quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Desempenho do Brasil no Pisa continua frustrante

Por O Globo

Houve recuo em matemática e leitura, e nota média estagnou. Para piorar, educação é desprezada na eleição

Continua decepcionante o desempenho do Brasil no Pisa, o exame de avaliação de jovens de 15 anos realizado a cada três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), medida internacional mais usada para comparar o estágio do ensino médio em mais de 90 países. Em áreas críticas para a economia moderna, como matemática e leitura, houve retrocesso de dois pontos desde 2022. Em matemática, a média caiu de 379 para 377. Em leitura, de 410 para 408. Somente em ciências houve avanço, de 403 para 409. Apesar disso, a média geral do país se mantém estagnada desde 2015, uma péssima notícia para um país com graves deficiências na área de educação.

Distopia do STF lembra o realismo fantástico de 'Incidente em Antares', por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Treze ex-ministros do STF classificam o episódio como a 'mais aguda crise' do tribunal; defendem apuração rigorosa dos fatos e respeito ao devido processo legal

Antares, a estrela mais brilhante da constelação de Escorpião, é uma supergigante vermelha situada a cerca de 550 anos-luz da Terra. Seu nome vem do grego e significa “rival de Ares”, devido à semelhança de sua coloração com a de Marte, o planeta associado ao deus da guerra. Tem massa estimada entre 11 e 16 vezes a do Sol, raio centenas de vezes maior e luminosidade próxima de 100 mil sóis.

Entretanto, Antares está consumindo rapidamente o combustível que ainda sustenta seu equilíbrio. Quando esse processo terminar, seu núcleo entrará em colapso e a estrela explodirá como uma supernova, provavelmente dentro de alguns milhões de anos. Na literatura brasileira, é o nome da cidade fictícia criada por Erico Verissimo em seu último romance, “Incidente em Antares”, publicado em 1971. O autor recorre ao realismo fantástico, ao humor macabro e à sátira política para fazer a autópsia de uma sociedade dominada pela hipocrisia e pelos acordos entre seus poderosos.

O 7 de Setembro de André Mendonça, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Com Bolsonaro preso, direita verde-amarela encontra novo mito para reverenciar

A primeira a falar foi Sonia Hernandes, pastora, empresária e autoproclamada a “primeira bispa do Brasil”. “Que o Senhor guarde, livre e dê graça ao nosso irmão André Mendonça. Em nome de Jesus!”, glorificou. A líder da Igreja Renascer em Cristo estava no alto de um trio elétrico na Avenida Paulista. A seu lado, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto.

Eleição não pode ser mero acerto de contas, por Vera Magalhães

O Globo

Sucessão de crises em pouco mais de uma década e duelo de ministros do STF deixam eleitor entre desdém e asco, e pleito pode resultar em busca por revanche em vez de futuro

O Brasil tem vivido, pelo menos desde 2013, de sobressalto em sobressalto. Depois de uma sucessão de crises em que a mais grave é sempre a próxima, a eleição de 2026 vai ganhando contornos de uma grande DR, com cobranças de promessas não cumpridas, ressentimentos cultivados e desejo de revanche pautando, em caminhos paralelos, o comportamento do eleitor, dos protagonistas e das instituições.

As Jornadas de 2013; a reeleição de Dilma Rousseff por um fio de cabelo e sua rápida queda, menos de dois anos depois; a Lava-Jato; a eleição de Jair Bolsonaro; a pandemia e os abusos autoritários do bolsonarismo no seu curso e depois; a reviravolta que tirou Lula da cadeia e o reconduziu ao Planalto; e condenação e prisão de Bolsonaro compõem um enredo que geraria consequências profundas em qualquer país caso se desenrolasse ao longo de décadas, mas ocorreu em pouco mais de dez anos.

Flávio, o STF e um plano para o fim da reeleição, por Fernando Exman

Valor Econômico

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem projetos para ambos os assuntos, caso suba a rampa do Planalto

Pode se enganar quem acredita que o senador Flávio Bolsonaro deve partir com tudo para cima do Supremo Tribunal Federal (STF), se for eleito, e abandonar a promessa de acabar com a reeleição. Em caso de vitória nas urnas em outubro, dizem aliados do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e candidato do PL à Presidência, Flávio subirá a rampa do Palácio do Planalto com planos sobre ambos os assuntos.

Flávio iniciou a disputa decidido a evitar alguns dos erros estratégicos cometidos pelo pai. Montou, por exemplo, um comitê com uma área jurídica bem estruturada para fazer frente à campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Afinal, todos sabiam da relevância que mais uma vez ganhariam as discussões travadas no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Este “departamento” é liderado pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, que foi ministra do TSE em 2022. Já o time jurídico responsável pelas partes civil e penal é coordenado pelo advogado Tracy Reinaldet, que ganhou notoriedade nacional pelas defesas que conduziu durante a Operação Lava-Jato.

Cuidar da nossa Corte constitucional, por Nicolau da Rocha Cavalcanti

O Estado de S. Paulo

É na resposta do STF, e não na atuação passada de seus membros, que reside o futuro da Corte constitucional

Já passamos por diversas crises no Brasil. Mas, na semana passada, sentimos no peito uma dor inédita. Sobreveio um sentimento novo, um receio real – nada teórico – de perdermos nossa Corte constitucional. Não falo de questões processuais ou de arquitetura institucional, mas de uma realidade prévia, desse consenso civilizatório mínimo que é a base do Direito, que é alicerce do regime democrático.

O quadro é delicado, não apenas pela situação em si, mas porque há muita gente com raiva do Supremo Tribunal Federal (STF). Muitos nutrem desprezo por seus integrantes. Como reagir diante de tudo isso? Qual é a nossa melhor resposta possível, a mais fecunda no curto, médio e longo prazos?

Uma coisa é certa. A melhor resposta nunca são linchamentos, lacrações ou afrontas às autoridades. Também nunca é por meio da indiferença, da desesperança ou do distanciamento. Ou seja, a crise insta-nos também a refletir sobre o exercício da nossa própria cidadania.

Joga-se truco no Supremo, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Mendonça repete o que Moraes fez em 2020; resta saber quem o plenário vai referendar

O plenário do STF virou uma mesa de carteado onde os ministros jogam truco? A decisão de André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, o delegado Andrei Rodrigues, em razão do esdrúxulo relatório de inteligência usado por Alexandre de Moraes para atacá-lo repete práticas que antes se pensavam existir apenas no gabinete de Moraes: gritar seis nesse jogo de cartas na esperança de encerrar a partida com uma vitória fácil.

São tantos os precedentes na Corte criados pela conduta de Moraes que hoje Mendonça se vale de um deles, com a justificativa de que os fins justificam decisões monocráticas, que sempre ficariam melhor se respaldadas pelo colegiado. Decisões que são vistas de um lado e de outro como tomadas por interesses políticos. Deforma-se a gravitas, o sentimento de honra e dever associado à Justiça.

O Brasil foi comprado? Por Roberto DaMatta

O Estado de S. Paulo

Em uma crônica publicada em 13 de maio, eu assinalei que, por um triz, Daniel Vorcaro não teria comprado o Brasil. Infelizmente, o meu palpite se tornou uma obscena realidade. O que vemos hoje, em relação ao Banco Master e ao seu criminoso e malandro presidente, é uma generosidade intencional para alguns personagens dos Poderes Judiciário e Legislativo e, de resto, para uma elite cujo projeto de vida é ficar rica com o uso pervertido de cargos públicos.

O que tachamos de “corrupção” tem como base o abuso da ética que comanda papéis sociais atribuídos, impostos quando nascemos na esfera da casa e do parentesco. Tais papéis contrastam com os papéis adquiridos que fazem parte do espaço público da rua.

Mendonça usa caos como estratégia eleitoral, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

É evidente o modo politizado como decide o ministro do Supremo

Sua forma de agir se parece mais à de Sergio Moro que à de um juiz atuando em nome da lei

O noticiário recente sobre o Supremo se assemelha mais à cobertura esportiva de um ringue de luta livre que à de um tribunal, com todo respeito aos praticantes de luta livre.

André Mendonça emprega o caos institucional como estratégia de impacto eleitoral. Se inocentes fôssemos, poderíamos supor que o ministro o faz de forma a defender prerrogativas judiciais, mas ninguém mais acredita em juízes heróis desde a Lava Jato; Mendonça tem plena consciência de que as condições institucionais dadas o favorecem —a saber, a fragilidade e o ego de Moraes, a opacidade de Fachin e a eleição competitiva do filho do presidente que o nomeou para o cargo.

De jurídico, os atos de Mendonça têm apenas a forma: determina, de ofício, o afastamento da alta cúpula da PF –a mesma que efetivamente melou o esquema de roubo do Vorcaro, por suposto monitoramento de Mendonça pela PF.

AGU pede a Fachin que suspenda afastamento de diretor-geral da PF decidido por Mendonça, por Mônica Bergamo

Folha de S. Paulo

Órgão salta instâncias e aciona diretamente a Presidência do STF, evitando fazer o pedido ao próprio ministro que deu a decisão

Iniciativa ocorre depois de reunião do advogado-geral da União, Jorge Messias, com o presidente da Corte

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu nesta terça (8), "em caráter de urgência", que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, suspenda liminarmente decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, do cargo.

O pedido, assinado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e por outros integrantes da direção do órgão, sustenta que houve "grave lesão à ordem pública e administrativa" na decisão de Mendonça.

Messias se reuniu com Fachin nesta terça (8) antes de apresentar o pedido.

Nele, o advogado-geral argumenta ainda que o afastamento cautelar "viola frontalmente a prerrogativa constitucional privativa do Presidente da República para prover e desprover cargos de direção da Polícia Federal". E afirma que a "descontinuidade abrupta" na gestão da PF "compromete o funcionamento das atividades de polícia judiciária e gera risco de desorganização institucional".

Excesso de política torna STF disfuncional, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Decisão de Mendonça de afastar diretor da PF marca escalada na disputa com Moraes

Lula é tragado para o meio do turbilhão, que cada vez mais ganha contornos eleitorais

STF é, por desenho constitucional, um tribunal político. É a única das altas cortes do país para as quais o presidente da República, um agente político, pode indicar quem bem entender.

Não há listas, quinto constitucional e, a rigor, o sujeito não precisa nem sequer ter diploma de direito. Para que a nomeação se efetive, o indicado precisa apenas ser aprovado pelo Senado, que, mais do que um órgão político, é a casa das raposas políticas. E faz sentido que seja assim. Todas as grandes questões que vão ao STF têm uma dimensão política, com potenciais implicações sociais e econômicas, que não seria prudente ignorar.

Crise no STF exige cartas na mesa, ou será guerra sem fim, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Momento requer liderança, papel que no sistema presidencialista concentra atenções em Lula, o chefe da nação

Avançamos para um ponto de não retorno à racionalidade? Pode ser que sim, mas escalada dos conflitos não é opção

Proximidades estratégicas, alianças táticas e afinidades políticas entre altas autoridades da República fazem desta uma crise de governo, englobando os três Poderes no conceito de administração federal.

Daí que a solução não está "nas costas" do ministro Edson Fachin, como quis o presidente Luiz Inácio da Silva em uma das várias tentativas de se desvencilhar da conflagração instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) e que alcança também o Executivo e o Legislativo.

Crise não para de atropelar Fachin, Lula está sem ação, Flávio e Vorcaro surfam na lama, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Presidente do STF não tem poder legal nem força política, por ora, de conter desastre

Eleição é jogada de vez ao porão das disputas de poder políticas e judiciárias

Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ora não tem controle sobre o duelo de morte entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, também disputa de grupos de poder no Supremo e suas articulações na Polícia Federal e na política partidária. A eleição já seria disputada na delegacia, no porão do sistema de Justiça. Agora, é disputada na lama excrementícia que inunda o porão.

Ainda que pretenda pegar o touro à unha, Fachin não pode decretar o fim ou o controle de investigações (em curso ou por serem abertas). Também não tem poder político de controlar o tiroteio. Pelo menos 6 de 9 ministros estão envolvidos na disputa (o décimo ministro é Fachin).

Mendonça traz Lula para o centro da crise no STF, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Presidente já sofria impacto pela associação com Alexandre de Moraes, mas agora é obrigado a agir

Tensão estimula sugestões pouco ortodoxas e de alto risco, como convocar Conselho da República

A inaudita decisão do ministro André Mendonça de determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do chefe de inteligência do órgão, Leandro Almada, trouxe o governo Lula (PT) de vez para a crise do Supremo Tribunal Federal.

Se o presidente já vinha sendo fustigado pela escalada do embate entre Mendonça e o colega Alexandre de Moraes, agora a confusão envolve diretamente seu governo. A Advocacia-Geral de Lula deverá defender Andrei.

É possível argumentar que isso é o dever da Presidência, admitindo aí que Mendonça tenha extrapolado na sua decisão, como sugere a PF. Mas Lula, que vinha manobrando para tentar se manter olímpico no caso, terá de tomar um lado de forma mais óbvia.

Isso agrava a situação do presidente, que já é alvo de campanha pela associação tática que promoveu ao longo de seu mandato com Moraes, o homem que mandou Jair Bolsonaro para a cadeia.

Onde mora o perigo à democracia? Por Ricardo Marinho

Para evitar que nos perdemos em discussões semânticas, digamos apenas que a disputa eleitoral em 2026 é composta por várias candidaturas de partidos que deveriam compor o sistema político, cujos oficialmente são, mas quase sempre se imiscuem dessa posição, e na prática às vezes parecem ser e às vezes não.

Esse desenho gelatinoso é constituído por uma miríade de setores da geografia política aos quais pertencem todos que estão na disputa eleitoral de 2026. Estes setores, pela própria natureza das coisas num país presidencialista, formaram o “grupo governante”.

Um segundo componente é a coligação de vários partidos que percorrem juntos o já longo processo de consolidação democrática e suas vicissitudes. Na coligação predominam aqueles que adotaram uma valorização do sistema democrático e tendem a moderar os impulsos autoritários que aparecem, de tempos em tempos, em grupos ideológicos ou não de linha dura.

Poesia | Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Antônio Carlos Jobim, Toquinho - Samba de uma nota só

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