quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Medir eficácia deve ser condição para incentivo tributário

Por O Globo

Governo não pode abrir mão de 7% do PIB em impostos sem ter garantia de que não há desperdício de recursos

As isenções e os incentivos tributários somaram R$ 96 bilhões no primeiro trimestre. A previsão é o governo perder R$ 400 bilhões em arrecadação até dezembro, de acordo com dados da Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades de Natureza Tributária (Dirbi). Esse termômetro da Receita Federal leva em conta apenas os incentivos concedidos ao setor produtivo e mede os benefícios que as empresas dizem ter usufruído. O custo total é muito maior.

Perigos do “Triângulo das Bermudas” (SP, MG e RJ) desafiam campanhas de Lula e Flávio, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Os três estados concentram parcela decisiva do eleitorado e podem engolir qualquer vantagem construída no restante do país. O equilíbrio nacional está assentado em grandes assimetrias

“Um dia de cada vez”, máxima consagrada pelos Alcoólicos Anônimos, aplica-se sob medida às campanhas dos dois candidatos que polarizam a eleição presidencial: Luiz Inácio Lula da Silva, que pleiteia a reeleição, e Flávio Bolsonaro, herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro. A sucessão de fatos negativos produz oscilações nas pesquisas e obriga os marqueteiros das duas campanhas a ter menos ansiedade com o futuro e mais atenção aos problemas do presente, sobretudo àqueles aparentemente pequenos, mas capazes de assumir grandes proporções.

Candidatos no olimpo, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Candidatos fogem de confronto e encerram entrevistas ao ouvir questões incômodas

Flávio Bolsonaro estava à vontade. Escoltado por Paulo Skaf, desfilou pelos salões da Fiesp como novo escolhido do empresariado paulista. O senador esbanjou bom humor até se deparar com um grupo de repórteres. Mudou de semblante ao ouvir uma pergunta sobre o caso “Dark horse”, que revelou suas relações com Daniel Vorcaro.

“Gente, olha só... vocês vão parar no tempo?”, reagiu, sem disfarçar a irritação. “Não adianta, vocês não vão me colocar na mesma página desse cara. Hoje o governo Lula é que deve explicações. Vão cobrar explicações dele”, ordenou, antes que uma assessora encerrasse a entrevista.

Lula tenta mudar de assunto, por Vera Magalhães

O Globo

Os conselheiros da campanha petista sabem que o presidente não tem muito de onde buscar votos na segunda etapa da corrida

O vento virou, e o favoritismo que vinha sendo atribuído a Lula desde o escândalo “Dark Horse” e os entreveros na família Bolsonaro se esvaiu diante das revelações das andanças de Lulinha por gabinetes estrelados de Brasília. Levado de volta ao incômodo tema da corrupção às vésperas do início da campanha na TV, e sem ter mais como se esquivar de debates e sabatinas como fez até aqui, o petista busca desesperadamente mudar de assunto. O irônico é ter de contar com o Congresso, que já está em ritmo de letargia eleitoral, para ter alguma boa notícia para apresentar ao eleitor.

Lula ignora sinais de uma economia doente, por Elio Gaspari

O Globo

Grandes empresas estão na chuva

Num espaço de duas semanas, a grande rede varejista Casas Bahia e a gigante petroquímica Braskem anunciaram que entrarão em recuperação judicial ou extrajudicial. Querem repactuar suas dívidas com bancos e fornecedores. Uma deve R$ 17,3 bilhões, a outra renegociará um espeto em dólares equivalente a R$ 56,5 bilhões. A economia brasileira está doente.

Antes delas, foi a vez da varejista Marabraz. Noutro grupo, ficaram a Raízen, produtora de açúcar e distribuidora de combustíveis, mais o grupo Pão de Açúcar. Em outros tempos, ele teve 800 lojas e mostrava-se como modelo de expansão e vitalidade do empresariado brasileiro. Até em Angola se meteu.

Como o governo e o empresariado são maus pacientes, só admitem a doença quando precisam ir para o hospital. As Casas Bahia, como a Braskem, foram vítimas de encrencas com que conviveram, julgando-se onipotentes.

Eleição pode terminar no primeiro turno em 19 dos 27 Estados, por César Felício

Valor Econômico

Cenário de poucas disputas regionais pode impactar eventual segundo turno entre Lula e Flávio

É grande a chance de as eleições para governadores terminarem no primeiro turno na maioria dos Estados. Caso este cenário se concretize, é um potencial complicador tanto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno.

Em uma vista panorâmica das últimas pesquisas e do mapa de alianças Estado por Estado, há 14 casos em que o desfecho no primeiro turno é altamente provável. Em seis deles, porque existe um franco favorito.

Incertezas geradas no campo da Justiça Eleitoral, por Fernando Exman

Valor Econômico

Há críticas ao ritmo da análise das regras para o uso de inteligência artificial

Fundamental na construção e consolidação da democracia, a Justiça Eleitoral pode ser levada a realizar uma autocrítica para viabilizar aprimoramentos em normas e prazos que hoje geram incertezas entre eleitores, partidos e candidatos. O Supremo Tribunal Federal (STF) precisará ser sensibilizado. O Congresso pode ser chamado a aprimorar a legislação.

O que não deveria ocorrer, no entanto, é a repetição de alguns episódios que colocam o sistema como um fator de instabilidades.

Polêmica, Ferrogrão é prioridade para candidatos, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Conflito entre a preservação ambiental e a expansão da fronteira agrícola remete ao debate sobre qual país o Brasil quer ser nos próximos anos

Quatro dos cinco principais candidatos à Presidência da República citam explicitamente a Ferrogrão como prioridade em seus programas de governo. Concebida por tradings do agronegócio, é uma linha de 933 km que ligará Mato Grosso aos portos do Norte do país, barateando o frete. É, porém, um projeto cercado por polêmicas que têm origem numa questão bem mais ampla: o avanço da fronteira agrícola sobre a Amazônia, que provoca resistência dos ambientalistas.

Caiado e os bons modos, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Único a mostrar no debate o respeito e a civilidade que a política exige em vez da estética de coach

Plutarco conta em sua Vida de Demóstenes que o orador grego atribuía uma importância capital à entonação e à atitude das pessoas que falam para persuadir. Certa vez, quando um homem que fora espancado pediu-lhe que o defendesse em juízo, Demóstenes disse: “Ora, não recebeste um só dos golpes de que falas!”. O homem, levantando a voz, gritou: “Eu, Demóstenes, não recebi os golpes?!”. “Agora, sim, ouço a voz de um homem maltratado”, respondeu.

Hannah Arendt viu na ratio et oratio de Cícero, o outro orador tratado por Plutarco no quinto livro de suas Vidas Paralelas, um último vestígio dessa antiga conexão entre a fala e o pensamento, “ausente de nossa noção de exprimir o pensamento por meio de palavras”.

A degradação do dólar, Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Trump agrava a situação fiscal dos EUA a ponto de deflagrar uma crise nos mercados globais

Um número assombrou os investidores na semana passada: a dívida pública federal dos Estados Unidos acabou de ultrapassar a barreira dos US$ 40 trilhões. Esse deveria ser um problema só dos americanos, mas a repercussão de seus efeitos será sentida em todo o mundo, incluindo o Brasil. A má notícia é que o presidente Donald Trump está agravando a situação fiscal do país a ponto de deflagrar uma séria crise nos mercados globais.

Trump barbariza o Canadá, Brasil está na fila da agressão, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Além de termos relevância econômica menor, EUA têm outros interesses por aqui

Ataques americanos devem continuar mesmo depois do fim do governo Trump

O Canadá é o destino de 14% do valor total das exportações americanas de bens, uns US$ 350 bilhões por ano. Fica apenas atrás do México, que compra US$ 380 bilhões dos Estados Unidos. Para começar, pois o assunto vai além disso, trata-se de muito dinheiro. Mas Donald Trump e cia. barbarizam o Canadá.

O Brasil é o destino de 2,3% do valor das exportações de bens americanas. Para começar, é pouco dinheiro, é impacto pequeno em quantidade e qualidade na cadeia de produção e na segurança econômica dos Estados Unidos. Além disso, grande parte do governo Trump, do establishment e megaempresas têm outros interesses no ataque ao Brasil.

Cargos de que não precisamos, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Suplente de senador é posição que passa quase totalmente despercebida pelo eleitor

Isso dá margem a arranjos familiares ou para recompensar doadores de campanha

Michelle Bolsonaro designou o irmão para ocupar o posto de primeiro suplente na chapa que ela encabeça para uma das vagas de senador pelo Distrito Federal. Bia Kicis, que concorrerá à segunda vaga pelo mesmo PL da ex-primeira-dama, pôs o filho. Helder Barbalho, que pretende tornar-se senador pelo Pará, escolheu o pai, o eterno Jader Barbalho.

Arranjos familiares desse tipo são corriqueiros em eleições para o Senado. Também é comum ver financiadores de campanha galgados à posição de suplente. É um investimento que pode "se pagar", quando se considera que, na atual legislatura, 20 suplentes já chegaram a exercer, ainda que momentaneamente, o mandato. O suplente substitui o titular em caso de morte, afastamento, renúncia ou cassação.

Duas campanhas com as almas enfiadas na lama, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Quem é vidraça reclama das investigações, mas celebra quando os vazamentos atingem o adversário

Na corda bamba sobre o lodo, Lula e Flávio fogem da cobrança e fazem de conta que não é com eles

A autorização para que a Polícia Federal tenha acesso aos dados colhidos pela Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora do filme "Dark Horse" provocou tremores de regozijo entre militantes indignados com notícias que transpiram das investigações sobre tráfico de influência envolvendo um filho, uma amiga lobista e o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio da Silva (PT).

Estaria aí pavimentado o terreno para uma paridade de vazamentos com potencial mútuo de constrangimentos. No caso do filme, a suposição é a de que, a partir da PF, comecem a ser conhecidas as informações que Flávio Bolsonaro (PL) prometeu, mas não forneceu, sobre as andanças dos milhões de Daniel Vorcaro de um fundo no Texas (EUA) até o caixa da Go Up Entertainment —e dali sabe-se lá para onde.

Por que candidatos de direita buscam confronto no campus? Por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Denúncia, provocação, reação e vídeo compõem um método político moldado pelas redes

A guerra cultural encontrou nos campi um cenário ideal para gerar indignação e engajamento

Na quinta-feira, dia 20, o deputado estadual Diego Castro, do PL, entrou na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia com o kit básico desse tipo de ação política: seguranças, alguém encarregado de filmar e um roteiro na cabeça.

Filmou, retirou adesivos eleitorais, fez discursos, encenou sua revolta diante da câmera e de estudantes que correram para o espetáculo. E, como se diz no futebol, "esperou o contato, o contato veio", na sequência prevista: berros, dedos na cara, empurrões, boletins de ocorrência, notas de repúdio, reportagens e vídeos para as redes. No dia seguinte, um influenciador que se apresenta como Heitor Bolsonaro voltou ao local, também com o celular ligado, à procura de adesivos, placas de banheiro e reação.

Poesia | Não sei o que dizer quem sou, de Clarice Lispector por Fernanda Torres

 

Música | Moraes Moreira "Lá vem o Brasil descendo a ladeira"