulações de que haveria um racha na equipe econômica. O resultado foi a alta do dólar e a queda na Bovespa, indicadores que refletem a desconfiança dos investidores, quando o resultado deveria ser uma injeção de otimismo nos agentes econômicos.

Cristovam Buarque* - Coisas de Brasília

Correio Braziliense

Lula resgatou uma coisa de Brasília, adotada aqui entre 1995 e 1998, e a expandiu para todo o Brasil: a ideia de depósito em poupança no nome de alunos do ensino médio para ser resgatado quando eles concluírem seus cursos

Nosso imaginário vincula Brasília à arquitetura e às artes plásticas: Athos Bulcão, Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Burle Marx. Esses nomes e suas obras são tão marcantes que esquecemos nossas contribuições que são "coisas de Brasília": Clube do Choro, Plebe Rude, Capital Inicial, Legião Urbana. Tendemos a esquecer que experiências sociais e políticas que saíram daqui se espalharam e ajudam a mudar o Brasil.

A mais conhecida coisa de Brasília é a Bolsa Escola, desenhada na UnB em 1986 e implantada de forma pioneira pelo governo do Distrito Federal a partir de 1995. Com o mesmo nome, em 2001, o presidente Fernando Henrique levou o programa para 4 milhões de brasileiros. Em 2003, com o nome de Bolsa Família, o presidente Lula estendeu a todos que precisavam de uma renda mínima para sobreviver. Embora reduzindo o papel educacional — mudança no nome, retirada da gestão pelo MEC e incorporação de outros grupos beneficiados, não mais apenas as mães com filhos na escola —, o programa não perdeu sua origem como coisa de Brasília.

Aylê-Salassié Filgueiras Quintão* - Mercado de carbono: aliado ou concorrente?

Na expectativa de descobrir novas fontes de receita para amparar   a economia, o governo brasileiro vem propagando um "futuro" baseado no ciclo comercial do carbono e na importância da bioenergia. Serve, no mínimo, de apoio para a discussão sobre    "oneração" e “desoneração" fiscal tributária, pontos de inflexão política.

Para além disso, faz ressurgir das tais "memórias do esquecimento” uma das políticas públicas que mais alavancaram a economia brasileira nos anos 60 e70:  a Lei no 5.106, de 02.09.de 1966, que permitia investimentos em reflorestamento, por parte de pessoas físicas e jurídicas, até o limite de 50% do imposto de renda devido. Tirou o Brasil de uma cultura extrativista, inconscientemente predatória, para criar milhares de empresas e empregos de base florestal no País. 

Eliane Cantanhêde - A nova polarização do Brasil

O Estado de S. Paulo

Mais do que a guerra de Israel, é a posição de Lula que divide empresários e intelectuais

Em sua reação a uma fala impensada do ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) voltou a pedir “equilíbrio e moderação” das lideranças e autoridades diante da guerra de Israel e acrescentou: “Para não importar as tensões do Oriente Médio para o Brasil”. Parece tarde demais. Assim como famílias e amigos romperam por causa da polarização política interna, empresários, artistas e intelectuais guerreiam a favor e contra a posição do Brasil sobre os ataques israelenses aos palestinos. O bombardeio é por manifestos e em torno de uma palavra: genocídio.

Com uma biografia estonteante, de altos e baixos, Genoino foi por décadas o homem do diálogo entre esquerda, centro e direita no Congresso, o melhor porta-voz informal do PT para jornalistas e uma imprescindível presença entre as várias tendências petistas. De todos os condenados do mensalão, foi o que pagou o preço mais injusto.

Alvaro Costa e Silva - Cláudio Castro está dando defeito

Folha de S. Paulo

Investigado pela PF, governador elogia Lula pensando na própria pele

Cláudio Castro claudica. Vive atualmente seu pior momento. Incapaz de rebater as críticas à atuação do governo diante das chuvas que castigaram o estado, deixando 12 mortos; imóvel, como se tivesse pés e mãos amarrados, para enfrentar o problema da segurança pública; e pendurado num rombo de R$ 8,5 bilhões no orçamento de 2024.

Ainda vê o cerco da Polícia Federal se fechar em torno dele, correndo o risco de não terminar o mandato. Um fato já trivial no Rio, cujos governantes, ao longo dos últimos 50 anos, a começar pelo cacique Chagas Freitas, construíram uma azeitada máquina de corrupção, populista e clientelista, que se move por meio de mecanismos ocultos e autômatos. Não importa quem esteja no comando. Voraz, o sistema iguala vocações, mediocridades, partidos e ideologias. É uma espécie de vício político contra o qual não se consegue lutar.

Adriana Fernandes - Imprevisibilidade tributária

Folha de S. Paulo

Até onde o governo vai apertar os botões para arrecadar mais?

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou em 2024 mantendo a pressão para fazer o ajuste fiscal pelo lado da arrecadação, mas terá que sinalizar o quanto antes qual será o limite para o aumento da carga tributária.

Parte da queda dos investimentos do ano passado pode estar relacionada, na visão de alguns economistas e empresários, às incertezas sobre até onde o governo vai apertar os botões para arrecadar mais. O tema também já entrou no radar da própria equipe econômica.

Enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu em torno de 3% em 2024, os investimentos tiveram um desempenho muito ruim. No terceiro trimestre, registraram a quarta queda consecutiva, mostrando que a capacidade produtiva no Brasil não está se expandindo como se esperava.

Joel Pinheiro da Fonseca - Nova indústria com plano velho?

Folha de S. Paulo

'Nova Indústria Brasil' ameaça repetir os fracassos de Dilma, Lula e Geisel

Com o governo indo atrás de toda exceçãozinha tributária que ele possa cortar para arrecadar um pouquinho mais, seria de se esperar que, na hora de investir o dinheiro, ele usasse do mesmo rigor, sendo impiedoso com gastos ineficientes, certo? Certo??

Infelizmente, parece que com o "Nova indústria Brasil" o governo vai investir muito (R$ 300 bi) com o que já deu errado. Exigência de conteúdo nacional, crédito subsidiado e compras do governo.

Não é preciso ser um fundamentalista de mercado para ver o problema aí. Afinal, o Estado tem um papel no crescimento econômico. A Coreia do Sul não chegou aonde chegou sem papel ativo do governo. Mas tão importante quanto os casos de sucesso, é lembrar quando a política industrial fracassou, como no Brasil. DilmaLula, Geisel; a política industrial brasileira já torrou muito dinheiro e empobreceu muita gente.

Hélio Schwartsman - Lula é um oportunista

Folha de S. Paulo

Presidente muda discurso ao sabor de seus interesses, o que traz descrédito para a política

Lula é um oportunista, no que o termo encerra de positivo e de negativo. Quando viu que enfrentaria uma disputa difícil contra o então presidente Jair Bolsonaro, o petista veio com o discurso da frente ampla para salvar a democracia e convidou o ex-adversário Geraldo Alckmin para compor a chapa, na posição de vice.

Com isso, conseguiu atrair o voto de eleitores que faziam restrições ao PT, mas tinham ainda mais medo de Bolsonaro. Deu certo. Lula venceu por estreita margem.

Dora Kramer - A força do trator

Folha de S. Paulo

Aliança com o STF pode ter forte reação se Congresso for posto de escanteio

O governo vem tentando dourar a pílula no caso da medida provisória da cobrança de imposto sobre as folhas de pagamentos das empresas contempladas com a desoneração, aprovada com ampla maioria no Legislativo. O ministro da Fazenda diz que a decisão final será do presidente da República, que faz discurso criticando o empresariado por excesso de ganância.

Na cena real não é nada disso. Lula acusa os empresários porque não pode chamar de gananciosos os congressistas para não arrumar mais confusão do que já arrumou tentando testar os limites do Parlamento na afronta explícita a duas decisões inequívocas. Fernando Haddad tenta suavizar e disfarça dizendo que a decisão cabe ao presidente, mas já está tomada pelo Congresso.

Mercadante nega a volta da política de campeões nacionais com o plano para a indústria: 'Não escolhemos parceiro'

Por Alvaro Gribel e Karolini Bandeira / O Globo

Presidente do BNDES diz que nova política industrial terá editais públicos e transparentes com 'rigor nas garantias'

O presidente do BNDESAloizio Mercadante, negou que a nova política industrial lançada nesta segunda-feira pelo governo Lula represente a volta da política de "campeões nacionais" que começou nos primeiros governos Lula e vigorou principalmente durante o mandato de Dilma Rousseff.

Por essa política, o governo concedia crédito direcionado a empresas consideradas competitivas em determinados segmentos para que elas liderassem o desenvolvimento industrial do país. Em alguns casos, o banco se tornou sócio de empresas que escolheu incentivar para que adquirissem outras empresas e se internacionalizassem.

Mercadante diz que o banco não vai escolher parceiros:

— O que é importante vocês registrarem nesta discussão: As consultas ao BNDES, em relação a 2022, cresceram 88%, temos R$ 270 bilhões em projetos tramitando. Essa é a esteira, o projeto entra, a gente analisa e aprova. E é aberto a qualquer empresa. A gente trabalha por demanda, não escolhemos parceiro. Temos editais, são transparentes, as linhas de crédito são públicas e estamos recebendo os projetos - afirmou.

Míriam Leitão - Indústria elogia plano do governo para o setor

O Globo

CNI afirma que a medida é positiva por focar em desenvolvimento sustentável, investimento em produtividade e inovação

Por Ana Carolina Diniz

A indústria recebeu positivamente ao lançamento pelo governo federal da nova política industrial do país com promessa de financiamentos de até R$ 300 bilhões até 2026. Segundo o BNDES, deste total, R$ 250 bilhões serão mobilizados pelo banco.

Em nota, a CNI elogiou o programa Nova Indústria Brasileira e considera que a iniciativa é "positiva por focar em desenvolvimento sustentável, investimento em produtividade e inovação e comércio exterior". Afirmou ainda que o "governo brasileiro está no caminho certo ao lançar uma nova política de neoindustrialização".

Vera Magalhães - Acertos e dúvidas da nova política industrial

O Globo

Aposta em inovação tecnológica, transformação digital e transição energética são pontos altos, enquanto ênfase no BNDES gera ceticismo

O Nova Indústria Brasil, nome pelo qual foi batizada a política industrial anunciada nesta segunda-feira pelo governo Lula, acerta ao apostar nos vetores certos em termos de setores que merecem investimento para se desenvolver, mas desperta ceticismo de analistas ao reafirmar velhas máximas de governos petistas que não tiveram êxito no passado, como a crença de que as cotas de chamado "conteúdo nacional" em compras e obras públicas vão alavancar determinados setores da economia, ou que o BNDES pode ser um grande impulsionador do crescimento econômico.

Os méritos da política vêm, portanto, do que ela tem de novo em relação aos governos anteriores. Diferentemente de muitos programas que são meras reedições dos mandatos anteriores de Lula e Dilma Rousseff, este focou em questões cruciais para o desenvolvimento econômico de qualquer país hoje, como inovação tecnológica, transformação digital e bioeconomia, com ênfase na transição energética.

PT cede e deve ter o menor número de candidatos em capitais

Por Lauriberto Pompeu e Camila Turtelli / O Globo

Legenda prevê lançar nomes próprios a prefeito em apenas 16 dos 26 estados onde haverá disputa; no restante, vai apoiar aliados. Mesmo com concessão, sigla não deve escapar de saias-justas

 De volta à Presidência após articular uma frente ampla de partidos em 2022, o PT deve ceder espaço a aliados nas eleições municipais deste ano e registrar o menor número de candidatos em capitais dos últimos 32 anos. O planejamento da legenda prevê lançar nomes próprios a prefeito em apenas 16 dos 26 estados onde haverá disputa. Nas demais, apoiará nomes de outras legendas, o que não vai impedir o partido de enfrentar saias-justas — seja no apoio a nomes do seu próprio campo político ou ao enfrentar siglas que compõem a Esplanada dos Ministérios.

A mudança de estratégia ocorre após um resultado pífio há quatro anos, quando o partido concorreu em 21 capitais, mas não conquistou nenhuma. O desempenho das últimas eleições foi considerado como o “fundo do poço” por dirigentes petistas, que agora preferem concentrar esforços onde há chance de vitória.