O Globo
Páginas de humor e entretenimento passaram a
veicular mensagens favoráveis a candidato, que fala em 'movimento
incontrolável'
Não foram só os chamados influenciadores que
turbinaram o crescimento de Augusto Cury nas redes sociais.
Na última semana, perfis especializados em
fofocas também passaram a difundir mensagens favoráveis ao candidato do Avante.
Páginas como Tricotei (4,2 milhões de
seguidores no Instagram) e Futrikei (2,5 milhões de seguidores) transformaram
Cury em tema de debate.
Esse tipo de perfil costuma ser usado por empresas de marketing digital para gerar engajamento em torno dos anunciantes.
A tática é usar linguagem de humor e
entretenimento para divulgar marcas e produtos, de forma que as mensagens
publicitárias pareçam ser espontâneas.
Embora a campanha do Avante negue o uso
desses instrumentos, é difícil não detectar o tom de propaganda nas aparições de
Cury em perfis de fofoca.
"Augusto Cury ganha destaque e passa a
conquistar admiradores de diferentes lados após debate presidencial",
escreveu na quarta passada a página Futrikei.
"Augusto Cury foi o candidato à
Presidência mais pesquisado nos últimos dias e o que mais cresceu nas redes
sociais", publicou na quinta o perfil Tricotei.
Antes que duas pesquisas apontassem a subida
de Cury, o perfil Gina Indelicada (12,3 milhões de seguidores) publicou uma
fotomontagem em que o candidato aparece entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A legenda perguntava, em caixa alta:
"ALGUÉM COGITA VOTAR NELE?". O perfil do candidato respondeu na caixa
de comentários com o slogan da campanha e o número de urna.
Nesta segunda, Cury negou à revista Veja ter
comprado seguidores ou contratado influenciadores para aumentar seu engajamento
nas redes.
"Eu tenho o que os políticos sempre
sonharam em ter. Isso é um absurdo. Na verdade, foi um movimento
incontrolável", disse.
Curiosamente, o candidato incluiu o marketing
digital em seu plano de governo. Uma de suas propostas mais inusitadas é
empregar influenciadores nas embaixadas.
Segundo o próprio Cury, o objetivo seria "vender o Brasil lá fora", o que os diplomatas profissionais não seriam aptos a fazer.

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