Correio Braziliense
O liberalismo é uma doutrina que não tem resposta para tudo, como pretende o marxismo, admite a crítica e a divergência, porque a liberdade é o valor supremo que deve se manifestar em todos setores, econômico, político, social, cultural e até no esporte
Parte importante da grande imprensa lamenta, de forma ostensiva ou discreta, a decisão do governador de São Paulo, Tarcísio Freitas de se candidatar à reeleição. Essa escolha não foi decidida de última hora, nem a ela o personagem chegou de maneira afoita. Ao contrário, desde o final do ano passado ele havia manifestado a pessoas de sua confiança que não gostaria de bater de frente com o presidente Lula. E também não queria ser um candidato tutelado pela família Bolsonaro, que abriga dissidências, problemas, questões internas pesadas, ódios e rancores. Enfim, um grupo tóxico. Melhor ficar distante, sem romper seus laços. Afinal de contas, Tarcísio tornou-se governador de São Paulo por indicação de Jair Bolsonaro. Ninguém deve atirar pedras no passado.
Esse era um caminho decidido. Supostamente
mais fácil, menos tumultuado, que resguarda o governador para sua verdadeira
opção: ser candidato à Presidência da República nas eleições de 2030. Quatro
anos fazem uma eternidade no Brasil. O país sofreu muito nas últimas décadas
como consequência do radicalismo, que impediu petistas de tomarem as decisões
certas e inibiu conservadores de enxergarem a realidade. O mais claro e
gritante exemplo é a tragédia da empresa estatal de correios no Brasil.
Conseguiu a proeza de realizar deficit de R$ 12 bilhões, significa que, além de
gestão ruinosa e irresponsável, a empresa foi conduzida por políticos com
interesses paroquiais. O resultado é calamitoso.
A questão política no Brasil se reduziu às
narrativas, que, de tanto serem repetidas, tendem a prevalecer como verdade. A
gestão de tendência esquerdista, como se pretende à do PT, privilegia a ação
social. O custo é imenso. Mais da metade da população brasileira está
registrada nos computadores do Ministério do Desenvolvimento Social, que
controla as diversas bolsas distribuídas pelo governo. O governo também
controla o IBGE, o que facilita a divulgação de números favoráveis à atual
gestão. O apoio à metade dos brasileiros custa caro, muito caro. Os impostos
asfixiam a economia, obrigam o Banco Central a colocar os juros na estratosfera
e inibem o crescimento econômico. Quando reconheceu o governo de Pequim, em
1975, o Brasil tinha produto interno bruto várias vezes superior ao da China.
Hoje é o contrário. O Brasil parou nas últimas décadas.
Liberalismo e conservadorismo são essências
diferentes, embora possam haver coincidências e valores comuns. O liberalismo é
uma doutrina que não tem resposta para tudo, como pretende o marxismo, admite a
crítica e a divergência, porque a liberdade é o valor supremo que deve se
manifestar em todos setores, econômico, político, social, cultural e até no
esporte. Todos os regimes que estimularam a liberdade econômica, sem a
contrapartida política, fracassaram, como ocorreu com as ditaduras militares
que infestaram o sul da América.
O Estado pequeno é mais eficiente do que o
grande. Quanto mais cresce o Estado, mais atribuições assume na vida do
cidadão. Ou seja, quanto maior o Estado, menor é a liberdade do indivíduo. A
descentralização é princípio liberal para que haja mais controle da sociedade
sobre as diversas instituições políticas e sociais. O liberalismo foi o sistema
mais caluniado ao longo da história, seja pelos socialistas, comunistas e até
pelas encíclicas papais. A verdade histórica desmente essa difamação. A
doutrina liberal representa a forma mais avançada de cultura que faz progredir,
nas sociedades livres, os direitos humanos, a liberdade de expressão, os
direitos das minorias e a defesa do meio ambiente.
O contrário de tudo isso é o chamado, pelos
especialistas e estudiosos, de espírito tribal, a saudade do homem daquele
mundo tradicional — a tribo —, em que o indivíduo era parte inseparável da
coletividade, subordinado ao feiticeiro ou ao cacique todo-poderoso. Ele é
tratado como um animal na manada, ou no rebanho, adormecido pelos que falam o
mesmo idioma, adoram os mesmos deuses e odeiam o outro, o diferente. Esse
fenômeno, a saudade da tribo, produziu aquele espetáculo estranho, surreal e
lamentável de um bando de brasileiros se reunir para fazer orações diante de
enorme pneu de trator, na frente do Comando do Exército, em Brasília. Sintoma
de uma sociedade doente.
Tudo isso estará em jogo na eleição deste
ano. O Brasil precisa se reencontrar com o caminho do desenvolvimento, do
crescimento econômico e integrar o trabalho das sociedades avançadas na
pesquisa de novas tecnologias e da área espacial. O país não consegue defender,
de maneira eficaz, suas fronteiras, nem seu litoral. Não sabe produzir, nem
lançar satélites, depende de tecnologia estrangeira para suas comunicações mais
sigilosas. É um gigante completamente adormecido para as exigências do século
21.

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