quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A piora das finanças de SP sob a gestão de Tarcísio, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Contas pioram, e os números oficiais do próprio estado apontam para essa realidade

Candidatos vendem números a torto e a direito sem o mesmo escrutínio que se faz dos resultados do governo federal

As contas do governo Tarcísio pioram, e os números oficiais do próprio estado apontam para essa realidade.

O filme da evolução do desempenho das finanças paulistas ao longo do mandato do governador mostra uma deterioração gradativa que culminou com um déficit orçamentário de R$ 12,2 bilhões no ano passado, o pior resultado desde 1995.

Para 2026, a projeção oficial aponta para um déficit de R$ 9 bilhões. Detalhe: o governador recebeu o estado com um superávit de R$ 11,1 bilhões em valores atualizados pela inflação.

O processo de piora é retratado também pela diminuição do saldo líquido de recursos em caixa, pelo aumento das renúncias fiscais, pelo rombo da Previdência e pela diminuição expressiva do resultado primário das contas do estado.

Tarcísio mudou a meta fiscal, reduziu o caixa a R$ 5 bilhões e não aumentou os investimentos. Nada disso recebeu atenção.

O governador, visto pelos seus eleitores como um eficiente "gerentão", prefere dizer que os investimentos aumentaram com a inclusão no cálculo das chamadas inversões, como as PPPs. Não é por acaso que a contabilidade pública manda separar uma coisa da outra. São coisas diferentes.

Com a campanha eleitoral nas ruas, os candidatos à reeleição de governos estaduais e os presidenciáveis que foram governadores (Romeu Zema e Ronaldo Caiado) vendem números a torto e a direito para os eleitores sem o mesmo escrutínio que se faz das contas do governo federal.

A razão é simples: não há um acompanhamento sistemático das contas estaduais. Desde a pandemia, os estados têm tido receitas maiores, que têm sustentado a alta das despesas. O problema está aparecendo.

As sabatinas têm mostrado a dificuldade de lidar com os números jorrados pelos candidatos que não adotaram o receituário que agora pregam nas eleições.

Reconhecer o problema dos estados não implica dizer que está tudo bem com as contas do governo federal. Elas vão mal. O aumento da dívida pública em quase 10 pontos percentuais no governo Lula e os juros altos são a prova.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

 

Um comentário:

Anônimo disse...

A Faria Lima é extremamente crítica e até preconceituosa com Lula, mas tolera todos os erros de Tarcísio e dos bolsonaristas. Ter dinheiro não garante capacidade crítica!