domingo, 20 de outubro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Brasil não pode se calar ante abusos na Venezuela

O Globo

Relatório da ONU documenta mortes e prisões ilegais após fraude eleitoral que manteve Maduro no poder

O relatório do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre a Venezuela divulgado na semana passada expõe mais uma vez a tibieza do Itamaraty e do Palácio do Planalto diante da ditadura de Nicolás Maduro. As violações sistemáticas de direitos humanos relatadas no documento mostram que não dá mais para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu assessor internacional Celso Amorim insistirem na tática de apaziguamento, tentando mediar uma saída negociada para a crise desencadeada pela fraude eleitoral cometida por Maduro para ficar no poder.

Já ficou claríssimo que Maduro não quer negociar nada e não tem nenhum tipo de inibição quando se trata de sufocar seus inimigos políticos. Qualquer tolerância com seu regime deve ser interpretada como anuência às violações relatadas nas 161 páginas do relatório. São casos de prisão de adversários sem ordem judicial, torturas, violência sexual, desaparecimentos depois de detenção — conjunto de crimes enquadrado na legislação internacional de defesa dos direitos humanos.

O trabalho da missão das Nações Unidas cobriu o período de 1º de setembro de 2023 a 31 de agosto deste ano. “Assim que foram anunciados os resultados das eleições, as autoridades lançaram uma campanha sem precedentes de detenções indiscriminadas e em massa”, diz o relatório. A ação da polícia venezuelana procurou atingir filiados a partidos ou gente próxima a líderes da oposição, em especial a María Corina Machado.

Paulo Fábio Dantas Neto* - Duas considerações iniciais sobre o resultado das eleições municipais

Pretendo, numa sequência de dois artigos, assentar três afirmações, na tentativa de analisar o quadro esboçado após o primeiro turno das eleições municipais e de começar a refletir sobre o cenário político que pode resultar desse quadro, ainda a ser completado pelos embates do segundo turno.

As duas primeiras afirmações requererão relativamente menos palavras que a terceira e por isso podem ser acomodadas, juntas, neste primeiro texto. Elas acrescentarão menos elementos substantivos ao que, durante os dias subsequentes à eleição, e mesmo antes, foi fartamente abordado no noticiário, sendo submetido a análises especializadas e a nuances do debate político. São elas: 1. Os resultados das eleições não mostraram a extrema polarização que vinha sendo sugerida por embates nas redes sociais e por discursos políticos mais radicalizados; 2. A partir desses resultados municipais, o exercício de predição mais razoável que se pode arriscar fazer, a respeito de embates eleitorais futuros, é sobre as próximas eleições à Câmara dos Deputados e não sobre a disputa presidencial, que segue outra lógica.

Merval Pereira - Nobel revisitado

O Globo

Mais do que realizar apenas eleições periódicas, a democracia precisaria estimular uma maior inclusão social e a redução das desigualdades

Ao ressaltar a importância da inteligência artificial em diversas áreas da atividade humana, o Prêmio Nobel deste ano mostrou-se muito mais supradisciplinar. O princípio de redes neurais pertence muito mais à biologia do que à física, mas os profissionais desse campo do conhecimento foram contemplados com a premiação. O Prêmio Nobel de Física foi dividido entre John Hopfield, professor em Princeton, e Geoffrey Hinton, também conhecido como o ‘padrinho’ da IA, por trabalhos que foram ‘fundamentais para estabelecer os alicerces do que hoje conhecemos como inteligência artificial‘, segundo o comitê.

Míriam Leitão - O PT, o trabalho e as eleições

O Globo

O PT deve fugir de explicações fáceis para o seu fraco desempenho eleitoral, e evitar a volta às velhas poções mágicas

A derrota da esquerda nas eleições ficará mais evidente caso se confirme o cenário mais provável em São Paulo, que é a vitória do atual prefeito. A cidade tem tamanho e relevância para separar derrotados de vencedores. Mas o entendimento dessa derrota talvez se perca nos clichês de sempre. Um deles é o de que o PT não teria entendido o impulso ao empreendedorismo que atraiu os eleitores de Pablo Marçal. Há alguns erros nessa ideia. A lei do Microempreendedor Individual (MEI) foi criada por Lula no seu segundo mandato. O que levou eleitores a Marçal ainda nem foi entendido, e não pode ser simplificado.

Bernardo Mello Franco - Boulos está atrasado

O Globo

Candidato diz que votação de Marçal "acendeu um alerta" na esquerda, mas discurso do empreendedorismo já vence eleições em SP desde 2016

Na quinta-feira, Ricardo Nunes deu uma desculpa esfarrapada para faltar a mais um debate em São Paulo. Na ausência do prefeito, Guilherme Boulos concedeu uma entrevista. A conversa revisitou temas como o apagão e as pesquisas eleitorais. Na passagem mais reveladora, o candidato ensaiou uma autocrítica sobre as dificuldades da esquerda nas urnas.

Boulos disse que a votação de Pablo Marçal “acendeu um alerta” no campo progressista. “Tivemos a compreensão e a humildade de fazer um mea-culpa e uma autocrítica. Nós não dialogamos com um setor importante dos trabalhadores”, afirmou ao consórcio Folha/UOL/RedeTV!.

Dorrit Harazim – Aberração

O Globo

Ao contrário do que israelenses temiam, Sinwar estava sozinho, não envolto em explosivos ou escudado por reféns num subterrâneo de Gaza

A forma como morre um terrorista diz muito sobre seu viver. Osama bin Laden, cérebro dos ataques terroristas que abalaram os Estados Unidos em 2001, viveu a década seguinte esgueirando-se de seus caçadores. Quatro anos antes de ser finalmente abatido, o Senado americano havia aumentado para US$ 50 milhões (R$ 280 milhões) a recompensa que levasse ao líder-fundador da Al-Qaeda. Deu resultado. Numa madrugada de breu de maio de 2011, dois helicópteros das Forças Especiais da Marinha (Seals) decolaram do Afeganistão, cruzaram a fronteira do Paquistão e surpreenderam Bin Laden na casa-fortaleza em que se escondia. A operação arrojada, certeira, de alto risco e precisão, durou 40 minutos. O cadáver nunca foi exibido, nem em imagem —permaneceu sob custódia dos Seals até amostras do DNA confirmarem sua identidade. Menos de 24 horas depois, foi jogado no Mar Arábico a mais 1.300 quilômetros da costa. Capítulo fechado.

Bruno Boghossian – O trumpismo sonha com um braço armado

Folha de S. Paulo

Republicano transformou delírio autoritário em peça de propaganda ao prometer combate a 'inimigo interno'

Donald Trump sonha com um braço armado para o regime que deseja inaugurar se vencer as eleições. Nos últimos dias, o republicano transformou o delírio autoritário em peça de propaganda. Apontou que pretende chamar agentes de elite para "caçar, prender e deportar" imigrantes e sugeriu o uso de militares contra adversários políticos.

Nesta corrida para voltar ao poder, Trump tem se mostrado mais confortável em recorrer à xenofobia e ao ódio político, banhados em teorias da conspiração e alarmes de pânico social. A novidade da reta final da campanha é sua desenvoltura na defesa do direcionamento do monopólio estatal da força contra alvos escolhidos por um presidente.

Elio Gaspari - A Enel tem os poderes da treva

O Globo

Os apagões, de energia e de multas, assim como os laudos falsos do laboratório Saleme, no Rio, são o lado cruel e visível de um processo de saque contra os serviços públicos

Sexta-feira, 11 de outubro, foi um dia agradável do outono romano. A repórter Malu Gaspar contou que lá estava o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Participava de uma farofa num painel que tratava da Nova Era Energética, com Flavio Cattaneo, CEO mundial da Enel. Desde abril, essa era sua terceira viagem à Itália.

Em São Paulo, numa nova era energética, uma tempestade deixou três milhões de clientes da Enel sem energia. Cinco dias depois, 74 mil residências continuavam na treva. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, culpou o governo federal, Silveira culpou Bolsonaro e todos culparam a Enel.

A privatização do fornecimento de energia em São Paulo é uma história de horrores. Lá atrás, ela se chamava Eletropaulo e era uma estatal. Quando ela começou a ser leiloada, o publicitário Mauro Salles, que conhecia o Brasil, dizia que havia se criado a “mutretoconcorrência”. Quem levou a estatal foi a empresa americana AES, afastando sua rival numa manobra feita por baixo do pano. A investigação da mutreta deu em nada, por falta de energia.

Celso Rocha de Barros – A federação da esquerda

Folha de S. Paulo

Esquerdistas precisam se unir para fazer frente aos grandes partidos de direita

Cedo ou tarde, os partidos de esquerda vão ter que formar uma federação partidária. Como disse na última coluna, a direita está construindo máquinas partidárias poderosíssimas. Para lhes fazer frente, a esquerda vai ter que se unir.

Não vai ser fácil.

Alguns partidos já estão federados: o PT tem uma federação com PC do B e PV. PSOL e Rede estão federados. Nos dois casos, a federação não chega a ser um projeto com uma grande visão compartilhada: servem para que os partidos menores sobrevivam à cláusula de barreira, que, pela reforma política de 2017, está se tornando mais alta a cada eleição.

Muniz Sodré - Viagem da política às terras do centro

Folha de S. Paulo

Com algumas exceções, o bolsonarismo da destruição criativa deu lugar a uma direita centrada no status quo local

Glosa de um deputado baiano, décadas atrás: entre a Encíclica Mater et Magistra (do Papa João 23, com o ponto de vista da igreja sobre a questão social) e "O Capital", de Karl Marx, o PSD ficava com o Diário Oficial. Uma boutade até hoje pertinente a essa sigla. O PSD de Gilberto Kassab autodefine-se como nem de esquerda, nem de direita, nem de centro. De nada, em suma, mas próximo de uma oficialíssima emenda Pix.

É viável, no entanto, presumir a entrada na política de uma cultura "centrã", menos polarizante ou raivosa. O termo evoca um português quinhentista, algo fora de época. Mas o "nada", vitorioso nas eleições em 878 prefeituras, é tudo de que Kassab precisa para inscrever o seu PSD na campanha presidencial.

Luiz Carlos Azedo - Depois da chuva, um olhar sobre São Paulo

Correio Braziliense

O vendaval que provocou o colapso energético da capital paulista mexeu com os humores dos eleitores, mas não o suficiente para mudar os rumos da eleição

O último roteiro escrito por Akira Kurosawa não foi filmado pelo genial cineasta japonês, que já estava muito doente e morreu de um derrame, aos 88 anos, em 1998. Depois da chuva foi dirigido por Takashi Koizumi, seu assistente, por escolha do filho de Kurosawa. O diretor já havia trabalhado com Kurosawa em Kagemusha, a sombra de um samurai, Ran, Sonhos, Rapsódia em agosto e Madadayo.

O filme conta a história de Ihei Misawa (Akira Terao), um ronin (samurai errante) em busca de emprego, em meio ao dilema de lutar ou não lutar por dinheiro e obrigado a parar numa pequena hospedaria, porque as chuvas tornaram um rio intransponível. Serão dias de espera à beira da estrada, ao lado de pessoas muito pobres. São carregadores e artistas sem condições de sair para trabalhar, o que agrava a situação. Com o passar dos dias e as necessidades de sobrevivência, os conflitos aparecem. Revela-se o caráter de cada um.

Entrevista | João Campos (PSB): ‘A esquerda tem uma tarefa pela frente: trazer a pauta para o concreto’

Monica Gugliano / O Estado de S. Paulo

Reeleito com quase 80% dos votos no Recife, prefeito do PSB diz que olhar local definiu o pleito

“Não estamos falando (na disputa deste ano) de uma eleição de bancada de deputado, de bancada temática. A gente está falando de cidade. E acho que é por isso que (os candidatos de centro) também tiveram um crescimento maior na eleição, porque têm uma pauta menos ideologizada”

Aos 27 anos, João Henrique Campos se tornou o prefeito mais jovem do Brasil. E, agora, aos 30, foi reeleito com quase 80% dos votos no Recife, capital de Pernambuco. Ele é herdeiro de uma família que está na política desde o início do século 20. Seu bisavô era Miguel Arraes (1916-2005), um ícone da política brasileira, três vezes governador do Estado. Seu pai, Eduardo Campos (1965-2014), promissor político do PSB, fazia a campanha para a presidência da República quando morreu em um desastre aéreo. Nesta entrevista ao Estadão, João Campos faz uma análise do primeiro turno das eleições municipais. Diz que, muitas vezes, o discurso da direita captura mais eleitores do que o da esquerda porque consegue escapar da rota ideológica e ir para a vida real.

“Por isso eu acho que o caminho não é entrar nessas rotas ideológicas, é entrar na rota do concreto”, pontuou o prefeito. “A esquerda precisa ter o pé no chão e o olhar lúcido para ter um diagnóstico correto de como enfrentar as disputas nos grandes colégios eleitorais.”

Ele afirma que essa visão lúcida não é uma convocação para que as convicções ideológicas sejam abandonadas, mas uma constatação de que os partidos que mais cresceram mostraram capacidade de ter uma construção mais pragmática da realidade eleitoral. “É entender que as pessoas esperam que os prefeitos, que os políticos tenham a capacidade de melhorar a vida delas, de fazer gestão com qualidade, com eficiência. E a gente tem que ter muito cuidado com a discussão acirrada do ponto de vista ideológico, porque ela sai desse campo.” 

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Eliane Cantanhêde - Ao centro, mas que centro?

O Estado de S. Paulo

Eleições municipais projetam a volta ao centro, o que favorece Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad

Eleições municipais não definem as presidenciais, mas revelam o ambiente político e projetam – ou minam – partidos, lideranças e candidaturas. Com o racha na “nova direita” bolsonarista e o envelhecimento da esquerda, particularmente do PT, emergem ao palco o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ambos fazendo movimentos ao centro. Tarcísio desliza para a centro-direita, e Haddad, até pelo cargo, para a centro-esquerda.

Dizem que “Deus escreve certo por linhas tortas”. A eleição municipal, de forma tortuosa, complexa, parece empurrar a política brasileira para seu velho eixo, nem tanto à direita, nem tanto à esquerda. Que centro é esse, ainda não está claro, até pelo asfixiamento do centro não apenas no Brasil, mas nas Américas, na Europa, pelo mundo afora. O momento é de radicalização, mas há sinais da volta ao prumo no Brasil.

Celso Ming - São terras raras, mas falta empenho

O Estado de S. Paulo

Se quer liderar o processo de transição energética, como vêm anunciando autoridades do governo, o Brasil precisa criar condições para desenvolver a cadeia produtiva de terras raras.

Terras raras é o nome dado ao conjunto de 17 elementos químicos – como o neodímio, túlio, cério, lantânio e ítrio – imprescindíveis para componentes de turbinas eólicas, carros elétricos, painéis solares, catalisadores automotivos, baterias e circuitos eletrônicos.

Dada a necessidade de descarbonização do planeta e migração para a economia verde, esses materiais são estratégicos e altamente suscetíveis a disputas geopolíticas e comerciais.

José Roberto Mendonça de Barros - de O colapso não está próximo

O Estado de S. Paulo

Do meu ponto de vista, o fim do mundo, embora possível, está longe de ser provável

O pessimismo anda excessivo. Em alguns momentos, se chegou a projetar um crescimento da Selic de até 13,5%, elevadíssimo frente a uma inflação que anda na faixa de 4,5%. No dia 11 passado, a NTN longa (B 60) chegou a um juro de 6,5%!

Ao contrário do que esses números sugerem, nossa economia não está à beira do colapso. Embora a questão fiscal esteja muito ruim e poderá caminhar para algo insustentável no futuro, parece-me evidente que há um certo exagero no ar.

Do meu ponto de vista, o fim do mundo, embora possível, está longe de ser o mais provável. Isso porque um quadro de desarranjo crescente leva necessariamente a uma pressão no prêmio de risco, que se transforma numa desvalorização cambial e numa inflação consolidada e significativamente mais elevada, algo que ainda não ocorreu.

Poesia | A solidão e sua porta, de Carlos Pena Filho

Música | Chico Buarque - Geni e o Zepelim

 

sábado, 19 de outubro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Morte de líder do Hamas cria chance para cessar-fogo

O Globo

Eliminação do responsável pelas atrocidades do 7 de Outubro abre oportunidade à libertação dos reféns

A morte de Yahya Sinwar, líder do grupo terrorista Hamas responsável pelo planejamento e pela execução das atrocidades do 7 de Outubro, maior matança de judeus desde o Holocausto e maior ataque ao Estado de Israel desde sua fundação, encerra um capítulo do conflito que ele mesmo iniciou. No telefonema em que o presidente americano, Joe Biden, parabenizou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pela eliminação do alvo número um na guerra contra o Hamas, ambos concordaram que ela abriu oportunidade a um acordo que traga a libertação dos reféns e um cessar-fogo.

Sinwar, uma espécie de Osama bin Laden de Gaza, era conhecido pelo fanatismo e pela crueldade. Quando era responsável pelas operações de segurança do Hamas, matou com as próprias mãos mais de dez palestinos que considerava traidores. É inequívoca sua responsabilidade por desencadear o conflito que custou tantas vidas em Gaza. Assim como por ter transformado o enclave num formigueiro de túneis repleto de armas e munições, que deixaram a população palestina sem nenhum refúgio seguro.

Cristovam Buarque - Duplos atrasos

Veja

Os erros: o uso de celulares nas escolas e a ignorância dos avanços

Em educação, o Brasil consegue ser duplamente atrasado: ao discutir tardiamente se o uso de celular deve ser tolerado como meio de comunicação dos alunos durante as aulas; e ao ignorar tardiamente a função dos aparelhos como ferramenta pedagógica. Há tempos já deveríamos ter proibido o uso como divertimento e já era tempo de estarmos incentivando o smartphone para facilitar o aprendizado. O celular em sala de aula tem provocado retrocesso no desempenho dos alunos, mas fechamos os olhos a essa prática; tanto quanto durante a epidemia de covid-19 relevamos o longo período das escolas fechadas; e há décadas fechamos os olhos às perdas decorrentes dos repetidos e longos períodos de greves de professores e demais servidores nas redes públicas de educação.

Oscar Vilhena Vieira - A supremocracia em xeque

Folha de S. Paulo

Abuso da prerrogativa continua sendo responsável por um perigoso processo de erosão da autoridade do STF

Ataques e restrições de poderes de cortes constitucionais e supremas cortes são normalmente um prenúncio de um processo de erosão democrática. Os casos da Venezuela e da Hungria são emblemáticos dessa estratégia empregada por populistas autoritários de alijar os tribunais, para que o caminho de subversão constitucional fique livre e desimpedido. As propostas de subordinação do judiciário apresentadas por López Obrador, no México, e Binyamin Netanyahu, em Israel, antes dos conflitos, vão nesta direção.

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, entusiasmada com os resultados das eleições municipais, que consolidaram avanços das forças direita e extrema direita, aprovou uma série de propostas voltadas a constranger os poderes do Supremo Tribunal Federal. Parte dessas propostas, como a que confere ao Congresso Nacional a possibilidade de derrubar decisões do Supremo, ainda que por quórum qualificado, faz parte do repertório dos novos e velhos autoritarismos. Vargas fez a mesma coisa em 1937, além de aposentar compulsoriamente nada menos que cinco ministros. Trata-se, portanto, de uma represália do bolsonarismo para punir um tribunal que colocou limites ao seu ímpeto de golpear a Constituição. Simples, assim.

Hélio Schwartsman - Reforma da esquerda

Folha de S. Paulo

Partidos progressistas vivem momento difícil em vários lugares do mundo, tanto por erros como por acertos

O fraco desempenho do PT e de legendas que lhe são próximas nas eleições municipais está levando muita gente a falar em crise da esquerda e a cobrar desse campo político uma espécie de reforma ou atualização de agenda.

Reluto um pouco em extrair uma mensagem inequívoca de um amontoado de pleitos locais que são, em sua maioria, decididos mais por questões de zeladoria do que de posicionamento ideológico. Mas, se olharmos para uma série histórica mais ampla de eleições e para o que está acontecendo em outros países, acho que dá para falar que a esquerda vive um momento complicado.

Adriana Fernandes - Há empresários que pagam só 4% de imposto sobre os lucros

Folha de S. Paulo

Entenda o que a Receita descobriu que faz empresas pagarem alíquota efetiva muito menor

Estudos recentes da Receita Federal mostram que o nível efetivo de tributação do lucro ao nível das empresas é significativamente menor do que aquele que costumamos avaliar quando olhamos apenas para a alíquota do IRPJ (Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).

Em tese, o lucro deveria ser tributado em 45% nos bancos e 34% nas empresas não financeiras, mas a realidade concreta mostra que essa carga tributária não se aplica à grande maioria dos negócios no Brasil.

Para entender esse intrincado emaranhado tributário, é preciso lembrar que as empresas se submetem a três distintos regimes: lucro real, lucro presumido e Simples.

As empresas submetidas ao regime de lucro real deveriam pagar imposto, como o nome diz, sobre o seu real lucro, mas a legislação confere uma série de benefícios fiscais e possibilidades de deduções e compensações que, na prática, fazem a base de cálculo ficar bem abaixo do verdadeiro lucro.

Dora Kramer - Haddad sua a camisa

Folha de S. Paulo

Ministro da Fazenda tem a árdua tarefa de convencer Lula de que a roda é redonda

Não bastasse o enorme esforço que o ministro da Fazenda terá de fazer no Congresso para mexer no vespeiro das isenções, benefícios, vinculações, supersalários e outros gastos, antes disso Fernando Haddad tem a árdua tarefa de convencer o presidente Luiz Inácio da Silva de que a roda é redonda.

Em outras palavras: a missão de mostrar que a contenção nas despesas, além de inadiável para a saúde da economia, é fator relevante —senão decisivo— para quem pretende se reeleger ou eleger o (a) sucessor (a).

Haddad e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, foram às redes, aos jornais, às rádios e as televisões nesta semana e disseram quase isso quando expuseram com todos os efes e erres o esgotamento das medidas de arrecadação, pentes-finos e revisões no Orçamento.

Demétrio Magnoli - Minorias mal comportadas

Folha de S. Paulo

Obsessão identitária vai destruindo extensas bases sociais do Partido Democrata

"Eles varrem os restos da mesa como se fossemos um cão treinado e dizem ‘isto é para você’. E aplaudimos como focas amestradas." Assim, referindo-se ao Partido Democrata, LaPage Drake, um negro do Texas de 63 anos, justificou sua intenção de voto. O eleitor faz parte dos 20% de homens negros que, segundo uma pesquisa recente, preferem Trump a Kamala Harris. No total, 15% do eleitorado negro americano pende para o candidato republicano, o que pode decidir a contenda.

A larga vantagem histórica dos democratas entre hispânicos e negros experimenta gradual erosão. Entre hispânicos, reduziu-se de 73% em 2012 a 63% nesta pesquisa. A queda acentuou-se no intervalo 2016-2020. Os negros seguem, com atraso, a mesma tendência. Há 12 anos, cerca de 90% deles sufragaram Obama; hoje, apenas 78% declaram voto em Harris. A queda acentuou-se nos últimos quatro anos.

É um fenômeno aparentemente paradoxal pois, enquanto o Partido Democrata torna-se cada vez mais identitário, as duas minorias clássicas da política identitária afastam-se dos democratas. Pesquisas qualitativas esclarecem o mistério: os hispânicos e negros "dissidentes" explicam sua intenção de voto da mesma forma que os brancos da baixa classe média. Dizem-se frustrados com a economia, isto é, com as perdas de renda derivadas do surto inflacionário recente.

Carlos Alberto Sardenberg - Do mercado ao senhor presidente

O Globo

‘Achamos, senhor presidente, que não será possível equilibrar as contas com o aumento da receita que seu governo tem aplicado’

Eis o recado que o mercado tem enviado a Lula em encontros formais (como a reunião do presidente com os principais banqueiros), conversas informais com ministros, sobretudo com Fernando Haddad, e nos documentos preparados pelos departamentos econômicos das instituições financeiras. Com a devida licença, lá vai:

“Senhor presidente, nós também não estamos gostando dos elevadíssimos juros do momento. Entre outras coisas, porque muitos de nossos investidores caíram no vermelho. Carregam papéis com juros de 10%, que pareciam muito bons quando adquiridos, mas agora estão no negativo porque os novos títulos do governo pagam 13% e pouco.

Pablo Ortellado - O que pode na universidade?

O Globo

Apresentação de historiadora e cantora de saia levantada e com palavrões na UFMA gera controvérsia

Na última quinta-feira, 17, uma performance numa mesa-redonda sobre gênero e sexualidade na Universidade Federal do Maranhão gerou grande controvérsia. Durante sua participação, a historiadora e cantora Tertuliana Lustosa subiu na mesa e, enquanto rebolava, com a saia levantada, apresentou um funk cujos versos diziam:

— Vou te ensinar gostoso dando aula na sua pica. Aqui não tem nota, nem recuperação. Não tem sofrimento, se aprende com tesão, de quatro e cu, cu, cu.

A apresentação de Lustosa, chamada “Educando com o cu”, defende uma abordagem educacional que valoriza o corpo e o prazer como instrumentos pedagógicos. O vídeo da performance viralizou rapidamente nas mídias sociais, gerando indignação. Afinal, a universidade pública pode abrigar ou apoiar esse tipo de manifestação?

Paulo Sternick – Aviso de incêndio

O Globo

Torna-se cada vez mais patente a dificuldade de reverter a violência das guerras e o rumo do aquecimento global

O filósofo Heidegger vasculhou a obra de Freud e não encontrou nenhuma explicação dele na escolha da palavra “análise” para nomear seu trabalho. Então descobriu que o poeta Homero, que viveu na Grécia Antiga, foi quem primeiro usou o termo no segundo livro da Odisseia, para descrever o que Penélope fazia todas as noites: ela desmontava o tecido que fizera durante o dia. Em grego, “análise” significa desfazer uma trama, soltar, libertar alguém da prisão e até desmontar os pedaços de uma construção.

A etimologia do termo “análise” é formidável para ilustrar aquilo a que se destina, tanto nos labirintos do sintoma do indivíduo quanto nos da cultura: revelar e desfazer a trama inconsciente ou irrefreável que os causa. Não é difícil imaginar sujeitos que não conseguem se livrar de atitudes, vícios e repetições que, não obstante, os prejudicam. Torna-se cada vez mais patente a dificuldade de reverter a violência das guerras e o rumo do aquecimento global, com a deterioração climática e seus efeitos — como os incêndios pelo mundo.

Eduardo Affonso - A impossível simetria

O Globo

Conflito poderia ser relativamente simétrico se fosse entre dois Estados, não entre um Estado e o terror

A reação de Israel ao brutal ataque terrorista sofrido há um ano tem sido desproporcional. Ou, para usar palavra da moda, assimétrica.

Sim, tem. Talvez nos duelos do Velho Oeste ou nas românticas disputas com floretes em desagravo à honra a simetria fosse mais respeitada. Vencia o mais rápido no gatilho, o de técnica mais apurada ou de melhor pontaria — mas as armas eram similares, e as mesmas regras se aplicavam a ambos os contendores.

Para que a reação fosse simétrica e proporcional, Israel deveria ter invadido Gaza, na surdina, com cerca de 3 mil fanáticos armados, portando câmeras para registrar (e depois compartilhar festivamente, na internet) a barbárie. Ter metralhado centenas de jovens que encontrassem numa celebração (matando exatos 405, nem um a menos). Ir de casa em casa, chacinando, com meticulosa crueldade, famílias inteiras — sem poupar mulheres, idosos, bebês, animais domésticos. A meta seria não mais que 1.200 seres humanos exterminados pelo crime de ser palestinos.

Bolívar Lamounier - Duas notícias que se neutralizam

O Estado de S. Paulo

A política municipal transformou-se num bico de pena de um quadro federal lastimável. A maioria dos agentes políticos são néscios de dar dó

A boa notícia é que a eleição municipal assumiu uma tendência centrista, desfazendo a radicalização que ameaçava o País desde 1926; a ruim, é que esse resultado se deveu principalmente ao fato de a maioria dos eleitores terem se desinteressado pela política num grau nunca visto pelo menos desde o fim da 2.ª Guerra Mundial.

Fosse facultativo o nosso sistema de votação, dificilmente o comparecimento às urnas atingiria 40%. Que motivos podemos aventar para essa abrupta queda? Afirmo sem temor de errar que o principal motivo foi a qualidade mediana dos candidatos. Para chegar a essa conclusão, não precisamos evocar o pitoresco episódio do recurso a peças de mobiliário para aquecer o debate. Basta-nos observar que, no Brasil, a teratológica centralização do poder sempre reduziu a política municipal a um quase nada. Os candidatos, sim, têm muito apreço por ela, pois sabem que é um bom negócio plenamente compatível com um quase total ócio.

Carlos Andreazza – Confia

O Estado de S. Paulo

A blitz de Fernando Haddad está na pista. De Haddad e Simone Tebet. Blitz de propaganda. O pacote relevante de cortes de gastos vem aí – prometeram. Coisa de volume entre R$ 30 bilhões e 50 bilhões – plantou-se. Não será mais um pente-fino – informam. Uma só das ações pode chegar a R$ 20 bilhões. Uau!

Os ministros reagem à desconfiança. A reforma do Imposto de Renda – a isenção a quem ganha até R$ 5 mil – estava à frente. Vinha ainda em 2024. Para sacrifício de receita da ordem de mais de R$ 40 bilhões por ano. Sem anúncio crível de compensação para o rombo. O mar, que já não era bom, crispou-se.

Marcus Pestana - Realidade e percepção sobre a economia brasileira

A situação da economia determina a qualidade de vida da população, o ânimo dos investidores, os humores políticos e o grau de esperança no futuro. Na análise dos fatos não bastam os dados frios e objetivos, mas também a percepção e as expectativas que geram. Tão ou mais importante que a foto do momento é o filme que esboça tendências e rumos.

O Brasil é um país emergente, que não superou a armadilha da renda média, razoavelmente industrializado, detentor de um agronegócio competitivo e pujante, possuidor de um setor de serviços sofisticado, excessivamente fechado para o mundo globalizado, portador de desigualdades sociais inaceitáveis, em busca de recuperar o fio da meada do crescimento sustentado, com políticas monetária e cambial bem resolvidas, juros altíssimos, investimentos muito aquém do necessário e um enorme desafio fiscal.

Reserva moral: Enrico Berlinguer

Angela Giuffrida /CartaCapital

Uma cinebiografia e duas exposições aguçam a nostalgia e a admiração por Enrico Berlinguer

Enrico Berlinguer foi um gigante da esquerda italiana nas décadas de 1970 e 1980, quando chegou perto de levar o Partido Comunista ao governo por meio de um “compromisso histórico” com os democrata-cristãos e na defesa do “eurocomunismo”, uma versão liberal e anti-stalinista do marxismo que varreu brevemente o continente. Sua morte há 40 anos e o colapso dos partidos comunistas europeus no fim da década de 1980 eclipsaram, porém, o seu legado. Desde então, a Itália cruzou o espectro político e em 2022 elegeu Giorgia Meloni, da extrema-direita, como primeira-ministra.

Agora, Berlinguer retomou a popularidade, inclusive entre figuras de direita, pois um filme sobre sua vida abre o festival de cinema de Roma, antes do lançamento internacional. Berlinguer – La Grande Ambizione levará os espectadores por meio dos eventos históricos que marcaram sua carreira, desde desafiar o dogma da Guerra Fria e escapar por pouco de um atentado contra sua vida na Bulgária, até levar o Partido Comunista Italiano à beira do poder na década de 1970 e manter-se firme contra o terrorismo político que ferveu no país naquele período.

Poesia | Liberdade, de Bocage

 

Música | Casuarina e Zeca Pagodinho - Velhos Tempos

 

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Intervenção no setor elétrico é oportunismo

O Globo

Governo Lula aproveita apagão em São Paulo para tentar exercer controle político sobre a Aneel

Não passa de oportunismo a tentativa do governo Luiz Inácio Lula da Silva de usar o grave episódio do apagão em São Paulo para interferir na estrutura regulatória do setor elétrico. Desde o temporal da semana passada, que deixou mais de 3,1 milhões de paulistas sem luz, o ministro de Minas e EnergiaAlexandre Silveira, aumentou o tom das críticas à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), expondo a insatisfação do governo petista com o modelo de concessionárias privadas, que pressupõe agências reguladoras fortes e independentes. Depois do apagão, o governo chegou ao cúmulo de abrir na Controladoria-Geral da União (CGU) uma investigação preliminar para apurar irregularidades que atribui a diretores da Aneel com base em denúncias de Silveira — tarefa que nem cabe à CGU.

Em qualquer setor, a independência das agências reguladoras é fundamental para evitar intervenção política no mercado, garantir estabilidade jurídica, respeito aos contratos e a devida maturação dos investimentos. Tal independência pressupõe diretorias formadas por técnicos e profissionais experientes do mercado, com mandatos fixos e não coincidentes com o calendário eleitoral. Exatamente o contrário do que defendem Lula e Silveira.

Fernando Abrucio - Fora da frente ampla não há solução

Valor Econômico

Se não for possível criar uma ampla coalizão de diferentes em torno de pontos prioritários, alicerçada por uma aliança eleitoral e governativa, o Brasil poderá andar muito lento nos próximos anos

A pergunta da vez é quem foram os vencedores das eleições municipais. Alguns procuram respondê-la dizendo quem foram os partidos vitoriosos e os grandes perdedores. Outros trilharam esse caminho buscando os efeitos de 2024 sobre 2026, especialmente sobre o próximo Congresso Nacional e a disputa presidencial. Todo esse debate tem relevância, mas o processo eleitoral atual trouxe uma lição mais profunda: a forma de sair da polarização paralisante e construir uma nova forma de fazer política passa necessariamente pela construção estrutural de coalizões com identidade de frente ampla.

Num país multipartidário, com grande diversidade de identidades políticas territoriais e com forte peso do horário eleitoral de TV e rádio, a política pragmática incentiva a construção de coalizões eleitorais tão amplas quanto possível no plano da eleição para o Executivo. Essa é uma lei geral óbvia do sistema político brasileiro. Porém, o crescimento de uma polarização mais estanque, desde 2018, tem dificultado uma política baseada em alianças nas quais a multiplicidade de posições não seja engolida por uma única lente ideológica.

Em outras palavras, o bolsonarismo e, em menor medida, o lulismo, mesmo com todo o apelo que fez por uma frente de defesa da democracia em 2022, têm sido mais sectários e hegemonistas do que polos organizadores de posições diferentes em prol da produção de um projeto comum de país. Sem dúvida alguma, esse fenômeno é mais forte no lado bolsonarista, como mostram os diversos exemplos da eleição municipal nos quais Bolsonaro sabotou ou denunciou aliados de hoje e do passado, porque não seguiam a cartilha purista de seu radicalismo.

José de Souza Martins - Metamorfoses da esquerda e da direita

Valor Econômico

As eleições revelaram a vitalidade de um difuso e arraigado direitismo brasileiro com cara de centro e mesmo de extremo centro

Os resultados das eleições municipais de 2024 não indicam propriamente vitória nem da direita nem da esquerda. Na perspectiva do longo prazo cumprido desde o fim da ditadura militar, foi uma derrota da democracia.

Há algumas derrotas notórias e significativas, como a do PSDB, derrotado por si mesmo, pela ação e pela mentalidade de figuras distantes do ideário e da experiência do partido. No elenco das competências que lhe restam, há talentos que podem promover-lhe o renascimento, descartadas as figuras de infiltrados cujo perfil é outro, agora como adversário da direita destrutiva.

O declínio do PT, vencido em seus próprios redutos históricos, como na cidade de São Paulo, na zona leste, por um forasteiro de extrema direita. E no ABC Paulista, onde em apenas dois dos sete municípios resta-lhe aguardar o segundo turno para recuperar alguma presença no que vem deixando de ser a região industrial.

Andrea Jubé - A lição do eleitor recalcitrante para o PT

Valor Econômico

Salvo uma reviravolta, somente a arca de Noé impediria a derrota do PT em São Paulo e Porto Alegre

Gênesis, 6, versículo 17: “Eis que vou trazer águas sobre a terra, o Dilúvio, para destruir debaixo do céu toda criatura que tem fôlego de vida”, anunciou Deus a Noé, em uma das passagens mais trágicas do Antigo Testamento.

É exagero comparar o desastre ao dilúvio bíblico, mas a cheia do Guaíba que deixou Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e cidades da região metropolitana submersas, gerou cenas de filmes de terror: moradores e animais domésticos refugiados nos telhados, esperando socorro por dias a fio. De fato, foi uma catástrofe sem precedentes: superou as inundações de 1941, quando o nível das águas chegou a 4,76 metros. Desta vez, ultrapassou os 5 metros.