sexta-feira, 11 de abril de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Efeito do tarifaço não se dissipa com recuo de Trump

O Globo

Guerra comercial com a China mantém risco de recessão global, mas choque pode trazer aprendizado

Com Donald Trump na Casa Branca, são vãs as tentativas de prever qualquer coisa. É uma incógnita se o pior da guerra comercial deflagrada por ele já passou. Uma semana depois de anunciar o maior choque tarifário na História dos Estados Unidos, Trump se viu forçado a dar meia-volta. Na quarta-feira, suspendeu por 90 dias as tarifas mais altas, mantendo a cobrança mínima de 10% de todos os países, com exceção da China, cuja taxa foi alçada a 145%. A Casa Branca fez grande esforço para vender uma versão segundo a qual tudo corria como previsto, pois o plano era forçar os países a negociar cortes nas próprias tarifas cobradas de produtos americanos. Pura lorota. A convulsão financeira chegou a ponto de lançar os mercados num precipício insondável.

Fernando Abrucio - Extrema direita leva o mundo ao abismo

Valor Econômico

Se muitos estão cegos para os impactos do extremismo, os dois últimos meses da loucura americana mostraram como é perigoso ignorar seu real significado

Os piores pesadelos estão se realizando neste início do governo Trump. Antes de sua posse, boa parcela do mercado financeiro, empresários de toda parte e políticos brasileiros que se dizem moderados sem conseguirem ter autonomia em relação a Bolsonaro acreditaram que o pragmatismo venceria. Naturalizaram o extremismo, e o mundo vai passar pela tempestade política mais terrível desde o nazismo. Para sairmos dessa desgraça, é preciso entender a perversidade e o desastre contidos no modelo político e de políticas públicas da extrema direita.

A extrema direita hoje abarca grupos de várias partes do mundo, crescendo na Europa, mas não tendo ainda vencido as eleições por lá, e está no poder na Hungria, na Argentina e nos EUA, como já esteve no Brasil. Há diferenças entre partidos e lideranças extremistas por conta de características locais - os imigrantes não são um tema no caso brasileiro, por exemplo. De todo modo, em todas essas experiências há uma característica central: uma liderança populista, carismática, iliberal e com um projeto autocrático. Seus seguidores e asseclas obedecem caninamente ao chefe.

José de Souza Martins - Pesquisa eleitoral extemporânea

Valor Econômico

É inútil e imprudente, num cenário de incerteza, considerar as pesquisas eleitorais fora de época como expressões de quais serão os resultados da votação

Passado pouco mais de metade do mandato do atual presidente da República, políticos e partidos já se lançaram na disputa por sua sucessão como se a eleição fosse na semana que vem. E como se aqui, costumeiramente, mesmo nos poucos dias anteriores ao de uma eleição, a decisão do eleitor já estivesse tomada.

Todos nós sabemos que um número grande de brasileiros só se preocupa com o ato de votar quase em cima da hora. É inútil e imprudente, portanto, num cenário de incerteza, indecisão e improvisação, considerar entre nós as pesquisas eleitorais fora de época como expressões objetivas e prováveis de quais serão os resultados da votação bem lá adiante.

Essas considerações resultam da observação confirmada de que o bolsonarismo introduziu na cultura política brasileira o uso da incerteza como forma de desordenar a lógica própria do processo político. E desse modo reduzi-lo àquilo que não é: expressão da opinião superficial e manipulável, antipolítica, mais resultado do acaso e do “chute” do que de uma consciência crítica fundamentada e propriamente política.

Tarcísio entre ser um 'líder' ou um 'episódio' - Andrea Jubé

Valor Econômico

Em meio às especulações sobre seu destino, governador de São Paulo avança tentando conciliar imagem de herdeiro do bolsonarismo com a de político moderado

“Quantos Napoleões a França teve?”, questionou o interlocutor, em conversa com a coluna, a propósito de um dos possíveis cenários para a eleição presidencial de 2026.

O mote era a estratégia pela qual o nome “Bolsonaro” poderia despontar na urna eletrônica na sucessão presidencial, mesmo com o ex-presidente inelegível. Para a hipótese se consumar, Jair Bolsonaro (PL) teria de reverter a inelegibilidade junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos bastidores, ele tem afirmado a aliados que considera factível uma vitória na Justiça Eleitoral, mas reconhece a possibilidade de derrota no STF. Ele se tornou inelegível até 2030 por decisão do TSE, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação por ter realizado uma reunião no Palácio da Alvorada, com embaixadores, quando atacou o sistema eleitoral, em ato transmitido pela TV Brasil.

O estardalhaço que mobiliza - Vera Magalhães

O Globo

Políticos como Trump e Bolsonaro conseguem catalisar as atenções da imprensa e das demais instituições com base em agendas personalistas

Enquanto o governo Lula abre a caixa de ferramentas de políticas públicas e lança uma nova campanha publicitária, tudo para tentar estancar a sua queda de popularidade, o espetáculo promovido por Donald Trump e o showzinho de Jair Bolsonaro para pressionar pela anistia aos condenados do 8 de Janeiro são os assuntos que mais mobilizam a imprensa e as instituições aqui e no mundo.

Em outras palavras: nos tempos atuais, é o espalhafato, o estardalhaço que gera engajamento e, muitas vezes, continua vencendo eleições, a despeito das evidências de quanto essa maneira de fazer política é deletéria para a democracia e para a economia.

Como sair da armadilha e retomar algum grau de previsibilidade em governos e relações entre países é uma pergunta cada vez mais difícil de responder de forma taxativa e aceita pela maioria de populações cada vez mais divididas e intolerantes.

Teatro da cassação - Bernardo Mello Franco

O Globo

Deputado entrou na mira ao se lançar em cruzada contra Arthur Lira e o orçamento secreto

Em cartaz em Brasília com o monólogo “Traidor”, Marco Nanini passou a quarta-feira no Congresso. Foi assistir à sessão do Conselho de Ética que discutiria a cassação do deputado Glauber Braga. “Como estou na cidade, me senti no dever de ir”, explica o ator, que enfrentou seis horas de falatório e gritaria numa sala cheia e abafada.

Glauber é acusado de quebrar o decoro ao agredir um militante do MBL que xingou sua mãe de “safada”. Não foi seu único entrevero com o provocador, que costuma se infiltrar em atos da esquerda para causar tumulto e viralizar nas redes sociais. Em 2024, ele usou a tática para se candidatar a vereador pelo Novo. Coincidentemente, o partido apresentou a representação contra o deputado do PSOL.

A era da desconfiança – Flávia Oliveira

O Globo

A falta de confiança pavimenta caminhos e baliza estratégias

Existe um motivo para argentinos preferirem guardar dinheiro dentro de nichos em paredes a depositar a poupança no banco; para brasileiros tremerem ao menor sinal de inflação, ainda que os preços hoje subam em um ano menos do que escalavam em uma semana no passado. Ou para países emergentes pagarem a investidores taxas de juros infinitamente maiores e verem reservas internacionais evaporar ao menor sinal de instabilidade. Desconfiança é o sentimento que ajuda a compreender o comportamento de consumidores, famílias, empresas, investidores e nações em reação aos traumas da História. Numa economia global ferida pelo tarifaço intempestivo e inconsequente imposto por Donald Trump, a falta de confiança pavimenta caminhos e baliza estratégias.

Ainda que o presidente americano, noutro rompante, recue de todas as sanções já anunciadas (ou temporariamente suspensas), a guinada terá deixado cicatrizes em seu próprio país. E no mundo. A variável desconfiança passou a integrar equações de análise de risco e planejamento de quem quer que se relacione com os Estados Unidos. Parceiros e desafetos sabem que Trump — e, por conseguinte, o país que preside — é capaz de rasgar acordos firmados, romper parcerias seculares. Não poderão desconsiderar o que é fato.

Sem Argentina e Paraguai – Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Mercosul racha ao meio e Lula amplia para América Latina e Caribe a reação a Trump

O Mercosul racha ao meio na pior hora, com o Brasil e o Uruguai de um lado, articulando uma reação ao tarifaço de Donald Trump, e a Argentina e o Paraguai de outro, alinhando-se ao imperador norte-americano, justamente quando Trump implode o multilateralismo e a Europa, Ásia e África intensificam sua integração e seus blocos por autoproteção e o acordo Mercosul-União Europeia ganha, ou ganharia, oportunidade e tração.

Se havia dúvidas sobre a divisão, elas acabam de ruir na cúpula da Celac, que reuniu países da América Latina e do Caribe em

Tegucigalpa, Honduras, nesta quarta-feira. A declaração final foi apoiada por 30 dos 33 países, sob a liderança, entre outros, do Brasil. Quem ficou de fora? Argentina e Paraguai, além da sangrenta Nicarágua. Com um detalhe: os três presidentes não foram nem enviaram seus chanceleres, foram representados pelo terceiro escalão.

O dedo de Trump no mapa da fome - Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Correndo por fora da batalha das tarifas, a grande pauta global dos alimentos precisa vir à tona

O centro das discussões mundiais são as tarifas de Trump. Não poderia ser diferente: envolvem a economia do planeta e a sorte de bilhões. No entanto, há uma decisão de Trump que foi pouco discutida, com efeito arrasador sobre os mais pobres do mundo. Trata-se do corte de 83% dos programas norte-americanos de ajuda humanitária e ao desenvolvimento. O balanço do estrago dessa decisão foi feito nas primeiras semanas após o anúncio, mas ainda assim ele pode surpreender pela sua carga negativa.

O jornal Le Monde cita a primeira avaliação de março, divulgada na revista Nature: a suspensão da ajuda arrisca privar 1 milhão de crianças de acesso ao tratamento vital contra a desnutrição e a provocar 160 mil mortes anuais. Essas análises se apoiam no fluxo de financiamento e na mortalidade constatada quando não se combate a desnutrição.

A reação negativa dos EUA ao novo Sputnik - Simon Schwartzman

O Estado de S. Paulo

Igual à antiga União Soviética e os EUA, a China desenvolve uma ciência estatal de grande porte na área militar, espacial e de infraestrutura

Em 1957, os Estados Unidos tomaram um susto quando souberam que a União Soviética havia lançado o primeiro satélite ao espaço, indicando que o sistema de ciência e tecnologia soviético poderia ter superado o americano. A superioridade americana que havia se consolidado depois da Segunda Guerra se apoiava em pelo menos três pilares. Primeiro, na big science, a capacidade de investir e coordenar conhecimentos, recursos humanos e materiais em grande escala, no projeto da bomba atômica e, mais amplamente, na tecnologia militar. Segundo, na política de apoio às ciências em todos os seus aspectos, estabelecida no documento que ficou conhecido como Science, the Endless Frontier, que incluía desde o apoio à pesquisa básica nas ciências naturais, sociais e humanidades, sem objetivos imediatos, com destaque à pesquisa universitária e instituições como a National Science Foundation, até a ciência aplicada na área da saúde e outras. E terceiro, no fortalecimento da cooperação entre universidades, governo e indústria, que consolidou os Estados Unidos como o país mais avançado na pesquisa, na produtividade econômica e na educação superior, atraindo talentos de todo o mundo.

Radicalização aumenta e pode paralisar as votações da Câmara – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O catalisador de um grande confronto é a cassação do deputado Glauber Braga (PSol-RJ), aprovada pelo Conselho de Ética. O parlamentar resolveu fazer greve de fome

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, está tendo crescentes dificuldades para manter sua agenda, inclusive a pauta prioritária que anunciou no decorrer desta semana: a Proposta de Emenda Constitucional da Segurança Pública. Segundo ele, há uma convergência entre as lideranças de partidos para dar urgência aos debates sobre o tema. Entretanto, as articulações para aprovação de uma anistia aos condenados pelo envolvimento na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 prosseguem, e o clima de radicalização na Casa pode esquentar ainda mais devido à aprovação do pedido de cassação do deputado Glauber Braga (PSol-RJ) pelo Conselho de Ética da Câmara.

O carvalho e a couve - José Sarney*

Correio Braziliense

Examinem os carvalhos que foram plantados, porque as couves têm um período muito curto de vida. Somos uma democracia de massa, a sétima economia do mundo, o que por si só afirma a grandeza do nosso país

Nós, brasileiros, temos o hábito de cultivar o pessimismo em relação ao nosso país. O nosso olhar é um pouco o de ver a árvore, e não a floresta, como no apólogo que Rui Barbosa invocou quando discutia uma lei de anistia: ele citou a diferença entre plantar couve e plantar carvalhos e concluiu: nós gostamos sempre de olhar a couve sem ver os carvalhos. 

Quero fazer uma reflexão sobre a satisfação e a alegria de ser brasileiro, alegria de termos construído uma sociedade de convivência sem problemas de fronteira, que o Barão do Rio Branco resolveu no princípio do século; de religião, pois temos no Brasil liberdade de consciência e, sobretudo, convivência entre crenças e convicções; de raça, pois aprendemos a não ter preconceitos raciais e a conviver com alegria. De tal sorte que dizia Gilberto Amado ser a expressão carinhosa que usamos em relação a uma mulher de qualquer cor "ó, minha neguinha" uma referência a uma mulher linda e inteligente, por quem temos admiração, afeto, carinho e amor. 

Milei e a temerária aposta de sair do Mercosul - Arlindo Chinaglia

Correio Braziliense

O Mercosul oferece escala, proteção e previsibilidade — elementos que, uma vez perdidos, não são facilmente substituídos. Seu fortalecimento é essencial para a prosperidade e estabilidade da região

O Mercosul acaba de completar 34 anos de existência, consolidando-se como um dos principais instrumentos de integração regional, com impactos positivos expressivos para Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Criado em 1991 pelo Tratado de Assunção, o bloco foi concebido para promover a integração econômica, física, cultural, política e comercial entre seus membros, além de fortalecer a democracia e contribuir para a estabilidade política na América do Sul.

Ao longo das últimas três décadas, tem proporcionado avanços concretos, como o funcionamento do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), com recursos investidos superiores a US$ 1 bilhão em projetos de infraestrutura energética, transporte rodoviário e ferroviário e obras de saneamento básico nas fronteiras; a possibilidade de viajar entre os estados-partes apenas com a cédula de identidade, sem necessidade de passaporte; e os Acordos de Residência e Seguridade Social, que facilitam a livre circulação de pessoas e garantem direitos sociais aos cidadãos do bloco, entre outros benefícios.

Trump, eleição nos EUA e o mundo - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Ainda vai levar tempo para tarifas afetarem inflação, mas economia já dá sinais de estresse

Pessoas que perderam seus parentes para a Covid votaram em indivíduos que não davam a mínima para a epidemia mortífera, como Jair Bolsonaro. Também votaram em Jair Bolsonaro tantas pessoas que padeceram na grande miséria de 2021, a maior em décadas, pois haviam perdido o auxílio emergencial, cortado ainda durante o desastre epidêmico. Temos visto muito surto de servidão voluntária, por assim dizer, piorado pelas redes insociáveis.

Assim, é temerário dizer que americanos vão se revoltar quando sentirem os efeitos da guerra comercial de Donald Trump. Quem sabe se invente um meme de dourar pílula ou um veneno algorítmico ou uma alquimia virtual capaz de transformar sofrimento em ouro. No caso do governo de Joe Biden, a possibilidade de vitória do Partido Democrata foi para o vinagre muito também porque os salários perderam a corrida da inflação por quase três anos. Desta vez vai ser diferente?

Câmara erra dosimetria dos próprios pares - Raphael Di Cunto

Folha de S. Paulo

Deputados salvam acusados de corrupção e assassinos enquanto perseguem quem não entra no jogo

Congresso que se arvora em criticar a dosimetria do STF sobre golpistas é o mesmo que não sabe diferenciar as condutas de seus próprios pares.

O quão indecoroso é um congressista chutar alguém no meio de uma discussão? Com certeza é grave, mas certamente não mais deplorável do que ordenar assassinato, formar quadrilha para desviar dinheiro público, espancar a esposa ou perseguir alguém com um revólver na rua.

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) agrediu, dentro da Câmara, um militante de direita que o ofendia. Errou e deve ser punido, com censura pública ou até suspensão. A cassação, porém, é abusiva e avança apenas por ele não abaixar a cabeça para os poderosos do Congresso.

Virilidade tarifária de Trump não dura muito - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Presidente americano volta atrás em tarifas recíprocas, mas isso não apaga dano causado aos EUA

Não durou muito tempo a virilidade tarifária de Donald Trump. Assim que ele percebeu que seus desatinos político-econômicos estavam afetando negativamente até os "treasuries", os títulos do Tesouro americano, até aqui vistos como uma das aplicações financeiras mais seguras do mundo, recuou.

As "tarifas recíprocas" anunciadas com pompa no Dia da Libertação, das quais Trump jamais recuaria, foram reduzidas à alíquota de 10% pelos próximos 90 dias, exceto para a China que peitara o Agente Laranja. Vou agora elogiar Trump. Ainda bem que ele é covarde. Se insistisse em suas desmedidas, a situação econômica do planeta, que já não é muito promissora, ficaria ainda pior. Mas o surto de sensatez não apaga o principal dano já causado aos EUA, que é a perda de credibilidade.

Recuo de Trump é alívio, mas crise segue azeda - Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Sob pressão externa e interna, presidente dos EUA foi forçado a mudar de rumo, mas polarização com chineses persiste

O recuo no tarifaço de Donald Trump anunciado na quarta-feira deixou claro que o presidente norte-americano acabou se vendo sob forte pressão numa posição de crescente isolamento tanto no cenário externo quanto interno. A combinação desses dois aspectos levou a uma alteração inesperada de rumos e abalou a imagem de valentão do populista americano.

O acirramento da guerra tarifária a partir do momento em que a China decidiu peitar a escalada das barreiras, apresentando-se como polo desafiador da guerra comercial, azedou de vez o clima já de forte volatilidade dos mercados. Wall Street despencou e se aproximou do que os americanos chamam de "mercado urso", quando se registra uma queda de pelo menos 20% em relação ao pico anterior.

Poesia | Não me peçam razões, de José Saramago

 

Música | Xande canta Caetano - Qualquer coisa com Hamilton de Holanda

 

quinta-feira, 10 de abril de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Caos promovido por Trump atrai recessão e inflação

Folha de S. Paulo

Guerra comercial entre EUA e China se acirra; há risco de alta de preços aos consumidores e paralisação de investimentos

A maior tentativa de mudança na ordem comercial e geopolítica após a Segunda Guerra Mundial ainda está longe de um desfecho, mas já causa impactos tectônicos no mercado financeiro, produzindo riscos de aumento da inflação e de recessão global.

Há uma semana, o presidente dos Estados UnidosDonald Trump, anunciou uma tarifa mínima de 10% sobre todas as importações e instituiu cobranças adicionais, que chamou de recíprocas, a uma série de países.

A força da língua - Merval Pereira

O Globo

A língua portuguesa é oficial em 33 organizações internacionais — e precisa ser acolhida pela ONU

Depois de inexplicavelmente perderem tempo, os governos de Portugal e Brasil decidiram unir esforços na busca de reconhecimento, pela Organização das Nações Unidas (ONU), do português como língua oficial, assim como já são o mandarim, o espanhol, o inglês, o francês, o árabe e o russo. As navegações e descobertas portuguesas do século XV fizeram do português o primeiro idioma globalizado, mas o poder da língua portuguesa, falada por 280 milhões de pessoas no mundo, como ativo político continua mal explorado.

A escolha do Rio, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), como Capital Mundial do Livro neste ano é um largo passo nessa direção. É a primeira cidade de língua portuguesa homenageada. Para ressaltar a internacionalização da lusofonia, as comemorações começaram com uma solenidade na Academia das Ciências de Lisboa, em conjunto com a Academia Brasileira de Letras, com a presença de representantes dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), do embaixador do Brasil na CPLP, Juliano Féres, e do secretário municipal de Cultura do Rio, Lucas Padilha.

A fraternidade de Lula - Malu Gaspar

O Globo

Nos quatro dias que passou entre o Japão e o Vietnã, no final de março, o presidente assinou dez acordos bilaterais e 80 instrumentos de cooperação, celebrou a venda de 15 aviões da Embraer para uma companhia japonesa e fez lobby pelo fim de restrições ao etanol e à carne brasileira nos mercados asiáticos. Como em toda viagem internacional, porém, os resultados parecem um tanto vagos e incertos. Os efeitos mais concretos da excursão que levou 84 pessoas para o outro lado do mundo, incluindo oito parlamentares, apareceram mesmo no front doméstico.

Depois do tour, o senador Jaques Wagner (PT-BA) contou que Lula se apaixonou por Davi Alcolumbre, e auxiliares disseram que ele e o presidente da Câmara, Hugo Motta, estavam muito entrosados. Na entrevista que deu ainda no Japão, Lula fez questão de afirmar que foi uma viagem “de muita fraternidade”, e que ela inauguraria “o melhor momento da relação do Congresso com o Executivo”.

Trump recua e finge escalar - Míriam Leitão

O Globo

Donald Trump recuou por pressão do mercado, depois de ter escalado a guerra

A reviravolta de ontem mostra que a maior economia do mundo está desgovernada. O presidente Donald Trump tenta sair do buraco em que entrou, ao disparar rajadas tarifárias contra o mundo inteiro, e procura se concentrar em um “inimigo”, no caso, a China. O problema é que a China e os Estados Unidos somados representam mais de 40% do PIB mundial, o suficiente para produzir um estrago de dimensões sísmicas. Um país que amanhece estabelecendo tarifas e, de tarde, suspende por 90 dias, está perdido no tiroteio que ele mesmo iniciou. O mercado comemorou com altas vibrantes nos pregões, mas a incerteza permanece mesmo com essa capitulação de Trump às pressões do mercado e dos seus bilionários de estimação.

Para se ter uma ideia da tragédia que pode acontecer, se tudo isso for mantido: a economia americana era 6% do PIB global em 1930, quando, por força da emenda Smoot-Hawley, o país elevou as tarifas. O efeito foi aprofundar e estender a Grande Depressão. Além de o PIB americano ser hoje extremamente maior do que naquela época, o comércio global se intensificou nas últimas décadas depois de todo o projeto de integrar as cadeias produtivas, produzindo onde é mais barato e mais lógico produzir.

Trump revira o túmulo de Mao - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Recuo de Trump desnorteia o mundo e não permite que os EUA recuperem a confiança

Mao: “As pessoas estão comendo o suficiente?” “Estão comendo tanto que agora fazem dieta”

Mao: “Ainda são capitalistas?”

“Agora estão fazendo negócios com o resto do mundo”

Mao: “Produzimos mais aço que a Inglaterra?”

“Tangshan sozinha produz mais que a América”

Mao: “Superamos o imperalismo social (ex-União Soviética)?

“Eles mesmos se dissolveram”

Mao: “Acabamos com o imperialismo?”

“Somos imperialistas agora”

Mao: “E a minha revolução cultural?”

“Está na América agora”.

O diálogo, reproduzido em redes sociais chinesas anos atrás sobre as perguntas que Mao Tsé-Tung faria hoje se ressuscitasse, voltou a circular em alusão às mudanças que Donald Trump impõe aos EUA.

A da tarde desta quarta-feira, quando recuou do tarifaço global com uma taxa linear de 10% e esticou a corda ainda mais com a China, foi apenas a última. A mensagem que se seguiu, em que fez propaganda das ações de sua própria empresa de comunicação, foi a cereja de uma distopia capaz de sacolejar Mao no seu túmulo.

A próxima etapa do plano de Trump - Assis Moreira

Valor Econômico

Presidente dos EUA age como um comerciante que vende direitos de acesso, comenta professor da escola de negócios suíça IMD

O choque imposto por Donald Trump na semana passada elevou a tarifa de importação média dos EUA de 2,5% para 22,5%, a maior em mais de cem anos. “Isso é uma revolução econômica, e vamos ganhar”, tuitou ele.

Para o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o tarifaço é apenas o começo da reordenação da ordem econômica que Trump quer estabelecer. Em mais de uma ocasião, Bessent repetiu que “o sistema de comércio internacional consiste numa rede de relacionamentos militares, econômicos e políticos. Não se pode considerar um único aspecto isoladamente. É assim que o presidente Trump vê o mundo, com interconexões que podem ser reordenadas para promover o interesse do povo americano”.

E agora, José? - Jorge Arbache

Valor Econômico

Caberá ao governo e às elites entenderem o momento histórico e as oportunidades que têm diante de si e agir com foco, ousadia, ambição e determinação

“A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José?”

Este trecho de poesia do genial Carlos Drummond de Andrade expressa angústia, vazio existencial e sensação de não haver saída. Este talvez seja o sentimento daqueles que apostaram tudo na globalização e com ela cresceram, expandiram e até se tornaram protagonistas, mas que agora olham para o futuro com preocupação. Exemplos de frustração com o fim da globalização não faltam - pense na República de Cingapura e na empresa Apple, aos quais retornaremos à frente.

De fato, o “Liberation Day” enterrou de vez a globalização. O sistema de comércio e investimentos baseados em regras e instituições multilaterais está dando lugar a sistemas arbitrários, intervencionistas, protecionistas, discriminatórios e que ferem princípios de jurisdição internacional. O rechaço da Organização Mundial de Comércio (OMC) é apenas a imagem mais visível desse tormento.

A jogada de Trump - William Waack

O Estado de S. Paulo

Donald Trump colocou seu país, e o mundo, diante de um dilema conhecido por jogadores de xadrez. É quando o oponente executa uma jogada que parece ser muito burra, prejudicial a si mesmo, a ponto de suscitar incredulidade.

Mas será que a jogada é mesmo burra, um erro grotesco? Será que não existe um plano ardiloso por detrás de uma mexida nas peças aparentemente tão estúpida?

Como se sabe agora, no caso do tarifaço do “dia da libertação” de Trump, trata-se apenas de burrice mesmo. Economistas e especialistas ainda passarão um bom tempo debatendo aspectos de política comercial internacional, seus desequilíbrios e como o sistema poderia ser reformado.

Tarifaço do Dia do Delírio - José Serra

O Estado de S. Paulo

Cabe avaliar o mal que podem fazer para a humanidade aqueles que vivem das bravatas, os que têm o poder nas mãos e não fazem ideia do que isso significa

Donald Trump ameaçou e cumpriu, mesmo contra todos os analistas que não acreditavam que a irracionalidade tivesse se instalado na Casa Branca. As tarifas do “Dia da Libertação” perpetraram o maior choque comercial da História. Segundo o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, “embora a incerteza continue elevada, está cada vez mais claro que os aumentos tarifários serão significativamente maiores do que o previsto”.

Trata-se da maior tarifa média americana desde os anos 30. Perante os 3% atuais, as estimativas sobre a tarifa média, no pós-tarifaço, vão de 16,5% a 22%, segundo analistas e instituições financeiras. A única certeza é de que seu efeito será grande, o que já produz uma enorme fila de países à procura das autoridades comerciais americanas para negociar os termos do prejuízo.

A falta de critério técnico para a fixação das novas tarifas já virou chacota internacional e deve ser motivo de vergonha para as instituições americanas. Mas não cabe, aqui, enfileirar as cretinices da baunilha de Madagáscar ou da ilha de pinguins tributados. Cabe avaliar o mal que podem fazer para a humanidade aqueles que vivem das bravatas, os que têm o poder nas mãos e não fazem ideia do que isso significa.

A agenda inescapável - Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

Em 2027 País precisará de um programa de ajuste fiscal baseado na contenção do aumento da despesa, no corte das renúncias tributárias e na redução do grau de rigidez orçamentária

O compromisso do atual governo com a responsabilidade fiscal segue duas premissas: recuperação de receitas e cumprimento do chamado novo arcabouço fiscal. Essa estratégia, entretanto, é insuficiente para restabelecer as condições de sustentabilidade.

Para 2027, vença as eleições quem vencer, será preciso promover um programa de ajuste fiscal baseado na contenção do crescimento da despesa, no corte das renúncias tributárias e na redução do grau de rigidez orçamentária. Isto é, será necessário reverter as regras de indexação e de vinculação.

O resultado primário necessário para estabilizar a dívida pública como proporção do PIB, de acordo com nossas estimativas na Warren Investimentos, é de 2% do PIB. Isso se considerarmos a taxa real de juros neutra, de 5%, e um crescimento econômico real ao redor de 2,5%, para uma dívida de cerca de 80% do PIB.

Tarifaço entre EUA e China inicia a guerra comercial do século – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Kissinger previu que a China e os Estados Unidos — uma potência continental e uma potência marítima — travariam uma longa disputa pelo controle do comércio mundial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escalou ainda mais a disputa comercial com a China e recuou em relação aos demais países, numa manobra com objetivo de isolar o presidente chinês, Xi Jinping, e forçar o gigante asiático a aceitar as exigências protecionistas norte-americanas.

A China resolveu adotar uma política de reciprocidade e taxou em 84% os produtos norte-americanos; em resposta, Trump resolveu pausar seu tarifaço por 90 dias, cobrando apenas 10% de impostos sobre os produtos de todos os países, menos da China, que aumentou para 125%, devido às retaliações anunciadas por Pequim.

Os EUA haviam imposto uma taxa de 104% aos produtos chineses, que entraria em vigor nesta quarta. Em resposta, o Ministério das Finanças da China anunciou que subiria tarifas para 84% sobre os produtos americanos. "Com base na falta de respeito que a China demonstrou aos mercados mundiais, estou, por meio deste, aumentando a tarifa cobrada da China pelos Estados Unidos da América para 125%, com efeito imediato", escreveu Trump na Truth Social, sua própria rede.

É o fim da era do dólar? - Benito Salomão*

Correio Braziliense

A nova política tarifária do governo dos Estados Unidos tem causado grande pânico sobre os mercados no mundo todo e produzido uma enorme volatilidade em preços financeiros 

Na última semana, a conjuntura de curto prazo piorou nitidamente. A nova política tarifária do governo dos Estados Unidos tem causado grande pânico sobre os mercados no mundo todo e produzido uma enorme volatilidade em preços financeiros. Desde o fim do regime de Bretton Woods, em que foi sepultado o padrão dólar-ouro e estabelecido o regime de câmbio flutuante, a moeda americana galgou o posto de padrão monetário internacional, o que gerou assimetrias nas relações monetárias entre países.

A teoria monetária de Keynes (1936), pautada na hipótese da preferência pela liquidez, trata a moeda como um ativo demandado por agentes econômicos pelas razões: i) transacional, a moeda é demandada para liquidar transações econômicas quaisquer; ii) precaucional, isto é, num contexto de incertezas, a moeda deve ser demanda para além das necessidades transacionais, a fim amortecer os impactos de choques adversos e; iii) especulativa, que trata a moeda como um ativo que concorre com outros ativos líquidos e ilíquidos como parte dos portfólios de agentes. Neste mundo, a moeda deve ter funções adicionais para além de um mero meio de troca, deve ser também uma unidade de conta e uma reserva de valor.

Cristovam na Academia - José Roberto Arruda*

Correio Braziliense

Nessa trajetória, o ponto mais alto da sua contribuição foi a criação do Bolsa Escola. Essa experiência, incipiente em Campinas e em Belo Horizonte, ganhou, com a ousadia de Cristovam, em Brasília, a visibilidade nacional

O professor Cristovam Buarque semeia educação. Candidato à Academia Brasileira de Letras, Cristovam fez de sua vida uma missão: salvar o Brasil pela educação. Todos sabemos que o ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), governador de Brasília, senador da República e ministro da Educação tem uma obra literária vasta e profunda. Publicou algumas dezenas de livros e trabalhos, todos com um pensamento crítico sobre a formação da sociedade brasileira. A grande maioria voltada para a sua obsessão: a educação. Na vida pública, acrescentou muito ao pensamento político do Brasil.

Nessa trajetória, o ponto mais alto da sua contribuição foi a criação do Bolsa Escola. Essa experiência, incipiente em Campinas e em Belo Horizonte, ganhou, com a ousadia de Cristovam, em Brasília, a visibilidade nacional. E seu projeto foi o berço dos programas que se sucederam de renda mínima, inclusive do próprio Bolsa Família.

Dinheiro grosso chia, Trump pisca - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Prestígio do presidente dos EUA está no vermelho; bajulação dos Bolsonaro continua

A China acredita que pode aguentar o ataque comercial de Donald Trump por mais tempo do que os americanos. Pelo menos até que Trump e Partido Republicano percam as eleições de meio de mandato de 2026, pelos danos econômicos que teriam causado.

O povo dos EUA já não aguenta muito. O prestígio de Trump está no vermelho desde meados de março, segundo a média das pesquisas do Boletim de Nate Silver. Começou com 51,6% de aprovação e 40% de desaprovação, em 21 de janeiro; em 9 de abril, 46,1% a 50,4%.

No Brasil, Trump tem 22% de imagem positiva e 43% de negativa, segundo pesquisa Quaest de fins de março, antes do tarifaço. Entre os brasileiros que votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, 44% de imagem positiva e 20% de negativa.

Lula acerta, com ressalvas, em segurança - Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Em outros governos do PT, tema foi silenciado, piorado ou militarizado

Muito se diz sobre a inabilidade da esquerda em segurança pública. As políticas linha-dura da direita tampouco são eficazes. Afrouxar o controle sobre a polícia como quer a direita beneficia policiais corruptos, minoria das forças de segurança; priorizar policiamento ostensivo em vez de inteligência deixa casos sem solução e o crime organizado intacto, enquanto crianças morrem em operações para o asfalto ver.

Se a esquerda é pouco propositiva em segurança (fato), a direita é simplista. Com acertos e erros, Lula faz bem ao se engajar no tema, ao contrário de outros governos petistas, quando foi perigosamente silenciado (Dilma), tragicamente piorado (Rui Costa na Bahia) ou militarizado (Lula 1).

Volta da ultradireita é tragédia contratada - Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Trump do segundo mandato é muito mais radical do que o do primeiro

Notável pensador alemão do século 19 fraseou que, na história, a tragédia só se repetia como farsa. No caso dos governos populistas de extrema direita dá-se o oposto: seu primeiro mandato é farsa; o segundo, tragédia.

Donald Trump é prova acabada disso. Desde que voltou à Casa Branca tem produzido destruição inigualável. Na mesma semana em que a imposição de tarifas arbitrárias a uma lista enorme de países virou de ponta-cabeça o sistema de comércio mundial, agentes do Doge (sigla em inglês para Departamento de Eficiência Governamental), comandado por Elon Musk, invadiram o Woodrow Wilson Center.

Seu diretor foi forçado a renunciar e no seu lugar foi instalada uma jovem líder da torcida organizada de Trump; chefias e altos executivos foram demitidos; seus funcionários federais colocados em disponibilidade; o reputado programa internacional de pesquisadores visitantes, desativado.

Trump recua diante de retaliação da China - Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Presidente dos EUA vê potência asiática se apresentar como polo da guerra tarifária e tenta angariar apoio para enfrentá-la

Em sua insana guerra tarifáriaDonald Trump conseguiu a façanha de colocar o mundo contra os EUA. A cada dia colheu mais tempestade. Convicto de que o poderio econômico e militar de seu país permitiria usar a intimidação comercial como uma espécie de arsenal nuclear tático, o presidente americano bombardeou o pacto liberal e multilateral do Ocidente, perdeu suas alianças tradicionais na Europa e na Ásia e vê-se agora diante de uma escalada contra a China que, ao que tudo indica, não estava em seus planos iniciais.

Trump destruiu o mundo do pós-Guerra e não colocou nada no lugar. Os sinais são de que o lunático populista e seu estafe delirante sabiam que o tarifaço poderia ser uma arma utilizada em favor dos EUA, mas não exatamente quais seriam seus efeitos reais e não exatamente como lidariam com situações inesperadas.