O Estado de S. Paulo
Toffoli assumiu um poder que não tem e embaralha a eleição para nada. A polarização continua
Renan Santos sai, Augusto Cury sobe, e os
dois movimentos excitam as campanhas, a opinião pública e os especialistas,
provocando debates, confrontos e as mais diferentes suposições, mas o fato
real, que não é nada excitante, é que nada muda na polarização acirrada entre
os favoritos Lula e Flávio Bolsonaro. Nem Renan nem Cury têm força para mudar a
eleição.
Há duas questões em relação à decisão que praticamente cassou a candidatura de Renan Santos, que já não tinha acesso à propaganda eleitoral na TV e agora fica impedido de fazer campanha digital – que é o seu forte –, de receber fundo eleitoral e de participar de debates e entrevistas. O que sobra?
A primeira dúvida é se a decisão, tomada
monocraticamente pelo ministro Dias Toffoli, no TSE, é correta ou abusiva.
Portanto, se vai ser ou não mantida. Até aqui, a repercussão nos bastidores da
Corte é crítica a Toffoli, o que aumenta os holofotes e a vitimização de Renan
Santos.
A outra questão é que efeito a saída de Renan
Santos do páreo terá nas pesquisas, logo, na eleição. Seus votos irão para Flávio
Bolsonaro, já que suas posições são mais próximas às do bolsonarismo do que às
do lulismo? outsider Cury. O eleitor de Renan, como o de Cury, é muito
suscetível a “novidades” e a “antipolíticos”, como ambos se apresentam.
Um alerta, porém: mesmo
Como quem está na moda é o psiquiatra Augusto
Cury, é razoável imaginar que uma boa parte dos eleitores de Renan possa ir
para o também que Cury tenha sido um sucesso na TV Globo, que não foi, que seu
programa eleitoral seja espetacular, que não é, e que ele tenha inundado as
redes com seus vídeos, o que, aí, sim, é verdade, não parece crível que tenha
dado um pulo de 2% para 11% nas pesquisas em uma semana.
O trunfo de Cury, um não político, é adotar
uma estratégia que os demais concorrentes do segundo pelotão desprezaram ou não
souberam usar: em vez de atacar só Lula ou só Flávio, ele atacou a polarização
e os dois, em doses iguais, só com fatos, notícias. Isso cola.
Na outra ponta, ficou Ronaldo
Caiado, por exemplo, que decidiu descarregar
as baterias contra Lula e não ganhou nada com isso. Aliás, Caiado, com toda a
sua experiência e biografia, vem perdendo suas melhores chances, em sabatinas,
debates e programa eleitoral – e deixando escorrer pelas mãos o seu terceiro
lugar, que é o máximo que Cury pode almejar.
MONFORTE. Colega muito especial, Carlos
Monforte foi um grande jornalista no Estadão, na Rede Globo e por onde passou.
É uma referência e deixa saudades.

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