O Estado de S. Paulo
As relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro serão – têm de ser – investigadas. As condições estão postas, designado já o relator, André Mendonça, que agora espera a manifestação da PGR. Vai andar. Aquele troço cheira mal, configurado o padrão vorcárico – investidor dedicado na advocacia, no cinema e na hotelaria nacionais – para o fazimento de amizades: a constituição do que parecem fachadas, no Brasil e nos EUA, para a remessa e o recebimento dos milhões de dólares. Foram os dinheiros do banqueiro integralmente destinados à produção do filme Dark Horse?
Com as apurações acerca dos fluxos entre os Bolsonaro e a rede vorcárica tendo afinal trilhos formais sobre os quais avançar, uma questão se impõe: qual será hoje a única porção do escândalo Master – dos trânsitos de Vorcaro e seus zetteis pelos Poderes da República – sem qualquer encaminhamento para que haja investigação? Aquela relativa a ministros do STF.
O gilmarmendismo se impôs para que o
garantismo seletivo produzisse o fechamento do estreito de ormuz por meio do
qual altas autoridades seriam investigadas. Passaram os barcos – as cabeças já
ofertadas – de Ciro Nogueira, Jaques Wagner,
Cláudio Castro, Ibaneis Rocha... Até aí vai a
República. O nosso limite histórico – que, desafiado, dispara o bote das
nulidades. É com o que conta Vorcaro: ser beneficiado pelo esforço por salvar
as mais togadas entre as altas autoridades.
Dias Toffoli, ex-sócio da rede vorcárica, foi
relator do caso Master por meses e tomou providências sobre a custódia de
provas que o implicavam. Lembremos da relatoria paralela que Gilmar Mendes
constituiu de modo a impedir que os sigilos da empresa do colega fossem
quebrados. Desde então, e com a ajuda engavetadora de Fachin, é como se o
episódio não existisse.
O contrato do escritório da família de
Alexandre de Moraes com o Master não apenas existiu, como teve a minuta enviada
por Viviane Barci de Moraes a Vorcaro diretamente, por mensagem. Era janeiro de
2024. Em abril, o banqueiro bancaria a versão londrina de seu clube do uísque,
aquela da degustação de Macallan, presentes, entre outros hugosmottas, Xandão,
Dias Toffoli e – para você que crê em delação do provedor – a dupla Paulo Gonet
e Andrei Rodrigues, respectivamente procurador-geral da República e
diretor-geral da Polícia Federal.
Avançamos até 20 de março de 2025 e à
mensagem de Vorcaro para a noiva: “(...) acabou chegando hugo e ciro aqui pra
falarem com alexandre”. E terminamos em 17 de novembro, com o zap em que –
infiltrado no sistema da Justiça Federal – pergunta ao ministro Moraes, aquele
que tinha derrubado o X, sobre se conseguira bloquear algo. Pílulas do
calendário no curso do qual, mensalmente, o escritório Barci de Moraes
receberia R$ 3,6 milhões.
No Brasil em que o gilmarmendismo garante o
Direito Xandônico, investiga-se somente o vazador do contrato etc. Nunca o
conteúdo vazado. •

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