Folha de S. Paulo
O fim do sigilo do inquérito do Master vai
explicar quais candidatos estão envolvidos no escândalo
Se as suspeitas forem verdadeiras, senador e
ministro são cúmplices
Se as acusações contra Flávio
Bolsonaro e Alexandre
de Moraes forem verdadeiras, os dois foram cúmplices.
É estranho, eu sei.
Flávio
Bolsonaro é filho do maior criminoso da história do Brasil. Alexandre
de Moraes foi o juiz que prendeu o pai de Flávio por seu segundo pior crime, a
tentativa de golpe de 2022 (o maior foi o assassinato em massa durante a
pandemia).
É possível que o filho do bandido e o juiz
que o prendeu estejam no meio da mesma mutreta?
Ao que parece, sim.
Flávio Bolsonaro é o herdeiro do movimento
político que deu autorização para que Vorcaro virasse banqueiro, que deu
bilhões em dinheiro de aposentados para o Master, que tentou salvar o Master
elevando a cobertura do FGC, que tentou dar ao Congresso poder para demitir
diretores do Banco Central que não aceitassem suborno de Vorcaro, que deu
bilhões de reais do BRB (Banco Regional de Brasília) para evitar que o Master
quebrasse.
Recebeu de Vorcaro a promessa de R$ 140
milhões. Não, não foi para fazer filme. Está cada vez mais claro que "Dark
Horse" era um esquema que permitia aos deputados e prefeitos
bolsonaristas, além do eternamente grato Daniel
Vorcaro, desviarem dinheiro para o grande caixa 2 bolsonarista.
Se as suspeitas contra ele forem verdadeiras,
Alexandre de Moraes chegou ao escândalo no final, quando o Master já estava
indo para o buraco e precisava comprar juízes. Chegou atrasado, mas chegou
gloriosamente: com uma promessa de R$ 130 milhões de Vorcaro.
Ainda não sabemos o que Moraes fez, ou teria
feito, para justificar um investimento dessa grandeza da parte de Vorcaro. No
mínimo, o Farialimer picareta esperava decisões favoráveis depois que o banco
quebrasse e os processos começassem a chegar.
Se tudo for verdade, Moraes e Flávio
trabalharam, de formas diferentes, para o mesmo criminoso: Daniel Vorcaro.
O futuro da eleição presidencial deste ano depende
do público brasileiro entender ou não que Moraes e Flávio são acusados de terem
ganho a mesma grana do mesmo esquema.
Tem gente grande trabalhando para que esta
obviedade não venha à luz. E não, não são só os suspeitos de sempre na grande
imprensa.
Com os vazamentos de André
Mendonça, o caso Master voltou a ser, aos olhos do público, sobre Alexandre
de Moraes.
Graças a isso, Flávio, que concorre à
Presidência como avatar da aliança Daniel Vorcaro/Marco Rubio, já aparece
numericamente à frente de Lula nas
pesquisas. Moraes é o cara que prendeu o pai dele, certo?
Na verdade, Flávio Bolsonaro ganhou votos
porque a população está indignada com um juiz acusado de ser cúmplice de Flávio
Bolsonaro no caso Master.
A retirada do sigilo do inquérito Master por
Edson Fachin é a última chance que teremos para explicar ao público quem, entre
os candidatos, está de fato envolvido com o maior escândalo financeiro da
história do Brasil. Espero que aproveitemos a oportunidade. Até agora,
fracassamos.
Finalmente, é bom ressaltar: o caso Master
não desqualifica o trabalho de Moraes no inquérito do golpe. Muito pelo
contrário. O Master mostra o tamanho dos escândalos que os bolsonaristas
promoveriam depois de terem se livrado do Judiciário independente e da imprensa
livre.

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