O Estado de S. Paulo
André Mendonça autorizou a abertura de
inquérito para apurar o trânsito dos dinheiros de Vorcaro destinados a
cinebiografia de Jair Bolsonaro. A forma da movimentação dos recursos se
encaixa no padrão de dissimulações da rede vorcárica. A PF suspeita de lavagem
de dinheiro e evasão de divisas.
Falamos de US$ 10,6 milhões captados por Flávio Bolsonaro, grana disparada – de fevereiro a maio de 2025 – por meio de empresa de fachada, a Entre, e que chegaria aos EUA pousando no fundo Havengate, administrado por advogado amigo de Eduardo Bolsonaro.
Já se passaram mais de dois meses desde que
Flávio se comprometera com a divulgação de prestação de contas sobre os usos
desses milhões pela produtora do filme. Foi em 19 de maio – e ele dava prazo:
30 dias. Até agora, nada. Período em que novos maus-cheiros se estabeleceriam,
revelado, pelo Metrópoles, que o escritório de advocacia do senador prestara
serviços advocatícios para empresa de contabilidade pertencente a sujeito
outrora investigado por supostamente operar esquema de notas fiscais falsas de
CNPJs de fachada.
(Talvez fosse o caso de o senador-consultor
contratar os serviços do escritório Barci de Moraes para lhe preparar – tal
qual feito para o Master – um manual de compliance, de modo a evitar certas
associações.)
Em 7 de abril de 2025, o escritório de Flávio
emitiria duas notas fiscais – ambas de R$ 500 mil – para a consultoria
Copenhagen, criada em novembro de 2024 e que, já em dezembro, receberia R$ 11,2
milhões do Master. Seriam outros R$ 46,6 milhões em 25. Empresa pertencente ao
fundo Estônia, da Trustee DTVM, gestora apontada como custodiante de ativos de
Vorcaro.
Flávio disse que não quis trabalhar para a
Copenhagen. Emitiu notas para empresa com a qual não quis trabalhar. As notas
foram canceladas no próprio dia 7 e em 9 de abril, quando uma terceira – também
de R$ 500 mil – seria emitida, para a Contábil Corrêa, e nunca cancelada. O
senador lhe prestou os serviços, não sabidos quais, tampouco se sob
formalização de contrato e com procurações.
A Contábil Corrêa, que não recebeu recursos
do Master, é de Rogério Lourenço Novo, aquele outrora investigado por
suspostamente operar esquema de notas fiscais falsas de CNPJs de fachada –
sujeito que, em setembro de 25, tornar-se-ia diretor da Copenhagen, que
recebeu, entre 24 e 25, R$ 57,8 milhões do Master.
A título de curiosidade: o balé das notas de
R$ 500 mil, em abril de 2025, está contido no intervalo – entre fevereiro e
maio de 25 – em que Vorcaro remeteria os R$ 10,6 milhões para Dark Horse.
Deflagrada a investigação sobre as transações cinematográficas entre os Bolsonaro e a teia vorcárica, somente a porção concernente às relações entre Vorcaro e ministros do Supremo – Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Nunes Marques – não é investigada. Não será. O gilmarmendismo já mandou fechar o estreito de ormuz. Virão as nulidades. E Flávio – cavalo manco – pode falar nada a respeito.

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