domingo, 15 de junho de 2025

Opinião do dia – Paul Samuelson*

De que uma economia é inservível se não opera no sentido de indicar os meios pelos quais, com recursos escassos, se possa promover o máximo de bem-estar possível para a maior parte da população."

*Paul Samuelson (1915-2009), economista norte-americano, amplamente reconhecido como um dos formuladores mais importantes das ciências econômicas modernas. Prêmio Nobel de Economia,1994.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Datafolha traz boas notícias em série para a oposição

Folha de S. Paulo

Lula perde vantagem de pesquisa anterior e se vê empatado no 2º turno com possíveis adversários, como Michelle e Tarcísio

Por qualquer ângulo que se olhe, a mais recente pesquisa do Datafolha traz notícias boas para quem joga no campo da oposição e ruins para o governo e seus apoiadores.

Para começar, o levantamento retirou qualquer aura de invencibilidade que ainda pudesse haver em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao mostrá-lo, nas simulações de segundo turno, em pé de igualdade com vários de seus potenciais adversários na disputa de 2026.

O petista, é claro, pode se agarrar ao tempo que falta para a eleição. Com mais de um ano pela frente, nada impede que o cenário mude de forma significativa, sobretudo porque, até lá, o Supremo Tribunal Federal (STF) terá terminado de julgar Jair Bolsonaro (PL) pela trama golpista de 2022.

Falta sinceridade no debate fiscal - Míriam Leitão

O Globo

No debate fiscal é preciso menos clichês e mais sinceridade sobre a desigualdade tributária brasileira

O ministro Fernando Haddad tem razão. Ele está propondo que as grandes fintechs, hoje tão poderosas quanto os maiores bancos, e que os sites de apostas paguem mais imposto. Quer que os títulos que hoje nada recolhem, passem a pagar um percentual pequeno de imposto de renda. O ministro acertou também quando passou a cobrar impostos dos fundos exclusivos — os investimentos das famílias ricas — e dos fundos offshore. Haddad tem dito que está corrigindo distorções e é mesmo o que ele está tentando fazer.

Se você acha que o Brasil é um país desigual, mas não quer discutir os detalhes de como essa desigualdade é criada dentro do sistema de contas públicas, e da estrutura tributária, você não está falando sério sobre combate à desigualdade. O patrimonialismo, tão condenado nos discursos dos pensadores do Brasil, não é abstrato. Ele é concreto. Tem muitas moradias. Uma delas é nos privilégios que estão distribuídos em isenções de tributos.

Um julgamento que pode estimular nova retomada política - Paulo Fábio Dantas Neto*

Estamos assistindo a um momento crucial do julgamento, pelo STF, das evidências explicitas de um golpismo de palavras e atos que grassou na atmosfera política brasileira como uma marca do período de governo de Jair Bolsonaro. Esse golpismo, por vezes latente, mas já bastante explícito na trajetória pregressa e no discurso eleitoral do candidato vencedor das eleições de 2018, escancarou-se durante a pandemia, mas tão logo cessou aquele momento social crítico, encorpou-se num sentido diretamente político, de um politicídio. Desdobrou-se em seguidas tentativas de fricção institucional, que alcançaram seu ponto máximo nos estertores do governo Bolsonaro, meses antes e até quase dois meses após as eleições de 2022, quando o presidente saiu do país, recusando-se a passar a faixa ao adversário eleito.

É preciso resgatar a política como mediadora de conflitos - Raul Jungmann*

Correio Braziliense

Não se busca a interferência na livre manifestação de opinião, como alardeia a retórica extremista. Há, sim, um vácuo político que facilita a distorção dos fatos e favorece a criminalidade nas redes

Costuma-se afirmar que as crises produzem soluções. Mas, no cenário político contemporâneo — no Brasil e no mundo —, elas têm se mostrado mais geradoras de divisões do que de saídas. Vivemos um momento de inflexão, marcado por uma nova bipolaridade, ideológica e caótica, em que o radicalismo mina pontes e esvazia a política de seu verdadeiro papel: mediar conflitos por meio do diálogo.

Há ecos históricos. A geração que viveu nos anos 1960 lembra a tensão entre Estados Unidos (EUA) e União Soviética na crise dos mísseis em Cuba. Hoje, décadas depois, observamos novos focos de instabilidade: a guerra entre Rússia e Ucrânia, o conflito devastador em Gaza, o ataque aberto de Israel ao Irã há três dias e o impacto da recente eleição norte-americana indicam que os acordos firmados no pós-guerra estão sendo gradualmente desmontados. Nesse novo tabuleiro, o Brasil tenta reposicionar-se.

Um sobrenome - Merval Pereira

O Globo

A mais recente pesquisa do DataFolha confirma o que a classe política deduz na labuta cotidiana atrás de votos: a salvação do presidente Lula está na insistência de Bolsonaro em colocar seu sobrenome na chapa presidencial da oposição. Não qualquer um, mas um dos dois, Flávio ou Eduardo. Nem mesmo a mulher Michele, que aparece como a melhor colocada da oposição na pesquisa presidencial, que poderia ser identificada corretamente como “a mulher do Bolsonaro”, diferentemente de Dilma, que era conhecida em certas regiões do país como “a mulher do Lula”, fazendo confusão com a candidata indicada por Lula.

'Adeus, Lênin!' nos trópicos - Bernardo Mello Franco

O Globo

No filme “Adeus, Lênin!”, uma senhora da Alemanha Oriental sofre um infarto, passa meses em coma e acorda sem saber que o Muro de Berlim havia caído. Para protegê-la do choque, o filho esconde a notícia e se esforça para simular um país e de um regime que não existem mais.

Um observador que dá expediente no Planalto cita a comédia alemã como metáfora do momento atual do governo. Dois anos e meio depois de voltar ao poder, Lula ainda não teria despertado para as mudanças na sociedade e na política. O descompasso ajudaria a explicar seu mau desempenho nas pesquisas.

Na semana que passou, o petista voltou a amargar 40% de reprovação no Datafolha. É o pior patamar já registrado em seus três mandatos. No fim do segundo, em dezembro de 2010, ele era aprovado por 83% dos brasileiros. Só 4% diziam rejeitar sua gestão.

Mais guerra – Dorrit Harazim

O Globo

O país atacante costuma alegar questões de sobrevivência da nação para empreender guerras eletivas

O belo, a arte, a ciência importam quando bombas começam a cair? Foi em torno desse tema que o escritor irlandês C.S. Lewis, autor, entre outras, das “Crônicas de Nárnia”, deu memorável palestra na Universidade de Oxford em 1939, às vésperas da Segunda Guerra. Lewis escapara por milagre de uma trincheira coalhada de cadáveres no conflito anterior (1914-18), portanto conhecia o horror de mortos a granel. Ainda assim, ou talvez por isso mesmo, respondeu afirmativamente à pergunta que nada tinha de estapafúrdia.

— A vida humana sempre foi vivida à beira do precipício — lembrou ele na ocasião.

Se esperássemos pela paz para criar arte, a primeira pintura rupestre ainda não teria sido feita. Tampouco a busca do conhecimento teria começado se aguardássemos estar em segurança plena.

— Isso não é brio, é nossa natureza — ensinou.

Doutrina Begin norteou Netanyahu ao atacar o programa nuclear do Irã - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Israel pode arrasar a infraestrutura militar e econômica do Irã, mas não tem condições de invadir o país para destituir o regime dos aiatolás

Jovem historiador e guia turístico, o brasileiro Isaque Levy estava com um grupo de 25 capixabas em visita ao Mar Morto quando recebeu orientação pelo celular para procurar um abrigo. Logo ficou sabendo que Israel havia atacado o Irã e devia se preparar para o revide. Levou os brasileiros para a fronteira do Egito e voltou para Jerusalém. Entrevistado pela CNN Brasil, nesse sábado (14/6), ele disse que sentia um misto de apreensão e orgulho.

“Finalmente, houve um acerto de contas com o Irã, Israel vem se preparando para isso há 20 anos”. Segundo ele, Netanyahu pôs em prática a chamada Doutrina Begin: “Nenhum estado hostil à existência de Israel pode colocar essa existência em risco. Isso quer dizer que Israel teve que atacar os reatores nucleares iraquianos, os reatores nucleares sírios e agora estamos prevenindo este risco ao atacar o Irã”.

‘Soft power’ e Joseph Nye - Celso Lafer

O Estado de S. Paulo

Suas formulações tiveram peso na teoria e na prática da ação diplomática de diversos países, inclusive o Brasil

Soft power tornou-se um termo de uso frequente na análise das relações internacionais. Foi cunhado e elaborado por Joseph Nye, recém-falecido aos 88 anos. Nye, destacado professor de Harvard, exerceu funções de responsabilidade diplomática nas Presidências Carter e Clinton. Afirmou-se como influente e criativo estudioso no campo das relações internacionais; suas formulações tiveram peso na teoria e na prática da ação diplomática de diversos países, inclusive o Brasil.

Muito gasto, pouca serventia - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Urgência fiscal: corte de supersalários, privilégios e 50% das emendas. Fim de papo

Afinal de contas, a Câmara e o Senado são ou não a favor do arcabouço fiscal, de menos gastos e mais receitas, de uma economia que gere confiança e atraia investimentos? E dos interesses públicos, em geral, da segurança, do bem-estar e do futuro do distintíssimo público que garantiu os votos e a vitória de seus 513 membros do salão verde e dos 81 do salão azul?

Seus presidentes, deputado Hugo Motta e senador Davi Alcolumbre, juram que sim, que são baluarte da defesa dos interesses nacionais e do controle das contas públicas e aliados do governo nessa direção. Só que...põem a faca no pescoço do presidente Lula e do ministro Fernando Haddad, derrubam uma proposta atrás da outra e não apresentam absolutamente nada em troca. Só sabem dizer “não” – e aumentar os próprios gastos.

Uma ofensiva com vício de origem - Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

Bibi prolonga a carnificina em Gaza para adiar o encontro com urnas e Justiça; fará o mesmo no Irã

A ofensiva de Israel contra o Irã sofre do mesmo vício de origem que a campanha contra o Hamas na Faixa de Gaza: objetivos maximalistas. Isso porque ela não se orienta apenas pela lógica militar e interesses nacionais. A motivação política de Binyamin Netanyahu de se manter no poder a qualquer custo é o principal fio condutor.

O primeiro-ministro israelense declarou ontem: “No futuro breve, vocês verão aviões israelenses, nossos bravos pilotos, sobre os céus de Teerã. Atacaremos todos os alvos do regime dos aiatolás”. Assim como fez em relação a Gaza, Netanyahu tem preparado a população para uma longa campanha.

O bombardeio e seu impacto - Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O acirramento das hostilidades entre Israel e Irã impõe desdobramentos não apenas sobre a geopolítica local, mas, também, sobre a economia global.

As questões geopolíticas ainda dependem de como o conflito evoluirá e isso, por sua vez, dependerá do tempo e de como os objetivos militares e políticos das partes direta e indiretamente envolvidas forem atingidos. O Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, ou seja, está sujeito a inspeções da Organização das Nações Unidas, que o governo iraniano vem sabotando por negar transparência em seus programas de desenvolvimento nuclear.

O agronegócio dá novo salto – José Roberto Mendonça de Barros

O Estado de S. Paulo

No plano global, o País é um fornecedor confiável, distante de conflitos geopolíticos

Em meio às enormes incertezas trazidas pela administração Trump, o agronegócio brasileiro caminha para se tornar o mais relevante participante global nos mercados oceânicos.

Isso já vem silenciosamente ocorrendo: aumentamos volumes, diversificamos pautas e abrimos mercados. O País é o maior exportador global de açúcar, soja, suco de laranja, café, aves e bovinos. No milho, disputamos a liderança com os EUA; e somos o segundo em farelo de soja, óleo de soja e algodão. Em suínos, atingimos o terceiro lugar.

A OCDE mostra há anos que o Brasil tem a agropecuária mais competitiva do mundo, sem depender de grandes subsídios (a isenção da cesta básica é, antes de tudo, um estímulo ao consumidor, uma política pública).

Sujeito oculto - José Casado

Revista Veja

Partido Liberal tem três dezenas de envolvidos na trama do golpe

Ele paira sobre o plenário do Supremo Tribunal Federal enquanto se revelam detalhes da trama do golpe de Estado de 2022, para manter Jair Bolsonaro no poder depois da derrota nas urnas. Às vezes é mencionado, mas como sujeito oculto e raramente pelo nome.

— É importante esclarecer — insistiu o juiz Alexandre de Moraes. — A cogitação (do golpe), a conversa (com os chefes militares), o início dessa questão de estado de sítio e estado de defesa teria sido em virtude da impossibilidade de recurso eleitoral, é isso?

— Sim, senhor — reconheceu Bolsonaro.

— Mas o senhor sabe que o seu partido recorreu e perdeu, por unanimidade, no plenário do Tribunal Superior Eleitoral…

O juiz se referia ao Partido Liberal. O réu acenou com a cabeça, concordando.

Quatro anos atrás, quando estava no Planalto, Bolsonaro arrendou o PL. Em troca, entregou a Valdemar Costa Neto um banco federal (Nordeste), um fundo bilionário (FNDE), áreas-chave na governança de meio ambiente (Ibama), a política fundiária (Incra), infraestrutura (DNIT), saúde e saneamento (Funasa) e fatias do Orçamento público no manejo de emendas parlamentares.

Lula lidera cenários de 1º turno e empata com Tarcísio no 2º - Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Presidente perde a vantagem que tinha sobre nomes da direita no tira-teima em 2026

O presidente Lula (PT) mantém a liderança em primeiro turno sobre os rivais elegíveis na simulação feita pelo Datafolha sobre a eleição do ano que vem, mas perdeu a vantagem que tinha sobre candidaturas à sua direita em uma segunda rodada do pleito, empatando com governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).

A evolução aferida pelo instituto ocorreu do início de abril, data da pesquisa anterior, ao levantamento feito na terça (10) e quarta (11) com 2.004 eleitores em 136 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Contra todos os rivais em 5 de 6 cenários apresentados, o presidente mantém o mesmo patamar de intenção de voto, flutuando de 36% a 38%. É um dado algo descolado de sua avaliação, feita na mesma pesquisa, que mostrou 28% dos brasileiros o considerando ótimo ou bom.

Ricos, impostos e demagogia - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Governo continua a criar isenções, mal tenta cortar as antigas e Congresso é cúmplice

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dizer que isenções de impostos vão para "ricos", em um palanque da quinta passada. Não é bem verdade, embora a maior parte vá para empresas e pessoas mais ricas (que se dizem de classe média). É assim a isenção do Mover (para montadoras de veículos), R$ 3,8 bilhões por ano, ou para companhias aéreas, ao menos R$ 567 milhões. São alguns dos incentivos criados por Lula neste mandato.

"Vocês sabem quantos bilhões a gente dá de isenção para os ricos deste país, que não pagam imposto? R$ 860 bilhões. É quatro vezes o Bolsa Família" (na verdade, é cinco vezes), disse Lula.

Por que o Congresso briga com Haddad?- Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Parlamentares interpretam solicitação de Dino como uma ação orquestrada com o governo Lula

Congresso Nacional ameaça obrigar Haddad a fazer o ajuste fiscal no lombo dos pobres se o STF não autorizar que congressistas roubem dinheiro da saúde pública.

No fim de semana passado, todos tivemos a impressão de que o governo Lula e o Congresso tinham chegado a um bom acordo sobre como fazer o ajuste fiscal sem aquela confusão do IOF.

No meio da semana, tudo mudou: o Congresso avisou que não vai passar nada que seja do interesse do governo. O que aconteceu?

A base desabou - Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Governo e centrão vivem agora em permanente estado de desunião estável até as próximas eleições

Em meio a ultimatos, confrontos e rebeldias, o que a fortaleza do centrão está dizendo ao governo é que não existe mais base aliada. O conceito está superado na forma e no conteúdo.

Por base, entende-se o que dá sustentação, e por aliada compreende-se uma associação na defesa de objetivos comuns.

Nada disso se faz presente no relacionamento entre o Palácio do Planalto e os partidos com assento no ministério. Não há alicerce nem aliados de fé no campo dos políticos costumeiramente incluídos naquela expressão já obsoleta.

O eterno espírito das universidades - Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Aos trancos e barrancos, as instituições de ensino erguem-se como bastiões de defesa contra o avanço do neofascismo

ataque de Trump às universidades americanas, maioria no rol das melhores do mundo, é sintoma forte do neofascismo transnacional. Não foi adiante no período de Bolsonaro, mas exerce controle total na Hungria de Orban. Pode ser característica de toda autocracia, porém tem mais a ver com fascismo do que com nazismo ou stalinismo, apesar do sinistro parentesco entre os três.

Suscita-se uma hipótese de vingança pessoal de Trump contra as altas instituições de ensino, de onde provém a elite dirigente dos EUA. Não só oito presidentes foram formados na Ivy League, núcleo de excelência universitária, assim como professores, economistas e cientistas, sempre nas pautas do Prêmio Nobel. Obama graduou-se em Harvard. Trump, embora proveniente da Ivy League (onde nunca foi benquisto), é produto de show televisivo. Respira e transpira banalidades, mas soube navegar no vácuo de credibilidade do elitismo: desde Truman, o povo americano descobriu que seus líderes eram grandes mentirosos. A verdade sobre as guerras inúteis do Vietnã e do Iraque não foi revelada aos jovens por governos, mas pela imprensa e pelas universidades.

A ciência encantada da jurema - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro une ciência e antropologia para tentar desvendar religião do Nordeste que utiliza substância psicodélica em ritos

Meu amigo Marcelo Leite é um daqueles jornalistas polímatas, que transitam bem por gêneros tão variados como física, meio ambienteeducaçãoantropologia e, mais recentemente, a ciência dos psicodélicos. Em "A Ciência Encantada da Jurema", Marcelo nos oferece uma feliz combinação dos dois últimos veios.

O livro pode ser descrito como uma radioetnografia da jurema, planta típica da caatinga e rica na substância psicodélica DMT (dimetiltriptamina), que é consumida em ritos da religião de mesmo nome que se desenvolveu na região. Marcelo destrincha a jurema, a planta e a religião.

Poesia | Vossos olhos, senhora, que competem, de Luís Vaz de Camões

 

Música | Chico Buarque e Mônica Salmaso - Sem Fantasia

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sábado, 14 de junho de 2025

Opinião do dia - Amartya Sem*

“A globalização (econômica) não é ruim em si; precisa é ser aperfeiçoada. Ela fez crescer a prosperidade em geral, mas não reduziu, por si, as desigualdades adequadamente"

*Amartya Sen, indiano, um dos criadores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e ganhador do Prêmio Nobel de Economia (1998), em 23/07/2000, em entrevista ao GLOBO

 

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Ataque de Israel ao Irã amplia risco no Oriente Médio

O Globo

Houve alívio com atraso no programa nuclear, mas é impossível prever consequências do confronto

O vigoroso ataque de Israel contra o Irã, com o objetivo de destruir instalações militares e nucleares, contou com 200 caças, uma base de drones plantados em território iraniano pelo serviço secreto israelense, veículos infiltrados e armas teleguiadas para atingir o alvo. Como resultado, os mais altos comandantes militares, líderes da Guarda Revolucionária e cientistas do programa nuclear foram mortos. Bombardeios atingiram centros de pesquisa, fornecedores de equipamentos, lançadores de mísseis e instalações armadas. A usina de Natanz, uma das sedes do programa nuclear iraniano, foi severamente danificada.

Não serve o IOF? Há outros impostos – Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Parece que boa parte das medidas do novo pacote fiscal resulta de improviso para arrancar receita onde for mais fácil

“Estes são os meus princípios. Se você não gosta deles, eu tenho outros” (Groucho Marx)

Lembrei-me da frase quando o ministro Fernando Haddad anunciou a Medida Provisória contendo uma nova leva de aumento de impostos. Algo assim: não gostaram do IOF? Temos outros impostos.

O ministro não nega que esteja elevando tributos, mas assegura que são justos. Trata-se, diz, de eliminar distorções do mercado financeiro e ampliar a base de pagantes, alcançando os mais ricos. O presidente Lula foi mais explícito. Na quinta-feira, numa solenidade em Minas, disse que não ganhou a eleição para beneficiar os ricos. Acrescentou um número: R$ 860 bilhões — esse seria o volume anual de isenções fiscais ou gastos tributários.

Qual a responsabilidade do especialista? – Pablo Ortellado

O Globo

Poucos intelectuais contemporâneos são tão influentes quanto o psicólogo social Jonathan Haidt. Seu último livro, “A geração ansiosa” (Companhia das Letras), reuniu uma série de evidências conectando o uso crescente de mídias sociais em celulares e o aumento de transtornos mentais entre jovens e adolescentes. Além de sugerir uma relação causal, Haidt defende medidas concretas, como proibir celulares nas escolas e retardar o acesso dos adolescentes às mídias sociais. O sucesso do livro — e a velocidade com que suas recomendações vêm sendo adotadas em diversos países — causou inquietação na comunidade científica, sentimento capturado num relatório publicado na semana passada.

Para emplacar em 2026? - Eduardo Affonso

O Globo

‘Acho que o senhor vai gostar do Haddax Classic. Tirando o arcabouço, que ficou meio frágil, é um carro com potencial’

Interior (bem interiorzão). Concessionária hipotética de carros usados imaginários, em algum ponto de um lugar mítico chamado Brasil. Manhã de sábado.

Zé, maltrapilho e maltratado, conversa com o vendedor, que o olha com mal disfarçado desdém.

— Então, de 2019 a 2023 eu andei de carro de boi. Sofri muito. Daí resolvi mudar radicalmente e troquei por uma carroça. Estou com ela há dois anos e não aguento mais. Só vou poder trocar em 2026, mas já queria dar uma espiada nos modelos disponíveis.

O desastre de Trump - André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

A crise da Califórnia e a truculência do presidente norte-americano parecem ter o objetivo de desviar a opinião pública dos problemas imediatos e reais

O povoado de Nuestra Senõra de Los Angeles de la Porciúncula, ou simplesmente Los Angeles, foi fundado em setembro de 1871 por um grupo de 44 pessoas predominantemente afro-americanos, 11 homens, 11 mulheres e 22 crianças, dois espanhóis e alguns nativos. Hoje, é a segunda maior cidade dos Estados Unidos, no estado mais populoso do país, Califórnia, que ostenta o produto interno bruto semelhante ao do Japão. Se fosse um país, seria o quarto mais rico do mundo. 

A Califórnia também sedia as mais valiosas e principais universidades norte-americanas. Foi ali que começou o movimento dos hippies, paz e amor, que se transformou em violento protesto por todos os Estados Unidos contra a guerra do Vietnã. Os protestos empolgaram o país de ponta a ponta e culminaram com a monumental marcha contra Washington. O formidável movimento constrangeu o governo federal, que foi levado a negociar o fim do conflito. Hoje, o Vietnã é um país amigo que faz negócios regulares com os norte-americanos.

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa - Bolívar Lamounier

O Estado de S. Paulo

Dispor-se ou não a fazer ao menos um modesto esforço para levar a sério o vocábulo ‘política’ equivale à diferença entre um cidadão e um marginal

Faz tempo que a discussão sobre o ajuste orçamentário insipidou o noticiário brasiliense; desculpem-me, pois, os leitores se retorno a três outras coisas insípidas que me empenho em lhes expor a cada duas semanas.

O primeiro dos três é Lula, que não é propriamente um aborrecimento, mas uma preocupação que ainda aflige todos nós, brasileiros. O segundo é nosso desinteresse pela política, de modo geral, no qual chegamos a intuir algo de errado, mas carecemos de potência para sobrepujar nossa preguiça e o gozo de alguns prazeres que, bem ou mal, vez por outra nos é dado desfrutar. O terceiro, que na verdade é um resumo dos dois anteriores, é a certeza de que, mesmo se tivéssemos as qualidades que a situação requer, o esforço individual de cada um não faria grande diferença.

Fanfarrões - Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Hugo Motta informou que pautará a urgência do projeto que sustaria o decreto que estabelecera novas alíquotas para o IOF. Votação prevista para segunda. Até lá, um longo mar a atravessar. E nenhuma deliberação de mérito no horizonte. Muitas águas sobre as quais negociar.

Fantasiado de fiscalista, Motta usa Haddad de escada – para (tentar) encontrar uma identidade à sua gestão na Câmara e para acarinhar a oposição, que o percebe como governista de primeira classe nos voos de Lula pelo mundo.

A ideia errada de Trump sobre a China – Fareed Zakaria

O Estado de S. Paulo

Presidente não entende influência de Pequim e torna EUA mais vulneráveis

O acordo comercial do presidente Donald Trump com a China, anunciado esta semana, é certamente vago. Mas parece seguir o arco familiar do que um comentarista do Financial Times inteligentemente apelidou de “comércio Taco” – a visão do mercado de que “Trump Sempre se Acovarda” – com uma reviravolta.

O acordo consiste principalmente em um retrocesso para o estado de coisas antes de Trump iniciar sua guerra comercial, exceto que os americanos ainda pagarão uma taxa tarifária de 55% sobre os bens da China (em comparação com a tarifa de 10% da China sobre os produtos americanos).

O PL da Devastação e a miopia climática - Oscar Vilhena Vieira

Folha de S. Paulo

Se aprovado, projeto deveria ser vetado pelo presidente

Na contramão dos esforços para conter e mitigar a crise climática, o Congresso Nacional está prestes a aprovar o PL 2159/21, que implodirá importantes mecanismos de proteção socioambiental estabelecidos pela Constituição de 1988 que vêm sendo implementados ao longo das últimas décadas.

Para atender aos interesses imediatos e à ganância de alguns setores da economia, o Parlamento comprometerá os interesses gerais de toda a comunidade, assim como o próprio desenvolvimento sustentável da economia brasileira, que tem na preservação ambiental e na biodiversidade a sua maior vantagem competitiva.

Submissão esconde estratégia – Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Ex-presidente está conformado com a prisão e, aconselhado por Temer, tenta punição mais branda

A certa altura do depoimento de Bolsonaro ao STFAlexandre de Moraes perguntou: "O senhor está dizendo que a cogitação, a conversa, o início dessa questão de estado de sítio e estado de defesa teria sido em virtude da impossibilidade de recurso eleitoral, é isso?".

"Sim, senhor", respondeu o capitão, prejudicando sua defesa e admitindo ter cometido o crime de que é acusado, tramar um golpe após a derrota para Lula, pois em contexto legal as medidas citadas não se justificam. Não houve fraude nas eleições. Como o próprio Bolsonaro de novo reconheceu, usando uma linguagem que seus apoiadores não terão dificuldade de entender: "Tivemos que entubar o resultado".

O fabricante de emergências - Demétrio Magnoli

Folha de S. Paulo

Trump cria retórica para usar prerrogativas excepcionais, e EUA já não são mais um país estável

Os EUA já não podem mais ser classificados como um país institucionalmente estável. Nas democracias, a estabilidade das instituições não é afetada por crises políticas, polarização partidária ou manifestações populares. Tudo isso faz parte do jogo. A instabilidade emerge, porém, quando o Executivo ergue sua lança contra a separação e independência dos Poderes. É precisamente essa a estratégia de Trump.

A tática consiste na fabricação retórica de emergências que propiciariam a utilização de prerrogativas excepcionais. Segundo a Casa Branca, contra todas as evidências, os EUA enfrentam uma emergência econômica, uma invasão estrangeira, ameaças reais à condução da política externa e, finalmente, uma rebelião interna. Dessa paisagem caótica, puramente imaginária, nascem justificativas para a invocação de estatutos legais destinados a enfrentar cenários capazes de colocar em risco a segurança nacional.

Sem amparo legal, 'ataque preventivo' de Israel contra Irã configura agressão - João Paulo Charleaux

Folha de S. Paulo

Argumento de Tel Aviv para bombardeio não encontra justificativa na Carta da ONU, que regula uso da força entre Estados-membros

O "ataque preventivo" que Israel realizou na madrugada desta sexta-feira (13) contra o Irã é um crime de agressão. A ideia de bombardear um país para debelar uma ameaça presumida não está amparada pelo único documento do mundo que diz quando uma guerra é legal ou ilegal: a Carta da ONU.

Esse documento, elaborado e subscrito por todos os países, após a Segunda Guerra Mundial, proíbe a guerra. Ele diz que a força não deve ser usada entre Estados-membros das Nações Unidas, salvo sob duas exceções muito estritas, contidas no artigo 51. A primeira delas é quando há aprovação do Conselho de Segurança. É preciso que essa instância analise os argumentos e determine coletivamente que o uso da força é o único recurso possível para que um Estado-membro responda a uma agressão sofrida.

Por que Israel ataca o Irã agora? - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Netanyahu age com um olho na geopolítica e outro em vantagens eleitorais de que precisa para evitar a cadeia

Há décadas Israel fala em atacar o Irã para impedir o regime dos aiatolás de conseguir sua bomba atômica. Por que decidiu agir agora? A resposta tem algo de "Os Canhões de Agosto", obra em que Barbara Tuchman explica a 1ª Guerra Mundial como resultado de erros de cálculo cometidos por todas as partes. Eram decisões que até faziam sentido num contexto, mas que, no instante seguinte, se revelaram uma armadilha da qual era quase impossível recuar.

Além de 2026

Sergio Lirio/ CartaCapital

Reeleger o presidente Lula tem de ser o centro da ação do PT, diz Edinho Silva, mas é preciso também preparar o futuro

Candidato da principal corrente e apoiado por Lula, Edinho Silva, ex-ministro e ex-prefeito de Araraquara, se eleito para comandar o PT, dedicará a maior parte da energia no primeiro ano de mandato, se não toda, a uma missão que considera central: reeleger o presidente em 2026. “É fundamental para a história brasileira”, afirma. O futuro da legenda não escapa, porém, ao seu radar. A agremiação, afirma, precisa reconectar-se com as bases e entender as mudanças econômicas e sociais em curso, se quiser se fortalecer e continuar relevante, principalmente depois de Lula, sua maior e mais simbólica liderança, deixar de disputar eleições. A batalha entre democracia e fascismo, acredita o dirigente petista, será não só difícil, mas, no mínimo, de “médio prazo”. Segundo ele, o PT precisa abraçar a defesa da democracia direta e de uma profunda reforma político-eleitoral que valorize os partidos e detenha o culto à personalidade típico da extrema-direita.

O tempo curto do governo - Aldo Fornazieri

CartaCapital

As pesquisas de opinião calibrarão o jogo das ambiguidades e das barganhas dos partidos de centro-direita

O governo Lula empilha crises autofabricadas. Além de alimentar o fogo da oposição, essas crises deprimem a avaliação tanto do governo quanto de Lula. Elas mantêm em evidência um paradoxo: o bom desempenho geral da economia é sufocado pela desastrosa condução política.

O problema da inflação, é certo, incide sobre o mau humor dos consumidores. Mas o governo não tem uma narrativa, nem para explicá-la nem para evidenciar que ela tende a ceder nos próximos meses. Os dados do emprego, da renda, do consumo das famílias e do crescimento evaporam, seja porque o governo mostra não ter rumo e direção, seja porque se comunica mal.

Luta de classes - André Barrocal*

CartaCapital

O ministro Fernando Haddad insiste em taxar os mais ricos, o Congresso quer sacrificar a base da pirâmide

Uma revoada de abonados pousou em Brasília nos últimos dias para fazer lobby contra as medidas alternativas preparadas no governo em substituição ao plano de elevar o Imposto sobre Operações Financeiras. Para fechar as contas federais e manter políticas públicas em 2025 e 2026, a equipe econômica havia colocado na praça, em 22 de maio, um pacote para conseguir 60 bilhões de reais com o aumento do IOF, tributo que Jair Bolsonaro e Paulo Guedes tinham resolvido, na saída de cena em 2022, tornar irrelevante. Houve esperneio e ranger de dentes entre a turma de sempre, ricos acostumados a pagar pouco ou nada de Imposto de Renda. O Congresso, claro, ficou sensibilizado com a situação desses pobres-coitados e ensaiou derrubar a MP do IOF. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aceitou dar um passo atrás. Não desistiu, porém, de fazer com que os “moradores de coberturas” paguem a conta. Eis o motivo da romaria à capital federal.