segunda-feira, 20 de julho de 2026

Ataques a Moraes fragilizam imagem de ‘moderado’, por Tiago Angelo

Valor Econômico

Pré-candidato do PL sobe o tom contra Alexandre de Moraes, diz que não irá ‘abaixar a cabeça’ para ‘tirano nenhum’ e afirma que ministro ‘parece sem alma’ e usado por um ‘demônio’

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmaram em reserva ao Valor que declarações recentes do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre Alexandre de Moraes fragilizam a imagem de que o político é mais “moderado” que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em vídeo divulgado na sexta-feira (17), após Moraes barrar visitas a Bolsonaro por 30 dias, Flávio afirmou que o ministro do STF desequilibrou as eleições de 2022 e tenta interferir novamente na disputa deste ano. Também qualificou a proibição como “vingança”.

No sábado (18), Flávio subiu o tom e disse que não irá “abaixar a cabeça" para “tirano nenhum” e que Moraes “parece sem alma” e usado por um “demônio” para “fazer mal para os outros, rasgando a lei, rasgando a Constituição”.

Segundo ministros, as declarações contrariam a imagem de “moderado” que Flávio tenta passar e afirmam que a conduta é semelhante à adotada por Bolsonaro em 2022, quando o então presidente dirigiu ataques a Moraes e chamou o ministro de “canalha”. “Ele [Flávio] mostrou que não tem muita diferença em relação ao pai”, disse um integrante da Corte.

Outros ministros tentaram refletir sobre os motivos de declarações de Flávio. Um deles disse que o senador está fragilizado desde que foram reveladas as relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, crise que teria se acentuada pelo tarifaço dos EUA contra o Brasil.

Outro integrante do STF avalia que Flávio quer explorar a influência de seu pai para faturar eleitoralmente, o que a decisão de Moraes barrou em parte. Além de proibir visitas sociais por 30 dias, o ministro vetou encontros com “finalidade político-partidária” até depois das eleições. Para o ministro, Flávio, que está em desvantagem nas pesquisas, pode ter escolhido “bater” no Supremo como parte de uma estratégia para ser mais competitivo nas eleições.

Nenhum comentário: