terça-feira, 1 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Adiar privatização dos Correios custa cada dia mais caro

Por O Globo

Governo prevê aporte de R$ 6 bilhões na estatal que fechou primeiro semestre com prejuízo recorde

Em abril de 2023, menos de quatro meses depois de assumir a Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva retirou os Correios da lista de privatizações preparada pelo governo anterior. Na visão do PT, a empresa deveria cumprir sua “função social”. De lá para cá, a sangria da estatal só fez aumentar. No primeiro ano do mandato, o prejuízo foi de R$ 597 milhões. No ano seguinte, pulou para R$ 2,6 bilhões. No ano passado, chegou a R$ 8,5 bilhões e, tendo fechado o primeiro semestre deste ano em R$ 5,5 bilhões, deverá bater novo recorde até dezembro. Os Correios não sabem o que é um resultado trimestral no azul desde setembro de 2022. Para completar, a proposta de Orçamento para 2027 enviada pelo governo ao Congresso prevê um aporte de R$ 6 bilhões do Tesouro na estatal. Toda essa cegueira ideológica custa a cada dia mais caro ao país.

O problema da dívida pública, por Míriam Leitão

O Globo

O cenário de incerteza é menos pelo tamanho da dívida e mais pela falta de sinalização de um ajuste fiscal do presidente e do principal concorrente

A dívida pública brasileira não caminha para bater no muro. Mas parece, pelos números da dívida bruta e pela intensidade do debate em torno do tema. O Tesouro tem como rolar sua dívida, apesar de o total ter chegado a 82,5% do PIB em julho, o maior nível desde abril de 2021. Há erros técnicos que podem ser corrigidos tornando mais barata a rolagem dos títulos. E é fundamental dar ao investidor alguma perspectiva de que o próximo governo fará um ajuste nas contas públicas.

O que gera este cenário de incerteza no mercado é menos o tamanho da dívida ou sua trajetória recente, e mais a percepção de que nada será feito para conter a continuidade da alta. O atual presidente não se compromete com um ajuste, nem seu principal concorrente. A boa notícia é que não é um problema impossível de ser resolvido, porém, é preciso passar um sinal na direção correta.

Por que se fala tanto em terras-raras? Por Fernando Gabeira

O Globo

Elas são uma promessa para o Brasil, desde que se invista na tecnologia e haja rigor no respeito ao meio ambiente

Afinal, o que são essas terras-raras que os americanos querem, os chineses refinam, e os brasileiros veem como recurso para a economia futura?

Para começar, não são tão raras assim. Existem em abundância na China e no Brasil. Nem são propriamente terras. Esse nome era dado, nos séculos XVIII e XIX, a qualquer óxido metálico insolúvel em água.

Foram chamadas de raras quando descobertas num mineral em Ytterby, na Suécia. Elas ocorriam em minerais incomuns e eram consideradas raras porque era difícil a separação dos 17 elementos químicos que compõem o grupo. O nome desses elementos é meio curioso: cério, neodímio, disprósio, praseodímio, európio e por aí vai.

Perfis de fofoca turbinam crescimento de Augusto Cury nas redes, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Páginas de humor e entretenimento passaram a veicular mensagens favoráveis a candidato, que fala em 'movimento incontrolável'

Não foram só os chamados influenciadores que turbinaram o crescimento de Augusto Cury nas redes sociais.

Na última semana, perfis especializados em fofocas também passaram a difundir mensagens favoráveis ao candidato do Avante.

Páginas como Tricotei (4,2 milhões de seguidores no Instagram) e Futrikei (2,5 milhões de seguidores) transformaram Cury em tema de debate.

Esse tipo de perfil costuma ser usado por empresas de marketing digital para gerar engajamento em torno dos anunciantes.

Sintoma e diagnóstico, por Merval Pereira

O Globo

Cury diz ser de direita na cabeça, mas de esquerda no coração e tira no momento votos de vários candidatos, um pouco de Lula e Renan, a maior parte de Flávio.

O sonho de Ronaldo Caiado, o candidato a presidente da República do PSD, era chegar a esta altura da campanha com dois dígitos nas pesquisas de opinião. Achava que, a partir daí, subiria para enfrentar Lula no segundo turno. Quem chegou lá, pelo menos pelas pesquisas digitais e telefônicas de opinião, foi o escritor Augusto Cury, candidato do Avante, um azarão verdadeiro — não confundir com o filme “Dark Horse”. Pelo menos até agora, não há indicação de que Cury tenha alguma ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas, como ele acaba de entrar no jogo, sua vida será revirada pelo avesso.

Cury chega a dois dígitos na pesquisa e se coloca como terceira via, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A novidade é a velocidade com que o candidato do Avante assumiu o terceiro lugar na disputa. Cury passou a ser lembrado como opção presidencial

Nas primeiras rodadas de debates e entrevistas, marcadas pelas dificuldades de Lula e Flávio Bolsonaro para explicar seus passivos políticos, Augusto Cury se projetou como candidato menos interessado em prolongar a guerra entre os dois campos e mais empenhado em associar tecnologia, eficiência administrativa e cuidado com as pessoas. A pesquisa BTG/Nexus divulgada nessa segunda-feira mostra que sua estratégia deu certo. No cenário estimulado sem Pablo Marçal, Cury saltou de 2% para 11% em uma semana. Lula oscilou de 41% para 39%, enquanto Flávio recuou de 37% para 33%. Ronaldo Caiado permaneceu com 5%; Renan Santos, com 3%; e Romeu Zema passou de 3% para 1%.

De que valem os votos da Faria Lima, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Aval é carimbo para formação de equipe capaz de confirmar ou dissipar o medo do eleitor de mudar

Ainda que votasse unida, a avenida Faria Lima teria dificuldade de eleger um vereador na capital. A atenção de um punhado de seus eleitores mobilizou a cúpula das duas principais campanhas por um único motivo. Este é o momento em que o eleitor olha para o lado, se dá conta de que tem uma eleição e faz o cálculo se a mudança vale a pena ou pode piorar o que está aí. O apoio naquela avenida serve de aval para o desafiante atrair uma equipe capaz de minorar a desconfiança do eleitor em relação a uma mudança para pior. Simples assim.

Há um mês, no auge da repercussão do “Dark Horse”, o senador Flávio Bolsonaro (PL) não conseguia ser recebido pela banca. Nunca houve muita dúvida da maior proximidade da pauta econômica, mas o custo institucional de um retorno do bolsonarismo mantinha a cancela fechada. Com a entrada da dupla Fabio Luís/Marco Aurélio Ribeiro nas paradas de sucesso dos vazamentos da PF, a diferença se estreitou, a perspectiva de poder se tornou real, e, em uma semana, Flávio teve três encontros importantes.

A válvula de escape mudou de lugar, por Luiz Schymura

Valor Econômico

Talvez esteja na hora de ampliar o campo de visão da regra, reconhecendo os efeitos fiscais das operações financeiras e tornando mais visíveis os canais para os quais o estímulo migra

A relação entre finanças públicas e ciclos eleitorais é conhecida: o gasto público tende a subir em anos de eleição, na tentativa de gerar sensação de bem-estar e sustentar a popularidade do governo. O ciclo de 2026 não foge à regra: os gastos primários federais partiram com força bem maior que em pleitos anteriores. O impulso do gasto público, federal mais estadual, superou a própria variação do PIB tanto em 2022 quanto no primeiro trimestre deste ano. Mas há uma regularidade adicional, menos discutida: regras fiscais não eliminam a pressão política pelo gasto, apenas ajudam a determinar por onde ela vai escapar. Sob o teto de gastos, uma das válvulas foi a desoneração tributária, que funcionou como um expediente para conceder benefícios a setores sem violar formalmente o limite de despesas. Sob o Novo Arcabouço Fiscal, em vigor desde 2024, o canal mudou: são as despesas financeiras.

O Tempo e a Lógica, por Luiz Gonzaga Belluzzo

Valor Econômico

O primeiro implica a incerteza, o segundo demanda um sistema de axiomas, envolvendo tudo o que é relevante

No livro “Epistemics and Economics”, George Shackle aborda a questão da racionalidade, tão cara aos economistas. “O tempo e a lógica”, comenta Shackle, “são estranhos um ao outro. O primeiro implica a incerteza, o segundo demanda um sistema de axiomas, um sistema envolvendo tudo o que é relevante. Mas, infelizmente, o vazio do futuro compromete a possibilidade da lógica”.

George Shackle afirma que a economia é uma área do conhecimento submetida às incertezas da vida humana em sociedade. Ela procura estudar o comportamento dos agentes privados em busca da riqueza, nos marcos de um quadro social e político determinado temporalmente, isto é, cada nova decisão de acumular riqueza tem um caráter crucial, porquanto tem o poder de reconfigurar as circunstâncias em que foi concebida.

Lula e empresários debatem cenário fiscal, Trump e dívida pública, por Sofia Aguiar

Valor Econômico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, na noite desta segunda-feira (31), com empresários e banqueiros para debater o panorama fiscal do país, de olho em atrair o setor a pouco mais de um mês das eleições. De acordo com fontes, o foco principal do jantar foi o diálogo sobre a economia brasileira, mas houve citações ao compromisso fiscal da gestão, à dívida pública e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Os convidados começaram a chegar ao Palácio da Alvorada, onde foi o jantar, por volta das 19h30, e deixaram o local cerca de três horas depois, a partir das 22h30. Foram 16 empresários e banqueiros convidados, além de integrantes do governo e do presidente do PT, Edinho Silva.

A dívida que se pode conversar, por Giovanni Bevilaqua*

Correio Braziliense

Não são números que se escondem atrás de eufemismo. É gente que abre a loja de manhã sabendo que uma parcela vai vencer antes do fechamento de caixa

Nos últimos dados do Banco Central, a inadimplência das empresas voltou a subir: 3,2% na carteira ampliada, um pouco mais entre as menores. Em pesquisas aplicadas trimestralmente com pequenos negócios em todo o país, 28% já declaram ter alguma dívida em atraso, e mais da metade de quem tem compromisso em aberto vê o pagamento consumir 30% ou mais dos custos mensais do negócio. Não são números que se escondem atrás de eufemismo. É gente que abre a loja de manhã sabendo que uma parcela vai vencer antes do fechamento de caixa.

Dito isso, sem meio-termo: esse retrato não é sinônimo de fracasso pessoal. É sinônimo de um sistema que ainda trata o pequeno empreendedor como um risco a ser precificado, quando deveria tratá-lo como um agente a ser conhecido.

Renan sai, Cury sobe. E daí? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Toffoli assumiu um poder que não tem e embaralha a eleição para nada. A polarização continua

Renan Santos sai, Augusto Cury sobe, e os dois movimentos excitam as campanhas, a opinião pública e os especialistas, provocando debates, confrontos e as mais diferentes suposições, mas o fato real, que não é nada excitante, é que nada muda na polarização acirrada entre os favoritos Lula e Flávio Bolsonaro. Nem Renan nem Cury têm força para mudar a eleição.

Há duas questões em relação à decisão que praticamente cassou a candidatura de Renan Santos, que já não tinha acesso à propaganda eleitoral na TV e agora fica impedido de fazer campanha digital – que é o seu forte –, de receber fundo eleitoral e de participar de debates e entrevistas. O que sobra?

Luta na lama, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Vazamento para todos! Vazamento para todos já! Só vazam informações sigilosas sobre um lado, seletivamente. Tem de equilibrar essa balança de ilegalidades. Justiça, ministro André Mendonça! Se vaza contra Lulinha, há que vazar contra Flávio Bolsonaro. Alô, Dino! Igualdade!

E então proliferam as plantações na imprensa – feitas por colegas togados – sobre Mendonça estar influenciado por delegados da Polícia Federal lotados em seu gabinete, que seriam lavajatistas-bolsonaristas adversários de Andrei Rodrigues, aquele que bebeu o uísque de Vorcaro com Xandão e Gonet. Na última sexta, Rodrigues reafirmou que a corporação, órgão de Estado, atua de forma independente e sem viés político.

Brasília busca pactos por medo dos escândalos, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Acordos entre instituições de Estado têm sido prática recorrente entre autoridades dos três Poderes

No empenho de contornar atritos está a intenção de controlar investigações para evitar o risco político

Não é de hoje, nem de ontem, que Brasília vive uma fase de acordos inusitados, fora do desenho constitucional de harmonia autônoma entre os Poderes. Foi o caso do acerto entre os presidentes da República, do Senado e da Câmara com mediação do vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Avizinha-se agora uma tentativa de conciliação entre o ministro André Mendonça, do STF, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, patrocinada pelo presidente Luiz Inácio da Silva (PT), a fim de dirimir divergências na condução dos inquéritos sobre as fraudes no INSS e as trapaças financeiras de Daniel Vorcaro à frente do liquidado banco Master.

Crescimento de Cury entre cristãos atrapalha Flávio e Renan, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Autor ocupa a terceira posição segundo BTG/ Nexus

Influenciadores apoiam campanha propositiva e de pacificação

Inicialmente tratada como piada por analistas, a campanha do escritor Augusto Cury parece ter atendido a uma demanda reprimida: o desejo de pacificar a discussão política no país. Ele ocupa o terceiro lugar isolado, com 11% de intenções segundo a pesquisa BTG/Nexus.

Após o debate presidencial na Band, no domingo retrasado (23), o psiquiatra e autor foi quem mais ampliou sua base de seguidores. E o volume de buscas por seu nome aumentou 900% durante a semana, segundo levantamento da Vox Radar citado pela CNN Brasil.

O colunista do PlatôBR Diego Amorim associou o crescimento à atuação do influenciador Pablo Marçal. Se mantiver o ritmo, o avanço de Cury deve atrapalhar sobretudo Renan Santos, candidato da Missão/MBL, e Flávio Bolsonaro, do PL.

Golpes do impeachment, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Afastamento definitivo de Dilma Rousseff completa dez anos

Iniciativa acirrou polarização e facilitou eleição de Jair Bolsonaro

Há dez anos, em 31 de agosto de 2016, Dilma Rousseff (PT) era definitivamente afastada da Presidência da República, depois de ser julgada culpada de crime de responsabilidade pelo Senado. O evento deixou marcas na história do país, algumas das quais ainda se fazem sentir.

Para o PT, o impeachment foi um golpe. A palavra "golpe" é suficientemente polissêmica para permitir essa interpretação. Um de seus múltiplos significados é o de "revés", como na expressão "golpe do destino". E não há muita dúvida de que o afastamento representou um revés para a petista. Já a tentativa de imprimir ao termo "golpe" o sentido mais técnico de "ruptura constitucional ilícita" é mais problemática.

Intervenção no Rio é aprovada pela população, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Pela primeira vez em décadas há um plano de governo sendo realizado

Exonerações de cargos comissionados ultrapassaram a marca de 6.000

O Supremo Tribunal Federal adiou mais uma vez o julgamento que trata do mandato-tampão no Rio de Janeiro. Há divergências sobre o tema: eleição direta, indireta ou a manutenção do desembargador Ricardo Couto no comando do estado até a posse do novo governador. Com a proximidade das eleições, esta última corrente deverá prevalecer.

É uma intervenção velada, pois a letra fria da Constituição estadual determina que, em caso de dupla vacância (Cláudio Castro renunciou em março e o cargo de vice estava vago desde o ano passado), a escolha do novo governador deve ser realizada pela Assembleia Legislativa.

Poesia | Ternura, de Vinicius de Moraes

 

Música | Samba pra Vinicius -Toquinho, Quarteto em Cy e Chico Buarque