sábado, 1 de março de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Trump estarrece o mundo ao humilhar Zelensky

O Globo

Sem poder confiar nos Estados Unidos, será mais difícil conter Putin e outras ameaças à paz mundial

O mundo jamais viu cenas como a que opôs, em pleno Salão Oval da Casa Branca, o presidente americano, Donald Trump, e seu vice, J.D. Vance, ao ucraniano Volodymyr Zelensky, convidado a assinar um acordo de cooperação que permitisse aos americanos explorar minério ucraniano, em troca, desejavelmente, de apoio militar e de negociações capazes de encerrar a guerra contra a Rússia. Em vez disso, Trump e Vance humilharam Zelensky com truculência inédita diante das câmaras. As imagens já têm lugar na História como evidência da guinada que o governo americano imprime à política internacional.

Zelensky compareceu à reunião na Casa Branca ainda que tivesse sido forçado a concordar com termos menos vantajosos no documento que assinaria — não havia garantia de segurança dos Estados Unidos à Ucrânia. Mesmo tendo cedido, o clima foi tenso. Trump criticou Zelensky por odiar o russo Vladimir Putin, responsável pela invasão da Ucrânia. Quando o ucraniano argumentou que não se deve confiar em Putin, porque ele já quebrou várias promessas, Vance respondeu dizendo que aquilo era um desrespeito a Trump. Daí em diante, Zelensky foi atacado até o fim. No final, humilhado pelos anfitriões, não assinou nada. Numa rede social, agradeceu a Trump e escreveu: “A Ucrânia precisa de paz justa e duradoura, e estamos trabalhando exatamente para isso”. Lideranças europeias reagiram em uníssono em apoio a ele.

Os tambores de Milton - Eduardo Affonso

O Globo

Sob o manto da Portela, pelas lentes da Flávia Moraes, é como se o Brasil fizesse um travesseiro dos seus braços

Lá vem Portela, com Milton em seu altar. Lado a lado, a águia altaneira e o passarim preto de terno azul e branco. E, quando o solidário que não quer solidão emergir daquele rio de asfalto e gente, os tambores de Minas soarão.

Soarão como samba trazendo alvorada, feito uma reza, um ritual. Com sabor de vidro e corte, com cheiro de cravo e canela, para lembrar que o azul e branco da Portela é o mesmo do Cruzeiro. (Milton merecia um samba feito por Paulinho da Viola e Paulo César Pinheiro.) Que falasse dos bailes da vida, do Beco do Mota, dessa gente que ri quando deve chorar — e inventasse na avenida um cais ligando Minas ao Rio, ao mar. Um samba para mostrar à arquibancada que o que importa é ouvir a voz que vem do coração e para deixar mestre-sala e porta-bandeira com a roupa encharcada — e a alma repleta de chão.

Um samba que trouxesse, como puxadoras, Elis, Gal, Lília, Rita Lee e juntasse — numa esquina da Sapucaí, a lembrar que nada será como antes, amanhã — os irmãos Borges, Bituca, Beto, Bastos, Brant. Que abrisse as janelas ao negro do mundo lunar e não nos deixasse esquecer que todo amor é sagrado, que qualquer maneira de amor vale amar.

Governo x BC: quem leva? – Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Enquanto o Banco Central eleva juros para conter a demanda (e a inflação), Lula só pensa em distribuir mais dinheiro, aumentar o gasto público e facilitar o crédito

Há uma contradição entre a política econômica do governo Lula e a política monetária do Banco Central. Pode parecer estranho para muita gente. Afinal, o BC não faz parte do governo? Para complicar ainda mais, a resposta a essa pergunta é mista: sim e não. Sim, porque os diretores do BC são nomeados pelo presidente da República. Não, porque os diretores do BC têm mandatos de quatro anos, isso desde 2021, quando se aprovou a lei que garantiu autonomia à instituição financeira.

A lei fixa também os objetivos do BC, basicamente controlar a inflação e colocá-la na meta. O BC é independente para aplicar a política monetária, seguindo o regime de metas de inflação. Bem resumido, funciona assim: quando a inflação está em alta, a instituição financeira sobe os juros; e inversamente. Aqui aparece a contradição.

Soberanias em conflito – Pablo Ortellado

O Globo

O debate sobre se as decisões de Moraes são razoáveis ou excessivas em relação à plataforma Rumble precisa ocorrer dentro do Brasil, pelas vias institucionais apropriadas

As plataformas de mídia social Rumble e Truth Social (a segunda de propriedade do presidente americano, Donald Trump) processaram o ministro Alexandre de Moraes nos Estados Unidos acusando-o de violação da soberania americana, sob o argumento de que extrapolou sua autoridade ao tentar impor censura extraterritorial sobre empresas do país. A decisão da juíza, que considerou o processo prematuro, foi noticiada, nos Estados Unidos, como vitória da Rumble e, no Brasil, como vitória do ministro Alexandre de Moraes. O caso escalou com uma nota da embaixada americana afirmando que “bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar indivíduos que lá vivem é incompatível com os valores democráticos”. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil respondeu dizendo que “o Departamento de Estado distorce o sentido das decisões do Supremo Tribunal Federal, cujos efeitos destinam-se a assegurar a aplicação, no território nacional, da legislação brasileira pertinente”.

América corrupta ‘again’ - Miguel Reale Junior

O Estado de S. Paulo

Trump ordenou a suspensão da lei antissuborno, com a desculpa de que isso significará mais negócios para os EUA

Após o escândalo de Watergate, o Congresso americano decidiu enfrentar o tema sabido da corrupção de agentes políticos ou administrativos no exterior, como forma de obter ou manter negócios.

Lembra Mike Koehler ( The story of FCPA Act) que a Gulf Oil fez contribuições para a campanha política do presidente da República da Coreia; Northrop realizou pagamentos a general da Arábia Saudita; a Exxon e a Mobil Oil deram dinheiro a partidos políticos italianos. Por fim, Lockheed fez pagamentos ao primeiro-ministro japonês Tanaka e ao príncipe Bernhard – inspetor-geral das Forças Armadas holandesas e marido da rainha Juliana, dos Países Baixos.

Os pagamentos foram feitos para ganhar vantagens, especialmente na obtenção ou manutenção de contratos governamentais ou para influenciar qualquer ato ou decisão de funcionário estrangeiro.

Os próximos quatros anos - André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

O grande acordo a ser perseguido é aquele a ser assinado com Pequim. Trump quer criar um G2. Um pacto entre os novos donos do mundo

Faltam três anos e 11 meses para que o governo Trump termine. Ao longo desse período, o bronzeado político norte-americano vai causar muitos estragos nos Estados Unidos — onde está promovendo o desemprego em massa de funcionários públicos — e no exterior, por intermédio de suas sobretaxas aplicadas sem qualquer critério ou negociação prévia. Ele não quer saber das consequências. É o cowboy norte-americano correndo pelas pradarias, matando índios, invadindo países, expulsando comunidades inteiras para construir hotéis de luxo, como sonha fazer em Gaza, em nome da reafirmação da importância do capital. O negócio é fazer dinheiro. O Deus é o dólar.

Trump já deu um golpe? - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Erosão institucional já está contratada, mas ditadura escancarada é pouco provável

Patrícia Campos Mello, como sempre, levanta ótima questão. Já dá para chamar de golpe o que Donald Trump está fazendo nos EUA?

A própria Patrícia, recolhendo comentários de historiadores, cientistas políticos e outros analistas, constata que é crescente o número de especialistas, da esquerda e da direita, de Timothy Snyder a Anne Applebaum, que classificam algumas das ações de Trump como ruptura institucional, que é uma das definições de golpe.

Existem golpes insofismáveis, como quando militares destituem um presidente (Chile, 1973) ou quando um presidente fecha o Legislativo e o Judiciário (Peru, 1992), mas, especialmente nos dias de hoje, a maior parte das descontinuidades constitucionais se desenrola de modo mais ambíguo.

O dia em que a Otan acabou - Demétrio Magnoli

Folha de S. Paulo

Sob Trump, Europa navega em águas desconhecidas e precisa erguer edifício de segurança independente

O reality show da humilhação de Zelenski promovido por Trump, no Salão Oval, concluiu a ruptura entre EUA e Ucrânia e o alinhamento da Casa Branca à Rússia de Putin. O evento, salpicado por ameaças, insultos e acusações, segue-se às negociações bilaterais EUA/Rússia sobre o futuro da Ucrânia, às declarações de Trump atribuindo aos europeus a responsabilidade por garantias de segurança ao país invadido e ao voto pró-russo dos EUA na ONU. O conjunto da obra assinala o virtual desmoronamento da Otan.

A Aliança Atlântica ainda existe no papel, mas perdeu sua alma, expressa no artigo 5 do tratado fundador que classifica um ataque militar contra qualquer de seus integrantes como agressão a todos. O artigo anulou, no plano geopolítico, a separação geográfica entre EUA e Europa pela vastidão do Atlântico. De agora em diante, volta a existir, nas palavras de Trump, "um maravilhoso oceano" dissociando a superpotência norte-americana das nações europeias.

Trump assume a direção da escola de ditadores - Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Brasil que se cuide com o projeto expansionista que ameaça Canadá, Groenlândia, Ucrânia...

A política dos EUA é agressiva e barulhenta. Trump adaptou a receita dos autocratas que estiveram e estão por aí, cada dia em maior número. Gatos que convivem bem no mesmo saco, apesar dos disfarces ideológicos. nicolas Maduro, Ortega, Bukele, Milei, Erdogan, NetanyahuPutin, Bolsonaro formam uma escola de ditadores. Maquiados de democratas, corroem a máquina do Estado para controlá-la e utilizá-la como arma de repressão.

O roteiro trumpista inclui demissão em massa de funcionários públicos, substituindo-os por aliados; enfraquecimento de agências e mecanismos de controle; imposição de tarifas e adoção de ferramentas econômicas para incentivar certos setores (criptomoedas); assédio judicial; saída de organismos internacionais; ausência de cooperação em temas como aquecimento global.

Homenagem ao papa Francisco - Luiz Gonzaga Belluzzo*

O pontífice rejeita as formas de religiosidade que deságuam no “consumismo do sagrado”

A saúde debilitada do papa Francisco impulsionou meus neurônios a relembrar suas palavras, em uma mensagem aos cristãos:

“Vigiemos o narcisismo e o exibicionismo, baseados na vanglória que levam também nós cristãos a ter sempre nos lábios a palavra ‘eu’ : ‘eu fiz isto, eu havia dito, eu havia entendido’. Onde há muito eu, há pouco Deus.”

Narcisismo, exibicionismo e autoritarismo são as marcas registradas de Donald Trump. Enquanto Donald Trump tomava posse em Washington para o exercício de seu primeiro mandato, Francisco concedia no Vaticano uma longa entrevista ao El País, em que pedia prudência ante os alarmes acionados com a chegada do egótico presidente dos Estados Unidos – “é preciso ver o que ele faz; não podemos ser profetas de calamidades” –, embora advertindo que, “em momentos de crise, o discernimento não funciona” e os povos procuram “salvadores” que lhes devolvam a identidade “com muros e arames farpados”.

Unidos do superávit primário - Marcus Pastana

Viva! Chegou! É Carnaval! Esquentem os tamborins, cuícas, surdos e repeniques. A vida continua e a economia ficará na marcação, esperando as decisões de março. Apesar de seus efeitos impactarem a vida de cada brasileiro, a discussão econômica não é nada popular. Alguém aí conhece algum bloco de carnaval chamado “Unidos do Superávit Primário” ou “Grêmio Recreativo Amantes da SELIC”?  Será que a economia vai ou não atravessar o samba em 2025?

O ano começou com a inflação em alta. Os juros deverão crescer ainda mais. Teremos uma inflação fora dos trilhos acima de 5,5%. O dólar deu um refresco e chegou ao carnaval no eixo dos 5 reais e setenta e cinco centavos. O Brasil não será punido pelos jurados em função das políticas monetária e cambial. A harmonia proporcionada pelo câmbio flutuante, pelas metas inflacionárias e a autonomia operacional do Banco Central asseguram um bom desempenho dessas alas no desfile da escola.

Poesia | Canavial, de João Cabral de Melo Neto

 

Música | Alceu Valença - Hino do Galo da Madrugada

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Departamento de Estado erra ao criticar Supremo

O Globo

Governo americano se manifestou em conta oficial sobre decisão da Justiça brasileira relativa às redes sociais

Foi correto o repúdio do Itamaraty à manifestação do Departamento de Estado americano sobre decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro. O Ministério das Relações Exteriores emitiu nota em que diz rejeitar “com firmeza” uma crítica da diplomacia americana à decisão do ministro Alexandre de Moraes ordenando a suspensão da rede social Rumble. Moraes depois reagiu afirmando que a relação entre os países deve ocorrer sem “coação” ou “hierarquia”. “Deixamos de ser colônia em 7 de setembro de 1822”, afirmou. Ele tem razão, mas não era preciso o rompante nacionalista para dizer o óbvio: no Brasil democrático mandam as leis brasileiras.

É a primeira vez que o Departamento de Estado se manifesta sobre decisões da Justiça brasileira a respeito da operação de redes sociais no Brasil. Moraes já determinara a suspensão das operações do Telegram e do X em território nacional, diante da recusa em suspender perfis ou bloquear conteúdos considerados criminosos pela lei brasileira, como a disseminação de desinformação eleitoral ou propaganda golpista. Nos dois casos, as redes puderam voltar ao ar assim que as plataformas cumpriram as ordens judiciais. E o Departamento de Estado nada disse.

A longa batalha dos democratas - Fernando Luiz Abrucio

Valor Econômico

Vários grupos que aceitam as soluções simplistas e autoritárias dos extremistas querem apenas sementes de esperança. É possível fornecê-las sem ser populista ou defender o extermínio do outro

Desde o final da Guerra Fria, nunca houve um momento tão difícil para a luta democrática. Em várias partes do mundo surgem fortes oponentes à democracia, como nos Estados Unidos, na Alemanha, na França, na Argentina e no Brasil. E mesmo quando extremistas perdem eleições ou não conseguem implementar suas propostas autocráticas, continuam como uma força política relevante e à espreita numa guerrilha contra o sistema político. Não é possível decretar, ainda, a derrota dos democratas, que têm vencido em muitos casos, embora não em todos. Mas também não se pode ignorar o fôlego e o enraizamento desse novo autoritarismo. Uma longa batalha pode ser nosso horizonte.

O novo cenário surgiu depois de uma longa onda de democratização de diversos países pelo mundo, para usar a definição célebre de Samuel Huntington, que se iniciou na segunda metade da década de 1970 e foi até os anos 1990. Chegou-se a acreditar numa vitória definitiva do modelo liberal-democrático. Mas mesmo nesta época havia críticas acadêmicas e de grupos políticos sobre as insuficiências da democracia, procurando construir propostas para reformá-la e melhorar seu desempenho.

O que se vive nos últimos anos é um clima de opinião completamente diferente. Muitos atores políticos e sociais relevantes não querem reformar a democracia. Ela é um empecilho às suas ambições antissistêmicas e autocráticas. Os adversários dos extremistas - ou inimigos, adequando mais o termo à sua lógica belicista - são, em geral, defensores da democracia.

José de Souza Martins - Anomalias dinásticas na política

Valor Econômico

Pais legam a filhos e parentes um suposto direito de sucessão na política por meio dos muitos mecanismos que contaminam e usurpam o protagonismo democrático do cidadão

Dos muitos subentendidos da estrutura do Estado brasileiro e da decorrente política que o caracteriza é possível destacar que o sujeito indireto do processo político não é aqui o cidadão. É cada família dos poderosos. Herdados do Império, a República perfilhou nosso familismo político e o oligarquismo interiorano e rural. Colocam nosso regime anômalo num permanente limiar do atraso.

Pais legam a filhos e parentes um suposto direito de sucessão na política através dos muitos mecanismos que entre nós contaminam e usurpam o protagonismo democrático do cidadão. Muitos candidatos são voz e vontade de parentelas, distribuídos por diferentes níveis da organização política. O eleitorado formalmente moderno manipulado para a farsa do poder do atraso.

Novos e emergentes protagonistas enfrentam de maneira desigual e desfavorável quem já está no poder, os que têm a seu favor o direito a recursos do Estado, que os demais não têm.

Em inflexão, Lula ajusta discurso às pesquisas - Andrea Jubé

Valor Econômico

Em entrevista, presidente constrói novo discurso sobre o combate à violência

“É importante colocar os bandidos na cadeia”, exortou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nessa quinta-feira, em entrevista ao programa “Balanço Geral Litoral”, da TV Record, especializado em casos policiais. Não parecia o mesmo presidente, que raramente aborda temas como violência e criminalidade em suas falas.

Era o mesmo mandatário petista, porém, envergando um novo figurino, mais apropriado ao choque de realidade causado pelas recentes pesquisas de opinião que identificaram uma queda expressiva e inédita na avaliação do governo.

No mesmo programa de TV, ao estilo “Cidade Alerta”, Lula afirmou que o governo quer fazer uma “revolução” na segurança pública, e criticou governadores - em um recado velado ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil) - que se opõem à proposta do governo federal de ampliar as atribuições da Polícia Federal (PF) e de modernizar a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Rejeição de Lula alavanca candidatura de Tarcísio – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A avaliação do governo Lula contrasta fortemente com a dos governadores pesquisados pela Genial/Quaest, que estão com 60% de aprovação, em média

Engana-se quem vê o ex-presidente Jair Bolsonaro como a sombra que ofusca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O maior concorrente do petista é o Lula do segundo mandato. Esse é o preço de uma campanha eleitoral para voltar ao poder sem um programa de metas de acordo com a nova realidade e calcado no resgate de sua gestão anterior. A "reconstrução" do slogan do governo, em tese, uma crítica ao desmonte das políticas sociais pelo governo Bolsonaro, tem como mensagem subliminar exatamente isso, a volta ao passado de 2010, o que é impossível 15 anos depois.

Lula está na situação do Príncipe que já não pode contar com a Fortuna, um contexto histórico favorável, e depende apenas de suas próprias virtudes para se manter no poder, como diria o velho e indispensável Nicolau Maquiavel. A conjuntura é completamente adversa, esgotou-se a possibilidade de navegar num ambiente econômico de expansão da globalização e de mudanças demográficas favoráveis (a ampliação do número de pessoas com renda própria nas famílias). Mas ainda há a soberba reinante na "jaula de cristal" do Palácio do Planalto: "Tem gente que só vem aqui para nos ensinar a governar".

Voo eleitoral depende de Bolsonaro - César Felício

Valor Econômico

Assim como governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), o de São Paulo tem sua avaliação de governo contaminada pela polarização nacional

Apenas o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), têm sua avaliação de governo contaminada pela polarização nacional, segundo pesquisas Genial/Quaest realizada nos oito maiores colégios eleitorais do país. Nos demais seis Estados, não há uma vinculação entre o lulismo ou o bolsonarismo em relação ao quadro local.

O indicativo é um sinal importante para calcular a estratégia de Tarcísio em relação às eleições de 2026. Seja em uma eventual disputa presidencial como em uma nova candidatura à reeleição, ele não tem como se desvencilhar do bolsonarismo.

Tarcísio e os golpistas - Bernardo Mello Franco

O Globo

Por apoio em 2026, governador briga com fatos e tenta desacreditar denúncia da PGR

A Procuradoria-Geral da República denunciou a quadrilha que tentou destruir a democracia brasileira para permanecer no poder sem votos. Questionado sobre o tema, Tarcísio de Freitas atacou os investigadores e saiu em defesa dos golpistas.

O governador de São Paulo seguiu a cartilha dos acusados. Em entrevista na terça-feira, desqualificou as conclusões do Ministério Público e descreveu a denúncia como “forçação de barra” e “revanchismo”.

Dias antes, ele já havia ido às redes para se solidarizar com o capitão. “Jair Bolsonaro jamais compactuou com qualquer movimento que visasse à desconstrução do estado democrático de direito. Estamos juntos, presidente”, derramou-se.

É muito cedo para subir no palanque - Vera Magalhães

O Globo

Lula e ministros usam evento institucional para polarização com Tarcísio em momento desfavorável para o petista nas pesquisas

Lula deveria ser o último a querer subir tão cedo no palanque de 2026, mas o vício do cachimbo entorta a boca, e parece que, quanto mais as pesquisas se deterioram, mais o presidente parece ansioso para mostrar que ainda é “o cara”. O resultado, no entanto, tem sido o oposto.

A transformação do evento de assinatura do edital de construção do túnel imerso que ligará Santos ao Guarujá — obra que a Baixada Santista espera há cem anos — poderia ser um ótimo exemplo de relação republicana entre União e governo de São Paulo, funcionando como saudável contraponto à absoluta falta de institucionalidade com que Jair Bolsonaro tratava governadores de oposição.

Essa, inclusive, foi a forma inteligente com que Lula agiu noutros eventos com Tarcísio. O presidente também acertou o tom ao denunciar ocasiões em que outros bolsonaristas, como Romeu Zema ou Cláudio Castro, deixaram de comparecer a eventos com o governo federal por questões político-partidárias.

Estrela e coadjuvantes na tentativa de golpe - Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

A grande curiosidade é saber como se fará justiça a pessoas que tiveram papéis diferentes neste caso

O processo sobre a tentativa de golpe deve ser julgado em setembro. Até lá, o debate entre juristas pode esclarecer alguns pontos. No entanto, existem certos aspectos que permanecem um pouco nebulosos para mim.

Um deles é o elo entre os preparativos para a tentativa de golpe e as invasões de 8 de janeiro em Brasília. É possível depreender dos depoimentos, provas e gravações que a virada de mesa dependia basicamente de dois fatores.

O primeiro deles era a suspeição sobre as urnas eletrônicas. Bolsonaro investiu pesado nisso. Começou por duvidar de sua própria vitória nas eleições de 2018; fez reuniões com embaixadores para disseminar a suspeita; recebeu hacker no Palácio da Alvorada e, de uma certa forma, introduziu a ambiguidade num relatório da comissão das Forças Armadas que não encontrou indício de fraude.

Lula, cansado e impopular - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Impopularidade e inflação andam juntas e, quando disparam, ninguém segura

Impopularidade de presidentes é como inflação: ambas começam por motivos objetivos, passam a sofrer efeito psicológico, se retroalimentar e fugir do controle. Lula enfrenta impopularidade e inflação em alta ao mesmo tempo, até porque as duas têm tudo a ver e, juntas, foram decisivas, por exemplo, para Trump e Milei derrotarem os candidatos à reeleição nos EUA e na Argentina.

E não estavam sozinhas, pois foram e são embaladas pela crise e o descrédito do sistema político e instituições mundo afora e foram e são massificadas pela orquestração da oposição na internet, que se transformou no grande fator político, capaz de confundir líderes e opinião pública.

A pesquisa Quaest desta semana é devastadora para Lula, reprovado por mais de 60% em São Paulo, Minas e Rio, os maiores eleitorados do País, e em queda acentuada em Pernambuco, seu Estado natal, onde é campeão de votos faça chuva ou faça sol, e na Bahia, governada pelo PT há duas décadas. Aliás, por Rui Costa e Jaques Wagner. Lula venceu em 2022 por margem apertada. E sem o Nordeste?

Sim, nós podemos – Flávia Oliveira

O Globo

Desde o ano 2000, a proporção de crianças de 4 e 5 anos matriculadas saltou de 51,4% para 86,7%

O Brasil é capaz de feitos incríveis. Não perder de vista essa potência é, ao mesmo tempo, lanterna e sombreiro a nos iluminar e proteger em tempos de trevas. Depois de duas décadas de ditadura, foi capaz de reencontrar a democracia com instituições suficientemente firmes para impedir a tomada de poder por três dezenas de golpistas, entre eles o então presidente da República, seis generais, um almirante, ministro da Justiça, chefe da Abin, diretor da Polícia Rodoviária Federal. O roteiro está contido nas mais de 200 páginas da denúncia que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, protocolou no Supremo Tribunal Federal na semana passada.

O horizonte da instantaneidade - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Impaciência característica da modernidade pode ser uma das causas da deterioração da popularidade de Lula

deterioração da popularidade de Lula impressiona, pelo alcance (ela dá as caras até em bastiões eleitorais do presidente) e pela intensidade (até dezembro, o problema dele era que as avaliações positivas do governo não subiam; agora elas despencam).

O movimento é tanto mais surpreendente porque ocorre num contexto em que normalmente não o esperaríamos. O crescimento do PIB dos últimos dois anos foi maior do que 3%, e o índice de desemprego corre perto dos mínimos históricos. Num passado não muito remoto, tais indicadores se faziam acompanhar de avaliação amplamente positiva do governo que com eles coincidisse.

Tudo pelo eleitoral – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Estética de campanha invade espaço reservado a pronunciamentos oficiais urgentes ou relevantes

O novo mago da propaganda oficial teve uma ideia: transformar em horário eleitoral o espaço reservado a comunicados urgentes e/ou relevantes em cadeia nacional de rádio e televisão.

O modelo já havia sido testado no ano passado, naquele anúncio do ministro Fernando Haddad (PT) em que os alhos do pacote fiscal se misturavam aos bugalhos da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. Choveram críticas à forma e, sobretudo, ao contraditório conteúdo, mas Sidônio Palmeira pelo visto achou que valia a pena apostar na estética de campanha. O plano agora, ao que se diz, é o presidente da República se utilizar desse formato a cada 15 dias para divulgar maravilhas.

Violência, saúde Pix e Lula - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Desemprego e economia têm poucas citações como problema mais grave em pesquisa Quaest

Para quem se ocupa de curvas de juros, relação dívida/PIB, taxa de câmbio ou de condições financeiras em geral, a "economia" piorou bem no final de 2024.

A massa do eleitorado se ocupa disso? Por que, em pesquisas recentes, preocupações com segurança e saúde sejam muito mais citadas do que desemprego e "economia"? Por que a avaliação de Luiz Inácio Lula da Silva é tão pior que a de governadores dos estados mais populosos, de qualquer partido? Por que, faz apenas um ano, o governo Lula era melhor do que o de Jair Bolsonaro por 48% a 29% (pesquisa Quaest) e agora é pior por 36% a 45%? Qual miséria, epidemia ou promessa de golpe teria havido?

Não houve mudança na inflação, na virada do ano, bastante para explicar o desprestígio de Lula 3.

Trump, Putin e Xi Jinping são a nova ordem mundial - Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Com vitória do republicano, cenário internacional vai consagrando mundo antiliberal e autocrático

Quando entrou em cena para anunciar sua genuflexão ao governo de Donald TrumpMark Zuckerberg sabia bem em que alvos deveria mirar. Como comentou-se aqui ainda antes da posse do republicano, o dono da Meta, ao decidir levantar as checagens factuais de suas redes, dirigiu as baterias ao mundo ocidental.

Mais precisamente, Zuckerberg atacou a Europa reguladora, que tolheria a liberdade de expressão de seus negócios, e a América Latina, periferia do Ocidente onde funcionariam tribunais secretos, igualmente inimigos do free speech. O bilionário do Facebook sintomaticamente poupou a China de suas queixas, bem como a Índia.

Carnaval bom é o de todos os tempos - Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Desde 1600, o Carnaval carioca assiste ao sucessivo predomínio de uma atração sobre as outras

A historiadora Eneida de Moraes dizia que os três inimigos do Carnaval são a chuva, a polícia e os saudosistas. Os piores são os saudosistas, com o discurso de que Carnaval bom era o "do tempo deles". Mas qual seria esse tempo? Na longa história do Carnaval carioca, cada geração teve o seu. Eis exemplos.

1600: surge o entrudo, com os foliões se atirando baldes de água com limão uns nos outros, na atual rua 1º de Março. 1641: mascarados desfilam cantando. 1748: primeiros foliões negros, com a coroação do Rei Congo. 1786: primeiros desfiles com carros alegóricos, no Campo de Santana. 1825: os nobres promovem bailes em seus palácios em Botafogo. 1831: os jornais anunciam a venda de máscaras e fantasias na rua do Ouvidor.

Carnaval e Pero Vaz - José Sarney

Correio Braziliense

O carnaval brasileiro tem origem e cultura próprias. Sua certidão de nascimento é a Carta de Pero Vaz de Caminha, em 1500, quando descreve o descobrimento do Brasil

O carnaval passa ao largo do mercado, pois não depende dele. Se os bolsos ficarem vazios, é a Bolsa que fica ameaçada. Carnaval não influencia a taxa de juros, não a baixa nem a sobe. Assim, nada de preocupações; que seja a alegria.

As queixas procedentes vêm dos saudosistas — e eu talvez seja um deles —, todas na direção de que o carnaval se modernizou, perdeu a autenticidade do passado. Acabaram os pierrôs apaixonados e as colombinas para surgir o biquíni e o peladão. Maravilha das maravilhas! Isso é o progresso. O mesmo que tirou de moda a ceroula, o cabeção, o espartilho e colocou as liberdades das musas do carnaval: Isabelle Nogueira, Flávia Alessandra, Luciana Gimenez, Alane Dias…

Qual é a origem do carnaval? Uns, querendo colocar sabedoria, dizem que sua origem está nas saturnais romanas, festas bem moderninhas em que se celebrava a entrada da primavera de maneira bem exuberante. Falam que ele veio de um tal carro-naval, que nada mais era do que um navio de rodas, cheio de marinheiros que cantavam canções obscenas nas ruas da Grécia antiga nas mudanças de estação.

É a economia, estúpido! Será mesmo? - Orlando Thomé Cordeiro

Correio Braziliense

A frase "É a economia, estúpido" não consegue explicar plenamente o processo contemporâneo que comanda a escolha do eleitor

"É a economia, estúpido" é uma frase cunhada por James Carville, estrategista na campanha bem-sucedida de Bill Clinton na eleição presidencial dos EUA de 1992. Pode-se afirmar que, por décadas, se tornou um mantra utilizado em diversas campanhas eleitorais nos quatro cantos do mundo.

Porém, em 2016 foi possível observar uma mudança radical em dois momentos. O primeiro, quando da disputa em torno do plebiscito realizado em 23 de junho sobre a continuidade do Reino Unido na União Europeia; e o segundo, a campanha presidencial de Donald Trump. Nas duas ocasiões, analistas e assessores políticos experimentados foram surpreendidos pela utilização de maneira extremamente agressiva das redes sociais.

O liberalismo e a radicalidade democrática - Ivan Alves Filho*

O liberalismo político é um patrimônio da civilização. Não pertence a uma classe social nem a um país determinado. Ele resulta das lutas da sociedade civil para se afirmar diante do Estado, materializando ou encarnando os anseios da Cidadania e do indivíduo por liberdade de ação. O habeas corpus tem dois mil anos, data da Roma Antiga, e um teórico do liberalismo como Locke desenvolveu suas propostas um século antes da Revolução Industrial, do advento portanto da burguesia moderna. O liberalismo demonstra no que a sociedade é sempre maior que o Estado. 

As conquistas do liberalismo são conquistas populares, como o sufrágio universal, a liberdade de associação e a liberdade de imprensa ou opinião. A I Internacional tinha perfeita noção disso. Talvez seja o caso de retomarmos algumas de suas lições.  

Poesia | Um homem e o seu carnaval, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Alceu Valença - Madeira do Rosarinho

 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Reprovação a Lula traduz deficiências de seu governo

O Globo

Saúde e segurança são as duas maiores angústias responsáveis pela insatisfação da população

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que a reprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva supera 60% nos três maiores colégios eleitorais do país, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Nos oito estados pesquisados, violência e saúde são as maiores preocupações. A violência é o maior problema para moradores de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. A saúde é o que mais aflige cidadãos de Minas, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás. Trata-se de mais um recado para Lula. Em ambos os temas, o governo federal não tem conseguido dar respostas minimamente satisfatórias à angústia dos brasileiros.

Na segurança, os sinais de que a situação saiu de controle estão por toda parte. Porções significativas do território são dominadas por organizações criminosas que achacam moradores, cobram taxas por serviços essenciais, impõem leis marciais e têm a audácia de impedir a entrada do Estado em seus domínios, como mostram as barricadas na entrada de comunidades do Rio. Facções do Sudeste, como a paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) ou a fluminense Comando Vermelho (CV), atuam em diferentes regiões do país e até no exterior, disseminando a violência. O problema não é novo, mas precisa ser enfrentado.

Mito decaído - Merval Pereira

O Globo

Nos últimos meses, o governo Lula está em decadência notável, e muito rapidamente

O mito analógico está fragilizado diante dos problemas que a era digital trouxe para o palco político? As pesquisas de opinião divulgadas nos últimos dias, especialmente a Quaest/Genial de ontem, mostram uma percepção de que os dois primeiros anos do terceiro governo de Lula repetem programas e histrionismos que estão com data vencida. O público, que voltou ao teatro para ver uma peça nova de seu ídolo, não se contenta mais com o que é mostrado em cena, quer coisas e caras novas no proscênio.

Os oito estados escolhidos pela equipe de Felipe Nunes para a pesquisa resumem os centros que devem decidir a eleição de 2026, e a situação do governo é francamente decadente. Nos três maiores colégios eleitorais — Rio, São Paulo e Minas —, a desaprovação está na casa dos 60%, e em estados do Nordeste, que Lula dominava eleitoralmente, a ponto de se eleger em 2022 por causa da região, a aprovação já está abaixo da reprovação.

Não será de repente - Malu Gaspar

O Globo

Numa cena famosa do livro “O Sol também se levanta”, de Ernest Hemingway, um personagem pergunta a outro como foi que ele faliu. O sujeito responde: “De duas maneiras. Primeiro, gradualmente, e então de repente”. Para o governo Lula, os resultados da última pesquisa Quaest mostrando que a reprovação ao governo já superou a aprovação nos oito principais estados brasileiros é uma espécie de “gradualmente”.

Mês após mês, vários institutos de pesquisa vêm indicando que o mau humor com o governo só aumenta, apesar de o PIB ter crescido 3%, de o desemprego estar em queda e a massa salarial em alta. Esse estado de coisas se repete até em regiões onde Lula é forte eleitoralmente, e o governo está bastante presente com seus programas sociais, como o Nordeste.

Segurança como ponto central - Míriam Leitão

O Globo

Eduardo Paes afirma que não vai armar a guarda municipal, mas abrirá concurso com requisitos específicos para novos agentes

Na pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, o Rio de Janeiro é o estado em que a segurança é vista como o problema mais grave, apontado por 71% dos entrevistados. É o único estado com um percentual tão alto. O prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, está criando uma força municipal armada para combater os crimes de rua, que têm crescido muito. Paes afirma que tentará atrair quadros formados nas Forças Armadas, como o CPOR, que serão treinados especificamente para atuar nesse tipo de ação urbana.

“Ela não vai enfrentar o problema da milícia, da ocupação territorial, do crime organizado, nem substituir a Polícia Militar ou a Civil. O que a gente quer é criar um modelo de policiamento ostensivo, comunitário, preventivo, que parta da premissa do respeito aos direitos do cidadão, mas que combata a bandidagem que toma conta das ruas das cidades brasileiras”.

Motor da reforma ministerial é a luta interna - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Padilha pode se mostrar de reproduzir sucesso do Mais Médicos com o Mais Especialidades, mas sua saída do Palácio reproduz o que se vê no PT, a disputa pelo comando de 2026

Vencerá a eleição de 2026 quem for capaz de convencer o eleitor que é capaz de lhe oferecer futuro. A definição, dada por um colaborador de mais de uma década do presidente da República, impõe um desafio a mais para a reforma ministerial iniciada nesta terça por Luiz Inácio Lula da Silva: convencer o eleitor de que pretende lhe oferecer futuro devolvendo a Saúde para um ministro que já a ocupou ou, missão impossível, com o deputado José Guimarães (PT-CE) na Secretaria de Relações Institucionais.

Se Alexandre Padilha é o nome ideal para a Saúde por que não a ocupou desde janeiro de 2023? Porque Lula queria dar uma resposta ao negacionismo e conter o reinado do Centrão na Pasta com o currículo irrepreensível da então presidente da Fiocruz. Pela deselegância com a qual Nísia Trindade foi tirada do governo, o presidente sugere que a melhor maneira de encobrir um erro é cometendo outro.