sábado, 21 de setembro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Recuo do X dá ao STF oportunidade de arrefecer ânimos

O Globo

Firmeza foi necessária para Musk ceder, mas todos ganhariam se a plataforma voltasse a operar no Brasil

Não são mais que obrigatórios os passos recentes da plataforma digital X, do empresário Elon Musk, para se adequar à legislação e às ordens da Justiça brasileira. A rede retirou do ar contas suspensas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pagou multas de R$ 18,3 milhões, contratou novos advogados e afirmou trabalhar para que volte o mais breve possível a operar “para o povo brasileiro”. Em sinal de recuo na posição arrogante de confronto assumida por Musk, o X informou que a recente restauração do serviço no país, contrariando ordem do Supremo, foi involuntária — e a plataforma voltou a sair do ar. Os movimentos dão ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, a oportunidade de também contribuir para arrefecer os ânimos, suspendendo as ordens que foram além do razoável.

Oscar Vilhena Vieira - Regime facultativo de direitos

Folha de S. Paulo

Diversos ministros do STF estão entre os principais responsáveis pela difusão da ideia de que o respeito aos direitos do trabalhador é voluntário

Pablo Marçal tem feito da carteira de trabalho uma arma de sua campanha para Prefeitura de São Paulo. Quando perguntado sobre o fato de algumas de suas empresas não terem nenhum empregado com carteira assinada, respondeu sem cerimônia: "a maior parte é terceirizada, pois a gente mexe com muita tecnologia". Como se a economia digital não estivesse subordinada às regras da Constituição.

A resposta fala não apenas dos princípios do controvertido candidato, ou da falta deles, mas reflete também uma percepção, cada vez mais generalizada, de que o regime dos direitos fundamentais do trabalhador, tal como estabelecido pelo artigo 7º da Constituição Federal, tornou-se facultativo. Respeita quem quiser.

Marcos Mendes - Cartas de1988 1946 se parecem cada vez mais

Folha de S. Paulo

Desequilíbrio entre os Poderes dificulta estabilidade e governabilidade

Sérgio Abranches escreveu "Presidencialismo de Coalizão: o Dilema Institucional Brasileiro" durante os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, apontando o risco de a nova Carta criar instabilidade similar à vivida sob a Constituição de 1946. Ambas foram escritas em contexto de retorno à democracia, com ampliação dos poderes do Legislativo.

Assim como em 1946, a Constituinte combinou voto proporcional para a Câmara com presidencialismo. Uma singularidade, visto que países presidencialistas usualmente têm sistemas majoritários nas eleições legislativas.

Alvaro Costa e Silva - Os micos do delegado bolsonarista

Folha de S. Paulo

Longe de Paes, bolsonarista se comparou a otário e já gastou R$ 21 milhões

Ancorado na maior quantia de verba pública de toda a história das eleições municipais, o PL já investiu mais de R$ 21 milhões para fazer de Alexandre Ramagem o prefeito do Rio. O valor supera a soma de todos os outros candidatos que fizeram prestações de contas, e os gastos devem aumentar até outubro. O resultado é risível. O delegado corre o risco de se transformar no novo mico da política carioca –superando o voto de protesto no Macaco Tião, em 1988.

Dora Kramer - A política se degrada

Folha de S. Paulo

A lama da campanha de São Paulo é a parte mais visível de um todo deteriorado

O lamaçal que assola a disputa eleitoral em São Paulo à parte, mas ele incluído como símbolo do fenômeno de que falaremos a seguir, nosso ambiente político sofre acelerado processo de degradação e não é de hoje.

Há pelo menos uns 20 anos o nível dos meios e modos na política vem baixando de modo permanente. Uma maravilha nunca foi, mas havia qualidade em meio a nichos de desqualificação nos partidos e no Congresso.

Tanto que a Constituição que nos rege, lembremos, foi elaborada, votada e aprovada por senadores e deputados há 36 anos. Em legislatura anterior, senadores e deputados rejeitaram o candidato à Presidência da ditadura e, antes disso, fizeram a Lei da Anistia. Imperfeita? Era o possível à época.

Luiz Gonzaga Belluzzo- A várzea e a cadeira

CartaCapital

O debate na TV Cultura me fez lembrar as “peladas” nos campos de Piratininga, onde as desavenças eram resolvidas no braço

Nos anos 50 e 60, São Paulo de Piratininga se transmutava de capital da província para metrópole. Terminou por seguir os descaminhos da megalópole cosmopolita periférica. Dizem que suas formas – feias, desconjuntadas, híbridas – são o avesso da urbanidade e do urbanismo.

Os desleixos e mau jeitos da urbe não foram contemplados nos debates que ora antecedem à escolha do prefeito da cidade. A cadeirada de José Luiz Datena em Pablo Marçal apontou para a replicação das formas feias, desconjuntadas e perversas que nos esperam.

Minha nostalgia paulistana encontra o olhar do menino adolescente, fanático pelo dito esporte bretão. Esse olhar via São Paulo como um imenso campo de futebol, interrompido por impertinentes avenidas e arranha-céus. Jogava-se futebol nas ruas, nos becos, nos terrenos baldios, nos quintais, em todos os cantos. No vale que iria receber a Avenida 23 de Maio, entre a Liberdade e o Paraíso, assistia, nos fins de semana, sentado nos barrancos, a bola dos adultos correr solta. Nos dias úteis, a molecada cabulava aula e se juntava nos terrões que simulavam campos de futebol. Os gazeteiros ora celebravam os gols marcados, ora se estapeavam por conta de faltas controvertidas. Socos e pontapés eram desferidos com lealdade e até mesmo com amizade. Tudo acabava bem, descontadas as fraturas de crânio e de nariz.

Cristovam Buarque - “A infância é nossa”

Revista Veja

Que tal tratar a educação como se fez na defesa do petróleo?

Na discussão da Lei Áurea, em 1888, houve quem defendesse a ideia de abolir a escravidão em cada município que desejasse replicar o feito da cidade hoje chamada de Redenção, no Ceará, em 1884 — e não de modo nacional. Se essa ideia tivesse prevalecido, a escravidão provavelmente teria sobrevivido por décadas. Felizmente, o Império tratou a questão com um olhar para todo o país, de modo equânime. Na educação, porém, a República trata o país como soma de municípios, cada um cuidando de suas crianças de acordo com a vontade de prefeitos e a disponibilidade de recursos. Essa divisão deixou nossa educação entre as piores do mundo e certamente a mais desigual.

Bolívar Lamounier - Brasil, sociedade de castas

O Estado de S. Paulo

O que mais espanta é vermos a própria máquina do Estado configurar-se como um agravante das desigualdades

Em 2021, o grande jurista Modesto Carvalhosa, com a intenção de estimular o debate público sobre reforma da Constituição, publicou um denso projeto, com o subtítulo “De um país de privilégios para uma nação de oportunidades”.

Como toda a (minúscula) parcela pensante de nossa sociedade, o nobre jurista antevê nossos já inaceitáveis índices de desigualdade social afundando-se de vez numa desabrida sociedade de castas. Termo de origem incerta, o Dicionário Aurélio define casta como uma “camada hereditária e endógama, cujos membros pertencem à mesma etnia, profissão ou religião”, podendo o termo também designar, num plano mais geral, “raça, linhagem ou classe”. Ouso fazer uma ressalva a essa definição, que me parece distar anos-luz do conceito que ora nos interessa. Sociedades de casta são obscenamente desiguais e excludentes. Antepõem todos os obstáculos concebíveis à mobilidade social ascendente, mantêm-se virtualmente petrificadas e submetem as camadas mais baixas a extremos de humilhação.

Rolf Kuntz - Dinheiro caro ainda será entrave ao crédito e aos investimentos

O Estado de S. Paulo

“O governo pode favorecer a confiança dos empresários mostrando eficiência, indicando objetivos claros e críveis, controlando seus gastos, diminuindo as complicações burocráticas e garantindo uma razoável previsibilidade”

Com crescimento econômico de 1,4%, o Brasil conseguiu no segundo trimestre o dobro da expansão média do Grupo dos 20 (G20), formado pelas maiores potências capitalistas e também pela China e pela Rússia. Só as economias do Canadá e da Índia cresceram tanto quanto a brasileira. No confronto com o mesmo trimestre do ano passado, o avanço brasileiro, de 2,8%, foi superado pelos da Índia (6,8%), da Indonésia (5%), da China (4,7%) e dos Estados Unidos (3,1%). Apesar da perda de ritmo em julho, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aumentou sua aposta no dinamismo econômico e já indicou expansão pelo menos igual a 3% em 2024.

Carlos Andreazza - Negligência, guerra e oportunidades

O Estado de S. Paulo

O governo dos símbolos criará a autoridade climática, promessa de Lula na campanha, ora materializada no improviso, enquanto as florestas queimam, quase 21 meses depois de a democracia haver fechado a porteira à passagem da boiada.

Nem precisaria. Flávio Dino é a autoridade climática, extrapolando a função que lhe fora designada, a de líder do governo no Supremo, hoje ministro da Casa Civil, do Meio Ambiente e da Justiça. A liberdade executiva do senador-togado ordenou a mobilização imediata de tropas e deu prazo a que o governo trabalhasse.

Nota à heterodoxia: Dino se expande por meio da condição de relator num julgamento de ADPF – já com acórdão – em que partidos de esquerda exigiam, em 2020 e 21, providências contra queimadas havidas durante o período Bolsonaro.

Antonio Lavareda* - as pesquisas influenciam as eleições?

O Globo

Em artigo, presidente de honra da Abrapel destaca efeitos positivos e negativos da divulgação dos levantamentos

No mundo, a resposta prevalecente é afirmativa na maioria dos países. Predomina o entendimento de que sua publicação pode prejudicar de alguma forma a higidez das disputas, ao menos na fase final, nos dias que antecedem as votações. Dois terços das nações que fazem eleições regulares em cinco continentes determinam algum período de blackout, de vedação da divulgação de pesquisas antes das eleições. Enquanto nos EUA, sob o manto da 1ª Emenda, não há qualquer proibição a respeito, na Europa, dos 41 países com processos eleitorais frequentes apenas 11 não têm interdições, as quais costumam variar entre um e seis dias. No Brasil, a resposta também vai na mesma direção, porque é expressamente proibido divulgar pesquisas no dia do pleito até o fechamento das urnas, conforme a Lei 9504/1997 que visa evitar influências de última hora no comportamento dos eleitores.

Mas, afora o exame do tema através desse enquadramento legal, essa pergunta pode ser respondida a partir de três perspectivas.

Pablo Ortellado - Como Marçal driblou as regras

O Globo

Seu esquema de campeonato de cortes rompeu com a paridade entre os candidatos

A ação que corre na Justiça Eleitoral acusa Pablo Marçal de driblar a legislação de duas maneiras: usando recursos não declarados e fazendo impulsionamento ilícito nas mídias sociais. Segundo a Lei das Eleições e resolução do TSE, candidatos são obrigados a declarar todas as doações e todos os gastos à Justiça Eleitoral. Podem fazer impulsionamento, mas apenas por meio das ferramentas fornecidas pelas plataformas, seguindo as diretrizes do TSE.

Impulsionamento é o aumento do alcance de postagens nas mídias sociais por meio de pagamento. Hoje, apenas o Facebook permite impulsionamento eleitoral — YouTube e TikTok optaram por não oferecer o serviço nestas eleições. Essas regras todas buscam garantir, por um lado, transparência (qualquer eleitor pode ver como cada candidato impulsiona sua propaganda) e, por outro, algum tipo de equidade ou paridade de armas na corrida eleitoral.

Eduardo Affonso - O Sistema, a dadeira e o tubarão

O Globo

Quando o coach encontra a candidatura antissistema, temos a tempestade perfeita

Coach é, em estado de dicionário, o indivíduo que conduz os cavalos numa carruagem. Para os que ainda pensam com os próprios neurônios e se expressam em língua pátria — sem o insight de que é preciso mentoring para dar um empowerment no reframe do mindset e entrar no flow —, essa palavra não é mais que o bom e velho “cocheiro” do tempo dos nossos bisavós. A diferença é que o cocheiro de antes efetivamente levava as pessoas do ponto onde estavam para o lugar onde queriam estar — valendo-se, para isso, da exploração de uma criatura irracional na qual se colocavam antolhos, que entrava na história contra a sua vontade. Já o coach de agora...

A manipulação da boa-fé alheia remonta à serpente no Paraíso — anterior, portanto, ao surgimento da Humanidade. Passou pelo cavalo de Troia, por Zeus fingindo ser touro e cisne em suas investidas eróticas, por Labão entregando a Jacó a filha mais velha em vez de a mais nova, pela venda de terrenos na Lua, a caça aos marajás, pelo estelionato eleitoral de Dilma Rousseff, pela cloroquina etc.

Carlos Alberto Sardenberg -Sobram os truques, falta dinheiro

O Globo

No oficial, o governo poderá dizer que cumpriu a meta de déficit zero. No paralelo, terminará o ano mais endividado

— Eu nunca vi na História dos povos alguém parar uma guerra por teto fiscal.

Mas a História já viu muitos países perderem a guerra por causa do teto fiscal, pela falta de dinheiro. Mal comparando, é disto que se trata no caso brasileiro: da falta de dinheiro para investimento e custeio das ações voltadas às questões climáticas.

O ministro sacou a frase de efeito ao justificar a liberação de R$ 513 milhões para o governo federal gastar no combate aos incêndios. O dinheiro entrou na rubrica de crédito extraordinário. Portanto não será contado no Orçamento como gasto primário, que exigiria a definição de uma receita equivalente.

Resumindo: no fim do ano, quando fizer a conta de receitas menos despesas, para verificar se a meta de déficit zero foi cumprida, o governo deixa de lado aqueles R$ 513 milhões. Sim, é isto mesmo que você está pensando: o governo gastará, mas isso não entra como gasto na contabilidade oficial.

Poesia | O teu riso, de Pablo Neruda, recitado por Luma Carvalho

 

Música | MPB4, Chico Buarque - Quem acreditou na vida como eu

 

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Incêndios florestais expõem Brasil a retaliação global

O Globo

Origem criminosa do fogo deverá ser explorada pela UE e por outros países para barrar importações brasileiras

Além da devastação ambiental, os incêndios florestais que castigam o Brasil criarão graves problemas econômicos, em particular no comércio internacional. A ameaça mais urgente vem da entrada em vigor na União Europeia, em 1º de janeiro de 2025, da regra que proíbe importações de produtos de áreas desmatadas ilegalmente. Se as queimadas forem vinculadas ao desmatamento ilegal — e, dada a proliferação de incêndios criminosos, não será difícil fazer a conexão —, o país poderá perder US$ 15 bilhões em receitas, o equivalente a mais de um terço das exportações para o bloco europeu. Entre as mercadorias mais atingidas estão café, carne, cacau, soja e os próprios produtos florestais, como madeira ou móveis.

Fernando Abrucio - Urgências que colocam o país em risco

Valor Econômico

Entre os grandes problemas atuais, o primeiríssimo da lista é a questão ambiental e climática. A resolução dela é essencial para evitarmos uma destruição enorme de nossas estruturas econômicas e sociais

Países que não enfrentam urgências severas podem pagar um custo muito alto. E não se trata apenas dos efeitos mais imediatos, capazes de matar pessoas, como na pandemia de covid-19, ou gerar recessão e perda de empregos. Algumas questões prementes têm consequências temporais mais longas.

O Brasil tem hoje temas urgentes a enfrentar que podem piorar as condições de curto e de longo prazo. Se a sociedade não se mexer para tirar a classe política do modo tartaruga ou avestruz de ser, teremos uma década muito difícil pela frente, com perdas que afetarão fortemente a qualidade de vida dos cidadãos.

A procrastinação das urgências é uma marca da história brasileira. A abolição da escravatura é o melhor exemplo. O país tinha sido colonizado por um padrão escravocrata que gerara uma sociedade muito desigual, embebida na barbárie. O patriarca da Independência, José Bonifácio, já propusera em 1823 o fim gradual da escravidão, que teria terminado, se sua proposta tivesse sido aceita, na década de 1850.

Mas o fim desse modelo bárbaro só se deu em 1888, quase 40 anos depois do que imaginava o membro mais ilustrado da elite brasileira. E assim o Brasil foi o último país ocidental a sair da lista infame dos que escravizavam pessoas, com efeitos terríveis no curto prazo de então e consequências nefastas até hoje.

José de Souza Martins - A lentidão da consciência eleitoral

Valor Econômico

Já próximos do dia de votação, mesmo na nebulosidade da campanha, o eleitor começa a compreender qual é o jogo, quanto há de falso e de verdadeiro nas candidaturas

Não está claro em que momento do processo eleitoral o eleitor começa a tomar consciência de que já começou e começa a se interessar por seu lugar e seu protagonismo nele. Refiro-me à subjetividade política do cidadão.

Esse é um momento cíclico e rotineiro da manifestação da vontade política dos cidadãos. A decisão do voto é a da sua invenção na tomada de consciência das armadilhas que procuram tolher-lhe o direito de livre opção eleitoral.

Aqui esse momento é demorado e não é rotineiro. Os partidos e os eleitores com ele se defrontam e nele se integram como um movimento anômalo e convulsivo da política.

Não raro pressupõem que as possíveis mudanças decorrentes de uma eleição devem ser temidas. A insurreição golpista de 8 de janeiro de 2023 expressou essa concepção anômala da política de maneira dramática, muitas pessoas levadas ao desespero na manifestação apocalíptica do seu inconformismo.

Andrea Jubé - Sucessão em dois tempos: presente e futuro

Valor Econômico

Considerar a sucessão de Lira jogo jogado é um erro e um risco

Para usar as palavras de um assessor que despacha no Palácio do Planalto, o líder do Republicanos, Hugo Motta (PB), “a preço de hoje, está eleito presidente da Câmara”. E com a simpatia de uma ala expressiva do governo, que incluiria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Não é bem assim”, retrucou um importante deputado do PT, ao ouvir da coluna as palavras proferidas pelo assessor palaciano. Este parlamentar petista argumentou que depois de se reunir com Motta, Lula e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, receberam em seus gabinetes os adversários dele na corrida sucessória, os dois líderes baianos Elmar Nascimento, do União Brasil, e Antonio Brito, do PSD.

Bruno Boghossian - Nunes ganha vantagem sem empolgar

Folha de S. Paulo

Eleitor saturado com Marçal e consolidação de voto ajudam prefeito em momento de contagem regressiva

O quadro de estabilidade captado pela nova pesquisa do Datafolha dá vantagem a Ricardo Nunes (MDB) nesta etapa da eleição de São Paulo. Sem sair do lugar e sem produzir muita empolgação, o prefeito ganha favoritismo num momento de contagem regressiva do primeiro turno e menos de um mês depois de ver sua campanha em xeque.

Três pontos da pesquisa são positivos para Nunes. O primeiro é a consolidação progressiva de seu eleitorado na faixa dos 27%, que seriam suficientes para levá-lo ao segundo turno. O percentual de apoiadores do prefeito que dizem estar totalmente decididos subiu e chegou a 65%. Para comparação, o idolatrado Pablo Marçal (PRTB) tem 71% de eleitores convictos.

Marcos Augusto Gonçalves - Cadeirada de Datena não atinge eleitor

Folha de S. Paulo

Repetição do resultado reforça hipótese de segundo turno entre Ricardo Nunes e Guilherme Boulos

cadeirada desferida pelo candidato José Luiz Datena em Pablo Marçal não atingiu as intenções de voto registradas pela mais recente pesquisa Datafolha, em São Paulo. Os números repetem o cenário da sondagem anterior, com o prefeito Ricardo Nunes numericamente à frente (27%), seguido por Guilherme Boulos (26%), e o clown Pablo Marçal (19%) na rabeira.

A hipótese de um segundo turno entre Nunes e Boulos ganha mais fundamento com a repetição do resultado. Reforça a hipótese de que os dois passem para a nova etapa o fato de que repetem de certa forma o confronto histórico entre direita e esquerda como nos tempos de tucanos contra petistas. A ver.

Ruy Castro - Em breve, armas de fogo nos debates

Folha de S. Paulo

Nos embates políticos do passado e nas guerras, os adversários sabiam de onde viriam os ataques

Em 1890, com o aperfeiçoamento em Londres dos motores a combustão, das baterias elétricas e do aço, tornou-se possível a construção dos submarinos, longamente sonhada. Eles seriam invencíveis numa guerra naval, por navegarem submersos e poderem atacar de surpresa os navios inimigos. A ideia foi levada à rainha Vitória, que se chocou: "O quê!? Vamos atacar sem antes mostrar nossas cores???". Foi preciso Vitória morrer para o primeiro submarino ir à guerra.

Vinicius Torres Freire – A política do horário de verão

Folha de S. Paulo

Não há urgência para 2024, diz gente no Planalto; se adotado, começa só em novembro

Assessores políticos de Luiz Inácio Lula da Silva não estão animados com a ideia de decretar horário de verão para este ano. Para eles, o assunto subiu no telhado, tem inconveniências políticas e técnicas e não seria tão urgente, embora digam não ter ideia do que o presidente pretende decidir, até o fim do mês.

ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) recomendou oficialmente que se adiante o relógio em uma hora, ainda neste ano, em reunião da cúpula da gestão do setor elétrico, nesta quinta-feira (19). O ONS é uma espécie de diretor nacional de tráfego da eletricidade: diz de onde sai a energia e para onde vai.

Na estimativa dos técnicos, a economia seria de R$ 400 milhões durante um horário de verão inteiro (outubro a fevereiro). Mas a poupança maior se dá em outubro (2,9% do consumo bruto total), caindo em novembro (2,5%), dezembro (1,4%) etc.

Celso Ming - É o lobo mau, mas a criança dorme...

O Estado de S. Paulo

Ah, sim, foi mais duro do que habitualmente o tom do comunicado do Banco Central (BC) nesta quarta-feira, logo depois da decisão de aumentar os juros básicos (Selic) em 0,25 ponto porcentual, pontuam os analistas do mercado financeiro.

Uma das características da comunicação entre os humanos é a de que o tom é quase sempre mais importante do que o conteúdo literal da mensagem.

Vejam o que acontece com tantas canções de ninar, especialmente as mais antigas. Falam de coisas terríveis: do lobo mau que escancara seus dentes, do boi da cara preta, da cuca que vem pegar, da bruxa que come pequeninos... e, no entanto, a criança dorme placidamente. Dorme porque o tom sereno da canção é mais importante do que as brutalidades relatadas.

No comunicado do Copom, o tom foi em sentido oposto. Não foi tranquilizador, foi mais de advertência contra perigos, que chama de riscos. Ou seja, o tom que justifica a volta de um maior aperto monetário é, no linguajar do mercado financeiro, uma atuação mais de falcão (hawkish) do que de pombo (dovish).

Eliane Cantanhêde - Israel esquenta, Rússia esfria

O Estado de S. Paulo

Brasil e China atendem a ‘chamado’ de Putin e voltam a articular acordo entre Rússia e Ucrânia

Depois do excesso de ambição e sucessivos fracassos na tentativa de recuperar o protagonismo do Brasil e o prestígio internacional de Lula, o governo agora trabalha com a China, em silêncio e comedidamente, na busca de algum acordo de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia. O momento é propício, já que os dois lados dão sinais de exaustão diante de uma guerra que se prolonga sem perspectiva de vitória para um ou para o outro.

O primeiro sinal de abertura da Rússia ao diálogo foi dado por Vladimir Putin, quando citou Brasil, China e Índia como potenciais mediadores. A partir daí, a diplomacia voltou a agir. Na semana passada, o chanceler russo, Serguei Lavrov, conversou com o brasileiro Mauro Vieira em Riad, e depois com o assessor internacional Celso Amorim, em Moscou. E Amorim já engatou contatos com seu correspondente chinês.

Paulo Sotero - Trump, uma ameaça à democracia

O Estado de S. Paulo

Teatro de absurdos não respeita fronteiras nacionais. Ex-presidente é um exemplo a ser repudiado por seus vizinhos nas Américas

Alucinado ante a perspectiva de perder a eleição presidencial de novembro para a vice-presidente Kamala Harris, filha de pai jamaicano e mãe indiana, o ex-presidente Donald Trump vem dando crescentes sinais de instabilidade emocional e descontrole. Desorientado pela solene surra que levou da ex-senadora e ex-secretária da Justiça da Califórnia no primeiro e único debate da campanha, na semana passada, Trump entrou na reta final da disputa diminuído por sua incapacidade de manter uma postura condizente com a dignidade do cargo que pleiteia.

Luiz Carlos Azedo - Polarização naufraga no Triângulo das Bermudas

Correio Braziliense

A disputa pelas prefeituras pode se encerrar no primeiro turno em 13 capitais. Estão nessa situação Rio de Janeiro, Salvador, Boa Vista, Florianópolis, João Pessoa, Macapá, Maceió, Palmas, Porto Velho, Recife, São Luís, Teresina e Vitória

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) se manteve na liderança da disputa eleitoral em São Paulo (9,32 milhões de eleitores), com 27% de intenções de votos, em empate técnico com Guilherme Boulos (PSol). Pablo Marçal (PRTB) permanece na terceira posição, mas fora do empate técnico, com 19%, segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem. No Rio de Janeiro (5,09 milhões), o prefeito Eduardo Paes (PSD) manteve-se na liderança absoluta, com 59% de intenções de votos, enquanto Alexandre Ramagem (PL) está com 17%.

presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro emitiram sinais trocados em suas principais bases eleitorais. O primeiro, aposta num candidato de esquerda em São Paulo, Boulos, e num de centro no Rio, o prefeito Eduardo Paes. O segundo, num candidato de extrema direita no Rio, Ramagem, e um candidato de centro em São Paulo — Nunes.

Vera Magalhães - A força do cargo na reta final

O Globo

Meios tradicionais da política e avaliação entre regular e boa ainda impulsionam prefeitos em capitais importantes

Depois de representar uma das maiores rupturas em pleitos municipais nos últimos anos, com o incêndio Pablo Marçal tendo virado assunto e modelo para candidatos em todo o país, a eleição vai chegando à reta final com a onda aparentemente contida e os incumbentes, prefeitos que disputam a reeleição, demonstrando a força do cargo e dos meios tradicionais da política.

Quando se faz um sobrevoo nas capitais do país, mesmo mandatários que enfrentaram problemas graves e não se saíram tão bem, como Sebastião Melo (MDB), da devastada Porto Alegre, se mostram competitivos a menos de 20 dias do primeiro turno.

O tira-teima da eleição de 2022, que, se imaginava, seria uma das tônicas da campanha, vai se mostrando um pouco mais complexo. Nem Lula nem Bolsonaro brilham como indutores de votos, com seus candidatos mais próximos tendo dificuldade de herdar a maioria do eleitorado que ambos reuniram há menos de dois anos.

Bernardo Mello Franco – Nada de Novo

O Globo

A incivilidade de Pablo Marçal transformou os debates de São Paulo num jogo de todos contra um. Ou quase. Uma das candidatas à prefeitura resolveu investir na dobradinha com o coach. É Marina Helena, do Novo.

Sem decolar nas pesquisas, a economista se dispôs a atuar como escada para o aventureiro do PRTB. No debate de segunda-feira, ela não se limitou a tabelar com o coach. Também replicou seus métodos ao envolver a vida pessoal de uma adversária em acusação sem provas.

A candidata do Novo disse que Tabata Amaral teria usado um jatinho particular para visitar o namorado no Recife. Ameaçada de processo, ela informou que pedirá desculpas se a rival apresentar comprovantes de voos comerciais. Como o ônus da prova ainda cabe a quem acusa, fica valendo o desmentido da deputada do PSB.

Flávia Oliveira - A violência como regra

O Globo

Quando vaticinou-se que a corrida municipal de 2024 seria nacionalizada, parecia somente a redução, paulistana sobretudo, do embate Lula x Bolsonaro de 2022. Quem imaginaria que, a duas semanas do primeiro turno do pleito que elegerá prefeitos e vereadores país afora, a nação inteira estaria comentando com repulsa, perplexidade e doses cavalares de humor os ataques entre prefeitáveis da maior, mais rica e mais importante cidade brasileira? Muita gente. Afinal, não é de hoje que o Brasil é território de muita, muita mesmo, violência política.

Era questão de tempo para a brutalidade, que começou nas redes sociais e avançou por sabatinas, culminar na cadeirada de José Luiz Datena (PSDB) em Pablo Marçal (PRTB), ao vivo, em pleno debate. Não há como fingir surpresa, já que ofensas, injúrias, agressões e até tentativa de assassinato estão cada vez mais integradas ao cardápio de campanhas assentadas em lacres e likes nas redes sociais, na criminalização de adversários, na vitimização de si mesmo, se dividendos render.

Cláudio Carraly* - Os super-ricos e a Democracia são incompatíveis

Nos últimos anos, o fosso entre os bilionários e o restante da população mundial alcançou níveis alarmantes, gerando preocupações crescentes sobre os impactos socioeconômicos e políticos dessa disparidade. A concentração extrema de riqueza nas mãos de uma pequena elite não apenas exacerbou a desigualdade, mas também minou a estabilidade democrática e a coesão social em todo o mundo. Dados recentes do Credit Suisse revelam que os 1% mais ricos detêm mais da metade de toda a riqueza global, enquanto os 50% mais pobres possuem menos de 1% da riqueza total. Essa disparidade é uma mancha na sociedade humana, exacerbando a pobreza, a exclusão social e a injustiça econômica.

A disparidade entre os mais abastados e o restante da sociedade continua a alargar-se, acarretando consequências não apenas para os estratos menos favorecidos, mas também para o crescimento econômico e a estabilidade política em âmbito global. O poder financeiro dos super-ricos frequentemente se converte em uma influência política desproporcional, permitindo-lhes manipular políticas públicas em seu próprio benefício, operando para minar processos democráticos e privilegiar seus interesses individuais em detrimento da necessidade da maioria. Esta influência indevida desse nível de poder econômico, quando ocorre na esfera política, contribui fortemente para a erosão da confiança do público nas instituições, elevando a crescente instabilidade das estruturas democráticas.

George Gurgel* - As eleições municipais de 2024

No Brasil, as distintas realidades regionais e municipais desafiam a construção de novas maneiras de pensar e fazer política no município, refletindo nas formas e conteúdos de organização da sociedade e no próprio exercício da cidadania, a partir da nossa diversa e excludente realidade cultural, social e ambiental.

As eleições municipais,   que irão acontecer em outubro próximo,  colocam em disputa as concepções de governar e de se relacionar de cada um de nós com o lugar em que vivemos, desafiando a construção de novas formas e meios de fazer política, diante das nossas urgências, em função das distintas  realidades econômica, social e ambiental, agravadas com a crise climática em curso - sintoma da insustentabilidade do mundo em que vivemos,   vivida atualmente de forma angustiante e trágica por toda a sociedade brasileira.

Os resultados das últimas eleições municipais de 2020 registraram um nível de abstenção recorde de 23%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, refletindo no nível de participação do eleitorado de apenas 41%, junto ao nível de insatisfação que foi de 31% da população.

Ao mesmo tempo, constatou-se, nos pleitos municipais de 2020, um maior protagonismo dos movimentos sociais em defesa de uma efetiva participação política das mulheres, dos afrodescendentes, dos indígenas, LGBT+, discutindo as questões específicas da sociedade, renovando as Câmaras Municipais e Prefeituras dos médios e grandes municípios, trazendo novas lideranças, representando a voz rouca dos excluídos da sociedade para a disputa e o exercício do poder municipal. Há ainda que se destacar a eleição de lideranças religiosas, particularmente evangélicas, o que já vem ocorrendo no Brasil, nas últimas décadas.

Poesia | Memória - Por Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Caetano Veloso - Sem Samba não dá

 

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Copom acertou ao aumentar taxa de juros

O Globo

Além de dar recado claro no combate à inflação, movimento dissipa incertezas sobre próxima gestão do BC

Era esperada a decisão do Banco Central (BC) de subir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, para 10,75% ao ano. Não faltam evidências de pressão sobre os preços: a economia segue aquecida, o desemprego cai, a política fiscal do governo é expansionista, e o dólar continua alto. Diante disso tudo, não causa surpresa que as expectativas de inflação para 2024 estejam longe do centro da meta (3%). Levando tudo em consideração, o Comitê de Política Monetária (Copom) fez a opção correta ao colocar o pé no freio. Tomada por unanimidade, a decisão também transmite um recado nítido de coesão no Copom — e contribui para afastar incertezas a respeito da próxima gestão no BC, que começa em 2025.

O anúncio marca uma mudança de rota na política monetária. Entre agosto de 2023 e maio deste ano, a Selic caiu de 13,75% para 10,5%. De lá para cá, ficou estacionada. Com a subida gradual de agora, o mais provável é um novo ciclo de alta. Que ninguém se engane. A perspectiva de juro alto nunca é boa. Ao tornar o crédito mais caro, inibe o consumo e o investimento. Mas vale lembrar que adotar uma política monetária contracionista na hora certa evita males maiores no futuro, com escalada de preços e erosão no poder de compra.

Maria Hermínia Tavares - Eleições e disputas no campo das direitas

Folha de S. Paulo

Está em disputa a liderança firmada pelo ex-presidente nas eleições de 2018

Há duas eleições para a Prefeitura de São Paulo. A primeira, ostensiva, definirá o novo ocupante do 14º andar do Edifício Matarazzo, no paulistaníssimo Viaduto do Chá. Em paralelo, como apontou o cientista político Antonio Lavareda, trava-se uma espécie de primárias para decidir a liderança das direitas na Pauliceia.

O prefeito Ricardo Nunes e o autointitulado "ex-coach" Pablo Marçal têm em comum folgada vantagem sobre um grupo mais amplo onde figuram desde o destemperado Datena até uma jovem que, embora envolta na bandeira do novo, mais parece a reencarnação das marchadeiras de 1964 contra o "comunismo ateu".

A queda de braço paulistana tem inegáveis características locais: como não ver em Marçal a versão digital —e ainda mais primitiva— do velho populismo de direita que levou Jânio Quadros a se sentar duas vezes na cadeira de prefeito e alavancou a carreira de Paulo Maluf? Como esquecer do Adhemar ("rouba mas faz") de Barros ao ouvir do prefeito Nunes o quanto "fez, faz e fará" pelos mais pobres?

Merval Pereira - A distopia que vivemos

O Globo

Musk parece um daqueles vilões dos filmes de 007, ou, mais atualmente, das séries de ação de Tom Cruise, que se preparam para dominar o mundo com armas tecnológicas avançadíssimas, mas que sucumbem aos heróis que protegem o mundo

Tudo leva a crer que o ex-presidente Bolsonaro sabia da possibilidade de a rede social X, banida do território nacional pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, voltar a funcionar em algum momento ontem. Tanto que tinha pronto um texto longo sobre o tema, com críticas à decisão e uma defesa das empresas de Elon Musk. O escrito tinha características de ter sido oriundo de sua defesa jurídica, não de mensagem escrita em português peculiar pelo vereador Carlos Bolsonaro, que manipula as redes sociais para seu pai.

Foi uma clara provocação do bilionário Musk, que assumiu definitivamente o papel de militante da direita internacional. A compra do Twitter, rebatizado X, não foi um investimento financeiro, mas um lance para aumentar o potencial da atividade política de Musk. Sendo assim, o combate ao ativista internacional torna-se também um combate político, embora a base da punição no Brasil tenha sido técnica, pela falta de pagamento de multas e de representante legal no país.

Ruy Castro - A arte de prosperar, ficar rico e ser feliz

Folha de S. Paulo

Para dar o exemplo, coaches são os primeiros a prosperar, ficar ricos e ser felizes

Neste momento, há 101 influenciadores sendo investigados pela polícia no país. Alguma coisa a ver, talvez, com a biografia deles?

Pablo Marçal, 37 anos, chegado a cadeiradas por motivo justo, integrava em jovem uma quadrilha que desviava dinheiro de bancos. Depois, foi guia turístico em excursões de risco sem as devidas precauções, idealizador do imaginário kit gay e criador de um banco fantasma que aceitava depósitos. Até que se tornou coach digital e autor de livros como "A Arte de Prosperar", doutrinando seus seguidores a serem ricos e felizes. Para dar o exemplo, ele próprio prosperou, ficou rico e feliz. Hoje tem 29 empresas, um patrimônio de R$ 193 milhões e é ex-futuro prefeito de São Paulo.