sexta-feira, 26 de junho de 2026

Foi ou não ‘mimimi’, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Michelle só quer mais protagonismo ou quer a vaga de Flávio na chapa?

Bolsonaristas e petistas se unem numa pergunta que não quer calar: Michelle Bolsonaro está se insinuando na disputa presidencial, depois de avaliar o tamanho do estrago na campanha do enteado Flávio, tanto pelo Dark Horse quanto pelas novas ameaças de Trump? Ou seu vídeo contra Flávio foi só um “mimimi”, como diria o marido?

O governo comemora a guerra interna, mas os dois lados querem saber de que lado Jair Bolsonaro está, se apoiou ou liberou o ataque de Michelle na internet e, afinal, quão grave está, neste momento, a velha crise familiar, política e eleitoral.

Goste-se ou não de Michelle, ela conquistou um papel relevante na direita e o que disse combina com a história e as posições do ex-presidente e seus filhos em questões de gênero.

Disse que foi “apunhalada”, “maltratada”, “humilhada” e “desrespeitada” por Flávio e que seus irmãos “vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos”. E mais: que “eles” a tratam como “uma idiota”, “que não entende nada de política”. (Como toda mulher?)

Em 2022, Lula teve 54% e Bolsonaro, 46%, entre as mulheres, que são em torno de 53% do eleitorado. Como Lula venceu com 50,9% dos votos válidos, não é preciso ser um gênio para reconhecer que o voto feminino fez diferença. E Michelle é ativa presidente do PL Mulher.

Além disso, ela tem influência junto aos evangélicos. O TSE não detalha votos por religião, mas, segundo os institutos, com base em cruzamentos entre resultados e pesquisas de boca de urna, Bolsonaro chegou a 2/3 entre eles em 2022. Se dependesse deles, teria sido reeleito.

Flávio corre o risco de, sem Michelle, não só espantar novos votos femininos como, ainda, perder votos evangélicos. Logo, ele precisa mais dela do que ela dele e deveria refletir melhor antes de cutucar a onça com a vara curta.

Cobrado por aliados, no meio de Brasil x Escócia, Flávio tentou se desculpar, mas foi de mau jeito, ele já foi pego na mentira ao dizer que não tinha nada a ver com Vorcaro e, por fim, acusações de Michelle contra ele e seus irmãos fazem sentido.

A mulher de Eduardo Bolsonaro, Heloísa, psicóloga, já disse que “não há mulher insubmissa e livre” e defendeu “homem masculino, com testosterona”. Faltou acrescentar: “e armado...” Ao justificar para a polícia que, apesar de preso, mantinha uma pistola, seu sogro Jair saiu-se com essa: “Tinha três mulheres em casa e não podia ficar desarmado”.???

A família admite o protagonismo de Michelle? Ela tem biografia e consistência para disputar a Presidência? Cada um responda como quiser, mas o que interessa é: quem Bolsonaro considera melhor candidato e quem Lula teme mais como adversário?

 

Um comentário:

ADEMAR AMANCIO disse...

Boas questões.