Mariátegui viajou em 1919 para a Itália, onde permaneceu por quatro anos, assistindo à ascensão do fascismo no país. Lá, tornou-se amigo pessoal do ativista e pensador comunista Antonio Gramsci, preso depois por mais de dez anos pelos fascistas. O escritor francês Henri Barbusse e o escritor russo Máximo Gorki também se tornaram seus amigos nesse período.
De volta à sua terra, já casado com uma
italiana, Anna Chiappe, Mariátegui estabelece contato com um “agitador índio”
de Puno, Ezequiel Urviola. A partir daí, ele passa a trabalhar, no interior
do Grupo Ressurgimiento, composto por trabalhadores manuais e
intelectuais, pelo chamado indigenismo, considerando desde então a questão
indígena como “o problema de base do Peru”. Em particular, José Carlos
Mariátegui se interessa pela problemática da terra indígena, centrada nas ayllus ou
comunidades. Na sua compreensão, a terra indígena possui uma dimensão
econômica, mas também espiritual e cultural.
Mariátegui fundou, em 1928, o Partido
Socialista Peruano, integrando-o à II Internacional Comunista criada por Lenin
e seus companheiros logo após a Revolução Russa de 1917. Apesar de ser o
secretário geral do Partido, ele era um marxista heterodoxo, por assim dizer.
Em que sentido? Por uma razão: Mariátegui procurou incorporar o marxismo à
realidade latino-americana, isto é, às suas particularidades históricas e,
mesmo, étnicas. Mas era um homem disciplinado: “os intelectuais de verdadeira
filiação revolucionária”, escreveu ele, “não têm mais remédio que aceitar um posto
em uma ação coletiva.” Em 1929, organizou a combativa Central Geral dos
Trabalhadores do Peru. Um ano depois, Mariátegui faleceu em consequência de uma
grave infecção, contraída ainda na infância. Encarcerado em 1924 e em 1927 pelo
governo do Peru, ele foi o fundador da revista Amauta (sábio, em
quíchua), que circulou entre 1926 e 1930.
José Carlos Mariátegui teve suas obras
completas reunidas em 1959, com destaque para os estudos políticos, econômicos
e educacionais. Seu principal livro talvez tenha sido Sete ensaios de
interpretação da realidade peruana.
*Ivan Alves Filho, historiador

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