sexta-feira, 26 de junho de 2026

Tempos de Arraes - a revolução sem violência, por Antônio Fausto Nascimento*

O governo de Miguel Arraes de Alencar (1963/1964), em Pernambuco, ao lado de Seixas Dória, de Sergipe, foram os únicos a serem imediatamente depostos pelo golpe civil-militar de 1964. Governou o Estado por um ano, mesmo tempo em que ficou encarcerado na Ilha de Fernando de Noronha.

Ameaçado de nova prisão pela ditadura, teve de se exilar na Argélia, onde permaneceu por 14 anos, regressando ao Brasil com a Lei de Anistia de 1979. A partir das eleições gerais de 1982, foi eleito Deputado Federal por várias legislaturas e novamente governador por dois mandatos. O povo pernambucano lhe fez justiça, em seu retorno ás atividades políticas.

Pernambuco, em seu primeiro governo, foi o estado mais democrático da Federação (1).

É que coincidiu com a extensão da legislação trabalhista aos trabalhadores rurais pelo governo do Presidente João Goulart (1961/1964).

Atraso de vinte anos, nos quais cerca de duzentos mil trabalhadores das Usinas e Engenhos da Zona da Mata, em Pernambuco, não auferiam nenhum direito, ao tempo em que fora criado o décimo-terceiro salário e aprovada a Lei Orgânica da Previdência Social.

Acrescem a sindicalização rural, fundação de Sindicatos rurais, uma Federação estadual e preço favorável do açúcar no mercado internacional.

Também ao amparo do Estatuto do Trabalhador Rural - Lei 4.214, de 02/03/1963, aprovada pelo Congresso Nacional, foi feito o Acordo do Campo, regulando o trabalho no meio rural, onde, secularmente, vigoravam relações de produção pré-capitalistas.

Fonte de referência: Antonio Callado Repórter - Tempo de Arraes e Vietnã do Norte - Ediouro Publicações S.A - 2005.

*Antonio Fausto de Nascimento, foi dirigente sindical, bancário e secretário de Trabalho governo Arraes (1963-1964)

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