terça-feira, 11 de março de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Mercados se inquietam com chance de estagflação nos EUA

Valor Econômico

Para o Brasil, a melhor defesa ante instabilidades que virão é buscar o equilíbrio fiscal, desestimulando saídas de capital e novas maxidesvalorizações nocivas do dólar

O cenário de mercados otimistas com a eleição de Donald Trump e seu programa de governo está mudando rapidamente para outro, pessimista, em que os Estados Unidos poderão entrar em recessão, sem que a inflação deixe de subir. As bolsas americanas tiveram um dia para esquecer. A Nasdaq, onde são vendidos os papéis das big techs, chegou a recuar 4,6% - uma liquidação que eliminou US$ 1 trilhão de valor -, enquanto as superprestigiadas ações das companhias de tecnologia tiveram perdas de 16% no ano até agora. S&P e Dow Jones caíram bem, mas um pouco menos. Tesla, do bilionário Elon Musk, membro do governo Trump, viu seu valor de mercado reduzido em US$ 500 bilhões. As perspectivas dos investidores pioraram de vez depois que Trump se negou, em entrevista no fim de semana, a descartar recessão ou mais inflação com as medidas que vem tomando, algo que nunca esteve em seu script.

As expectativas começaram a virar lentamente, já que a possibilidade de recessão tende a derrubar ações, os bônus do Tesouro e o dólar, que ontem recuou no mundo inteiro, menos no Brasil, onde subiu. A velocidade da guinada nos preços dos ativos importa, assim como o ponto da qual partem. Os mercados acionários, em especial os papéis das big techs, vinham exibindo um desempenho excepcional, que cessaria em algum momento. A Nasdaq teve ganhos de 30% no ano passado, a S&P, 23% e Índice Dow Jones, 13%. O acerto de contas pode ter tido um de seus pontos de inflexão ontem, ainda que seja prematuro predizer que haverá “estouro” da bolha parecido ao que ocorreu após a euforia das dotcom em 2000.

A incerteza e seu efeito na economia - Míriam Leitão

O Globo

As dúvidas geradas por Donald Trump paralisam as decisões econômicas. E isso pode levar à recessão

A incerteza é mais forte que a política monetária e a política fiscal para reduzir o ritmo de atividade. Subir juros e cortar gastos têm menos efeito do que a incerteza gerada diariamente pelo governo de Donald Trump. Isso está produzindo queda de investimento e de atividade econômica nos Estados Unidos. O cenário de recessão americana não é considerado o mais provável, mas o fato é que as tarifas, mesmo não estando em vigor, já surtem efeito econômico. Foi o que me disseram dois economistas que ouvi ontem, no governo e no mercado financeiro. Diante disso, o que o Brasil pode fazer? "Não criar mais ruído. A hora é de não aprontar confusão, porque o mundo ficou mais complicado”, me disse um deles.

A democracia e a crise dos 40 - César Felício

Valor Econômico

Desafios foram vencidos desde 1985, mas capacidade da Política de prover soluções está em xeque

Há quarenta anos, quando o regime militar estertorava e o País aguardava o início da nova era democrática, garantir comida era a principal preocupação da população.

Uma pesquisa feita pelo Ibope nas regiões metropolitanas, publicada pelo jornal Gazeta Mercantil e revista Istoé, foi a campo para sondar o que mais angustiava o País que Tancredo Neves ia assumir. Era dezembro de 1984. Tancredo não assumiu, Ibope e Gazeta Mercantil não existem mais e a Istoé desapareceu no formato impresso, mas a pesquisa de então é uma cápsula do tempo que permite ver como os problemas de então se transformaram. Outros se criaram, nada propriamente se perdeu.

Quase a metade dos pesquisados—48,6 %—disseram que a segurança alimentar deveria ser tratada como a prioridade máxima. A segurança pública vinha em segundo lugar, com 20,7%. Problemas sociais, como Educação, Saúde e Habitação, somavam 24%.

Com Gleisi e Padilha, Lula aponta o rumo da estratégia eleitoral – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Presidente sonha com o filho 03 de Bolsonaro no 2º turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva empossou, ontem, os novos ministros Gleisi Hoffmann, na Secretaria de Relações Institucionais, e Alexandre Padilha, na Saúde, em cerimônia no Palácio do Planalto prestigiada pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicamos-PB), além de outras lideranças do Congresso.

Dois discursos foram importantes: o de Nísia Trindade, ao passar o cargo ao novo ministro da Saúde, no qual registrou com veemência a campanha misógina que sofreu quando estava à frente da pasta; e o de Gleisi, ao pontuar que vai se empenhar no apoio ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cuja política econômica sempre criticou quando presidia o PT. Padilha fez um discurso cuidadoso com a antecessora, criticou o negacionismo e foi enfático na defesa das campanhas de vacinação.

Para onde o vento sopra? - Merval Pereira

O Globo

É difícil ver a nomeação de Gleisi como avanço para um governo mais amplo, de coalizão nacional

Escolher Gleisi Hoffmann como ministra da Secretaria de Relações Institucionais, a esta altura do campeonato, é decisão de posicionamento do presidente Lula. Escolher Edinho Silva para assumir a presidência do PT em lugar de Gleisi indica o oposto. Por isso as diversas facções internas do petismo estão em guerra. Embora garanta que foi escolhida porque pode negociar com os demais partidos, ela não é conhecida pela habilidade de negociadora.

Ao contrário, é uma negociadora dura, inflexível, que pode ser considerada boa para o PT, mas não para um governo de amplo espectro político. É difícil ver a nomeação de Gleisi como avanço para um governo mais amplo, de coalizão nacional. Se o grupo de Gleisi não aceita a indicação de Edinho para a presidência do PT, ele sim, considerado um negociador moderado, por que ela seria avaliada como negociadora capaz de unir em torno de Lula facções partidárias distintas, ampliando a base política do governo? 

Lula como fiador da soma e da subtração de Gleisi - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Antes de tomar posse, Gleisi foi anfitriã da reunião de uma facção do CNB, com a presença de Lula, que bombardeou aquele é tido como seu candidato à presidência do PT

A nova ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tomou posse com um discurso moldado para desfazer a ideia que dela se tem ao ressaltar o respeito aos aliados (“ninguém faz nada sozinho”), o cumprimento de acordos e a abertura a críticas. “Chego para somar”, resumiu, ao destacar a “grandeza da mediação” a serviço tanto do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quanto da Casa Civil, Rui Costa.

Esta ministra que se propõe a algodão entre cristais no governo foi, até a última noite como presidente do PT, o esteio da combustão. Foi em sua casa que integrantes da CNB, corrente majoritária do PT, se reuniram na quinta-feira, véspera da posse do senador Humberto Costa (PE) como presidente interino do PT até julho quando haverá a eleição para a presidência do partido.

A capacidade de sonhar - Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

O País continua coberto de problemas, boa parte dos quais o aflige há anos, sem que os consigamos resolver, quando nos dispomos a tentar fazê-lo

Parte dos brasileiros parece ter perdido a capacidade de sonhar; ou decidiu reprimir sua capacidade de alegrar-se. A economia até pode ir bem, às vezes bem melhor do que o previsto, mas tudo parece ruim, e piorando. O Produto Interno Bruto (PIB) ilustra esse fenômeno perturbador e de impacto político poderoso.

Em dezembro de 2023, a previsão dominante entre centenas de operadores do mercado financeiro semanalmente consultados pelo Banco Central para seu boletim Focus era a de que em 2024 o PIB cresceria 1,5% ou, na melhor das hipóteses, 1,51%. A realidade foi mais radiante. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB aumentou 3,4% em 2024, mais do que o dobro das projeções. Alguma retratação, alguma celebração? Nenhuma. Apenas a ressalva de que, daqui para a frente, tudo vai piorar.

Lupi critica 'especialistas' que sacrificam assalariado e protegem capital especulativo

Painel / Folha de S. Paulo

Ministro da Previdência Social diz que os 'ex-alguma coisa' são porta-vozes de um modelo que está exaurido

O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, critica os "especialistas que defendem o capital especulativo e sacrificam o assalariado" ao tratar da situação econômica do país.

Em artigo enviado ao Painel, ele diz que o grupo é formado pelos "ex-alguma coisa" –ex-ministros, ex-presidentes de instituições financeiras e ex-diretores.

Presidente licenciado do PDT, Lupi afirma que "os especialistas são porta-vozes de um modelo que está exaurido e que, a cada dia, traz mais conflitos sociais".

Raquel Lyra se filia ao PSD de Kassab e busca se fortalecer

José Matheus Santos / Folha de S. Paulo

Governadora deixa PSDB após críticas ao partido por oposição a Lula e diz que recebeu em nova sigla 'a acolhida necessária'

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, filiou-se ao PSD na noite desta segunda-feira (10) no Recife. O evento de filiação contou com participação de líderes do partido, como o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.

Raquel Lyra deixa após nove anos o PSDB, que está sob um processo de fragilização da força política nos últimos anos. A chefe do Executivo pernambucano também busca se fortalecer para uma eventual disputa em 2026 contra o prefeito do Recife, João Campos (PSB).

No evento, Raquel agradeceu ao "partido que me acolheu nos últimos nove anos" e disse que agora "é um novo momento" no PSD. "Encontrei no PSD a acolhida necessária para ajudar na construção do partido e no fortalecimento dele no Nordeste. É um novo começo."

Raquel se filia ao PSD em evento com lulistas

Luíza Marzullo / O Globo

Filiação de Lyra ao PSD coloca partidos da base de Lula no governo de todos os estados do Nordeste

Com a presença de três ministros do presidente Lula, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, oficializou na noite de ontem sua migração do PSDB para o PSD. Com essa movimentação, todos os estados do Nordeste passam a ser administrados por partidos aliados ao Palácio do Planalto. A ex-tucana realiza a troca partidária de olho em sua campanha à reeleição no ano que vem, quando deve enfrentar o prefeito do Recife, João Campos (PSB), próximo de Lula, que foi alfinetado na solenidade.

— Não estamos aqui esquentando cadeira para quem quer voltar ao poder — afirmou, em referência aos 16 anos que o PSB esteve à frente do estado. — Estamos fazendo um projeto.

A filiação de Raquel Lyra a um partido da base do governo federal coloca o Palácio do Planalto em posição delicada caso decida apoiar Campos nas eleições do ano que vem.

Ao entrar no ministério, Gleisi promete ajudar pauta de Haddad

O Estado de S. Paulo

Vera Rosa colaboraram Sofia Aguiar, Gabriel Hirabahasi e Lavínia Kaucz

Nova titular da articulação política usa cerimônia de posse para tentar dissipar mal-estar com ministro da Fazenda, alvo de suas críticas; Padilha faz discurso contra bolsonaristas

Em cerimônia de posse, a nova titular da articulação política tentou aparar arestas com ministro da Fazenda. Em 2023, a cúpula do PT classificou ajuste das contas públicas apresentado por ele de “austericídio fiscal”.

A nova articuladora política do Palácio do Planalto, Gleisi Hoffmann, fez questão de aproveitar a cerimônia de posse na Secretaria de Relações Institucionais, ontem, para fazer um afago ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticado por ela desde o início do governo. Haddad foi o primeiro ministro citado por Gleisi, na tentativa de mostrar que, ao deixar a presidência do PT e ocupar essa cadeira, não será adversária da política econômica conduzida pelo colega.

Gleisi acena a Congresso e Haddad na articulação política

Mariana Brasil, Catia Seabra e Mateus Vargas / Folha de S. Paulo

Nova ministra tomou posse junto a Alexandre Padilha, na Saúde, nesta segunda-feira (10)

A ministra Gleisi Hoffmann (PT) tomou posse à frente da Secretaria das Relações Institucionais nesta segunda-feira (10) fazendo acenos ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), com quem já divergiu publicamente, e também aos presidentes da Câmara e do Senado.

A posse da agora ex-presidente do PT foi realizada com a presença do presidente Lula (PT) no Palácio do Planalto, em cerimônia que também deu início à gestão de Alexandre Padilha (PT) no Ministério da Saúde, no lugar de Nísia Trindade.

"Chego para somar. Foi essa missão que recebi e pretendo cumprir num governo de ampla coalizão, dialogando com as forças políticas do Congresso e com as expressões da sociedade, suas organizações e movimentos", disse Gleisi.

Contra desconfiança, Gleisi acena a Haddad e ao Centrão na posse

Karoline Bandeira, Jeniffer Gularte, Sérgio Roxo, Victoria Abel e Camila Turtelli / O Globo

Escolha de Lula foi criticada por não atender a siglas aliadas que reivindicam mais espaço na Esplanada

A posse dos ministros Alexandre Padilha, na Saúde, e Gleisi Hoffmann, na Secretaria de Relações Institucionais, em evento ontem no Palácio do Planalto, foi marcada por recados ao Congresso, sinalizações sobre 2026 e a ausência de parte dos líderes do Centrão. A escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelos dois novos ministros, ambos filiados ao PT, foi criticada nos bastidores por não atender a siglas aliadas que reivindicam mais espaço na Esplanada.

As trocas foram as primeiras da reforma ministerial prevista por Lula para a segunda metade do mandato, quando passou a enfrentar queda vertiginosa de popularidade. As nomeações de Padilha e, em especial, Gleisi, ex-presidente do PT, foram vistas por aliados como uma guinada à esquerda do governo, principalmente pelas críticas públicas que ela já fez à pauta econômica do ministro Fernando Haddad. Ao tomar posse, Gleisi adotou um tom de conciliação, com acenos tanto ao titular da Fazenda quanto ao Congresso.

Gleisi no Planalto torna o governo mais petista - Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Presidente caminha para longe do centro ao fazer indicação para ministério que negocia com Congresso

Um governo com notória dificuldade na relação com o Congresso; que perdeu a confiança do mercado financeiro; e que assiste à queda acentuada de sua aprovação popular. Algo precisa mudar. O caminho mais natural seria caminhar para o centro. O Congresso está à direita do governo. Os segmentos em que ele é pior avaliado na população. Do mercado financeiro nem se fala.

Ao tirar Gleisi Hoffmann da presidência do PT e trazê-la para a Secretaria de Relações Institucionais —que negocia a articulação com o Congresso, estados e municípios— , Lula dá a resposta contrária: caminha para longe do centro. Para você que achava que já havia PT demais e frente ampla de menos neste novo governo Lula, as mudanças de ontem respondem: o governo acaba de ficar ainda mais petista.

A fila anda, e sem Bolsonaro - Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Mas, de olho na herança de votos, não abrem mão do discurso golpista

"Em política, uma cousa de nada desvia o curso da campanha e dá a vitória ao adversário", ensina Camacho, personagem do "Quincas Borba" que tinha uma frase inútil para todas as ocasiões. Com esta, tenta convencer Rubião a se candidatar a deputado. Como se sabe, o protagonista do romance de Machado de Assis acaba mal. Enlouquecido, nem as batatas do vencedor ele leva.

Confiando no fato novo, a coisa de nada que muda o rumo da história, os presidenciáveis de 2026 estão alvoroçados diante de uma disputa que se apresenta aberta, sobretudo com a queda de popularidade de Lula e a inelegibilidade e a prisão dada como certa de Bolsonaro.

Direita põe o bloco na rua - Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Caiado sai a campo e normaliza a existência de candidaturas no espaço eleitoral de Bolsonaro

O lançamento do nome de Ronaldo Caiado (União) como postulante à Presidência não significa que o governador de Goiás será mesmo candidato quando chegar a hora de a onça beber água, em meados de 2026.

Por enquanto é só uma hipótese, inclusive porque Caiado está inelegível por decisão judicial de primeira instância, à qual cabe recurso. Mas o ato marcado para o próximo dia 4 de abril quer dizer que a direita põe o bloco na rua e começa a testar suas possibilidades. O governador é apenas um dentre os vários pretendentes do campo ainda liderado por Jair Bolsonaro (PL) —com quem tem divergências explícitas, o que facilita o movimento.

Pode falar abertamente da candidatura sem prejudicar a estratégia de outros aspirantes que por ora ficam na muda para evitar que o vingativo capitão lhes incinere as pretensões na largada, criando problemas com o ambicionado eleitorado.

Lula, as galinhas e os preços - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Discurso de presidente contra atravessadores reproduz viés contra economia de mercado ao não reconhecer a importância de atividades logísticas

Sempre me intrigou o fato de termos conseguido desenvolver uma economia de mercado sofisticada considerando as barreiras que nosso psiquismo impõe a ela.

Nossos cérebros da Idade da Pedra não têm dificuldade para perceber que um agricultor ou um artesão produzem valor. Eles, afinal, transformam sementes e matérias-primas em colheitas e produtos úteis. Mas não aplicamos o mesmo raciocínio a comerciantes e outros intermediários. Por alguma razão, não vemos sua atividade de logística como "produtiva" e os chamamos pejorativamente de "atravessadores".

O presidente Lula melhor que ninguém exemplifica essa tendência. Vendo sua popularidade acossada pela inflação de alimentos, ele ameaçou medidas "drásticas". Contra quem? Falando de ovos, ele elaborou.

Mudar, é preciso - Elimar Nascimento

Revista Será?, edição de 07 de março de 2025

Aparentemente, o governo Lula está com graves problemas. Caindo nas pesquisas a cada dia, enquanto os seus adversários, à direita, manifestam pujança. Os quatro governadores de oposição – RS, PR, SP, MG – apresentam bons sinais de desempenho, todos com índices superiores a 60% de aprovação. Lula não chega a 30%. Dentre aqueles governadores deverá sair pelo menos um candidato à presidência. E se ocorrer uma aliança entre eles, será difícil vencê-la.

Criticar o governo Lula, cuja eleição nos impediu de hoje estar sob um regime ditatorial não é fácil. Esta é uma dívida que contraímos com ele, e não poderemos jamais esquecer. Ou alguém duvida que Bolsonaro no poder aqui, e Trump lá, sobraria algo da nossa democracia?

O fracasso do  governo Lula será a porta para a direita alcançar o poder. E não sabemos quais concessões a direita vitoriosa fará para a extrema-direita. Por isso, mas não só, é preciso torcer pelo sucesso do governo Lula, o que implicará atrair a direita democrática para o governo de forma mais clara, dando-lhe também papel de protagonista. Seguir o conselho que escutei de Miguel Arraes: “aqui (diria no momento atual) para vencer (eleitoralmente) é preciso dividir a direita, atraindo sua vertente democrática”. 

Poesia | Traduzir-se, de Ferreira Gullar

 

Música | Samba Que Elas Querem :: Guerreira :: ZUMBIDO

 

segunda-feira, 10 de março de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Congresso adota agenda de fundo corporativista

O Globo

Em vez de tratar de preocupações da população, parlamentares elegem pauta ditada pelos próprios interesses

Findo o recesso de carnaval, os congressistas parecem ter escolhido suas prioridades na pauta de votações. Nenhuma tem a ver com as maiores preocupações da população, saúde e segurança. Vencidos, graças ao acordo com o Supremo, os obstáculos para liberar emendas parlamentares, o principal objetivo do Parlamento mantém-se o mesmo: defender os próprios interesses. No topo da lista, estão propostas de mudanças na legislação eleitoral, que precisam ser aprovadas até outubro para valerem já nas eleições de 2026.

A mais preocupante altera a Lei da Ficha Limpa, facilitando o acesso às urnas dos criminosos condenados em segunda instância. Pronta para ir ao plenário, ela deveria ser engavetada ou rejeitada por qualquer parlamentar preocupado com a infiltração do crime nas instituições da República.

Também formou-se consenso no comando das duas Casas legislativas de que as mudanças no Código Eleitoral e a minirreforma eleitoral, aprovadas na Câmara e estacionadas no Senado, devem avançar. Caberá à Comissão de Constituição e Justiça do Senado recolocá-las em tramitação. É compreensível que o assunto esteja no radar, mas não é aceitável que seja motivo para mudar regras que, em vez de alteradas, precisam antes ser cumpridas.

Entre as ideias em discussão, há desde a proposta de flexibilizar a cota feminina para candidatos ao Legislativo até o afrouxamento das normas para prestação de contas partidárias. Uma das mudanças de interesse dos políticos é limitar a R$ 30 mil as multas por falhas na prestação de contas, valor sem qualquer proporcionalidade com as cifras que o Tesouro transfere às legendas (apenas para o fundo eleitoral das eleições municipais do ano passado foram destinados quase R$ 5 bilhões).

Mercosul: o último tango em Washington? - Assis Moreira

Valor Econômico

Países do bloco examinam negociações em curso, enquanto Milei visa acordo com Donald Trump

A partir desta semana começam efetivamente as reuniões da presidência rotativa da Argentina no Mercosul. Será a ocasião para os parceiros tentarem identificar como o governo de Javier Milei planeja realmente atuar à frente do bloco.

Milei insiste que trabalha intensamente em um projeto de acordo comercial com os EUA, aproveitando a afinidade ideológica com Donald Trump. De seu lado, Trump disse estar aberto à possibilidade de avançar num tratado comercial com o ‘grande lider’ Milei.

BC mantém cautela apesar do PIB fraco - Alex Ribeiro

Valor Econômico

Diretores do Banco Central dizem que não pretendem reagir preventivamente à possibilidade de novos estímulos à economia, mas têm indicado a intenção de ajustar a dosagem da política monetária caso seja preciso

Quando o Banco Central decidiu dar um choque de juros, em dezembro, sua avaliação era que haveria uma “nova expansão da atividade econômica no quarto trimestre, sem sinais claros de desaceleração relevante”. Na sexta, ficamos sabendo, pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que o BC errou sua previsão.

Apesar da surpresa negativa, o Produto Interno Bruto (PIB) não deve alterar o plano de voo do Comitê de Política Monetária (Copom), que, na semana que vem, vai subir os juros para 14,25% ao ano e provavelmente deixará em aberto o que pretende fazer na reunião seguinte, de maio.

Políticas para mulheres: como ir além do papo-furado? - Bruno Carazza

Valor Econômico

Intenção do governo é positiva, mas falta ênfase para melhorar a condição feminina no Brasil

Numa entrevista que concedeu ao Valor no início da campanha eleitoral de 2022, o candidato Ciro Gomes tentou atacar o seu rival Lula descrevendo como seria a composição do ministério do petista caso ele saísse vitorioso na eleição:

“Ele [Lula] vai botar um banqueiro na Economia, entregar as políticas de papo-furado - mulher, índio e negro - para o PT se divertir, a política e o orçamento pro Centrão e vai passear no estrangeiro”, afirmou Ciro, com a sua habitual falta de senso. Na época pegou bastante mal para o político cearense chamar de “papo-furado” políticas públicas voltadas para importantes contingentes minorizados da população.

O STF e a conspiração - Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

O perfil de agente passivo de arbitragem não dá mais conta face às investidas virulentas e sem precedentes do Executivo e aliados

O julgamento da conspiração de membros da cúpula do governo Bolsonaro tem sido analisado em relação ao seu provável impacto —ganhos e custos— para o governo e a oposição. Mas há outro poder envolvido: o Poder Judiciário. Para o STF, o saldo líquido será certamente negativo em qualquer cenário.

É um truísmo afirmar que, na última década, o STF tornou-se hiperprotagonista do jogo institucional. Não se trata de algo trivial, mas da maior transformação em nosso sistema político pós 88.

São quatro os principais fatores explicativos para o hiperprotagonismo do STF: sua jurisdição como corte criminal; o impeachment presidencial de 2016; a contenção de um presidente francamente hostil à ordem constitucional; e, como desdobramento desta última, o julgamento da conspiração. A trajetória linear de expansão do protagonismo está sofrendo radical inflexão, e os desafios da corte são agora de outra ordem de magnitude.

Polarização e radicalização - Michel Temer

O Estado de S. Paulo

No Brasil, não há mais discussão de ideias quando se trata daqueles que querem chegar ao poder federal para dirigi-lo

Reservo a palavra polarização para o embate de ideias, de programas. Ela é fundamental na democracia. Esta exige visões diferentes de país, de mundo, de governo. Não há, nem houve nunca, uma ideia única no meio social. A não ser aquelas postas pela ditadura, ou seja, aquele sistema que desautoriza controvérsias. E até as pune.

No Brasil, não há mais discussão de ideias quando se trata daqueles que querem chegar ao poder federal para dirigi-lo. Há, sim, radicalização, que é atividade distante do campo programático. É a disseminação do mal querer, do ódio entre pessoas e até entre instituições. É a agressão verbal, até física, entre brasileiros e até contra instituições. Vide o 8 de janeiro de 2023. Veja-se a agressão a prédios públicos quando se discutiam as indispensáveis reformas trabalhista e previdenciária em 2017. Nada de formulação de conceitos ou posições. Apenas agressividade. E tudo nasce da pregação do “nós” contra “eles”. Percebia-se que, durante muito tempo, o “nós” tinha organização e militância.

Entre o aeroporto, a cadeia e o perdão - Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

Se Bolsonaro deixar para a última hora a escolha de um sucessor, acabará criando dois problemas

Jair Bolsonaro disse que só morto indica outro candidato para disputar a Presidência em 2026. Ele já errou outras vezes em previsões em que atrelou sua morte ao seu futuro político. Em 2021, em um dos muitos momentos em que flertou com a recusa em deixar o cargo, disse que só encerraria o mandato preso, morto ou com vitória. Não foi preso, não morreu e tampouco foi vitorioso. Optou pelo aeroporto às vésperas da posse de Lula.

Em 2026, só será diferente em um ponto: é provável que até lá Bolsonaro esteja, de fato, preso. Na melhor das hipóteses, para ele, continuará eleitoralmente morto, ou seja, inelegível. Ninguém duvida que acabará indicando um candidato para concorrer à Presidência em seu lugar. A questão é quando fazê-lo. Agora ou na última hora?

Trump e a reconfiguração do mundo - Denis Lerrer Rosenfield

O Estado de S. Paulo

Resta aos europeus reconhecer que o mundo mudou, suas concepções não mais vigoram e sua diplomacia está ultrapassada

Não temos ainda nem dois meses de governo Trump e as transformações geopolíticas por ele provocadas estão reconfigurando o mundo. Não apenas simbolicamente quer mudar os mapas existentes, ao nomear o Golfo do México de Golfo da América, mas está tomando decisões que se demarcam claramente da ordem diplomática vigente até agora. As mudanças abruptas e o seu ritmo são frenéticos, deixando muitos atores estatais e a opinião pública mundial perplexos.

É, portanto, da máxima importância compreender esse novo fenômeno como se apresenta, tal como se analisa um fenômeno natural. Talvez ninguém goste de um furacão, sobretudo os que dele estão próximos. Nem por isso deixaremos de tentar compreender o que está acontecendo. Serve para a geopolítica um pequeno breviário de retórica, escrito por um dos primeiros-ministros de Luiz XIV, Cardeal de Mazar in. Segundo ele, o domínio das relações política sé o da manipulação, dou soda mentira e do engano, da imprevisibilidade e da construção arbitrária de narrativas.

Princípio de ano novo, fim de uma época – Fernando Gabeira

O Globo

Faltará recurso para combater o aquecimento global e ajudar os povos em desenvolvimento

Depois do carnaval, começa o ano no Brasil. Espero que seja próspero e feliz, mas duvido. Passamos por um momento difícil. Algo parecido com o que li neste início de romance: “Naquela época o céu era tão baixo que nenhum homem ousava se erguer em toda a sua estatura. No entanto havia vida, havia desejos e festas. E, ainda que nunca se esperasse o melhor neste mundo, esperava-se a cada dia escapar do pior”.*

Os Estados Unidos se retiraram não apenas do Acordo de Paris, mas também deixaram de apoiar a Ucrânia. Isso significa que a Europa tem dois caminhos: assumir o esforço de guerra sozinha ou receber milhões de refugiados da ocupação russa. Talvez os dois, na pior das hipóteses.

O telefonema de Lula – Miguel de Almeida

O Globo

Ouvi a simpática conversa entre Lula da Silva e Walter Salles pela conquista do Oscar. Mais uma ação de marketing do ministro Sidônio — parabéns. Outra marca de diferença com o ex-presidente Bolsonaro, um ser incapaz sequer de velar pela memória de João Gilberto.

Salles já declarou que “Ainda estou aqui” não teria sido produzido sob o governo do capitão. Este retrucou, dizendo que jamais buscou a censura. Mentiu de novo. “Marighella”, dirigido por Wagner Moura e tendo Seu Jorge como protagonista, só chegou ao público depois de superar vários senões burocráticos construídos por seus acólitos, com a intenção não disfarçada de boicote à história do ex-militar que se tornou guerrilheiro. Ao ser lançado, o filme teve boas plateias e ajudou a colocar na ordem do dia a revisão de um período ainda mantido sob o tapete na História brasileira. Neste momento, deixemos Bolsonaro de lado, um morto-vivo prestes a iniciar seu percurso no cárcere.

O telefonema de Lula da Silva a Salles, sob a incerteza de uma reforma ministerial, talvez pudesse mostrar uma inflexão no identitarismo marcante na formação inicial do governo e nos empecilhos de sua alarmante política cultural.

Estamos aqui – Irapuã Santana

O Globo

O debate público se transforma numa disputa de identidades, onde não importa a coerência, mas a lealdade a um lado

Nos últimos anos, as redes sociais se tornaram o epicentro da polarização política, lugar onde os extremos encontram espaço para amplificar suas vozes. Antes hábito restrito a nichos e círculos ideológicos, agora é um espetáculo global. Assistimos a algumas das maiores contradições da contemporaneidade, e a recente premiação do filme “Ainda estou aqui” no Oscar é um exemplo perfeito.

O filme, produção nacional que alcançou reconhecimento num dos prêmios mais prestigiados do mundo, deveria ser motivo de celebração. No entanto parcela dos autoproclamados “patriotas” rejeitou a conquista simplesmente por não se identificar com os ideais políticos que associam à obra ou a seus realizadores. O que antes era discurso de valorização da cultura nacional cedeu espaço à torcida contra, apenas porque o filme não correspondia a suas expectativas ideológicas.

Barreira mais alta em 2026 acelera fusões partidária

Lauriberto Pompeu e Dimitrius Dantas / O Globo

Em busca da sobrevivência, partidos como PSDB e PDT miram fusões ou federações para fugir da cláusula de barreira

Outras nove legendas também buscam alternativas; veja avanços e entraves

Partidos que correm o risco de não atingir a cláusula de barreira nas próximas eleições vêm intensificando negociações para se unir em busca de sobrevivência. Ao todo, 11 legendas com representação na Câmara estão perto da linha de corte que será estabelecida. A maioria delas participa de conversas avançadas, como o PSDB, que deve se fundir ao Podemos e ao Solidariedade.

Para 2026, o critério para um partido obter verba pública e tempo de TV será possuir ao menos 13 deputados federais distribuídos por um terço dos estados ou a obtenção de a partir de 2,5% dos votos válidos nas eleições à Câmara, espalhados por um terço ou mais das unidades da federação, com um mínimo de 1,5% dos votos válidos em cada uma.

Em 7 estados, trabalho informal supera 50%.

Carolina Nalin e Henrique Barbi* / O Globo

Em dez anos, diferença de rendimento entre vagas com e sem carteira caiu de 78% para 31%

O Brasil atingiu recorde de vagas formais e o menor nível de desemprego da História em 2024, mas a informalidade ainda predomina em algumas regiões do país. Em sete estados, mais da metade dos ocupados não tem carteira assinada. Os dados, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua trimestral do IBGE, foram compilados pelo pesquisador Rodolpho Tobler, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), a pedido do GLOBO.

Segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO, contribuem para esse quadro a baixa remuneração em vagas formais, especialmente para as que exigem pouca qualificação, além do desejo de maior flexibilidade de horários e da distância para o local de trabalho, no caso de quem mora na periferia.

Pesa ainda o fato de que a diferença de rendimento entre trabalhadores formais e informais no Brasil diminuiu nos últimos anos, conforme os dados do IBGE compilados por Tobler. Em 2015, a remuneração de empregados com carteira superava em 73% a daqueles sem carteira. No fim de 2024, essa diferença caiu para cerca de 31%.

Poesia | Viajar! Perder países! De Fernando Pessoa

 

Música | Samba que elas querem - "Nós somos mulheres"

 

domingo, 9 de março de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula se refugia entre aduladores e reforça erros do governo

Folha de S. Paulo

Presidente encara impopularidade com lentes do passado, recusa responsabilidade fiscal e se afasta de forças moderadas

Por uma mistura de falta de visão estratégica, apego a ideias obsoletas e má leitura do equilíbrio de forças na política, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avança pela segunda metade de seu mandato sem um projeto claro sobre o que pretende fazer daqui para a frente. Na dúvida, ele vira à esquerda.

Na economia livrou-se dos últimos vestígios daquele verniz que vez ou outra o fazia prestigiar a agenda de mínima responsabilidade orçamentária proposta pelo seu ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A opção pela gastança, que sempre foi a preferida de Lula, agora está escancarada.

O presidente está à caça de "medidas" como liberações de créditos e recursos do FGTS que, de acordo com a sua cartilha primitiva de gestão pública, possam ajudá-lo a combater a impopularidade. Como decidiu torrar recursos no início da administração, as opções agora são restritas.

Entrevista | José Sarney: 'É melhor sair da política muito bem do que já velho'

Ivan Martinez Vargas / O Globo

Prestes a fazer 95 anos, primeiro presidente civil após a ditadura, cuja posse completa quatro décadas nesta semana, defende apoio do MDB à reeleição do petista

Quem chega à sala da casa do ex-presidente José Sarney em Brasília contempla, em meio a uma coleção de arte sacra, um quadro com o retrato do frei Francisco de Bourdemare, missionário espanhol enviado ao Maranhão no século 17. Na parede em frente, uma imagem do próprio Sarney, de dimensões maiores, com a faixa presidencial, dá o tom imponente ao ambiente, frequentado por presidentes, ex-mandatários e lideranças políticas variadas. Enquanto desenvolve um raciocínio político aguçado, o ex-presidente caminha com lentidão e diz que o envelhecimento começa pelas pernas. “É melhor sair muito bem (da política) do que já velho”, diz ele.

Prestes a fazer 95 anos de idade, Sarney se mantém ativo como conselheiro político. Longe do dia a dia da vida partidária desde o fim de seu quinto mandato como senador pelo MDB , em 2015, ele divide seu tempo entre a capital federal e São Luís (MA) escrevendo um livro sobre a necessidade de uma reforma do sistema eleitoral no país, baseado na experiência do primeiro civil a ocupar a Presidência da República após a redemocratização. No próximo sábado, completam-se quatro décadas da posse, data considerada um marco do fim da ditadura.

Em uma de suas raras entrevistas, ele critica a falta de liderança no Congresso, diz que Lula está governando num tempo difícil, defende aliança do MDB com o petista em 2026 e afirma que o Brasil precisa superar a polarização para trilhar o caminho da prosperidade. “A política de inimigos foi superada”, pontua.

O governo Lula tem enfrentado queda na popularidade, em especial pela alta nos preços dos alimentos. Seu governo também sofreu com a inflação. A que o senhor atribui a atual crise?

O presidente Lula fez excelentes governos. E a democracia possibilitou um operário no poder. Isso raramente acontece. Mas ninguém governa o tempo no qual se vai governar. Há tempos em que governamos na abundância, mas há tempos em que governamos na escassez. Lula não está nos governando num tempo de bonança, mas sim num tempo difícil, não só para o Brasil, mas de uma maneira internacional. Eu governei num tempo que a História se contorcia. Criamos as eleições diretas. Asseguramos direitos civis e os direitos humanos. Criamos uma Constituição.

Sarney governou com greves e hiperinflação, mas nos legou a democracia - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O Brasil deve muito a Sarney, que enfrentou período marcado por forte instabilidade econômica e ampla mobilização social, com firme convicção democrática

O ex-presidente José Sarney, prestes a completar 95 anos, teve um papel decisivo na democratização do país, ao convocar a Constituição de 1987 e trabalhar para a que a transição política ao Estado democrático de direito chegasse a bom termo. Não foram poucos os desafios que enfrentou na Presidência, após a internação de Tancredo Neves, na véspera de sua posse. Vice, assumiu a Presidência em 15 de março de 1985.

No próximo sábado, Sarney será homenageado pela Fundação Astrojildo Pereira e pelo Cidadania, ao lado de alguns deputados constituintes, entre os quais Aécio Neves (PSDB) e Roberto Freire (Cidadania). Será durante seminário no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes. Segundo Comte Bittencourt, presidente do partido, “o objetivo é resgatar o papel histórico de Sarney e fazer balanço dos 40 anos de redemocratização do país, suas conquistas, dívidas e desafios”. O “Correio Braziliense” apoia a iniciativa.