segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Voto antirracista tem poder de definir a eleição e transformar o Brasil, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Por que as desigualdades étnico-raciais não estão no centro do debate político?

Só os políticos que reconhecem o impacto do racismo nas vidas de milhões de cidadãos brasileiros deveriam merecer voto

A três semanas das eleições gerais —pleito para escolher presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador dos estados e do Distrito Federal, senadores e deputados federais, estaduais e distritais (TSE)— decidi compartilhar algumas indagações que me acompanham sobre o voto no Brasil.

Considerando que o papel dos políticos é representar os interesses dos cidadãos para garantir que as decisões levem em conta direitos e necessidades do povo:

Por que as desigualdades étnico-raciais (que constituem um dos principais entraves nacionais ao desenvolvimento e ao estabelecimento de uma sociedade mais justa, próspera e democrática) não estão no centro do debate político?

Por que nenhum candidato diz claramente que ações afirmativas em prol da equidade também favorecem pessoas brancas pobres?

Por que os partidos seguem dificultando o acesso das candidaturas negras, indígenas e quilombolas aos recursos (ao menos 30%) do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do Fundo Partidário previstos na Constituição?

Por que a sub-representação das mulheres é tão persistente diante do contingente majoritariamente feminino (52,8%) do eleitorado?

Por falar em mulheres, quem sabe responder de cabeça e de pronto os nomes das duas candidatas (uma é negra) que concorrem à Presidência da República?

Por que a eleição de candidatos pretos e pardos não é representativa e proporcional à demografia num país majoritariamente negro como o nosso?

Já imaginou como seria se o eleitorado negro (62,6%, segundo o TSE) decidisse votar maciçamente em candidatos pretos e pardos?

E se tivéssemos mais mulheres pretas e pardas no Congresso Nacional e nos Legislativos Estaduais?

Essas são algumas questões sobre as quais acredito que todo eleitor que se julga antirracista deveria refletir antes de votar. No país mais miscigenado do mundo (projeto DNA do Brasil), apenas políticos que reconhecem o impacto do racismo nas vidas de milhões de cidadãos brasileiros deveriam merecer voto.

 

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