segunda-feira, 16 de junho de 2025

Opinião do dia - Antonio Gramsci* (Partido Político)

"Será necessária a ação política (em sentido estrito) para que se possa falar de "partido político"? Pode-se observar que no mundo moderno, em muitos países, os partidos orgânicos e fundamentais, por necessidade de luta ou por alguma outra razão, dividiram-se em frações, cada uma das quais assume o nome de partido e, inclusive, de partido independente. Por isso, muitas vezes o Estado-Maior intelectual do partido orgânico não pertence a nenhuma dessas frações, mas opera como se fosse uma força dirigente em si mesma, superior aos partidos e às vezes reconhecida como tal pelo público. Esta função pode ser estudada com maior precisão se se parte do ponto de vista de que de um jornal (ou um grupo de jornais), uma revista (ou um grupo de revistas) são também "partidos", "frações de partido" ou "funções de determinados partidos",

*Antonio Gramsci(1891-1937), Cadernos do Cárcere, V. 3, p. 349, Civilização Brasileira, 2007

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

SUS precisa passar por choque de gestão

O Globo

Mesmo que haja falta de recursos, isso não justifica o desperdício crônico que aflige sistema

O Sistema Único de Saúde (SUS), criado dois anos depois da Constituição de 1988, tem por objetivo, expresso na Carta, garantir o acesso à saúde como direito universal. Até hoje, 35 anos depois, esse objetivo não é cumprido. O SUS apresenta problemas crônicos de gestão, normalmente justificados com base na falta de recursos. Durante todo esse tempo, os governos fracassaram diante da evidente necessidade de um choque de gestão.

Mesmo numa área em que o SUS se destacava — a vacinação —, o desperdício tem sido flagrante. Entre 2023 e 2024, o prejuízo com lotes de vacinas que perderam a validade somou R$ 1,75 bilhão. “O Brasil ainda sofre resquícios da desorganização no Programa Nacional de Imunizações na gestão passada”, disse ao GLOBO Tânia Coelho, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Pode até ser. Mas as evidências sugerem que o desperdício no SUS é uma doença crônica, não uma afecção aguda adquirida neste ou naquele governo.

Terremoto partidário - Jairo Nicolau*

Folha de S. Paulo

[RESUMO] Desde 2017, com a aprovação de sucessivas mudanças na legislação eleitoral, um turbilhão vem varrendo o sistema partidário brasileiro. Novas regras, como a cláusula de desempenho e o fim das coligações, afetaram duramente os partidos pequenos, levando a uma onda de fusões, federações ou mesmo desaparecimento de siglas. Em consequência, menos partidos têm conquistado representação na Câmara e no Senado, diminuindo a fragmentação do Legislativo no Brasil, que já foi a maior do mundo.

Acompanhar o turbilhão de transformações do quadro partidário brasileiro na última década não é uma tarefa fácil. Poucos jornalistas ou cientistas políticos conseguiram descrever, com segurança, as mudanças recentes, tamanha a velocidade que apresentaram.

A partir de 2017, 13 partidos mudaram de nome, cinco desapareceram por terem sido incorporados por outros, e duas novas legendas (União e PRD) foram criadas a partir de fusões. De forma geral, o Brasil, que chegou a 35 legendas distintas em 2015, deve passar agora a 24.

O PTB, que já abrigou Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola, foi um desses partidos com fim melancólico, ao se fundir com o Patriota para formar o PRD (Partido da Renovação Democrática), em 2023.

Estão em curso uma atribulada e ainda incerta fusão de PSDB e Podemos e uma federação entre União e PP.

O PSDB talvez seja o caso mais impressionante de declínio de um partido na história do Brasil. Durante três décadas, foi um protagonista das eleições presidenciais (com duas vitórias de Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998, e a disputa do segundo turno nas quatro eleições seguintes).

Além disso, elegeu bancadas significativas no Congresso e conquistou um número expressivo de prefeituras e governos de estado. O símbolo disso era São Paulo, onde o partido elegeu o governador sete vezes seguidas entre 1994 e 2018.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, uma das principais lideranças tucanas, deixou o partido em maio deste ano para se filiar ao PSD. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyrafez o mesmo movimento em fevereiro.

O PSDB, que chegou a eleger 99 deputados federais em 1998, tem atualmente apenas 13, uma bancada menor que a do Podemos (15 deputados).

O congresso e as eleições de 2026 - Marcus André Melo*

Folha de S. Paulo

Em um cenário de reeleição, as condições de governabilidade seriam críticas, e acentuariam as patologias atuais

As defecções no âmbito da coalizão de governo e a fragmentação da centro-direita e da direita radical, há pouco mais de um ano para as eleições presidenciais, tem sido o foco das atenções. Para além dos fatores que levam às defecções —o declínio da popularidade presidencial e da avaliação de governo— há questões relativas à influência do controle massivo daquele campo político sobre o Congresso e no nível subnacional, e como esse controle impacta a eleição presidencial.

Os efeitos das eleições em um nível —presidencial— sobre os demais, e vice-versa, é tema clássico da ciência política (coattails effects, no jargão). No Brasil, a eleição de um prefeito impacta a subsequente eleição de deputados federais do mesmo partido no município em aumento da ordem de 30%, em estimativa de Avelino et al. Neste caso é um coattail inverso, discutido aqui.

Trump e Musk põem ideia de progresso em xeque – Fernando Gabeira

O Globo

Avanço científico não significou amadurecimento emocional. Pelo contrário, passa sensação de que estamos regredindo

O homem mais rico do mundo, Elon Musk, entrou em choque com o homem mais poderoso do mundo, Donald Trump. Uma semana depois, fizeram as pazes. Mais que o conteúdo da divergência, interessa perguntar que mundo é este, em que são simultaneamente o mais rico e o mais poderoso.

É um mundo tecnológico e cientificamente sem paralelo na História da humanidade. Eles discordam do ritmo da conquista de Marte. Ambos dispõem de redes sociais próprias e nelas se comunicam com milhões com um movimento de dedos.

Golpistas de 1964 eram mais inteligentes – Miguel de Almeida

O Globo

Seria impossível a Castello Branco emular qualquer pensamento à luz da lógica reversa presente na oratória de Bolsonaro

Fico feliz de o general Augusto Heleno não ter presenteado Bolsonaro com “A máquina do golpe”, de Heloisa Starling. Nada garante que o enredo narrado pela historiadora fosse compreendido ou assimilado. Lá estão os passos dados pela oposição na criação de um clima propício à quartelada que resultou na ditadura militar.

Vamos partir das palavras e cobranças para a ação? - Bruno Carazza

Valor Econômico

Se houver real intenção para fazer um ajuste fiscal estrutural ainda neste mandato, não faltam propostas

Um estrangeiro desavisado que observasse o noticiário político-econômico brasileiro na semana passada poderia ser levado a acreditar que haveria no país um pacto multipartidário para superar a crise fiscal.

Logo na segunda-feira, em evento organizado pelo Valor, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), conclamou diversos grupos sociais a darem a sua cota de colaboração: “A situação do país é grave e é preciso ter responsabilidade. Ninguém quer abrir mão de nada: quem está ganhando acima do teto quer continuar ganhando, o parlamentar não quer corte de emenda, o governo não quer discutir determinado assunto porque desagrada a sua base. Tem que tratar as coisas com responsabilidade”, criticou.

Gleisi diz que se Congresso derrubar pacote emendas serão afetadas: ‘bate aqui, bate lá’

Por Sofia Aguiar, Renan Truffi e Fernando Exman / Valor Econômico

Ministra diz que fará novas reuniões com lideranças do Congresso sobre corte de despesas

Com a responsabilidade de resolver um dos maiores impasses do governo Lula nesta terceira gestão, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), está adotando uma postura pragmática quanto às negociações em torno do novo pacote fiscal. O governo, diz ela, vai tentar demover os parlamentares de derrubarem as medidas, mas alerta: se os congressistas insistirem nesse caminho, o resultado vai afetar também as emendas do Legislativo porque um novo contingenciamento e bloqueio das contas públicas será inevitável: “Bate aqui e bate lá”.

Gleisi recebeu o Valor para uma conversa sobre o cenário conturbado vivido pelo Planalto nos últimos dias. Apesar da situação, a ministra avalia que o Executivo acerta nas propostas e faz acenos ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que era alvo frequente de suas críticas enquanto presidente do PT.

De acordo com ela, o governo fará novas reuniões com lideranças do Congresso para avançar nas discussões sobre corte de despesas. Por outro lado, descarta qualquer alteração nos pisos de saúde e educação e na desvinculação dos benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo.

Sobre as críticas de que o governo precisa ir além do aumento da arrecadação, Gleisi rebate e pede que tais partidos proponham um texto nesse sentido. “Ninguém quer votar medida impopular. Da esquerda à direita. Ninguém quer pôr o dedo na castanha quente”, disse.

De olho no cenário eleitoral de 2026, a titular da articulação política acredita que Lula “chegará bem” ao pleito, mesmo sob queda de aprovação da gestão petista. Porém, para ela, o chefe do Executivo federal tem que viajar mais pelo Brasil como forma de promover o governo.

A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:

Israel e a dominação do Hamas - Denis Lerrer Rosenfield

O Estado de S. Paulo

Se a ação militar de Israel em Gaza seguir restrita ao uso da força, corre o risco de perder a batalha pela mente da população e de setores importantes da opinião pública

Um dos aspectos críticos da ofensiva israelense em Gaza tem consistido na ausência de trabalho junto da população civil, aprisionada, em certo sentido, entre o Hamas e as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), embora fosse até agora um sustentáculo do grupo terrorista. Israel já derrotou militarmente o Hamas, mas nada fez para anular seu domínio sobre a população civil, que continuou a ser capturada e dominada por ele. Conquistava territórios e, depois, os abandonava, como se o seu trabalho estivesse concluído.

A falsa negociação - Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

Possível jogo de cena com Israel revela nova tática improvável de Donald Trump

Nos últimos meses, Donald Trump vem apresentando ao mundo seu pequeno manual de técnicas improváveis de negociação. Uma delas é criar o caos para colher concessões. A outra é colocar as exigências em um patamar elevadíssimo, apenas para recuar em seguida. Tal comportamento foi sintetizado em uma sigla, TACO, que em inglês significa algo como “Trump sempre amarela”. “Isso se chama negociação”, respondeu o presidente americano quando perguntado sobre a expressão que virou meme.

A difícil decisão de Trump no Oriente Médio - Oliver Stuenkel*

O Estado de S. Paulo

Fantasma de décadas volta a rondar: o Oriente Médio distrai os EUA de seu ‘grande jogo’ na Ásia

Se fosse necessário apontar o maior erro de política externa cometido pelos EUA nas últimas décadas, seria o excesso de recursos e energia dedicado ao Oriente Médio – simbolizado pela desastrosa invasão do Iraque em 2003. A guerra não apenas desestabilizou toda a região e negativamente afetou a reputação dos EUA no mundo, mas também desviou a atenção de Washington do que realmente representa seu principal desafio estratégico: o deslocamento do poder global em direção à Ásia e a ascensão da China.

Mais um capítulo do ajuste econômico – Luiz Carlos Trabuco Cappi

O Estado de S. Paulo

A reconquista do grau de investimento das agências de classificação de risco é o alvo

Os debates a respeito da estabilidade fiscal construíram oportunidade histórica para mudar o Brasil de patamar. Na linha do tempo, quando superamos o problema da dívida externa, vencemos as crises cambiais e derrotamos a hiperinflação, endereçamos a esperança de uma economia mais estável, previsível e de crescimento com desenvolvimento social. No entanto, faltou consolidar medidas para garantir a solidez das contas públicas, o que pode ser feito agora.

Medidas estruturantes são mais difíceis, mas são elas que vão permitir finanças públicas saudáveis e duradouras. Os debates acirrados em torno da proposta de solução das contas públicas no curto prazo, para este e o próximo ano, permitiram o amadurecimento da noção de que é preciso olhar além das medidas temporárias e emergenciais.

O corporativismo legislativo e a irredutibilidade das bancadas estaduais - Lara Mesquita*

Folha de S. Paulo

Projeto que aumenta número de deputados abre espaço para distorções indesejáveis

O prazo para que o Congresso legisle sobre uma regra clara para a redistribuição proporcional das cadeiras da Câmara dos Deputados se encerra no dia 30 de junho. Pressionados pelo calendário, senadores apresentaram pedido de urgência para a apreciação do PLP 177/2023 e pretendem votá-lo ainda nesta semana.

O projeto, já aprovado pela Câmara no início de maio, define que a distribuição das vagas entre os estados deve seguir o método das maiores médias, já utilizado no sistema eleitoral brasileiro, respeitados os limites constitucionais de, no mínimo, 8 e, no máximo, 70 deputados por estado. Mais do que isso, propõe que a redistribuição só ocorra após o próximo censo demográfico, previsto para 2030, e aumenta em 18 o número total de cadeiras para a Câmara dos Deputados a partir da eleição de 2026.

Poesia | Correm turvas as águas deste Rio, de Luís Vaz de Camões

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Música | Elba Ramalho, Geraldo Azevedo - Petrolina-Juazeiro

 

domingo, 15 de junho de 2025

Opinião do dia – Paul Samuelson*

De que uma economia é inservível se não opera no sentido de indicar os meios pelos quais, com recursos escassos, se possa promover o máximo de bem-estar possível para a maior parte da população."

*Paul Samuelson (1915-2009), economista norte-americano, amplamente reconhecido como um dos formuladores mais importantes das ciências econômicas modernas. Prêmio Nobel de Economia,1994.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Datafolha traz boas notícias em série para a oposição

Folha de S. Paulo

Lula perde vantagem de pesquisa anterior e se vê empatado no 2º turno com possíveis adversários, como Michelle e Tarcísio

Por qualquer ângulo que se olhe, a mais recente pesquisa do Datafolha traz notícias boas para quem joga no campo da oposição e ruins para o governo e seus apoiadores.

Para começar, o levantamento retirou qualquer aura de invencibilidade que ainda pudesse haver em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao mostrá-lo, nas simulações de segundo turno, em pé de igualdade com vários de seus potenciais adversários na disputa de 2026.

O petista, é claro, pode se agarrar ao tempo que falta para a eleição. Com mais de um ano pela frente, nada impede que o cenário mude de forma significativa, sobretudo porque, até lá, o Supremo Tribunal Federal (STF) terá terminado de julgar Jair Bolsonaro (PL) pela trama golpista de 2022.

Falta sinceridade no debate fiscal - Míriam Leitão

O Globo

No debate fiscal é preciso menos clichês e mais sinceridade sobre a desigualdade tributária brasileira

O ministro Fernando Haddad tem razão. Ele está propondo que as grandes fintechs, hoje tão poderosas quanto os maiores bancos, e que os sites de apostas paguem mais imposto. Quer que os títulos que hoje nada recolhem, passem a pagar um percentual pequeno de imposto de renda. O ministro acertou também quando passou a cobrar impostos dos fundos exclusivos — os investimentos das famílias ricas — e dos fundos offshore. Haddad tem dito que está corrigindo distorções e é mesmo o que ele está tentando fazer.

Se você acha que o Brasil é um país desigual, mas não quer discutir os detalhes de como essa desigualdade é criada dentro do sistema de contas públicas, e da estrutura tributária, você não está falando sério sobre combate à desigualdade. O patrimonialismo, tão condenado nos discursos dos pensadores do Brasil, não é abstrato. Ele é concreto. Tem muitas moradias. Uma delas é nos privilégios que estão distribuídos em isenções de tributos.

Um julgamento que pode estimular nova retomada política - Paulo Fábio Dantas Neto*

Estamos assistindo a um momento crucial do julgamento, pelo STF, das evidências explicitas de um golpismo de palavras e atos que grassou na atmosfera política brasileira como uma marca do período de governo de Jair Bolsonaro. Esse golpismo, por vezes latente, mas já bastante explícito na trajetória pregressa e no discurso eleitoral do candidato vencedor das eleições de 2018, escancarou-se durante a pandemia, mas tão logo cessou aquele momento social crítico, encorpou-se num sentido diretamente político, de um politicídio. Desdobrou-se em seguidas tentativas de fricção institucional, que alcançaram seu ponto máximo nos estertores do governo Bolsonaro, meses antes e até quase dois meses após as eleições de 2022, quando o presidente saiu do país, recusando-se a passar a faixa ao adversário eleito.

É preciso resgatar a política como mediadora de conflitos - Raul Jungmann*

Correio Braziliense

Não se busca a interferência na livre manifestação de opinião, como alardeia a retórica extremista. Há, sim, um vácuo político que facilita a distorção dos fatos e favorece a criminalidade nas redes

Costuma-se afirmar que as crises produzem soluções. Mas, no cenário político contemporâneo — no Brasil e no mundo —, elas têm se mostrado mais geradoras de divisões do que de saídas. Vivemos um momento de inflexão, marcado por uma nova bipolaridade, ideológica e caótica, em que o radicalismo mina pontes e esvazia a política de seu verdadeiro papel: mediar conflitos por meio do diálogo.

Há ecos históricos. A geração que viveu nos anos 1960 lembra a tensão entre Estados Unidos (EUA) e União Soviética na crise dos mísseis em Cuba. Hoje, décadas depois, observamos novos focos de instabilidade: a guerra entre Rússia e Ucrânia, o conflito devastador em Gaza, o ataque aberto de Israel ao Irã há três dias e o impacto da recente eleição norte-americana indicam que os acordos firmados no pós-guerra estão sendo gradualmente desmontados. Nesse novo tabuleiro, o Brasil tenta reposicionar-se.

Um sobrenome - Merval Pereira

O Globo

A mais recente pesquisa do DataFolha confirma o que a classe política deduz na labuta cotidiana atrás de votos: a salvação do presidente Lula está na insistência de Bolsonaro em colocar seu sobrenome na chapa presidencial da oposição. Não qualquer um, mas um dos dois, Flávio ou Eduardo. Nem mesmo a mulher Michele, que aparece como a melhor colocada da oposição na pesquisa presidencial, que poderia ser identificada corretamente como “a mulher do Bolsonaro”, diferentemente de Dilma, que era conhecida em certas regiões do país como “a mulher do Lula”, fazendo confusão com a candidata indicada por Lula.

'Adeus, Lênin!' nos trópicos - Bernardo Mello Franco

O Globo

No filme “Adeus, Lênin!”, uma senhora da Alemanha Oriental sofre um infarto, passa meses em coma e acorda sem saber que o Muro de Berlim havia caído. Para protegê-la do choque, o filho esconde a notícia e se esforça para simular um país e de um regime que não existem mais.

Um observador que dá expediente no Planalto cita a comédia alemã como metáfora do momento atual do governo. Dois anos e meio depois de voltar ao poder, Lula ainda não teria despertado para as mudanças na sociedade e na política. O descompasso ajudaria a explicar seu mau desempenho nas pesquisas.

Na semana que passou, o petista voltou a amargar 40% de reprovação no Datafolha. É o pior patamar já registrado em seus três mandatos. No fim do segundo, em dezembro de 2010, ele era aprovado por 83% dos brasileiros. Só 4% diziam rejeitar sua gestão.

Mais guerra – Dorrit Harazim

O Globo

O país atacante costuma alegar questões de sobrevivência da nação para empreender guerras eletivas

O belo, a arte, a ciência importam quando bombas começam a cair? Foi em torno desse tema que o escritor irlandês C.S. Lewis, autor, entre outras, das “Crônicas de Nárnia”, deu memorável palestra na Universidade de Oxford em 1939, às vésperas da Segunda Guerra. Lewis escapara por milagre de uma trincheira coalhada de cadáveres no conflito anterior (1914-18), portanto conhecia o horror de mortos a granel. Ainda assim, ou talvez por isso mesmo, respondeu afirmativamente à pergunta que nada tinha de estapafúrdia.

— A vida humana sempre foi vivida à beira do precipício — lembrou ele na ocasião.

Se esperássemos pela paz para criar arte, a primeira pintura rupestre ainda não teria sido feita. Tampouco a busca do conhecimento teria começado se aguardássemos estar em segurança plena.

— Isso não é brio, é nossa natureza — ensinou.

Doutrina Begin norteou Netanyahu ao atacar o programa nuclear do Irã - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Israel pode arrasar a infraestrutura militar e econômica do Irã, mas não tem condições de invadir o país para destituir o regime dos aiatolás

Jovem historiador e guia turístico, o brasileiro Isaque Levy estava com um grupo de 25 capixabas em visita ao Mar Morto quando recebeu orientação pelo celular para procurar um abrigo. Logo ficou sabendo que Israel havia atacado o Irã e devia se preparar para o revide. Levou os brasileiros para a fronteira do Egito e voltou para Jerusalém. Entrevistado pela CNN Brasil, nesse sábado (14/6), ele disse que sentia um misto de apreensão e orgulho.

“Finalmente, houve um acerto de contas com o Irã, Israel vem se preparando para isso há 20 anos”. Segundo ele, Netanyahu pôs em prática a chamada Doutrina Begin: “Nenhum estado hostil à existência de Israel pode colocar essa existência em risco. Isso quer dizer que Israel teve que atacar os reatores nucleares iraquianos, os reatores nucleares sírios e agora estamos prevenindo este risco ao atacar o Irã”.

‘Soft power’ e Joseph Nye - Celso Lafer

O Estado de S. Paulo

Suas formulações tiveram peso na teoria e na prática da ação diplomática de diversos países, inclusive o Brasil

Soft power tornou-se um termo de uso frequente na análise das relações internacionais. Foi cunhado e elaborado por Joseph Nye, recém-falecido aos 88 anos. Nye, destacado professor de Harvard, exerceu funções de responsabilidade diplomática nas Presidências Carter e Clinton. Afirmou-se como influente e criativo estudioso no campo das relações internacionais; suas formulações tiveram peso na teoria e na prática da ação diplomática de diversos países, inclusive o Brasil.

Muito gasto, pouca serventia - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Urgência fiscal: corte de supersalários, privilégios e 50% das emendas. Fim de papo

Afinal de contas, a Câmara e o Senado são ou não a favor do arcabouço fiscal, de menos gastos e mais receitas, de uma economia que gere confiança e atraia investimentos? E dos interesses públicos, em geral, da segurança, do bem-estar e do futuro do distintíssimo público que garantiu os votos e a vitória de seus 513 membros do salão verde e dos 81 do salão azul?

Seus presidentes, deputado Hugo Motta e senador Davi Alcolumbre, juram que sim, que são baluarte da defesa dos interesses nacionais e do controle das contas públicas e aliados do governo nessa direção. Só que...põem a faca no pescoço do presidente Lula e do ministro Fernando Haddad, derrubam uma proposta atrás da outra e não apresentam absolutamente nada em troca. Só sabem dizer “não” – e aumentar os próprios gastos.

Uma ofensiva com vício de origem - Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

Bibi prolonga a carnificina em Gaza para adiar o encontro com urnas e Justiça; fará o mesmo no Irã

A ofensiva de Israel contra o Irã sofre do mesmo vício de origem que a campanha contra o Hamas na Faixa de Gaza: objetivos maximalistas. Isso porque ela não se orienta apenas pela lógica militar e interesses nacionais. A motivação política de Binyamin Netanyahu de se manter no poder a qualquer custo é o principal fio condutor.

O primeiro-ministro israelense declarou ontem: “No futuro breve, vocês verão aviões israelenses, nossos bravos pilotos, sobre os céus de Teerã. Atacaremos todos os alvos do regime dos aiatolás”. Assim como fez em relação a Gaza, Netanyahu tem preparado a população para uma longa campanha.

O bombardeio e seu impacto - Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O acirramento das hostilidades entre Israel e Irã impõe desdobramentos não apenas sobre a geopolítica local, mas, também, sobre a economia global.

As questões geopolíticas ainda dependem de como o conflito evoluirá e isso, por sua vez, dependerá do tempo e de como os objetivos militares e políticos das partes direta e indiretamente envolvidas forem atingidos. O Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, ou seja, está sujeito a inspeções da Organização das Nações Unidas, que o governo iraniano vem sabotando por negar transparência em seus programas de desenvolvimento nuclear.

O agronegócio dá novo salto – José Roberto Mendonça de Barros

O Estado de S. Paulo

No plano global, o País é um fornecedor confiável, distante de conflitos geopolíticos

Em meio às enormes incertezas trazidas pela administração Trump, o agronegócio brasileiro caminha para se tornar o mais relevante participante global nos mercados oceânicos.

Isso já vem silenciosamente ocorrendo: aumentamos volumes, diversificamos pautas e abrimos mercados. O País é o maior exportador global de açúcar, soja, suco de laranja, café, aves e bovinos. No milho, disputamos a liderança com os EUA; e somos o segundo em farelo de soja, óleo de soja e algodão. Em suínos, atingimos o terceiro lugar.

A OCDE mostra há anos que o Brasil tem a agropecuária mais competitiva do mundo, sem depender de grandes subsídios (a isenção da cesta básica é, antes de tudo, um estímulo ao consumidor, uma política pública).

Sujeito oculto - José Casado

Revista Veja

Partido Liberal tem três dezenas de envolvidos na trama do golpe

Ele paira sobre o plenário do Supremo Tribunal Federal enquanto se revelam detalhes da trama do golpe de Estado de 2022, para manter Jair Bolsonaro no poder depois da derrota nas urnas. Às vezes é mencionado, mas como sujeito oculto e raramente pelo nome.

— É importante esclarecer — insistiu o juiz Alexandre de Moraes. — A cogitação (do golpe), a conversa (com os chefes militares), o início dessa questão de estado de sítio e estado de defesa teria sido em virtude da impossibilidade de recurso eleitoral, é isso?

— Sim, senhor — reconheceu Bolsonaro.

— Mas o senhor sabe que o seu partido recorreu e perdeu, por unanimidade, no plenário do Tribunal Superior Eleitoral…

O juiz se referia ao Partido Liberal. O réu acenou com a cabeça, concordando.

Quatro anos atrás, quando estava no Planalto, Bolsonaro arrendou o PL. Em troca, entregou a Valdemar Costa Neto um banco federal (Nordeste), um fundo bilionário (FNDE), áreas-chave na governança de meio ambiente (Ibama), a política fundiária (Incra), infraestrutura (DNIT), saúde e saneamento (Funasa) e fatias do Orçamento público no manejo de emendas parlamentares.

Lula lidera cenários de 1º turno e empata com Tarcísio no 2º - Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Presidente perde a vantagem que tinha sobre nomes da direita no tira-teima em 2026

O presidente Lula (PT) mantém a liderança em primeiro turno sobre os rivais elegíveis na simulação feita pelo Datafolha sobre a eleição do ano que vem, mas perdeu a vantagem que tinha sobre candidaturas à sua direita em uma segunda rodada do pleito, empatando com governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).

A evolução aferida pelo instituto ocorreu do início de abril, data da pesquisa anterior, ao levantamento feito na terça (10) e quarta (11) com 2.004 eleitores em 136 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Contra todos os rivais em 5 de 6 cenários apresentados, o presidente mantém o mesmo patamar de intenção de voto, flutuando de 36% a 38%. É um dado algo descolado de sua avaliação, feita na mesma pesquisa, que mostrou 28% dos brasileiros o considerando ótimo ou bom.

Ricos, impostos e demagogia - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Governo continua a criar isenções, mal tenta cortar as antigas e Congresso é cúmplice

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dizer que isenções de impostos vão para "ricos", em um palanque da quinta passada. Não é bem verdade, embora a maior parte vá para empresas e pessoas mais ricas (que se dizem de classe média). É assim a isenção do Mover (para montadoras de veículos), R$ 3,8 bilhões por ano, ou para companhias aéreas, ao menos R$ 567 milhões. São alguns dos incentivos criados por Lula neste mandato.

"Vocês sabem quantos bilhões a gente dá de isenção para os ricos deste país, que não pagam imposto? R$ 860 bilhões. É quatro vezes o Bolsa Família" (na verdade, é cinco vezes), disse Lula.

Por que o Congresso briga com Haddad?- Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Parlamentares interpretam solicitação de Dino como uma ação orquestrada com o governo Lula

Congresso Nacional ameaça obrigar Haddad a fazer o ajuste fiscal no lombo dos pobres se o STF não autorizar que congressistas roubem dinheiro da saúde pública.

No fim de semana passado, todos tivemos a impressão de que o governo Lula e o Congresso tinham chegado a um bom acordo sobre como fazer o ajuste fiscal sem aquela confusão do IOF.

No meio da semana, tudo mudou: o Congresso avisou que não vai passar nada que seja do interesse do governo. O que aconteceu?

A base desabou - Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Governo e centrão vivem agora em permanente estado de desunião estável até as próximas eleições

Em meio a ultimatos, confrontos e rebeldias, o que a fortaleza do centrão está dizendo ao governo é que não existe mais base aliada. O conceito está superado na forma e no conteúdo.

Por base, entende-se o que dá sustentação, e por aliada compreende-se uma associação na defesa de objetivos comuns.

Nada disso se faz presente no relacionamento entre o Palácio do Planalto e os partidos com assento no ministério. Não há alicerce nem aliados de fé no campo dos políticos costumeiramente incluídos naquela expressão já obsoleta.

O eterno espírito das universidades - Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Aos trancos e barrancos, as instituições de ensino erguem-se como bastiões de defesa contra o avanço do neofascismo

ataque de Trump às universidades americanas, maioria no rol das melhores do mundo, é sintoma forte do neofascismo transnacional. Não foi adiante no período de Bolsonaro, mas exerce controle total na Hungria de Orban. Pode ser característica de toda autocracia, porém tem mais a ver com fascismo do que com nazismo ou stalinismo, apesar do sinistro parentesco entre os três.

Suscita-se uma hipótese de vingança pessoal de Trump contra as altas instituições de ensino, de onde provém a elite dirigente dos EUA. Não só oito presidentes foram formados na Ivy League, núcleo de excelência universitária, assim como professores, economistas e cientistas, sempre nas pautas do Prêmio Nobel. Obama graduou-se em Harvard. Trump, embora proveniente da Ivy League (onde nunca foi benquisto), é produto de show televisivo. Respira e transpira banalidades, mas soube navegar no vácuo de credibilidade do elitismo: desde Truman, o povo americano descobriu que seus líderes eram grandes mentirosos. A verdade sobre as guerras inúteis do Vietnã e do Iraque não foi revelada aos jovens por governos, mas pela imprensa e pelas universidades.

A ciência encantada da jurema - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro une ciência e antropologia para tentar desvendar religião do Nordeste que utiliza substância psicodélica em ritos

Meu amigo Marcelo Leite é um daqueles jornalistas polímatas, que transitam bem por gêneros tão variados como física, meio ambienteeducaçãoantropologia e, mais recentemente, a ciência dos psicodélicos. Em "A Ciência Encantada da Jurema", Marcelo nos oferece uma feliz combinação dos dois últimos veios.

O livro pode ser descrito como uma radioetnografia da jurema, planta típica da caatinga e rica na substância psicodélica DMT (dimetiltriptamina), que é consumida em ritos da religião de mesmo nome que se desenvolveu na região. Marcelo destrincha a jurema, a planta e a religião.

Poesia | Vossos olhos, senhora, que competem, de Luís Vaz de Camões

 

Música | Chico Buarque e Mônica Salmaso - Sem Fantasia

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sábado, 14 de junho de 2025

Opinião do dia - Amartya Sem*

“A globalização (econômica) não é ruim em si; precisa é ser aperfeiçoada. Ela fez crescer a prosperidade em geral, mas não reduziu, por si, as desigualdades adequadamente"

*Amartya Sen, indiano, um dos criadores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e ganhador do Prêmio Nobel de Economia (1998), em 23/07/2000, em entrevista ao GLOBO

 

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Ataque de Israel ao Irã amplia risco no Oriente Médio

O Globo

Houve alívio com atraso no programa nuclear, mas é impossível prever consequências do confronto

O vigoroso ataque de Israel contra o Irã, com o objetivo de destruir instalações militares e nucleares, contou com 200 caças, uma base de drones plantados em território iraniano pelo serviço secreto israelense, veículos infiltrados e armas teleguiadas para atingir o alvo. Como resultado, os mais altos comandantes militares, líderes da Guarda Revolucionária e cientistas do programa nuclear foram mortos. Bombardeios atingiram centros de pesquisa, fornecedores de equipamentos, lançadores de mísseis e instalações armadas. A usina de Natanz, uma das sedes do programa nuclear iraniano, foi severamente danificada.