terça-feira, 15 de setembro de 2026

Briga no escuro, por Merval Pereira

O Globo

Fachin terá de ter muito pulso para dirigir a sessão hoje, porque ainda haverá várias tentativas de adiamento

A diversificação de ações para tentar adiar a sessão que deve começar hoje de manhã no Supremo Tribunal Federal (STF) demonstra que o grupo que apoia o ministro Alexandre de Moraes receia perder a parada e está disposto a uma briga de foice no escuro, à Tarantino. O ministro Gilmar Mendes já avisou:

— Quem não gosta de pisão não vai ao bailão.

O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, mostra-se firme na decisão de realizá-la e, como será o primeiro a votar, dará o rumo do debate, tanto limitando-o ao tema único de hoje, o pedido de investigação de Moraes, quanto determinando a melhor maneira de preservar a instituição máxima da nossa Justiça e, por tabela, da própria democracia brasileira. Os que se gabavam de ter salvado a democracia durante a tentativa de golpe do bolsonarismo e suas consequências hoje põem em risco o que consideram ter salvado, pois o poder que ganharam no correr dos tempos fez o que os deuses já previam e os homens definiram na História: poder em excesso corrompe completamente.

Terça, 15/9, por Fernando Gabeira

O Globo

Os problemas do STF não se esgotam no comportamento de Moraes, mas demandam reforma profunda na instituição

Hoje não passa de um dia perdido no tempo. Mas pode se tornar uma data histórica, um 15 do 9 nos arquivos nacionais. Tudo depende do que acontecer no Supremo Tribunal Federal (STF).

A hipótese inicial é iniciar uma investigação a respeito das ligações do ministro Alexandre de Moraes com o Banco Master. O material já é conhecido, passa por um contrato de R$ 130 milhões entre Vorcaro e a família Moraes e mais de 50 mensagens trocadas pelo banqueiro com o ministro às vésperas da prisão.

Outros ministros, como Dias Tofolli, também estão envolvidos. Mas o pedido de investigação é específico sobre Moraes. E há outro sobre André Mendonça.

A IA nos matará? Por Pedro Doria

O Globo

Bill Gates afirmou que os modelos em desenvolvimento já cruzaram inúmeros limiares de risco

No último dia 26, agosto já terminando, Bill Gates publicou em seu site pessoal um longo ensaio a respeito de inteligência artificial. Afirmou que os modelos em desenvolvimento já cruzaram inúmeros limiares de risco. Já são capazes de desenvolver bioarmamento, quebrar cibersegurança, manipular psicologicamente pessoas, destruir empregos. Ainda assim, não temos qualquer conversa organizada sobre como gerenciar quaisquer riscos. Pois Gates publicou o ensaio, passou o dia na TV dando entrevistas. E aí nada aconteceu. No dia 11 agora, sexta-feira passada, foi a vez de Yoshua Bengio se manifestar num ensaio. Ele é um dos três padrinhos da IA. Pediu que o ritmo de atualização fosse mais lento. Que as empresas desacelerassem. No sábado, veio Dario Amodei com seu ensaio. O CEO da Anthropic e criador do Claude diz que há risco existencial para a humanidade. Quando chegou domingo agora, se manifestaram concordando com Gates, Bengio e Amodei tanto Sam Altman, da OpenAI (GPT), quanto Elon Musk, da x/AI (Grok).

Flávio ganha vantagem, mas pesquisa indica eleição aberta, por César Felício

Valor Econômico

Simulação de segundo turno é ponto de partida, e não de chegada

Aumentou a chance do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vencer as eleições presidenciais deste ano. A pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (14) mostrou diversos vetores indicam para o cenário de sua vitória. O mesmo levantamento, contudo, indica que a rejeição a seu nome não cede, o que faz com que a eleição ainda esteja em aberto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permaneceu no patamar de 36% na simulação de primeiro turno, com crescimento de Flávio de 29% para 31%. Em julho, esta diferença era de 40% a 28%. Na simulação de segundo turno entre os dois, Lula recuou pela quinta vez consecutiva, pontuando em 40%, ante 42% de Flávio.

A batalha do Supremo e a exaustão do eleitor, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

A sessão desta terça não é a de um processo judicial mas de uma disputa política

Em uma semana, o grupo formado pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, transformou o clima de linchamento em praça pública deste último num ambiente em que também pairam suspeitas de partidarismo na atuação do ministro André Mendonça.

Vem daí a aposta de que agirão no limite para evitar que a sessão desta terça siga o rito anunciado: leitura do relatório do caso pelo presidente do STF, manifestação da Procuradoria-Geral da República, defesa de Moraes e a apresentação do primeiro voto, de Edson Fachin, que também é do relator. Este é o rito para uma corte judicial. O que se verá nesta terça é uma sessão política.

A 20 dias da eleição, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

STF e inversão nas pesquisas se somam numa pergunta: qual seria o Brasil de Flávio?

A sessão do Supremo hoje, sobre abrir ou não investigação sobre Alexandre de Moraes, ocorre quando Flávio Bolsonaro, apesar do empate técnico, passa a frente numericamente do presidente Lula e assume a dianteira na eleição presidencial. Logo, o dia 14 de setembro de 2026 pode se transformar no marco de uma reviravolta histórica.

Somadas as duas hipóteses, de vitória de Flávio e de derrota da justiça e da realidade na decisão do Supremo, o Brasil pode dar uma cambalhota atordoante em 2027, anulando os movimentos pró-democracia, liderado pelo STF, e pró-soberania, capitaneado por Lula, para cair numa incógnita.

O julgamento de Xandão, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

A bancada gilmarmendista catimba. Quer transformar em “Julgamento de Xandão”, como se sessão derradeira de processo penal, o que seria deliberação sobre se Alexandre de Moraes deve ser investigado. Catimba-se porque Moraes não pode ser investigado – o que significaria sabermos o que respondeu a Vorcaro, o que compartilhou com ele. Não pode. Então: blitz e blindagem.

Cada um a seu modo, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e o próprio Moraes (que Xandão talvez já tivesse mandado afastar) investem no afogamento do Supremo – o propósito da batalha de petições por meio das quais sucessivamente exigem informações tão volumosas quanto estranhas ao objeto definido por Edson Fachin para o julgamento: se os dados disponíveis sobre as relações entre Moraes e Vorcaro, a todos os integrantes do tribunal formalmente entregues, seriam suficientes para que o ministro fosse investigado. São suficientes? Você sabe a resposta.

PT erra com evangélicos pela terceira eleição consecutiva, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Escolha de Janja como porta-voz expõe a falta de afinidade do partido com o segmento  

Quaest apresentou Flávio Bolsonaro pela primeira vez à frente. Se Lula for derrotado em outubro, uma parte da responsabilidade será do PT, que, pela terceira vez, terá perdido a oportunidade de dialogar com os 26,9% de evangélicos brasileiros.

Nada mudou no desempenho do PT desde a derrota de Fernando Haddad em 2018. A pesquisa BTG/Nexus, divulgada em 8 de setembro, aponta que Flávio Bolsonaro abriu 18 pontos sobre Lula entre evangélicos no primeiro turno. Em um eventual segundo turno, Flávio marca 58%, e o presidente, 31%.

Quais foram os pecados do partido em relação a evangélicos? A direção não tem afinidade nem simpatia pelo segmento e permite que ele seja tratado de maneira amadora. Não existe um nome no partido com poder de decisão para ser cobrado por seu desempenho.

Vamos acabar com as togas, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Vestes talares foram concebidas para indicar impessoalidade e imparcialidade da Justiça

Na percepção popular, porém, esses trajes hoje passam a ideia de diferenciação e hierarquia

Para uma época que prefere travar batalhas simbólicas a resolver problemas substantivos, minha sugestão no que diz respeito à crise no STF é simples: vamos eliminar as togas. No Brasil, o uso de vestes talares, em sua versão plena ou simplificada, por magistrados é uma exigência legal, aplicada em geral a partir da segunda instância e nos tribunais do júri.

A semiologia é bonita. Usar roupas até o calcanhar (é isso que "talar" significa aqui) serviria para esconder o corpo do juiz, apagando-lhe qualquer traço de individualidade e revestindo-o assim do manto da impessoalidade e da imparcialidade. A prática teria tido início na Idade Média e persistido até nossos dias.

Supremo dirá se o Brasil tem, ou não, um tribunal de confiança, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Acusações, postergações e acordos de ocasião não devolvem ao STF a reputação derretida

A pior escolha será os ministros se esconderem sob o frágil biombo de proteção à democracia

De gente com larga experiência adquirida na vida, e autoridade conferida pela lei maior, espera-se que enxergue com clareza o que se passa à sua volta, avalie as circunstâncias e daí tome a melhor decisão. Requisitos básicos à função do julgador.

Não é o que se vê prevalecer nas atitudes de ministros do Supremo Tribunal Federal ativos nos embates internos e passivos ante o imperativo de recuperação da credibilidade da corte. Descontada a hipótese de surto coletivo de carência de percepção, a indiferença ao ponto central da crise só pode ser proposital.

Além de bets, brasileiros elegem canetas emagrecedoras, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Uso das seringas supera o negacionismo que prejudica a cobertura vacinal no país

Medicamentos revolucionários para obesidade viram objeto de desejo e alvo do crime organizado

Esqueça o futebol, os candidatos ao Planalto e os ministros do STF. O que entusiasma os brasileiros são as canetas emagrecedoras e as apostas eletrônicas.

O curioso é que as canetas são canetas apenas no nome. Na verdade são seringas preenchidas com medicamentos injetáveis. O uso delas, no entanto, consegue superar o medo, a desconfiança e o preconceito que envolve injeções e agulhas e o negacionismo que, promovido de maneira criminosa pelo governo Bolsonaro no período da pandemia, ainda prejudica a cobertura vacinal no país.

o que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

STF não tem o direito de errar hoje

Por O Globo

Impedir a investigação contra Moraes levará o país à certeza de que nem todos são iguais

Hoje, tendo o Brasil como testemunha, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) podem seguir um de dois caminhos: reconstruir a Corte ou mantê-la no descompasso moral em que se encontra. Se optarem pela reconstrução, farão uma sessão histórica, dolorida, mas respeitosa — e começarão a recuperar a credibilidade que, em conjunto, perderam. Se optarem pela manutenção do atual estado de coisas, farão um mal imenso a si próprios, mas, fundamentalmente, à nossa República e à nossa democracia. Essa segunda hipótese deve ser afastada. Deste julgamento, só pode emergir um vencedor: o Brasil.

Dani Lima ao vivo: Mendonça derruba sigilo sobre pagamentos de Vorcaro após pedido de Moraes e mais

 

Poesia | Cantares - Caminhante não há caminho, de Antonio Machado Ruiz

 

Música | Sandra Duailibe - Resposta ao tempo (Cristóvão Bastos - Aldir Blanc)