Folha de S. Paulo
O que importa saber é como e por quem os
demônios das ambições serão contidos
Por transparência, todo o sigilo das
investigações do Banco Master deve ser levantado
Se os ministros do Supremo fossem anjos,
nenhum controle sobre eles seria necessário. Se anjos julgassem a nós, os
homens, não seriam necessários controles externos nem internos.
Ao instituir um tribunal que será administrado por homens sobre homens, a grande
dificuldade está nisto: primeiro, é preciso capacitar o tribunal para julgar
seus jurisdicionados; em seguida, obrigá-lo a controlar a si próprio.
Eis aqui a licença poética de (mal) parafrasear uma das maiores passagens da filosofia política ocidental: James Madison, em "O Federalista", número 51, de 1788.
Não se discute qual autoridade no STF é mais
angelical; o que importa saber, na corte e fora dela, é como e por quem os
demônios das ambições serão contidos.
Para controlar as ambições existem os ritos.
Por haver procedimentos, atropelar o rito de
investigação de um colega, divulgar, à la Moro, de forma seletiva, documentos
antes sigilosos, de acordo com o tempo eleitoral, e manter instituto ligado a
ministro do STF, não cai bem.
Por transparência republicana, todo o sigilo
das investigações do caso Banco Master,
inclusive o dinheiro ao filme "Dark Horse", deveria ser levantado.
Por haver regras de parcialidade, editar
contrato milionário com banqueiro e manter com ele relação de proximidade,
segundo as investigações, não cai bem. Por respeito ao STF, Moraes deveria dar
esclarecimentos, ser investigado e, caso se confirme, que seja decidido seu
futuro na corte.
Por haver a altivez do cargo, manter relações
calorosas com banqueiro não cai bem para altas autoridades da PGR.
Paulo Gonet deve
explicar as citações a ele no relatório da PF e justificar quais medidas
tomará, se alguma, para que o caso do Banco Master não caia no esquecimento,
sob pena de colher os frutos de descrédito da instituição centralizada em sua
figura por falta de reforma da PGR pós-Augusto
Aras.
Anos de seletividade e aversão a críticas
fizeram do STF instituição que corre o risco de descrédito; e quem ganha com
isso é quem quer o tribunal vandalizado, não quem o quer de pé e legítimo.

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