Folha de S. Paulo
Contas pioram, e os números oficiais do
próprio estado apontam para essa realidade
Candidatos vendem números a torto e a direito
sem o mesmo escrutínio que se faz dos resultados do governo federal
As contas do governo Tarcísio pioram, e os números
oficiais do próprio estado apontam para essa realidade.
O filme da evolução do desempenho das
finanças paulistas ao longo do mandato do governador mostra uma deterioração
gradativa que culminou com um déficit orçamentário de R$ 12,2 bilhões no ano
passado, o pior resultado desde 1995.
Para 2026, a projeção oficial aponta para um déficit de R$ 9 bilhões. Detalhe: o governador recebeu o estado com um superávit de R$ 11,1 bilhões em valores atualizados pela inflação.
O processo de piora é retratado também pela
diminuição do saldo líquido de recursos em caixa, pelo aumento das renúncias
fiscais, pelo rombo da Previdência e pela diminuição expressiva do resultado
primário das contas do estado.
Tarcísio mudou a meta fiscal, reduziu o caixa
a R$ 5 bilhões e não aumentou os investimentos. Nada disso recebeu atenção.
O governador, visto pelos seus eleitores como
um eficiente "gerentão", prefere dizer que os investimentos
aumentaram com a inclusão no cálculo das chamadas inversões, como as PPPs. Não
é por acaso que a contabilidade pública manda separar uma coisa da outra. São
coisas diferentes.
Com a campanha eleitoral nas ruas, os
candidatos à reeleição de governos estaduais e os presidenciáveis que foram
governadores (Romeu Zema e Ronaldo
Caiado) vendem números a torto e a direito para os eleitores sem o
mesmo escrutínio que se faz das contas do governo federal.
A razão é simples: não há um acompanhamento
sistemático das contas estaduais. Desde a pandemia, os estados têm tido
receitas maiores, que têm sustentado a alta das despesas. O problema está
aparecendo.
As sabatinas têm mostrado a dificuldade de
lidar com os números jorrados pelos candidatos que não adotaram o receituário
que agora pregam nas eleições.
Reconhecer o problema dos estados não implica
dizer que está tudo bem com as contas do governo federal. Elas vão mal. O aumento da
dívida pública em quase 10 pontos percentuais no governo Lula e
os juros altos
são a prova.
Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Um comentário:
A Faria Lima é extremamente crítica e até preconceituosa com Lula, mas tolera todos os erros de Tarcísio e dos bolsonaristas. Ter dinheiro não garante capacidade crítica!
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