Mesmo considerando a antológica frase do ex-ministro da fazenda Pedro Malan de que “No Brasil, até o passado é incerto”, oferecemos projeções consistentes sobre a evolução das principais variáveis econômicas e fiscais, dadas as atuais regras do jogo, sem evidentemente considerar mudanças e reformas estruturais que possam ser introduzidas no futuro.
A IFI considera um crescimento do PIB de 2,0%, em 2026, 1,8%, em 2027,
e uma média de 2,3%, nos anos seguintes. Para a inflação, a estimativa é de
5,0% neste ano, 4,0%, em 2027, 3,5%, em 2028, e a convergência para o centro da
meta inflacionária nos anos subsequentes, com uma inflação média de 3,0% a.a.
Os juros reais permaneceriam altos.
O comportamento da economia reflete o cenário externo adverso, as contradições
entre a política monetária e a fiscal, o mercado de trabalho aquecido e os
estímulos à demanda e ao crédito, a partir de iniciativas governamentais.
A receita primária líquida, aquela que emerge após os gastos
tributários e as transferências constitucionais a estados e municípios, deverão
alcançar 18,9% do PIB, em 2026, 18,7%, em 2027, caindo paulatinamente para o
eixo de 18,3% do PIB ao longo do horizonte de projeção. Nos últimos anos, o
governo federal empreendeu um grande esforço para a ampliação da arrecadação.
Isto se somou ao próprio crescimento da economia, acima das expectativas, e aos
efeitos recentes do aumento dos preços do petróleo (royalties, participações
especiais, dividendos da Petrobras), para garantir o cumprimento das metas fiscais
e o equilíbrio mínimo do orçamento. Mas esse caminho se esgotou.
Por outro lado, as despesas primárias devem atingir 19,2% do PIB, em
2026, 19,3% do PIB, em 2027, crescendo até 19,9% do PIB, em 2032, devendo se
acomodar em 19,4% do PIB nos anos posteriores.
As projeções da IFI indicam a persistência de déficits primários
efetivos recorrentes, tendência que acompanha o cenário fiscal brasileiro desde
2014. Considerada a permanência das atuais regras orçamentárias e fiscais,
prevemos um cenário preocupante e desafiador para o próximo mandato presidencial,
caracterizado por déficits anuais permanentes e crescentes, dificuldade de cumprimento
das metas fiscais e insuficiência de limite de despesas.
Crescimento econômico moderado, receitas menores, despesas maiores e juros
ainda significativamente altos deverão resultar em elevação persistente da
relação entre a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) e o PIB, no período de 2026
a 2036. O ritmo de crescimento do
endividamento caracteriza uma situação que pode se tornar insustentável no
médio prazo. A partir dos cenários apresentados, a IFI considera que seria
necessário gerar de um superavit primário de 2,1% do PIB, a cada ano, para a
estabilização da relação dívida/PIB. Sem isso, espera um crescimento dessa
relação para 82,5%, em 2026, alcançando 102,0%, em 2032, e chegando a 115% do
PIB, em 2036. Trata-se de um nível de endividamento extremamente elevado para
uma economia emergente.

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