quarta-feira, 1 de julho de 2026

Flávio Bolsonaro trata Brasil como uma peça a mais no mapa da ultradireita, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Candidato do PL vai à Argentina bajular Milei e promete 'equipe de transição' a Trump

Em visita à Argentina, Flávio Bolsonaro festejou as eleições recentes que redesenharam o mapa político das Américas. O senador enumerou 13 países que dobraram à direita nos últimos anos, dos Estados Unidos de Donald Trump à Colômbia de Abelardo de la Espriella.

“Nós somos a peça que falta nesse mapa”, disse, em evento promovido no domingo por uma entidade pró-Israel em Buenos Aires. “O Brasil será o próximo”, prometeu.

O candidato do PL exaltou o anfitrião Javier Milei, que deu as costas ao Mercosul e congelou as relações com o Brasil. Deixou de dizer que o aliado está com a popularidade em baixa e enfrenta uma série de escândalos de corrupção. Um deles acaba de derrubar seu chefe de gabinete, acusado de enriquecimento ilícito.

Ao celebrar a vitória de Keiko Fujimori no Peru, Flávio criticou a esquerda local por contestar o resultado e alegar fraude sem provas. Esqueceu o exemplo do próprio pai, que atacou a urna eletrônica e estimulou o golpismo após a derrota de 2022.

O senador ainda afirmou que a Venezuela vive “dias melhores” desde a operação militar americana que prendeu Nicolás Maduro. Como ele não disse uma palavra sobre os terremotos que devastaram o país na semana passada, ficou evidente que sua solidariedade com os venezuelanos começa e termina nas eleições.

Flávio foi à Argentina para fugir da crise instalada em sua campanha. Não resolveu os problemas domésticos e emitiu novos sinais de alerta a quem se preocupa com a política externa do Brasil.

Em carta divulgada na sexta-feira, Marco Rubio mostrou entusiasmo com o senador e agradeceu a “generosa oferta” de, se eleito, montar uma “equipe de transição” para despachar com os americanos.

A ideia remete ao governo de Jair, que trocou a diplomacia independente pelo alinhamento automático a Washington. O Itamaraty foi entregue a um chanceler exótico, que venerava Olavo de Carvalho e pregava a submissão à Casa Branca.

O discurso na Argentina e a correspondência com Rubio sugerem que Flávio vê o Brasil como uma peça a ser encaixada no mapa da extrema direita global. Ou como mais um peão no tabuleiro de Trump.

 

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