domingo, 30 de agosto de 2026

Opinião do dia | Hannah Arendt - A mentira (Visão geral criada por IA)

Para Hannah Arendt, a mentira é uma ferramenta poderosa, especialmente na política, que pode ser usada para manipular e controlar, mas também para criar e transformar a realidade. Ela distingue entre mentiras tradicionais e mentiras organizadas ou modernas, destacando que a mentira moderna visa a destruição da verdade, enquanto a mentira tradicional busca a ocultação. Arendt também enfatiza o perigo do autoengano, onde o mentiroso se torna vítima das próprias mentiras. 

Elaboração:

  • Mentira como Ferramenta Política:

Arendt defende que a verdade e a política raramente se encontram, e a mentira tem sido utilizada como um meio de manipulação e controle. Ela considera que o mentiroso é um homem de ação, capaz de imaginar e transformar a realidade, enquanto o que fala a verdade, muitas vezes, não é. 

  • Mentira Tradicional vs. Mentira Organizada/Moderna:

Arendt diferencia a mentira tradicional, que visa ocultar a verdade, da mentira organizada ou moderna, que busca a destruição da verdade. Essa distinção é importante para entender a natureza da mentira no contexto político e totalitário. 

  • Autoengano:

Arendt destaca o perigo do autoengano, onde o mentiroso se torna vítima de suas próprias mentiras. Ela argumenta que a mentira pode corroer a própria capacidade de distinguir a verdade da falsidade. 

  • Mentira no Totalitarismo:

Arendt analisa como a mentira é utilizada como um instrumento central na propaganda e na doutrinação em regimes totalitários. Ela enfatiza como a mentira organizada é utilizada para moldar a opinião pública e criar um mundo fictício. 

  • Importância da Verdade Factual:

Arendt enfatiza a importância da verdade factual, que depende do testemunho e da observação do mundo, para resistir à mentira. Ela distingue a verdade factual da verdade racional, que é baseada em princípios e conceitos. 

  • Mentira e a Educação:

Arendt reconhece a importância da educação na transmissão do conhecimento e da memória, como um meio de resistir à mentira e à propaganda. Ela argumenta que a educação pode ajudar a proteger o mundo comum e a preservar a verdade. 

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula ainda não entendeu o trabalho da imprensa

Por O Globo

Ao jornalismo profissional cabe relatar e esclarecer os fatos; não adivinhá-los

Há anos, quando confrontado com escândalos de corrupção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje novamente candidato à reeleição, cita a Operação Lava-Jato e diz que a imprensa brasileira nunca pediu desculpas a ele. Foi assim na entrevista ao Jornal Nacional na última quinta-feira. É certo que a jornalista Renata Vasconcellos, falando em nome do Grupo Globo, muito apropriadamente rebateu: “O jornalismo da Globo cumpriu sua obrigação de noticiar os fatos durante aquela cobertura”. Vale, porém, aprofundar a questão.

A Lava-Jato foi uma investigação feita por policiais federais e pelo Ministério Público, que resultou em um processo julgado por três instâncias da Justiça. Envolveu cifras bilionárias e confissões da maior parte dos agentes corruptores e daqueles que foram corrompidos. Levou à prisão empresários e pessoas que detiveram cargos públicos, inclusive o próprio presidente Lula, que sempre clamou por sua inocência.

As lições do piano de Thelonious Monk e as entrevistas dos candidatos, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

As sabatinas não definirão o resultado da eleição, apesar da enorme repercussão. Foram apenas os primeiros compassos de uma campanha sujeita a denúncias, erros, improvisações e mudanças de andamento

A frase “não existem notas erradas; algumas são apenas mais certas do que outras — tudo depende da que vem depois”, também atribuída ao trompetista Miles Davis, traduz com precisão a estética de Thelonious Monk, um dos grandes gênios do jazz e autor de Round Midnight, Straight, No Chaser, Epistrophy, Blue Monk e Misterioso, entre outros clássicos do gênero.

Em termos musicais, significa que uma nota não pode ser julgada isoladamente. Uma dissonância aparentemente equivocada pode adquirir sentido conforme a frase prossegue. A nota seguinte pode resolvê-la, reafirmá-la ou transformar o choque inicial numa tensão deliberada. No jazz, sobretudo na improvisação, o valor de cada som depende de sua relação com o acorde, o ritmo, o silêncio e as notas que vêm antes e depois.

Democracia em questão, por Míriam Leitão

O Globo

A questão democrática segue em jogo nesta eleição, com candidatos minimizando o 8 de janeiro e defendendo governos autoritários

Dos cinco entrevistados no Jornal Nacional, até sexta, a apenas um não foi preciso fazer perguntas sobre democracia. Dois subestimaram o ataque aos Três Poderes de 8 de janeiro, um apresentou uma proposta de extremismo autoritário e o quarto é filho de ex-presidente que tentou o golpe.

Romeu Zema disse que houve apenas “vandalismo”. Ronaldo Caiado prometeu anistia, e não condenou em momento algum os graves atos de conspiração de Jair BolsonaroRenan Santos quer um “banho de sangue”, regime de exceção em favelas e descumprimento de ordem judicial. Flávio Bolsonaro nega todos os fatos, prometeu indulto, e ameaçou enquadrar o Supremo Tribunal Federal. O presidente Lula ficou como o defensor solitário do regime que o Brasil conquistou com tantas lutas e dores.

Desesperança, por Merval Pereira

O Globo

Teremos a primeira eleição desde a redemocratização que não traz nenhum traço de esperança ao eleitor.

O desânimo com a eleição presidencial deve-se a que ela é a primeira desde a redemocratização que não traz nenhum traço de esperança ao eleitor. A primeira eleição direta depois da redemocratização, em 1989, trouxe a novidade do “caçador de Marajás”, o então governador de Alagoas Fernando Collor, contra os ícones da esquerda brasileira, Leonel Brizola de volta do exílio, e o líder operário Lula, que enfrentara a ditadura militar com as greves operárias de São Bernardo. Tudo era novidade, e os eleitores motivaram-se, cheios de esperanças.

Deu tudo errado, com Collor cassado por corrupção. Não foi preso na ocasião, mas está em prisão domiciliar atualmente, após reincidir no erro, eleito senador depois de passar anos inelegível. A eleição de 1994 teve a grande novidade até hoje no país, o Plano Real, que levou o ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso ao Palácio do Planalto no primeiro turno. Acabar com a hiperinflação foi o passo mais importante já dado no país, deixando de legado um tripé macroeconômico que resiste até hoje como modelo de boa governança: câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário.

Flávio Bolsonaro mente e distorce com mais convicção que o pai, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Senador afrontou os fatos ao falar de golpe, escândalo do Master e relação com miliciano

Flávio Bolsonaro deu uma nova contribuição à teoria de Darwin. Mostrou-se mais assertivo que o pai ao mentir, distorcer e renegar o que já disse. É a evolução da espécie.

Em entrevista à TV Globo, o candidato do PL fingiu desconhecer os fatos que levaram o capitão à cadeia. Descreveu como “golpe da Disney” a conspiração que destruiu as sedes dos Três Poderes e quase arrastou o país para uma nova ditadura.

O senador ainda chamou de petista o ex-comandante da Aeronáutica que, depois de votar em Jair Bolsonaro, recusou-se a manchar a farda para impedir a alternância de poder.

Questionado sobre o pedido de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, Flávio descreveu o cambalacho como “relação privada”. “Não tem absolutamente nada de irregular”, recitou. O senador simulou esquecer que exerce cargo público e foi flagrado tomando dinheiro de um especialista em corromper autoridades.

Carlos Lacerda e sua máquina do ódio, por Elio Gaspari

O Globo

Resultado de anos de pesquisas, livro responde perguntas que sobreviveram por muitos anos em torno de uma figura que esteve no centro da política brasileira por décadas

Está nas livrarias “Lacerda — Coração de tempestade”, do repórter Mário Magalhães. É o primeiro volume e vai de 1914 a 1955, quando o golpe do general Henrique Lott levou-o a um breve exílio. Resultado de anos de pesquisas, responde perguntas que sobreviveram por muitos anos em torno de uma figura que esteve no centro da política brasileira por décadas.

Antes de se tornar um expoente da direita, Lacerda foi comunista? Foi. Pertenceu ao Partido Comunista? Não.

Quem feriu o pé de Lacerda no atentado que levou Getúlio Vargas ao suicídio em agosto de 1954? Um dos pistoleiros da guarda pessoal do presidente, financiada pelo caixa dois do Sistema S.

Seu nome — Carlos Frederico — é uma homenagem do pai a Karl Marx e Friedrich Engels? Não.

Seu primeiro amor foi a poeta Cecília Meireles. Ela tinha 28 anos e ele 17 incompletos.

Naqueles anos tumultuados, Lacerda foi da esquerda para a direita. Já Dom Hélder Câmara e Alceu Amoroso Lima foram da direita para a esquerda. Cecil Borer, o ferrabrás dos calabouços do Estado Novo, ficou onde estava, na meganha a serviço do Palácio. Ele prendeu Lacerda aos 19 anos, três dias antes da chegada de Adolf Hitler ao poder.

Sobreviver é prova de resistência em Gaza, por Dorrit Harazim

O Globo

Jerusalém ora representava pertencimento, ora anseio, cenas do cotidiano emanavam perda, identidade

Na semana passada morreu o pintor e escultor palestino Sliman Mansour. Vivera 79 anos. Até o fim, ano após ano, década após década, ele repetia um mesmo mantra:

— A solução de dois Estados independentes, um para a Palestina, outro para Israel, se dará um ano depois da minha morte.

A depender do Estado de Israel, essa fantasia precisa ser enterrada. Mansour fazia parte da geração de artistas gerados na primeira intifada dos anos 1970, que buscou uma linguagem visual para retratar o significado da memória — da memória do que é ser palestino. Um pé de oliveira adquiria a força-símbolo de terra e continuidade, Jerusalém ora representava pertencimento, ora anseio, cenas do cotidiano emanavam perda, identidade, resistência. Mansour foi quem mergulhou mais fundo nessa busca. Uma colheita na primavera, um vilarejo rural, duas palestinas tocando flauta — a resistência em sua obra é implícita.

Atores e ficção na estreia do horário eleitoral, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Flávio Bolsonaro fez o papel de homem de família e o presidente Lula, o de homem das massas

Na estreia da propaganda eleitoral de rádio e TV, Flávio Bolsonaro fez o papel de bom moço, homem de família, enquanto Lula encenou o líder das massas, do “povo”, e, assim, deixou um alerta para a campanha do opositor: Flávio precisa melhorar o conteúdo e a força da mensagem para convencer que é uma opção melhor do que Lula.

Talvez a principal frase de efeito tenha sido de Lula: “Flávio, o pior dos Bolsonaro”, um contraponto, justamente, à versão de que seria o filho primogênito de Jair Bolsonaro seria “o melhor”, “o moderado” ou o “bom moço” da família, como acabara de se apresentar.

Um acordo arriscado na Venezuela, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

Os Estados Unidos elaboraram um plano para tornar a Venezuela sua fornecedora estratégica de petróleo. A iniciativa cria, na prática, monopólio para empresas americanas sobre as maiores reservas de petróleo do mundo, e busca lhes proporcionar segurança política, regulatória, jurídica e financeira.

A Venezuela tem 303 bilhões de barris, mas produz só 1,25 milhão por dia, menos da metade do que antes de duas décadas e meia de destruição de valor e sucateamento sob o regime chavista. O risco de confiscos de pagamentos por credores e desapropriação de ativos por um futuro governo venezuelano tem afugentado as petroleiras americanas. É o que o governo Trump tenta endereçar.

Breve história das reviravoltas no mês final da eleição para presidente, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Votação de líderes e de candidatos no segundo lugar já mudou muito nas pesquisas

Apesar do histórico de mudanças, eleição presidencial de 2026 é parecida com a de 2022

A última fase da campanha começou, com TV e rádio. Falta pouco mais de mês para o primeiro turno. Não raro ocorre mudança relevante na votação de candidatos a presidente nessas semanas. Como em quase toda temporada final de caçada de votos, esta coluna recorda reviravoltas, nota que há a fazer na campanha e enfatiza que pesquisa eleitoral não é previsão de resultado, mas retrato de momento.

A eleição mais parecida com a deste ano é a de 2022. Desde o final de agosto de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva tinha ao menos 45% dos votos, com picos de 48%, segundo o DatafolhaJair Bolsonaro tinha 32% em agosto, 34% em 9 de setembro e aí ficou até o primeiro turno. Na urna, deu 46,3% para Lula (votos totais) e 41,3% para Bolsonaro.

Nas pesquisas de eventual segundo turno (antes, pois, do primeiro), Lula tinha 53% ou 54% dos votos totais (58% dos válidos). Bolsonaro, 38% ou 39%. Na urna, deu 50,9% dos válidos para Lula.

Flávio Bolsonaro renega ajuste fiscal; direita já pode defender a democracia, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Candidato do PL foi à Globo e disse que não vai fazer o que o mercado está pedindo

Além de contas equilibradas, Flávio não conseguiu defender democracia nem soberania

Ô direitista, não precisa pular a coluna. Hoje o tema te interessa.

Não vou falar dos 145 mil mortos por falta de vacina durante a pandemia. Não vou falar sobre a tentativa de golpe que quase deu certo e que, se tivesse dado certo, teria matado milhares de opositores de Bolsonaro usando as armas da República. Não vou falar do fato evidente de que os R$ 134 milhões negociados por Flávio com Vorcaro seriam recompensa pela licença que os bolsonaristas deram para Vorcaro se tornar banqueiro, bem como pelos bilhões que os governadores bolsonaristas deram de dinheiro de aposentados do Rio de Janeiro e do BRB para o Banco Master. Não vou falar da conspiração bolsonarista pelos tarifaços nem da tentativa de melar a eleição presidencial usando uma superpotência estrangeira.

Candidatos que ocultam verdades criam defuntos insepultos, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A opção pela mentira e a dissimulação expõe seus autores a se verem despidos da virtude fabricada

Lula e Flávio não respondem honestamente ao público nem afastam os fantasmas que os rodeiam

É direito de todo cidadão, eleitor ou não, cobrar franqueza e objetividade de governantes ou de qualquer um que postule o ofício da representação e, assim, pretenda ter poder de decisão sobre a vida da coletividade —em variados graus.

A escolha pela vida pública é livre; já seu exercício implica obrigações entre as quais está no topo da lista a permanente prestação de contas à sociedade dona dos votos e do dinheiro que sustenta a atividade.

A opção pela mentira, a meia-verdade e a dissimulação é caminho de risco; expõe seus autores ao constrangimento de se verem despidos da virtude fabricada.

A náusea no caminho das urnas, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

A chamada para o voto de manutenção da democracia debilita-se com a persistente sensação de desamparo

O problema atual é que as grandes transformações sociais acarretam mudanças em níveis diversos de consciência

É oportuna a expressão "baixo astral" para o desalento público com a desmoralização da classe política. "O povo vai meter 300 bandidos no Congresso", diz um presidenciável. "Um manicômio", diagnostica outro, psiquiatra. São sinais do ethos tóxico, agudo diante de eleições cujo parâmetro ético-político é a rejeição dos candidatos. A chamada para o voto de manutenção da democracia representativa debilita-se com a persistente sensação de desamparo social. A saturação dos modelos de governança neoliberal e a decomposição da representação parlamentar suscitam uma insólita náusea coletiva.

A maior de todas as pragas, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro mostra que desigualdade econômica preocupa filósofos desde Platão

Outros autores discutidos são Jesus, Hobbes, Rousseau, Adam Smith, Mill e Marx

Gostei de "The Greatest of All Plagues", de David Lay Williams, em que o autor procura mostrar que a preocupação com a desigualdade econômica se faz presente no cânone filosófico do Ocidente há mais tempo e de forma mais fundamental do que muitos poderiam supor.

Para tentar provar sua tese, Williams resgata passagens francamente igualitárias de um pool bem ecumênico de filósofos. São eles PlatãoJesus CristoThomas Hobbes, Jean-Jacques Rousseau, Adam Smith, John Stuart Mill e Karl Marx. Ok, Cristo entra um pouco de contrabando, já que não é propriamente um filósofo e não deixou obra escrita, mas não vejo maiores problemas nisso.

Poesia | Solidão, de Vinicius de Moraes

 

Música | Simone - O que será (Chico Buarque)