O Brasil tem
desafios enormes. Embora muitos avanços tenham sido alcançados nas últimas
décadas, o país ainda patina diante de um crescimento econômico medíocre, em desigualdades
inaceitáveis, na perda de oportunidades sucessivas e na dificuldade de formação
de consensos para a tomada de decisões, urgentes e inevitáveis.
As pesquisas
indicam que os dois temas principais serão segurança pública e corrupção. Mas há
um tema central, base de todos os outros, negligenciado na maioria das
campanhas: os rumos da economia. Afinal, sem desenvolvimento econômico não há
empregos a ofertar, renda a distribuir, recursos para financiar as políticas
públicas.
Gostemos ou não,
o capitalismo é a ideia vitoriosa a partir do final do século XX. Capitalismo é
movido pela ação empreendedora numa economia de mercado. Mesmo os EUA de Trump
e seu protecionismo e a China de Xi Jiping e seu capitalismo de Estado se movem
nos marcos da economia capitalista.
O Brasil necessita
de um choque de capitalismo. A começar por nossa elite empresarial ainda, em
grande parte, viciada na tradição cartorial do capitalismo brasileiro,
construído sob patrocínio e proteção das benesses estatais. Ao seu redor, há um
ambiente de negócios hostil ao empreendedorismo: carga tributária alta, excesso
de burocracia, Custo Brasil elevado, infraestrutura precária, força de trabalho
com qualificação insuficiente.
Na política
econômica, dois dos três pilares do tripé macroeconômico, lançado por FHC, vão
bem: o monetário e o cambial. Apesar das elevadas taxas de juros, que têm
causas outras, o sistema de metas inflacionárias com autonomia do Banco Central
funciona bem. Para um país que vivenciou graves crises cambiais no passado, a
formação de reservas internacionais abundantes no boom das comodities, a
produção de superávits comerciais expressivos e a atração de investimentos
diretos – que pode ser maior - para contrabalançar o déficit em transações
correntes, combinadas com o câmbio flutuante, garantem o equilíbrio das
relações com o exterior.
Mas sobrevive,
sem solução, um problema central: o desequilíbrio fiscal. Mesmo usufruindo da
maior carga tributária entre os países emergentes e latino-americanos, o
governo gasta mais do que arrecada. As consequências são a pressão sobre a
inflação, as altas taxas de juros e, em última análise, a inibição de um
desenvolvimento vigoroso e sustentado.
São quatro os
sintomas do desarranjo fiscal: 1. déficits primários recorrentes nos últimos 13
anos, desde 2014, 2. crescimento explosivo da dívida pública, 3. engessamento
quase absoluto do orçamento, 4. baixíssimo nível de investimento público.
Qualquer promessa de campanha, que não passar pelo debate sobre o estrangulamento fiscal, soará como demagogia. Detalharei o tema na próxima semana.

Nenhum comentário:
Postar um comentário