O Globo
Ex-primeira-dama e senador travam batalha
aberta pelos votos de Jair
A nova crise na campanha de Flávio Bolsonaro
surgiu dentro de casa. A ex-primeira-dama Michelle disse que o enteado a
“maltratou”, “desrespeitou” e “humilhou”. O candidato do PL já penava com o
eleitorado feminino, determinante na derrota do pai em 2022.
O projeto dos Bolsonaro sempre foi familiar.
O capitão lançou na política os filhos Flávio, Carlos, Eduardo e Jair Renan.
Não contava com a rivalidade entre os herdeiros de sangue e a madrasta, que
também mostra apetite pelo poder.
Michelle foi a última a ingressar no clã. Terceira mulher do ex-presidente, tem 44 anos, um a menos que Flávio. Quando se casou com Jair, o Zero Um, o Zero Dois e o Zero Três já eram adultos e esperavam na fila para sucedê-lo.
Os sinais de desalinho são visíveis desde a
posse do capitão, quando Carluxo se aboletou na garupa do Rolls-Royce
presidencial. Desempenhava um duplo papel: guarda-costas do pai e olheiro dos
irmãos. Mais tarde, o vereador seria proibido de entrar no Palácio da Alvorada.
“Ele tem o gênio dele, eu tenho o meu. Não sou obrigada a conviver”, justificou
a madrasta.
Quando Jair se tornou inelegível, o Datafolha
mostrou que a ex-primeira-dama tinha mais potencial de voto que os enteados. O
capitão ignorou as pesquisas e optou pelo primogênito. Preterida, Michelle passou
a boicotar os atos de campanha. Agora cria a maior crise para a direita desde a
descoberta de que Flávio pediu dinheiro a Daniel Vorcaro.
O estopim da nova briga foi a divergência
sobre o palanque bolsonarista no Ceará. Michelle era contrária ao acordo do PL
com Ciro Gomes. No vídeo em que detonou o Zero Um, ela recitou palavras do
ex-ministro sobre Jair: “ladrão de galinhas”, “corrupto”, “burro”, “jumento”.
O arranjo local frustrou o plano da
ex-primeira-dama de lançar uma aliada ao Senado. Impedida de concorrer ao
Planalto, Michelle quer formar uma bancada de mulheres evangélicas em Brasília.
O objetivo é se fortalecer na disputa com os enteados pelo espólio político do
marido. Agora ou em 2030.
Em causa própria
Ao defender o sigilo sobre as isenções fiscais
do governo de Minas, Romeu Zema disse que a divulgação das empresas
beneficiadas seria “perniciosa” para o estado.
A revelação de que a Eletrozema
deixou de pagar R$ 2,2 milhões em impostos indica que a preocupação
era outra.

Um comentário:
Pois é,Seu José!
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