quinta-feira, 24 de julho de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Liberação de gasto expõe incúria fiscal do governo

O Globo

Decisão de descongelar R$ 20,7 bilhões ignora trajetória alarmante do endividamento público

A decisão do governo de liberar o gasto de R$ 20,7 bilhões que estavam congelados é uma chance perdida — mais uma — de buscar o equilíbrio das contas públicas. Com a medida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comprova não dar a devida atenção à gravidade da situação fiscal.

De normal, o endividamento brasileiro nada tem. Mantido o rumo atual, a dívida bruta deverá crescer 10 pontos percentuais no atual mandato e chegar, pelos cálculos oficiais, a 82% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, bem acima da média dos países emergentes (65%). Preocupado em se reeleger, o presidente prioriza o curto prazo, com mais dinheiro sendo usado para manter a economia aquecida. Mas não é tão difícil entender por que tal situação é insustentável e desastrosa. Uma hora a conta do endividamento descontrolado chega, com investimentos inibidos e queda na criação de postos de trabalho de qualidade.

Receio militar - Merval Pereira

O Globo

A tecnologia americana é fundamental para o Brasil. Diversos sistemas estratégicos como radares, comunicação criptografada, aviões de caça, embarcações e até munições dependem do suporte técnico dos Estados Unidos.

A crise desencadeada pela batalha tarifária iniciada pelo presidente Donald Trump contra o mundo — atingindo o Brasil com intensidade política que até agora só teve igual com a ameaça à Rússia para terminar a guerra contra a Ucrânia — está reverberando no meio militar. Há o temor de que as sanções venham a atingir os projetos militares em andamento, que, em grande parte, são dependentes de tecnologia e equipamentos americanos.

Além disso, há quem veja as sanções pessoais aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como uma possibilidade de envolver os próprios ministros militares, e o ministro da Defesa, José Mucio, nomeados por Lula. Ao mesmo tempo, ainda há resquícios de bolsonarismo nas Forças Armadas, que atribuem à inclinação à esquerda da nossa política externa, especialmente à aproximação com a China, o gatilho para a dose política da atitude de Trump.

O Supremo e a armadilha de Trump - Malu Gaspar

O Globo

Quando Eduardo Bolsonaro (PL-SP) começou a bradar por sanções financeiras dos Estados Unidos contra Alexandre de Moraes e os integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), os ministros reagiram com ironia. “Qualquer coisa, é só ir para Nova York. Só que a do Maranhão”, disse Flávio Dino.

Naquele momento, as falas do filho Zero Três de Jair Bolsonaro pareciam bravatas megalômanas. Vieram o tarifaço de Donald Trump, a colocação da tornozeleira no ex-presidente e a revogação dos vistos de Moraes, de outros sete ministros do Supremo e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a atitude dos magistrados continuou a mesma.

“Sempre teremos Paris”, disse um deles. “O Mickey precisará superar a minha ausência”, caçoou outro.

O tom de “não estou nem aí” só começou a mudar nos últimos dias, depois que Moraes proibiu Bolsonaro de dar entrevistas e esteve perto de mandar prender o ex-presidente por suas falas de protesto ao exibir a tornozeleira eletrônica no Congresso Nacional.

O veto total ou a bagunça ambiental - Míriam Leitão

O Globo

Quem entende do assunto recomenda o veto total do PL do licenciamento. O parcial levaria a uma legislação cheia de buracos e lacunas

No dia 8 de agosto termina o prazo para o presidente Lula decidir o que fazer com o PL que desmonta o licenciamento ambiental no país. Tasso Azevedo, fundador do Serviço Florestal Brasileiro e coordenador do MapBiomas, diz que não dá para vetar parcialmente, ele tem que ser integralmente vetado. “O veto parcial deixará buracos, lacunas”, diz. O veto total poderá ser derrubado pelo Congresso. Nesse caso, tudo terminaria na Justiça, porque o projeto é inconstitucional e conflita com decisões anteriores do Judiciário.

O PL do Licenciamento é mais conhecido como PL da Devastação. E é o nome próprio. Afinal, ele contém tantos absurdos que se entrar em vigor será o desmonte de toda a proteção ambiental que o Brasil construiu por décadas. Uma solução no meio do caminho, o veto parcial, levaria a mais confusão. Como o PL substitui legislação anterior, um veto em alguns pontos produziria uma colcha de retalhos, inconsistente e contraditória.

Brasil aposta no multilateralismo contra as “tarifas arbitrárias”de Trump - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Soberania não é moeda de troca. Proteger a democracia brasileira passa por desarmar, com diplomacia e articulação internacional, as bombas-relógio lançadas por Trump

Menos alegoria de mão e mais samba no pé. É isso que o Brasil precisa fazer para enfrentar a crise diplomática e comercial com os Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores (MRE), sob o comando do chanceler Mauro Vieira, acerta ao apostar no multilateralismo como linha de resistência às tarifas arbitrárias impostas por Donald Trump. Não será suficiente para conter a pressão de Washington e proteger a soberania nacional, mas é importante externamente, porque mobiliza uma ampla coalizão de países prejudicados pelo tarifaço. E internamente, porque em torno de uma saída diplomática, em vez da escalada do confronto, há amplo consenso político nacional.

Às vésperas do embargo, Alckmin baixa o volume - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Vice-presidente dá entrada em vigor das tarifas como inevitável e vê concessões pontuais dos EUA num embate que ainda pode escalar

Dependendo do interlocutor, o vice-presidente não faz rodeios. É de embargo que se trata. É assim que Geraldo Alckmin se refere ao tarifaço. Contando apenas as audiências oficiais, foram 16 encontros com representantes de vários setores. Somados aos dos fins de semana, todos em Brasília, o número dobra. Ninguém sai de lá indiferente ao clima de constrita preocupação que prevalece naquele gabinete. Pudera. Cada um que lá entra apresenta uma fatura maior de demissões e prejuízos.

A uma semana do prazo estipulado, o principal negociador brasileiro trabalha com a perspectiva de que o tarifaço anunciado entrará em vigor. No limite, Donald Trump pode flexibilizar para um ou outro setor, que faça valer seu poder de barganha, mas a tarifa básica de 50% será, sim, aplicada.

Eu posso, eu prendo e arrebento - José Serra

O Estado de S. Paulo

O mundo mudou e Trump vai decretando um fim melancólico da posição americana como centro hegemônico da economia mundial

Temos de admitir que Donald Trump tem uma capacidade de mobilização sem par na história recente. Infelizmente, seus atos colocam em movimento uma dinâmica econômica e social perversa para o mundo, para o Brasil e para os Estados Unidos da América.

Os últimos dias, no entanto, mostraram que ele consegue sempre fazer mais. O tarifaço que está na boca do povo logrou o inimaginável: resgatou o governo Lula de suas piores avaliações, colocou o governador Tarcísio no fio da navalha e transformou o autoproclamado maior patriota em traidor da Pátria. Isso para não lembrar a opera buffa da tentativa de recuperar o passaporte para o ex-presidente ir falar com Trump.

Ignorando por um momento os episódios mais surrealistas, quero me concentrar na impressionante eficácia com que o governo Trump tem desmantelado pilares do mundo civilizado – um mundo que, até pouco tempo, eu considerava bem mais robusto do que agora aparenta ser. Ironias do sistema: ninguém esperava que o agente corrosivo do capitalismo emergisse justamente de suas entranhas. Três aspectos, em particular, simbolizam com clareza essa derrocada.

O ‘fascio’ do Tio Sam - Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Não, isso não é democracia. Isso é convulsão institucional prestes a se assumir como ditadura escancarada

Agora, quem usa a palavra “fascismo” para se referir ao governo de Donald Trump é Robert B. Reich, um intelectual sem nenhum histórico de surtos esquerdistas. Longe disso, Reich tem uma trajetória de ponderada coerência. Advogado, foi secretário do Trabalho (cargo equivalente ao de ministro no Brasil) durante o governo de Bill Clinton, de 1993 a 1997. Era cordial e atencioso no trato com jornalistas – brasileiros, inclusive. Reich foi também professor de Políticas Públicas em Berkeley. Hoje, aposentado, segue em destaque como autor de livros, alguns deles best-sellers e como articulista frequente em jornais e revistas como The New York Times, The New Yorker, The Washington Post, The Wall Street Journal, e The Atlantic. Sua voz não costuma ceder a radicalismos e destemperos.

Escolha sendo feita - William Waack

O Estado de S. Paulo

Representantes de setores da economia que já tiveram conversas nos Estados Unidos em torno do tarifaço têm feito relatos coincidentes. Os americanos não conseguem dizer exatamente até onde querem chegar. E a China é a formidável sombra pairando sobre a crise.

Até onde já se chegou é um bom exemplo da falta de senso estratégico por parte de Donald Trump. Seu ataque a instituições brasileiras equivale a propor “regime change”. Trazendo até aqui benefícios políticos ao incumbente Lula, além de rachar e isolar setores da oposição ao governo brasileiro.

A espada de Trump sobre o Brasil - Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O dia 1º de agosto (mês do desgosto) está logo aí e, até lá, não há muito o que fazer para enfrentar a barbaridade do tarifaço do presidente Donald Trump.

Não há abertura para negociação comercial, até porque a questão de fundo não é comercial, é política. Nem mesmo a primeira carta do presidente Lula, enviada por ocasião do anúncio do tarifaço anterior, de 10%, mereceu resposta. Quem recebeu uma carta especial de Trump, com apoio e tudo mais, foi o ex-presidente Bolsonaro. A revogação dos vistos dos ministros do STF é outra demonstração de que o Brasil está sendo castigado para livrar a cara de Bolsonaro. Há outras alegações para a pancada, todas políticas: de que o presidente Lula vem provocando o império com acenos ao inimigo Irã, ou que está empurrando os países membros do Brics a escantear o dólar como moeda para liquidação de contas entre eles.

Boicote quem lucra com genocídio em Gaza - Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Prefeituras e governos estaduais no Brasil devem imediatamente suspender a compra de armamentos de Israel

O genocídio israelense em Gaza continua porque é lucrativo. A princípio, a afirmação pode soar contraintuitiva: como pode ser lucrativo explodir 120 civis atacando escolas usadas como abrigos, ou matar 93 palestinos em centros de ajuda humanitária, ou usar a fome como tática de guerra, como Israel fez na última segunda-feira (21) ao atacar armazéns da OMS (Organização Mundial da Saúde)? Genocídio palestino é lucrativo, porque a economia israelense —em particular os setores militar, tecnológico, financeiro e fundiário— está atrelada umbilicalmente à máquina de moer carne palestina.

Trump pode desafiar o 'TACO' com o Brasil - Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Para rebater a piada de que 'sempre volta atrás', presidente pode usar o nosso país como exemplo

A ênfase dada pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda) ao revelar que o governo já trabalha com um plano de contingência para socorrer empresas que venham a ter prejuízos com a confirmação da sobretaxa de 50% de Donald Trump é o sinal mais contundente de que Lula vê como baixíssima, para não dizer remota, a chance de negociação de um acordo até o dia 1º de agosto.

Uma tentativa de mostrar que medidas estão sendo preparadas na hora em que o pior cenário chegar, indicando à população que o governo não está de braços cruzados em contraponto ao desfecho previsível. Sem avanços nas conversas, faz uma sutil, mas importante, virada de discurso após a fase inicial da crise de reforçar o patrocínio da família Bolsonaro na ameaça de Trump.

Soberania para quê? Supremacia para quem? - Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Não se superestime sua abrangência, nem se subestime sua importância

Veio a tornozeleira. A prisão preventiva ficou para depois, mas as práticas de coação e obstrução bolsonaristas continuam.

A semana que passou teve não só eventos de grande importância jurídica e política. Houve episódios de valor didático não ordinários. Daquelas semanas que contam para o resto de nossa vida democrática.

Alexandre de Moraes, em medida cautelar, detalhou a atuação da família Bolsonaro na barganha da anistia e ordenou adoção de tornozeleira e medidas restritivas sobre Jair. Deputados aliados o receberam no Congresso, ouviram lamentos, gritaram por anistia, pressionaram por interromper o recesso e encaminhar votação.

Eduardo Bolsonaro, cuja conspiração se financia por dinheiro da Câmara e do pai, tenta saídas para não perder o mandato, ou, na pior hipótese, não se tornar inelegível. Os mesmos deputados buscam mudar regimento para lhe permitir morar no exterior com salário. Até governadores de SP, SC e MG têm sido sondados para empregar Eduardo no governo estadual, como representante internacional.

Na democracia, 2 e 2 são 5 - Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

A maioria dos brasileiros pensa que governo e oposição deveriam se unir em torno da defesa do país

A se confirmar em 1º de agosto, o tarifaço contra as exportações brasileiras, imposto por Donald Trump, terá efeito negativo, imediato e inevitável na economia do país. Ainda assim, seu simples anúncio engendrou uma oportunidade política única para fortalecer o governo e o jogo democrático —e colocou na berlinda a direita bolsonarista, cúmplice assumida do desastre anunciado— como, merecidamente, será julgada.

Resultados da pesquisa Genial/Quaest, divulgada na quinta-feira 17/07, ajudam a dar nitidez aos desafios tanto para o governo quanto ao bolsonarismo.

Gratidão à moda de Bolsonaro - Ruy Castro

Folha de S. Paulo

São Paulo deu milhões de votos a Bolsonaro, Tarcísio e Eduardo. Agora, eles estão lhe dando o troco

No dia 7 de outubro de 2018, 1,8 milhão de paulistas saíram de casa para eleger Eduardo Bolsonaro para a Câmara dos Deputados. Foi a maior votação para deputado federal na história. Pelos quatro anos seguintes, sua atuação por São Paulo em Brasília não deve ter agradado muito —os Bolsonaros tendem a cuidar mais de si do que de seus eleitores—, porque, em 2022, ele foi reeleito, mas seus votantes caíram para (ainda invejáveis) 741 mil.

Poesia | Ausência, de Vinicius de Moraes - por Júlia Sonati

 

Música | Mônica Salmaso | Quem te viu, quem te vê (Chico Buarque)

 

quarta-feira, 23 de julho de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Proibir entrevista é indevido e inoportuno

O Globo

Para se defender de imensa pressão, Supremo não pode atropelar direitos fundamentais

Réu por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro é julgado em meio à indevida pressão de Donald Trump sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de tarifas sobre as exportações brasileiras e ameaças aos ministros da Corte. Desde o início das investigações, são notórias as tentativas de obstrução de Justiça perpetradas pelo ex-presidente e seu filho Eduardo Bolsonaro nas plataformas digitais. Dado o histórico de desprezo pelas instituições democráticas, é alto o risco de fuga ou pedido de asilo. Ciente disso, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou na semana passada o uso de tornozeleira eletrônica e proibiu a aproximação do ex-presidente a postos diplomáticos. Também o impediu de usar redes sociais, “diretamente ou por intermédio de terceiros”.

As prévias dos Bolsonaros - Thiago Prado*

O Globo

Ex-presidente ainda custa a aceitar o governador Tarcísio de Freitas como o melhor candidato para enfrentar Lula

Na viagem que o pastor Silas Malafaia fez para Angra dos Reis com Jair Bolsonaro em março, quando posaram para fotos andando de lancha, o líder evangélico que o ex-presidente tanto escuta deixou o seguinte recado numa conversa privada: não achava seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, a melhor escolha para disputar o Planalto em 2026. Naquele mês, o parlamentar deixara o Brasil rumo aos Estados Unidos, e tirar sarro da viagem dele era o esporte preferido das rodas de conversa da direita à esquerda.

— Quem é Eduardo Bolsonaro para fazer o governo americano tomar decisões? — questionou o próprio Malafaia, em maio, quando começaram a crescer as especulações sobre uma possível sanção do governo americano a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na sexta-feira, depois do anúncio feito pelos Estados Unidos de que os vistos do ministro Alexandre de Moraes, “seus aliados e familiares imediatos” estavam sendo suspensos, Eduardo Bolsonaro lembrou, nas redes, as ocasiões em que sua capacidade de articulação no exterior foi ironizada. Postou as reportagens “Eduardo Bolsonaro vira chacota em jantar na casa de Moraes”, de Igor Gadelha, do Metrópoles; e “Ministros do STF fazem piada sobre quem terá visto para os EUA cancelado por Donald Trump”, de Mônica Bergamo, no jornal Folha de S.Paulo.

O espetáculo da tornozeleira - Bernardo Mello Franco

O Globo

Ex-presidente exibiu aparelho para inflamar seguidores contra o Supremo

Na sexta-feira, Jair Bolsonaro acordou com a Polícia Federal na porta de casa. Ainda não era a hora da tranca. Os agentes tinham ordens para fazer buscas e liberá-lo após a instalação de uma tornozeleira eletrônica.

Cumprido o mandado judicial, o capitão passou a conceder uma série de entrevistas. Em todas elas, recusou pedidos para mostrar o aparelho recém-acoplado. “É humilhante, degradante. Eu tenho vergonha de falar que estou com uma tornozeleira”, justificou. 

O mistério do dólar de 9 de julho – Elio Gaspari

O Globo

O ministro Alexandre de Moraes atendeu ao pedido da Advocacia-Geral da União para que se investigue o que aconteceu com o dólar no dia 9 de julho passado. O caso tramitará sob segredo de Justiça.

Parte do que aconteceu, todo mundo sabe: o presidente Donald Trump anunciou, às 16h17, uma sobretaxa de 50% para as exportações brasileiras.

O que nem todo mundo sabia, e o Jornal Nacional mostrou, era que, às 13h30, alguém comprou entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões cotados a R$ 5,46. Poucos minutos depois do anúncio das sanções, esse alguém (ou alguéns) vendeu o ervanário comprado três horas antes, com dólar cotado a R$ 5,60. A 14 centavos para cada dólar comprado e vendido (diferença entre as duas cotações), alguém ganhou R$ 140 milhões para cada bilhão operado às 13h30m. Grande tacada, das maiores já vistas. Em tese, quem a armou poderia não ter desembolsado um só real. Pelos mecanismos existentes, um operador pode comprar dólares num dia para pagar só no dia seguinte.

‘Pela primeira vez conseguimos dialogar com parte do eleitor de Bolsonaro’, diz novo presidente do PT

Por Renata Agostini e Sérgio Roxo / O Globo

Edinho Silva afirma que que todas as lideranças da sigla terão de 'cumprir missões' nas eleições do ano que vem, o que inclui Haddad, que tem dito não querer se candidatar

Novo presidente do PT, Edinho Silva diz que o tarifaço anunciado por Donald Trump e a discussão sobre justiça tributária, colocada na rua após o Congresso derrubar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), fizeram com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguisse, pela primeira vez desde sua posse, conversar com parte do eleitor de Jair Bolsonaro. Em entrevista ao GLOBO, ele vê essa aproximação com o que chama de eleitor "conjuntural" do ex-presidente. "Não é o eleitor ideológico, convicto", avalia. Edinho, que tomará posse em agosto e dirigirá a legenda até 2029, afirma que todas as lideranças do PT terão de “cumprir missões” nas eleições do ano que vem, e isso inclui o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que tem dito não querer se candidatar. O novo presidente do PT ainda defende uma reforma política com a adoção do voto em lista para a Câmara, com os indicados escolhidos pelos partidos.

Para militares, crise com Trump remete à Guerra da Lagosta - Fernando Exman

Valor Econômico

Episódio da década de 1960 entre Brasil e França deixou como mensagem a reflexão sobre a necessidade de se discutir a fundo o significado da palavra “soberania”

No meio militar, menciona-se a “Guerra da Lagosta” quando se analisa os possíveis desdobramentos da atual turbulência nas relações bilaterais com os Estados Unidos. Aquele episódio ocorreu na década de 1960 entre Brasil e França e, apesar do nome, não culminou com um conflito armado. Mas deixou como mensagem a reflexão sobre a necessidade de se discutir a fundo o significado da palavra “soberania”.

Defesa oferece a Moraes saída para adiamento de prisão - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

O acolhimento da tese da defesa sobre a impossibilidade de conter o uso que as redes sociais fazem de Bolsonaro conferiria um rótulo “garantista” ao processo

Ante a saída espetaculosa de Jair Bolsonaro da Câmara dos Deputados, com a exibição da tornozeleira e o testamento de um perseguido frente a uma multidão de jornalistas, a prisão do ex-presidente parecia um desfecho certo. Afinal, a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que proibia a veiculação de entrevistas até por perfis em redes de terceiros, havia sido frontalmente descumprida. De inevitável, porém, a prisão do ex-presidente findou improvável.

Apenas na manhã desta quarta, quando cai a inviolabilidade do domicílio, garantia constitucional para o período noturno, será possível saber se o ex-presidente será preso, mas, no fim da terça, não era esta a expectativa entre advogados, procuradores e até no Supremo Tribunal Federal.

Simpatia de Trump por Bolsonaro é parte de padrão ‘alarmante’ - Edward Luce

Valor Econômico/ Financial Times

Assessores poderiam apontar para o presidente dos EUA que ele está atrapalhando a própria agenda de interesses

Você está mal nas pesquisas? Preocupado em ser esquecido nas eleições? Mark Carney, do Canadá, Anthony Albanese, da Austrália, e, agora, Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, têm uma solução para você. Basta que Donald Trump lance uma guerra comercial contra seu país. Poucas coisas são melhores para arregimentar eleitores em torno à bandeira de um país do que o ataque de uma superpotência contra o bolso deles.

O primeiro pontífice dos Estados Unidos, Robert Francis Prevost, também poderia creditar sua eleição a Trump, embora o Vaticano não seja uma entidade comercial. Trump e o falecido papa Francisco, antecessor do papa Leão XIV, não nutriam grande admiração entre si.

Na cartilha de Trump, no entanto, o Brasil está em uma categoria à parte. No início de julho, citando o processo contra Jair Bolsonaro, o presidente anterior do Brasil, Trump prometeu impor tarifas de 50% sobre os produtos da segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental, a menos que o julgamento contra o político autoritário fosse cancelado. Poucos dias depois, o secretário de Estado americano, Mark Rubio, anunciou a revogação do visto entrada nos EUA do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que preside as audiências do processo contra Bolsonaro.

A inusitada aliança entre Gleisi e Haddad - Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai fazer dobradinha com a titular de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, nas articulações políticas com o Congresso para isolar aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a partir de agosto, quanto terminam as férias parlamentares. Ferrenhos adversários no PT, os dois se uniram no governo para cumprir a meta fiscal, dispostos a enfrentar a rebelião que se anuncia com a possível prisão de Bolsonaro.

Diário de um louco - Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

É cada vez mais improvável que o Brasil consiga um acordo para evitar o tarifaço dos EUA

A escalada da tensão entre o governo Lula e o de Donald Trump, com o Supremo Tribunal Federal (STF) no centro da crise, torna menos provável que se chegue a um acordo para evitar que a tarifa de importação de 50% sobre os produtos brasileiros entre em vigor no dia 1.º de agosto. O problema é que, no atual mandato, Trump vem se mostrando mais irracional que o imaginado, o que aumenta o risco de um desfecho com consequências ainda mais graves para o Brasil.

Nas últimas semanas, um racha com importantes influenciadores do movimento MAGA (sigla para “Make America Great Again”), a base mais radical dos seus apoiadores, por conta do “escândalo Epstein”, vem deixando Trump emparedado politicamente e, pior, descontrolado. O empresário Jeffrey Epstein foi condenado por crimes sexuais e suicidou-se na prisão. Os apoiadores do MAGA pressionam Trump a divulgar uma suposta “lista Epstein”, de celebridades e políticos envolvidos com o empresário.

Lula e Bandung – Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Bolsonaro e seus aliados ajudaram, Trump catapultou. Lula teve a firmeza e o vazio de lideranças mundiais fez aflorar um novo líder planetário

Em 1955, líderes mundiais se reuniram na cidade de Bandung, na Indonésia, para criar um movimento de países não alinhados com a União Soviética (URSS) nem com os Estados Unidos (EUA). Lutavam contra o colonialismo, pela soberania e pelo desenvolvimento nacional. Os líderes reunidos naquela conferência tornaram-se figuras icônicas em todo o mundo. Jawaharlal Nehru, Gamel Abdel Nasser, Chou En-Lai, Sukarno encarnaram o ideal de independência e progresso, simbolizando a possibilidade de que os países descolonizados superassem a pobreza e não fossem submetidos nem à Casa Branca nem ao Kremlin. No mundo inteiro, esses nomes passaram a significar independência e aspiração ao desenvolvimento econômico dos países libertados, livres da tutela das duas potências de então. Setenta anos depois, pode-se dizer que Bandung foi vitoriosa. 

8 de janeiro, o dia sem fim - Rodrigo Craveiro

Correio Braziliense

Agarrados a uma base radical e extremista, com a qual criaram uma relação simbiótica, pregam a perpetuação no poder e fomentam ódio, cizânia, divisão e ressentimento

"Dê poder a um homem e verá quem ele realmente é." A frase do filósofo italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527) parece ter sido feita sob medida para alguns líderes (ou pseudolíderes) da atualidade. Eleitos pela democracia representativa, muitos deles governam para o próprio ego e representam mais suas ambições de poder do que a população. Por vezes, adquirem comportamento de déspotas: ignoram as leis e a Constituição, que prometeram honrar e respeitar ao serem empossados.

Agarrados a uma base radical e extremista, com a qual criaram uma relação simbiótica, pregam a perpetuação no poder e fomentam ódio, cizânia, divisão e ressentimento. Não suportam ser contestados por terceiros e muito menos pelas urnas. Tanto que, mesmo depois de derrotados, instigam o séquito mais reacionário a contestar a derrota. Os mesmos seguidores, que não se furtam em tripudiar sobre a morte de uma artista apenas porque ela simpatizava com uma corrente político-ideológica antagônica.

Rota de colisão entre Trump e Lula põe em xeque a democracia brasileira - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O “grande cargueiro” conduzido pelo temperamento abusivo e errático de Trump impõe sua rota ao mundo, sem se preocupar com os pequenos ou médios navegantes. É melhor corrigir o curso para evitar o naufrágio

Quando a marcação (rumo) é constante e a distância diminui, a rota é de colisão, diz uma regra básica de navegação. O direito de passagem é sempre daquele que tem maior dificuldade de manobra, por exemplo, um barco à vela em relação ao barco a motor. Entretanto, qualquer velejador experiente sabe que a regra não funciona quando o rumo cruzado é com um grande cargueiro. Nesse caso, é melhor ser feliz do que ter razão, ou seja, corrigir o curso para evitar um naufrágio.

A rota de colisão entre Trump e Lula não é apenas uma metáfora de relações diplomáticas tensas, mas um dilema real para o Brasil, que precisa equilibrar interesses comerciais estratégicos com a defesa de sua soberania e da democracia. O “grande cargueiro” norte-americano, conduzido pelo temperamento abusivo e errático de Trump, impõe sua rota ao mundo, sem se preocupar com os pequenos ou médios navegantes. O Brasil, nesse cenário, precisa escolher entre ser “feliz” – preservando sua democracia e autonomia -, como fariam os experientes velejadores, ou “ter razão” e colidir com a potência hegemônica.

Judiciário caça bruxas de direita - Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Não há nada de novo sob o Sol quando Donald Trump resolve intervir no Brasil sob o pretexto de perseguição a Jair Bolsonaro

Se você, caro leitor, anda impressionado com a difusão da tese divulgada por bolsonaristas de que vivemos uma ditadura de toga e de que o Supremo Tribunal Federal faz parte de uma trama para prejudicar a direita radical, saiba duas coisas.

Primeiro, essa opinião não decorre de nada especificamente brasileiro. Trata-se de um discurso que a extrema direita repete em todo país onde é forte.

Segundo, ela integra uma metanarrativa transnacional já consolidada: a de que haveria uma "maquinação judicial" —ou "‘lawfare’ sistêmico"— orquestrada por elites globalistas ou instituições aparelhadas para neutralizar, criminalizar ou banir forças nacionalistas, populistas e iliberais.

Trump aceitaria uma derrota eleitoral? - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Cientista político Adam Przeworski acredita que presidente americano poderia resistir a resultados desfavoráveis, em 2026 ou 2028

Meu filho David vinha havia várias semanas insistindo para eu conferir as postagens de Adam Przeworski, um cientista político de cujas obras gosto bastante, em seu substack. Przeworski, que é polonês, mas vive nos EUA e tem cidadania americana, mantém uma espécie de diário em que registra suas impressões e reflexões sobre o segundo mandato de Donald Trump.

Nos atropelos de um dia a dia que nos oferece muito mais material de leitura do que tempo disponível para fazê-lo, eu vinha adiando o encontro com Przeworski. Eis que, na semana passada, Maria Hermínia Tavares, que escreve aqui ao lado, também me sugeriu Przeworski e muito gentilmente ainda anexou sua última postagem ao email. Não daria mais para evitá-lo.

Eleição agora é mera miragem – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Candidaturas inexistentes levam a prognósticos fantasiosos de uma corrida eleitoral ainda distante

Pesquisas de opinião sobre projeções de votos nesta altura dos acontecimentos animam ou desanimam os engajados, mas estão a um passo de se configurar obra de ficção se considerado o universo completo do eleitorado.

Agora significa pouco ou quase nada fulano estar "xis" pontos à frente ou atrás de beltrano, como se diz, se as eleições fossem hoje. Fato é que serão só daqui a mais um ano num ambiente volátil, propício a erro de cálculos.

Síndrome de vira-lata do brasileiro acabou? - Michael França

Folha de S. Paulo

Apesar dos Bolsonaros, há um sentimento diferente no país

Quem acompanhou as declarações de Eduardo Bolsonaro nas últimas semanas pode até pensar o contrário. Expressões como "Deus abençoe os Estados Unidos da América", depois de ele ter influenciado a taxação de Trump e conspirado contra o próprio país, deixaram confusa a cabeça de muitos patriotas. Afinal, os Bolsonaros realmente queriam o "Brasil acima de tudo"? Ou será que seus ideais sempre estiveram voltados em colocar "sua família acima de todos"?

Os governadores Tarcísio de Freitas, de São Paulo, e Romeu Zema, de Minas Gerais, embarcaram na onda. Pegou mal, muito mal. E logo tentaram voltar atrás, com os rabinhos entre as pernas. Apesar desse vira-latismo, parece que falar mal do Brasil está saindo de moda. Esse é justamente o tema de uma ótima reportagem da DW Brasil publicada no YouTube, que discute como parte de nossa atrasada elite econômica e política cultivou, ao longo de décadas, um certo desprezo pelo próprio país, enquanto exaltava tudo que vinha de fora.

Poesia | Sertão, de Ascenso Ferreira

 

Música | Novos Baianos - Brasil Pandeiro (Assis Valente)

 

terça-feira, 22 de julho de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Promoção da democracia perde espaço sob Trump

O Globo

Diplomacia americana sofre restrições para criticar eleições fraudulentas no exterior

Em comunicado a embaixadas americanas, o secretário de Estado, Marco Rubio, determinou na semana passada que comentários sobre eleições devem evitar opiniões sobre legitimidade e imparcialidade do processo eleitoral ou os “valores democráticos do país em questão”. Se um posto diplomático quiser criticar uma eleição por violência ou fraude, deverá buscar orientação em Washington. As permissões, avisa o texto enviado na quinta-feira, serão raras. Com Donald Trump no poder, nada disso é surpreendente. O comunicado é mais um indício do abandono pelos Estados Unidos da política de promoção da democracia.

Na sexta-feira à noite, Rubio anunciou a revogação dos vistos americanos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e familiares próximos. Estão na lista oito dos 11 integrantes da Corte: Alexandre de MoraesLuís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes. Esse foi o último exemplo de pressão sobre o Judiciário da segunda maior democracia das Américas. Poderá não ser o último. O Departamento de Estado ainda cogita usar a severa Lei Magnitsky. Bens sob jurisdição dos Estados Unidos que pertençam aos alvos serão congelados, e operações envolvendo o sistema financeiro americano excluídas. A legislação foi concebida para punir abusos dos direitos humanos. Portanto sua aplicação contra ministros do STF seria uma aberração, mais uma no rol encabeçado pela carta com a ameaça do tarifaço em agosto.

Os planos para enfrentar tarifaço - Míriam Leitão

O Globo

Negociadores devem continuar a buscar solução com EUA para tarifas. Ao mesmo tempo é preciso se preparar para enfrentá-las sem improviso fiscal

Faltam nove dias para a data que Donald Trump marcou para o começo do tarifaço. O ministro Fernando Haddad disse, em entrevista à CBN, que o Brasil nunca saiu da mesa de negociações. Ao mesmo tempo, prepara planos de contingência. O Brasil tem que viver esses dias fazendo exatamente isso: esforço negociador e preparação para os cenários alternativos. Nesse momento, a incerteza já atinge produtores, exportadores, investidores e financiadores, com reflexos na economia.

Tudo acontece antes de acontecer na economia, porque as decisões precisam ser tomadas com antecedência. A incerteza tem efeito paralisante, o que por si tem impacto econômico. Empresas já estão tendo prejuízo, principalmente os fornecedores de produtos perecíveis. Não se pode esperar o dia primeiro de agosto para depois pensar em como resolver os problemas.

Ontem, na entrevista de Haddad ao Jornal da CBN, eu lhe perguntei se o governo tem planos para socorrer empresas atingidas por esse tarifaço, se ele ocorrer.

— Numa situação como essa, de agressão externa injustificável, o Ministério da Fazenda se prepara para todos os cenários. Então, nós temos plano de contingência para qualquer decisão que venha a ser tomada pelo presidente da República. Mas eu insisto em dizer que o Brasil jamais saiu e jamais sairá da mesa de negociação, porque não há compreensão da nossa parte de que essa situação perdure para benefício mútuo, tanto dos Estados Unidos quanto do Brasil. Agora, o plano de contingência nós somos obrigados a fazer. É uma situação emergencial que não se previa até 15 dias atrás. Ninguém podia imaginar uma decisão unilateral dessa envergadura.

O rato que ruge - Merval Pereira

O Globo

Nessa disputa retórica, o Brasil só tem a perder, assim como Bolsonaro, pois os dois são mais frágeis que seus oponentes.

Dizer que a revogação dos vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) é “inadmissível”, como fizeram o presidente Lula e o chefe da Casa Civil, Rui Costa, é uma linguagem política que coloca os que a pronunciam, especialmente sendo duas figuras das mais importantes do país, numa situação-limite. Se é “inadmissível”, farão o quê? O rato que ruge? Exército Brancaleone? Nessa disputa retórica, o Brasil só tem a perder, assim como Bolsonaro, pois os dois são mais frágeis que seus oponentes.

O governo brasileiro tem uma vantagem institucional, pois é uma das maiores economias do mundo democrático. O país, diante da maior potência econômica e militar do mundo, não tem como confrontar o oponente, a não ser no campo moral, mesmo que tenha razão. Já Bolsonaro, não tem como confrontar o Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo que tenha o apoio do presidente daquele país, pois não tem o apoio dos fatos, que o condenarão por ter atentado contra a democracia brasileira.

O GPS, o Swift – Pedro Doria

O Globo

É muito difícil fazer desconexão de uma quantidade imensa de satélites de um país do tamanho do nosso

Os dois boatos que tomaram as redes bolsonaristas nos últimos dias, de novas sanções que o governo Donald Trump poderia impor ao Brasil, não têm pé nem cabeça. Um sugere que o Brasil poderia ser cortado do sistema GPS, aquele que faz nossos mapas de celular funcionar. O outro determina que o Brasil poderia ser cortado do Swift, o protocolo adotado internacionalmente para transferências monetárias internacionais. O primeiro deixaria o país incapaz de ter sistemas internos para localização. O outro impediria toda transação financeira para fora. As ideias são absurdas por motivos técnicos e por motivos políticos.