quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Opinião do dia - Jürgen Habermas

"A tensão entre ideia e realidade que com a positivação dos direitos humanos se introduziu na própria realidade nos confronta hoje com a exigência de pensar e agir de modo realista, sem trair o impulso utópico. Mas essa ambivalência pode nos levar muito facilmente à tentativa de ou assumir uma posição idealista, mas desvinculada, a favor do conteúdo moral transcendente, ou adotar a pose cínica dos assim chamados realistas".

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Jürgen Habermas, filosofo alemão

Renan se nega a deixar o cargo; Supremo busca saída para crise

Senado desafia Supremo e decide manter Renan na presidência

• Plenário da Corte julgará questão nesta quarta; procuradores veem 'crime de desobediência' em decisão da Mesa Diretora do Senado

Isadora Peron, Isabela Bonfin, Erich Decta e Julia Lindner - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - A Mesa Diretora do Senado disse nesta terça-feira, 6, que não vai cumprir a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello de afastar Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência da Casa até que o plenário da Corte tome uma decisão definitiva em relação ao tema. A presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, marcou para a tarde desta quarta-feira, 7, o julgamento da questão.

Em um documento assinado pelos integrantes da Mesa, os parlamentares destacam que os “efeitos” da decisão de Marco Aurélio “impactam gravemente o funcionamento das atividades legislativas”, pois impede a votação de medidas que teriam como objetivo “contornar a grave crise econômica sem precedente que o País enfrenta”. Uma dessas medidas seria a chamada PEC do Teto, cuja votação estava prevista para a próxima semana.

Gilmar: “Liminar foi ilegal”

Eliane Cantanhêde – O Estado de S. Paulo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, criticou duramente o colega Marco Aurélio Mello pela liminar para afastar o senador Renan Calheiros da presidência do Senado. Para Gilmar, Marco Aurélio “tomou uma decisão ilegal” ao atropelar um julgamento em andamento e atingir um outro poder monocraticamente, o que seria inclusive o caso de impeachment. “Ele extravasou o princípio da legalidade. E, quando a gente extravasa a legalidade, a gente leva bofetada”, acrescentou.

“Marco Aurélio fez isso para bater palma para o público. Se isso não é caso de crime de responsabilidade, é o quê?” acusou Gilmar, falando por telefone de Estocolmo, onde está desde esta terça-feira para participar de um encontro de magistrados. Ele chegou a comprar passagem de volta para Brasília em Lisboa, onde fez escala, mas não havia certeza se o julgamento do mérito da liminar seria nesta quarta, em plenário, e ele decidiu prosseguir para a Suécia.

Ministros acreditam que decisão de Marco Aurélio sobre Renan foi ‘troco’ em Toffoli

- Coluna do Estadão

Ministros do STF não têm dúvidas de que a decisão de Marco Aurélio Mello de afastar Renan Calheiros foi troco em Dias Toffoli, que segurou decisão sobre réus poderem ocupar cargos na linha sucessória da Presidência.

Plenário do Supremo julga hoje decisão de Marco Aurélio Mello

• Presidente da Corte, Cármen Lúcia negocia com outros ministros solução para impasse entre Legislativo e Judiciário

Eliane Cantanhêde - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, e pelo menos quatro outros ministros da Corte buscaram durante toda esta terça-feira, 6, amenizar a crise entre Judiciário e Legislativo. Ela incluiu como item número 1 na pauta da sessão desta quarta-feira, 7, o julgamento sobre a liminar do ministro Marco Aurélio Mello que afastou o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) do cargo de presidente do Senado.

A negociação prevê que a partir das 14 horas o plenário acate apenas em parte o mérito da ação proposta pela Rede pelo afastamento de Renan da presidência do Senado. A intenção é garantir o senador na função de comando, mas impedi-lo preventivamente de assumir a Presidência da República na ausência de Michel Temer.

Capricho das partes alimenta crises no País - João Domingos

- O Estado de S. Paulo

A reação da Mesa Diretora do Senado Federal, que não aceitou o afastamento de Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência da Casa por liminar e por decisão de um único ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), consolida a crença popular de que a Justiça é diferenciada para os que têm e para os que não têm poder.

Renan tem poder. Não pode ser afastado por decisão monocrática, concluiu a direção do Senado.
Em termos de interpretação das leis ao fato do momento, Senado e STF têm sido prodigiosos. O problema é que tais caprichos alimentam as crises.

Em 31 de agosto, quando o Senado votava o impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, Renan e o então presidente do STF, Ricardo Lewandowski, mudaram a sentença dada anteriormente a Fernando Collor e a fatiaram.

Que é isso, excelências? - Dora Kramer

- O Estado de S. Paulo

• Instabilidade institucional quem provoca é o Senado ao afrontar decisão judicial

Impossível entender aonde quer chegar o Senado ao se confrontar com uma decisão oriunda do Supremo Tribunal Federal que, ademais, tem caráter liminar. Com essa atitude, dizem suas excelências aos cidadãos, notadamente àqueles residentes no campo da ilegalidade, que sentença judicial não se discute: descumpre-se. O mais grave é que o fazem na posse de mandatos cuja delegação popular não inclui licença para anarquizar o ambiente institucional.

Diante da lamentável cena de solidariedade a Renan Calheiros, qualquer um do povo pode se sentir autorizado a fazer o mesmo e dar de ombros à Justiça. Se a lei é para todos, o recado subjacente é o de que a transgressão é patrimônio coletivo. Uma vez instalada oficialmente a imoralidade, locupletemo-nos todos, terá o direito de concluir quem assim desejar para o desfrute de uma vida à margem da civilidade.

Renan desobedece a ordem, e STF tenta superar crise entre poderes

• Mesa do Senado desafia Supremo

Liminar de Marco Aurélio que determinou afastamento do senador será submetida hoje ao plenário do tribunal

Numa decisão sem precedentes, a Mesa Diretora do Senado, em ação orquestrada pelo presidente Renan Calheiros, desobedeceu à liminar do ministro do STF Marco Aurélio Mello e manteve o senador alagoano no comando da Casa. A direção do Senado argumentou que a liminar fere a independência dos poderes e terá impacto na votação de medidas para conter a crise. Houve fortes reações nos meios políticos e jurídicos. A presidente do STF, Cármen Lúcia, marcou para hoje o julgamento do afastamento de Renan. Em meio à crise inédita, o Planalto tenta votar ainda este ano a emenda que limita gastos públicos, mesmo se o comando do Senado passar às mãos do PT.

Desobediência inédita

• Senado ignora liminar para afastar Renan, e STF marca sessão às pressas para resolver conflito

Cristiane Jungblut - O Globo

-BRASÍLIA- O presidente do Senado, Renan Calheiros, abriu ontem uma crise institucional com o Supremo Tribunal Federal, ao decidir, com aval da Mesa Diretora que preside, descumprir a decisão tomada na véspera pelo ministro Marco Aurélio Mello afastando-o do comando do Congresso. Diante do impasse, a presidente da Corte, Cármen Lúcia, marcou para hoje a análise da decisão de Marco Aurélio pelo plenário do STF. O Palácio do Planalto, por sua vez, passou o dia tentando demonstrar apoio a Renan, que, mesmo enfraquecido, é a principal liderança política do Senado. No entanto, alguns dos principais interlocutores políticos do governo já costuraram um plano para garantir que até o fim do ano seja aprovada a PEC que limita o crescimento dos gastos públicos, pauta mais importante do governo, mesmo que o Supremo afaste definitivamente o peemedebista, entregando o comando da Casa ao PT.

Em busca de solução, STF julga hoje liminar que afastou Renan

• Antes de decisão do Senado, parlamentar procurou Cármen Lúcia

Renata Mariz e Manoel Ventura* - O Globo

-BRASÍLIA- O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para hoje o julgamento da decisão do ministro Marco Aurélio Mello que, em caráter liminar, determinou o afastamento de Renan Calheiros (PMDB) da presidência do Senado. O caso, que agravou a crise institucional entre os Poderes, será o primeiro item da pauta. Após o Senado ignorar a ordem judicial e entrar com dois recursos contra a decisão, Marco Aurélio liberou a ação para análise dos colegas. A Corte pode referendar ou derrubar a liminar. Mas pelo menos três ministros do tribunal citaram ontem a possibilidade de uma solução intermediária: manter Renan na presidência do Senado, mas com o impedimento de assumir a Presidência da República

Para Gilmar, colega deve ser afastado

• ‘Não posso acreditar’, reage Marco Aurélio, ao saber da proposta

Jorge Bastos Moreno e Jailton de Carvalho - O Globo

BRASÍLIA - A decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar o afastamento do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado acrescentou mais um capítulo no apimentado histórico de rusgas entre ele e o colega Gilmar Mendes. Em entrevista ao blog do Moreno, Mendes defendeu o impeachment de Marco Aurélio. Para ele, o ministro não poderia afastar Renan sem consultar o plenário do STF.

— No Nordeste, se diz que não se corre atrás de doido porque não se sabe para onde ele vai — afirmou Mendes ao blog.

Lei é lei - Merval Pereira

- O Globo

Crise é fruto da velha politicagem rejeitada pelos cidadãos. No Supremo Tribunal Federal há quem veja uma sucessão de erros nesta crise institucional em que estamos metidos mais uma vez, a começar pelo pedido de vista feito pelo ministro Dias Toffoli, que suspendeu uma decisão já tomada pela maioria de impedir que um réu faça parte da linha de substituição da Presidência.

A liminar do ministro Marco Aurélio Mello, embora esteja apoiada no regimento interno, poderia ter sido imediatamente submetida ao plenário, em caráter de urgência, como fez o ministro Teori Zavascki para afastar o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

A reação do presidente do Senado, recusando-se a acatar a decisão, é uma afronta ao Judiciário, e as críticas ácidas, beirando a grosseria, do ministro Gilmar Mendes à decisão de Marco Aurélio expuseram rachaduras no plenário do Supremo que não ajudam a amenizar a crise institucional.

O Supremo contra o Supremo - Joaquim Falcão

- O Globo

O Brasil precisa de um Supremo estável. Difícil o Supremo ter relação saudável com o Senado, se alguns ministros do Supremo não têm relação saudável entre si. A democracia não merece que um ministro do Supremo peça a punição de outro ministro, porque dele discorda. Estimule crise institucional e viaje para o exterior.

Infelizmente, temos visto progressiva deterioração da independência do Supremo. Paradoxalmente, não por ataques dos outros poderes, Ministério Público, advogados ou da sociedade. Mas por descontrole interno.

Surrealismo político - José Casado

- O Globo

Ontem não havia vencedores na Praça dos Três Poderes. Eram 11 horas da manhã quando o senador Paulo Paim (PT-RS) abriu a única sessão do dia, para homenagear ativistas dos direitos humanos. No lado oposto ao plenário, o oficial de Justiça Wessel Teles de Oliveira esperava pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, pelo vice, Jorge Viana, e pelo primeiro-secretário Vicentinho Alves. Levava um envelope com intimações do Supremo Tribunal Federal .

No plenário, ecoou uma gravação do Hino Nacional — tradição em solenidades. Até que alguém gritou: “Quem é o presidente hoje?”

O Supremo socorreu o Congresso - Elio Gaspari

- O Globo

• Assim como Teori ajudou a Câmara defenestrando Cunha, Marco Aurélio ajudou o Senado afastando Renan

STF faz um favor ao Senado ao afastar Renan. Oministro Marco Aurélio Mello fez um favor ao Congresso quando tirou Renan Calheiros da presidência do Senado. Entre o momento em que ele se tornou réu num processo a que responde no Supremo Tribunal Federal e a hora em que foi fulminado, passou-se menos de uma semana. No domingo as ruas gritavam “Fora Renan”. A resposta de ontem da Mesa do Senado, com seu “Fica Renan”, insinua um confronto. O plenário do Supremo deverá apreciar a decisão de Marco Aurélio. Se for confirmada, quem irá para a rua defender os senadores?

Senado desafia Supremo e mantém Renan na presidência da Casa

Daniel Carvalho, Débora Álvares, Letícia Casado e Rubens Valente – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - A Mesa Diretora do Senado decidiu nesta terça (6) desafiar liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, e recusou-se a afastar da presidência da Casa o senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

O Senado encaminhou ao STF uma decisão da Mesa em que informa que aguardará o posicionamento do plenário do tribunal para então aceitar o afastamento de Renan.

Foram redigidas duas versões desse comunicado, em reunião que durou mais de quatro horas. A primeira trazia expressamente a mensagem de descumprimento da decisão da corte e não foi assinada pelo primeiro-vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC).

A versão divulgada pela Mesa do Senado foi a segunda, mais amena e assinada pelo petista, que não fala explicitamente em descumprimento, apesar de contrariar a ordem do ministro.

Com crise entre Poderes, Cármen Lúcia é procurada por senadores e ministros

Letícia Casado, Daniel Carvalho, Débora Alvares – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Em meio à crise entre os Poderes Judiciário e Legislativo, a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), foi procurada ao longo desta terça-feira (6) por senadores e ministros.

O senador Jorge Viana (PT-AC), primeiro-vice-presidente do Senado, telefonou para Cármen Lúcia pela manhã. Foi sozinho ao Supremo, por volta de meio-dia.

Cármen Lúcia o recebeu e chamou alguns ministros que estavam no Supremo e participavam da cerimônia de entrega de um prêmio.

As instituições já não sabem como controlar essa crise, diz professora

Mario Cesar Carvalho – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - Como é que se chega a uma crise entre os poderes Legislativo e Judiciário desse porte? Eloisa Machado, professora do curso de direito da Fundação Getúlio de São Paulo, diz que "todo mundo está colaborando".

O "todo mundo" dela inclui a escolha de Renan Calheiros para presidir o Senado quando já respondia a uma série de processos, o pedido do ministro Dias Toffoli que paralisou a análise da questão se um réu pode assumir a Presidência e, finalmente, a decisão do ministro Marco Aurélio de afastar o presidente do Senado sem ouvir os seus pares no Supremo.

O resultado dessa combinação, na qual o Senado não reconhece uma decisão do Supremo, é "a deterioração das instituições". "As instituições não estão mais conseguindo lidar com a crise", afirma. "Pode parecer um clichê, mas as instituições estão em frangalhos".

Falta alguém capaz de fazer pacto entre Poderes, afirma analista

Thais Bilenky – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - A disputa em torno da permanência de Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado eleva a temperatura política ao evidenciar a falta de uma figura capaz de articular um pacto entre os Poderes, na visão do cientista político Carlos Melo.

Professor do Insper, ele diz que há um "colapso estrutural muito grave, não propriamente pelo conflito do dia". "A gente olha para a conjuntura, para Renan, para Temer, para Dilma, para Marco Aurélio Mello, quando na verdade há um problema muito mais sério", disse.

O coronel desafia o Supremo - Bernardo Mello Franco

- Folha de S. Paulo

A rebelião de Renan Calheiros contra o Supremo agravou o clima de confronto entre os Poderes. O peemedebista desafiou o tribunal ao ignorar a ordem para deixar a presidência do Senado. Além disso, radicalizou a crise com ataques ao ministro Marco Aurélio Mello, que determinou seu afastamento do cargo.

Chamado pelos adversários de "cangaceiro", Renan agiu, na hipótese mais benigna, como coronel de província. Insatisfeito com uma decisão judicial, resolveu desobedecê-la, como se estivesse acima da lei. Todo cidadão tem direito a reclamar da Justiça, mas não há democracia onde suas ordens são descumpridas.

Caso Renan abre crise institucional

Por Carolina Oms, Maíra Magro, Vandson Lima e Fabio Murakawa – Valor Econômico

BRASÍLIA - O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) terá de decidir hoje se mantém a liminar que afasta Renan Calheiros da presidência do Senado, concedida na segunda-feira pelo ministro Marco Aurélio Mello. A liminar provocou uma crise institucional entre os dois Poderes, com a recusa de Renan e da mesa-diretora da Casa em cumprir a ordem judicial.

A presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, passou o dia de ontem em conversas com seus pares e senadores. A interlocutores, afirmou que o Supremo deve atuar para pacificar mais uma crise e destacou que o país já enfrenta sérias dificuldades políticas e econômicas.

STF decide hoje destino de Renan à frente do Senado

Por Carolina Oms e Maíra Magro – Valor Econômico

BRASÍLIA - Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram o dia de ontem buscando uma solução para a crise entre o Legislativo e o Executivo criada pela decisão do ministro Marco Aurélio Mello de afastar o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado e pela recusa da Mesa daquela Casa de cumpri-la. O plenário do STF vai decidir na tarde de hoje se confirma ou não a liminar que afastou o senador, liberada ontem para julgamento por Marco Aurélio.
A presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, esteve em conversas telefônicas ou presenciais com ministros do Supremo e senadores. A interlocutores, a ministra afirmou que o Supremo deve atuar para pacificar a crise e lembrou que o Brasil já passa por crise política e econômica.

Uma das alternativas que podem ser propostas hoje é evitar que Renan assuma a Presidência da República, mas mantê-lo na presidência no Senado. Os ministros que defendem a alternativa afirmam que o caso de Renan é diferente da situação que levou ao afastamento do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara. Cunha teria atuado para intimidar parlamentares e usado o cargo para obstruir as investigações - acusações que não pesam contra Renan. Além disso, ao afastar Cunha, os ministros deixaram claro que a medida deveria ser excepcional.

Judiciário pode ter ação corporativa, alerta cientista político

Por Cristiane Agostine – Valor Econômico

SÃO PAULO - A decisão do Senado de desafiar o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello e manter Renan Calheiros (PMDB-AL) no comando da Casa pode desencadear uma reação de "espírito de corpo" do Supremo hoje, quando o plenário da Corte julgará a liminar contra o senador pemedebista. A possível retaliação dos magistrados poderá intensificar a crise entre o Legislativo e Judiciário e gerar prejuízos ainda maiores para a economia, com a incerteza sobre os investimentos e sobre o crescimento econômico do país. A análise é do cientista político e advogado Murilo de Aragão, presidente da Arko Advice Pesquisas.

Corda esticada - Luiz Carlos Azedo

- Correio Braziliense

• Embora desgastado e no fim do mandato à frente da Casa, Renan resolveu levar às últimas consequências seu enfrentamento com STF

A Mesa Diretora do Senado decidiu não acatar a medida liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello e manteve o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência da Casa, até que o plenário do STF julgue em definitivo o caso. A decisão da cúpula do Senado foi assinada também pelo senador Jorge Viana (PT-AC), primeiro-vice-presidente do Senado, e acirra a crise entre os poderes Legislativo e Judiciário. A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, submeterá a decisão monocrática de Marco Aurélio ao pleno do tribunal na sessão de hoje. “Tudo que for urgente para o Brasil, eu pauto com urgência”, disse. A corda está completamente esticada.

Açodamento irresponsável – Editorial /O Estado de S. Paulo

Por seu conhecido currículo, o senador Renan Calheiros não deveria ter sido eleito presidente do Senado. Na verdade, o interesse público aconselharia que o povo alagoano não o tivesse reeleito senador. O reconhecimento de que Renan não faz bem à vida pública nacional não modifica, no entanto, a inconveniência, a imprudência e a destemperança da decisão liminar do ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar o senador do exercício da presidência da Casa. Por todos os ângulos que se vê, a decisão do ministro Marco Aurélio causa profunda estranheza.

Não se pode descumprir decisão do Supremo – Editorial /O Globo

• A grotesca atitude de Renan e da Mesa do Senado de devolver liminar de ministro da Corte deve ser superada hoje, e é crucial que os poderes evitem novas crises

Como a insensatez nem sempre tem limites, a crise institucional entre Supremo e Senado, deflagrada na segunda-feira com a decisão individual do ministro do STF Marco Aurélio Mello de aceitar pedido do partido Rede — dentro de suas prerrogativas — para afastar Renan Calheiros da presidência do Senado, teve grave desdobramento.

Marco Aurélio poderia ter consultado os pares, mas é fato que ele tinha bases legais para conceder a liminar. Isso, na condição de relator do processo pelo qual ficou entendido, pela maioria da Corte, no início de novembro, que réu não pode constar da linha de substitutos do presidente da República. Réu foi em que se tornaria Renan, numa acusação de peculato, logo após aquele julgamento.

Ordem e desordem – Editorial /Folha de S. Paulo

Vistas as coisas de uma certa distância, a aparência seria de um passe de mágica. Mal encerradas as manifestações de rua que o tinham como um dos principais alvos de repúdio, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é afastado do cargo por iniciativa do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal.

Não seria tão simples assim. Numa atitude capaz de rivalizar com as conhecidas resistências do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a se conformar com as decisões da Justiça e as pressões da opinião pública, Calheiros optou, em decisão que aumenta a temperatura e a imprevisibilidade da crise política, por não acatar o determinado.

Temer vive clima de maior tensão em seu mandato – Editorial/Valor Econômico

Uma tempestade de incertezas se abateu novamente sobre Brasília, quando tudo parecia que a votação da principal peça econômica do governo Temer tinha data certa e vitória assegurada no Senado. O cenário político entrou em mais uma rota imprevisível, depois que os poderes da República passaram a se desentender e se confrontar, colocando em risco os propósitos do Executivo.

Há várias crises em estado latente ou já em andamento. Uma decisão inesperada do ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, sobre uma liminar do Rede, retirou Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado, por ele ter se tornado réu. A votação de afastamento de cargo sucessório da Presidência em caso de seu ocupante se tornar réu não foi concluída, apesar de consolidada a maioria dos ministros a seu favor. A Mesa Diretora do Senado não aceitou o ato de Marco Aurélio e comunicou ao STF que Renan continuará no cargo até uma decisão do plenário do tribunal.

Quatro razões para manter Meirelles - Rosângela Bittar

- Valor Econômico

• Haverá uma espécie de reorganização, não reforma de fato

O presidente Michel Temer deverá aproveitar a oportunidade da nomeação do novo ministro-chefe da Secretaria de Governo, em substituição a Geddel Vieira Lima, para fazer mudanças pontuais na sua equipe. Não se trata de reforma ministerial, ideia que, como iniciativa política para sacudir o governo, está desgastada. Mas de leves adequações de nomes e cargos, inclusive para atender aquelas cúpulas partidárias que pretendem trocar seus representantes porque não funcionaram como gostariam.

Até a execução final da ideia de reorganizar o governo, o desenho muda a cada dia, tal o dinamismo da crise política. O ministro Dyogo Oliveira, que seria efetivado no cargo, poderá sair. Com o movimento em direção ao governo feito pelo PSDB, porém, é possível que o presidente troque o técnico do governo petista no Planejamento por outro técnico do governo tucano.

Alta tensão - Míriam Leitão

- O Globo

O governo introduziu um fator previdenciário ainda mais duro do que aquele que foi adotado no governo Fernando Henrique. Pela reforma, aos 65 anos o trabalhador pode não atingir o valor do benefício pelo qual contribuiu. Só atingirá na hipótese de ter começado a pagar à Previdência com 16 anos. A reforma foi anunciada no pior dia possível: quando os poderes se enfrentam.

As últimas horas foram de surpresa e tensão. De manhã, enquanto o secretário da Previdência, Marcelo Caetano, explicava o complexo projeto do governo para aposentadorias e pensões, o país achava que o Senado era presidido pelo senador Jorge Viana. De tarde, veio a informação da nota da mesa do Senado que mantinha o senador Renan Calheiros no cargo, em desobediência à decisão do ministro Marco Aurélio Mello, que o retirara do cargo. A confusão teve ainda o detalhe do ataque do ministro Gilmar Mendes à decisão de Marco Aurélio. Renan protestou contra a decisão “monocrática” que o afastava da presidência do Senado. Com Eduardo Cunha, foi exatamente assim. O ministro Teori Zavascki o afastou, e o pleno do STF confirmou o afastamento.

Hora de acelerar o corte dos juros - Cristiano Romero

- Valor Econômico

• Risco de "perdas permanentes" no PIB pode ter movido o BC

O governo Temer estava convencido de que, se o Banco Central (BC) mantivesse a postura excessivamente cautelosa que vinha mostrando na condução da política monetária, a economia brasileira não cresceria em 2017 ou registraria mais um ano, o terceiro consecutivo, de crescimento negativo. Pior: o setor privado sairia tão machucado que a esperada recuperação seria irremediavelmente fraca e ainda mais lenta.

As projeções de inflação do BC vêm apontando para um IPCA, o índice de preços oficial do regime de metas, em torno da meta de 4,5% no fim do próximo ano, algo que não ocorre desde 2009. O problema é que o custo dessa convergência está sendo muito alto e aumentaria nos próximos trimestres, caso o Comitê de Política Monetária (Copom) conservasse o ritmo atual de redução da taxa básica de juros (Selic), de 0,25 ponto percentual a cada reunião.

Menina – Joaquim Cardoso

Os teus olhos de água,
Olhos frios e longos,
Esta noite penetraram.
Esta noite me envolveram.

Bem querida madrugada...

Olhos de sombra, olhos de tarde
Trazem miragens de meninas...
Bundas que parecem rosas.

Sob o caminho de muitas luas
O teu corpo floresceu.

André Rieu - Boléro (Ravel)

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Opinião do dia – Luiz Werneck Vianna

Com tirocínio político, que não nos faltou em outros momentos agudos da nossa História, podemos chegar a um bom porto. Em meio aos muitos perigos que nos rondam, inútil ficar com o olhar perdido em 2018. A hora da grande política é agora.

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Luiz Werneck Vianna é sociólogo e professor-pesquisador da PUC-Rio. ‘Em meio à tempestade’, O Estado de S. Paulo, 4/12/2016

Marco Aurélio, do STF, afasta Renan do comando do Senado

Ministro do STF afasta Renan da presidência do Senado

Letícia Casado, Mônica Bergamo – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu afastar Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado.

A decisão é em caráter liminar (provisório). Mello acatou pedido da Rede Sustentabilidade, feito na segunda (5), para que Renan fosse afastado depois que virou réu, na última quinta (1º), pelo crime de peculato na ação em que é acusado de ter recebido ajuda de empreiteira para despesas pessoais.

O afastamento de Renan preocupa o governo de Michel Temer, que considera prioritária a votação no Senado da PEC do teto dos gastos públicos.

Com a saída de Renan, deve assumir o petista Jorge Viana (AC), primeiro vice-presidente da Casa. Seu partido é contra a PEC.

Renan afirmou, em nota, que se manifestará depois de conhecer o teor da decisão do STF. "O senador consultará seus advogados acerca das medidas adequadas em face da decisão contra o Senado Federal", disse, por meio da assessoria.

O senador do PMDB foi um dos principais alvos dos protestos ocorridos em cidades do país no último domingo (4).

Auxiliares de Temer foram pegos de surpresa com a decisão do Supremo. A estratégia do governo, diante deste cenário, é negociar com Viana a votação da PEC do teto.

Como forma de pressão, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Congresso, avisou que o calendário de votações está mantido, mesmo com a decisão do STF.

Minutos após a liminar concedida por Marco Aurélio Mello, Jorge Viana se deslocou à residência oficial de Renan.

À Folha o ministro do STF disse que tomou a decisão já que a corte tinha decidido, por maioria absoluta de seis votos, que um réu não poderia ocupar cargo na linha sucessória da Presidência.

"Depois disso veio fato superveniente: Renan se transformou em réu. Ele pode continuar no cargo? A Rede entrou no STF para esclarecer a questão. Diante do fato superveniente [Renan virou réu], eu dei a decisão."

No despacho, o ministro do Supremo disse que a ordem deveria ser cumprida "com a urgência que o caso requer, por mandado, sob as penas da lei".

O pedido da Rede para afastá-lo é consequência de outra ação, que solicitava o afastamento do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Com a renúncia de Cunha, em julho, a ação prosseguiu com o objetivo de analisar se réus podem ocupar cargo na linha sucessória da Presidência da República (vice-presidente, presidente da Câmara e presidente do Senado).

O caso foi ao plenário do STF em novembro. A maioria dos ministros - seis, de um total de 11- votou por impedir que réus ocupassem a linha de sucessão do Planalto.

Na ocasião, o próprio Marco Aurélio votou por não permitir réu na linha sucessória. Ele considerou ser inviável que réus em ações criminais em curso no Supremo ocupem cargo de substituição imediata do presidente da República.

Votaram com ele os ministros Edson Fachin, Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux e Celso de Mello. No entanto o julgamento foi interrompido por pedido de vista (mais tempo para analisar o caso) feito pelo ministro Dias Toffoli.

"Com o recebimento da denúncia, passou a existir impedimento incontornável para a permanência do referido senador na Presidência do Senado Federal, de acordo com a orientação já externada pela maioria dos ministros do STF", disse a Rede, ao pedir seu afastamento.

A situação de Renan deve ser decidida de maneira definitiva pelo conjunto dos 11 ministros, quando a ação for ao plenário. Mas, como a votação sobre a linha sucessória já tem maioria, a situação de Renan – de afastado do cargo–, em tese, não seria alterada a menos que um dos ministros mudasse o voto e nenhum dos outros cinco votasse por priobir réu na linha sucessória.

"Os seis ministros concluíram pelo acolhimento do pleito formalizado na inicial da arguição de descumprimento de preceito fundamental, para assentar não poder réu ocupar cargo integrado à linha de substituição do Presidente da República", escreveu Marco Aurélio Mello em sua decisão.

"O tempo passou, sem a retomada do julgamento. Mais do que isso, o que não havia antes veio a surgir: o hoje Presidente do Senado da República, senador Renan Calheiros, por oito votos a três, tornou-se réu", acrescentou o ministro.

Para Marco Aurélio Mello, mesmo depois de virar réu, Renan ameaça a segurança jurídica do país: "Mesmo diante da maioria absoluta já formada (...) e réu, o senador continua na cadeira de presidente do Senado, ensejando manifestações de toda ordem, a comprometerem a segurança jurídica".

STF afasta Renan Calheiros e comando do Senado fica com PT

Liminar do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), afastou Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado. A decisão atendeu a pedido da Rede Sustentabilidade para que réus não estejam na linha sucessória da Presidência da República. Ainda cabe recurso. Na semana passada, o STF recebeu denúncia contra Renan por peculato. O cargo será ocupado pelo vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC). A substituição causa apreensão entre aliados de Michel Temer, já que Viana faz parte do principal partido da oposição e é o presidente da Casa quem define a pauta de votações. Para a próxima semana, está prevista apreciação em segundo turno da PEC do Teto de Gastos, considerada essencial ao ajuste. O Planalto também está preocupado com o agravamento da crise entre os Poderes. A interlocutores, Renan disse ter visto retaliação na decisão de Marco Aurélio e a atribuiu ao fato de ele ter levado à frente projetos sobre o Judiciário.

Ministro afasta Renan da presidência do Senado

• Supremo. Marco Aurélio Mello concede liminar que retira do cargo o peemedebista, réu na Corte; petista assume comando da Casa e governo vê sua pauta comprometida.

Breno Pires Rafael Moraes Moura Beatriz Bulla - O Estado de S. Paulo

/ BRASÍLIA - O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu ontem medida liminar (provisória) afastando Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado, um dia depois de ele ser alvo de protestos por todo o País por apoiar projetos vistos como ameaça à Operação Lava Jato. A decisão foi no âmbito de uma ação ajuizada ontem pela Rede Sustentabilidade que pede que réus não possam estar na linha sucessória da Presidência da República. Cabe recurso.

Com Renan fora, governo já teme por teto de gastos

• Supremo afasta presidente do Senado, e petista ficará no comando

Decisão surpreende aliados e adversários do senador; preocupação do Planalto é que agenda econômica seja prejudicada por uma reviravolta política na condução dos trabalhos da Casa

Em tempos de crise entre Legislativo e Judiciário e um dia após as manifestações contra corrupção pelo país, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, afastou ontem do cargo, por liminar, o presidente do Senado, Renan Calheiros. A tese do ministro é a de que quem é réu, como Renan, não pode assumir cargo na linha sucessória da Presidência da República. A decisão surpreendeu aliados e adversários do senador. O Planalto mostrou especial preocupação com o destino da proposta que estabelece teto para os gastos públicos, com votação marcada para a próxima terça. Renan, que se recusou a receber a notificação do afastamento, será substituído hoje pelo petista Jorge Viana.

Renan cai; votações em risco

• Liminar do STF tira peemedebista da presidência do Senado; teto de gastos pode sair da pauta

Simone Iglesias, Maria Lima, Bárbara Nascimento e Manoel Ventura* - O Globo

-BRASÍLIA- O afastamento de Renan Calheiros (PMDBAL) da presidência do Senado por decisão liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello deixou o Palácio do Planalto apreensivo. O governo esperava finalizar a aprovação da PEC do teto de gastos na próxima terça-feira e teme que o calendário possa ser alterado com a entrada do petista Jorge Viana (AC) na presidência interina da Casa. A decisão acontece após dias de turbulenta relação entre o Judiciário e o Legislativo, deflagrada pela aprovação de um pacote anticorrupção na Câmara que desfigurou medidas apresentadas pelo Ministério Público.

‘Abuso de autoridade agora agride anseios das ruas’, diz Moreira Franco

• O secretário executivo de Programas de Parceria de Investimentos, Moreira Franco, considerado o principal conselheiro político do presidente Michel Temer, disse ontem que a discussão agora da lei de abuso de autoridade é “uma agressão aos anseios das ruas

Jorge Bastos Moreno - O Globo

-BRASÍLIA- Tal declaração marca o distanciamento político que o Palácio do Planalto deseja manter em relação ao autor do projeto, o presidente afastado do Senado, Renan Calheiros, que entrou em confronto, sem perspectiva de recuo, com o Poder Judiciário, o que não interessa ao governo. Sobre as tentativas de fritura do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o secretário revelou que vai cancelar o convite feito a Arminio Fraga para participar de um seminário do PMDB, a fim de não alimentar mais os boatos de que o economista do PSDB estaria sendo sondado para o cargo de Meirelles. Moreira, que falou ao GLOBO antes do afastamento de Renan, criticou também as permanentes declarações do ex-presidente Fernando Henrique contra Temer, afirmando que esses comentários desservem ao governo, ao país e ao próprio PSDB.

• É oportuno discutir e votar agora a lei de abuso de autoridade?

A lei vigente de abuso de autoridade é da época do marechal Castelo Branco. Veio logo depois do golpe. A sociedade brasileira mudou, o mundo mudou, e a tecnologia avançou. É necessário que esse debate se dê. Que se tenha um texto mais adequado aos dias de hoje. Mas acho que o ambiente está tenso e radicalizado. Conseguiu-se permitir que mudanças nesse campo sejam tidas como constrangimentos às apurações da Lava-Jato e de outras agressões à moral pública. Essa suspeita compromete qualquer mudança e torna o próprio debate uma agressão aos anseios das ruas.

• Está na hora de o governo mudar a política econômica, ou o país pode esperar a retomada do crescimento, prevista apenas para o segundo semestre do ano que vem?

Não se muda política econômica em consequência da vontade de alguém. São as condições sociais da população e a realidade econômica do país que determinam o caminho. O governo tem uma prioridade: buscar o equilíbrio fiscal. Perseverar e insistir nessa meta. Fazer o que o ministro Meirelles e sua equipe vêm fazendo com competência.

• Quem chamou Arminio Fraga para conversar: o senhor ou o presidente?

Nem o presidente nem eu. Falei com ele para convidá-lo para um seminário organizado pela Fundação Ulysses Guimarães comemorativo de um ano de lançamento da “Ponte para o Futuro”. Aliás, há tanto boato sobre movimentação na área econômica que vou propor transferir a realização do seminário.

• Quem, entre conselheiros e aliados, quer a saída de Henrique Meirelles?

O presidente não tem conselheiros nem aliados desajuizados para propor tal coisa. O voluntarismo que se viu no passado não se verá agora.

• Essa tênue aliança entre o PSDB e o PMDB chega até o final do governo Temer?

Sim. Devemos nos empenhar para consolidar e aprofundar essa aliança.
  • Que aliado é esse, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que diz que Temer “é o que se tem”, que chama a sua “Ponte para o futuro” de “pinguela” e fica especulando que, se o presidente cair, haverá eleições diretas?

Esses comentários não ajudam o país nem o governo e tampouco o PSDB.

• Vira e mexe aparece alguém para dizer que o senhor cometeu irregularidades nas administrações de aeroportos com empreiteiras. O senhor já foi citado em delações?

Foi noticiado que dois delatores da Odebrecht afirmaram que eu teria solicitado apoio financeiro para o PMDB. É mentira. Jamais falei de política, partido ou recurso de campanha com eles. Como também nunca cuidei das finanças do partido. Eles terão que provar.

  • Todo mundo acha, inclusive o próprio, que o senhor pressionou o presidente a demitir o ex-ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo). É verdade?

Não é verdade. Estava fora do país, a trabalho, durante todo o incidente. E só falei com o presidente no meu retorno. O ministro Geddel já tinha solicitado demissão.

‘Ulysses, senhor Brasil’

• Exposição em homenagem ao centenário de nascimento do parlamentar abre hoje

Augusto Decker * - O Globo

Em tempos de crise política, os moradores do Rio poderão se lembrar de um dos grandes personagens políticos do último século. A Biblioteca Nacional abre hoje a exposição “Doutor Ulysses, Senhor Brasil”, em homenagem aos cem anos do nascimento de um dos principais responsáveis pelo fim da ditadura militar.

Entre as peças, há vídeos da TV Câmara, charges, fotos e reportagens de jornais e revistas que fazem parte do acervo da Biblioteca Nacional.

Liminar de Marco Aurélio afasta Renan de presidência do Senado

Por Carolina Oms – Valor Econômico

BRASÍLIA - O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, afastou Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado. Com a decisão, que tem caráter liminar, Renan continua senador, mas está afastado do cargo.

"Defiro a liminar pleiteada. Faço-o para afastar não do exercício do mandato de senador, outorgado pelo povo alagoano, mas do cargo de presidente do Senado o senador Renan Calheiros. Com a urgência que o caso requer, deem cumprimento, por mandado, sob as penas da Lei, a esta decisão. Publiquem", diz decisão do ministro divulgada no início da noite de ontem. Marco Aurélio atendeu um pedido do partido Rede Sustentabilidade.

A decisão ainda deve ser analisada pelo plenário da Corte, composto por todos os 11 ministros, mas ainda não há data para que o assunto volte à pauta. Renan tornou-se réu em ação penal por peculato na semana passada. No dia 3 de novembro, o Supremo Tribunal Federal suspendeu por um pedido de vista do ministro Dias Toffoli o julgamento de uma ação que excluía réus da linha sucessória presidencial. Quando Toffoli pediu vistas, já havia maioria a favor desta tese.

Viana sozinho não vai atrasar PEC do Teto - Vera Magalhães

- O Estado de S. Paulo

Quando pediu vista do julgamento da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) impetrada pela Rede Sustentabilidade, que questionava se um réu em ação penal pode ocupar um cargo que o coloque na linha sucessória da Presidência da República, o ministro Dias Toffoli argumentou que não havia um caso concreto que justificasse a ação.

Agora há: na semana passada, o próprio STF tornou Renan Calheiros réu. A liminar concedida pelo relator, Marco Aurélio Mello, parte desse princípio — e leva em conta a maioria que já estava formada quando Toffoli adiou o desfecho do julgamento — para afastar o presidente do Senado do cargo.