domingo, 6 de setembro de 2026

Um morto-vivo na eleição do Rio, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Cláudio Castro se lambuzava em caviar enquanto estado era rapinado, indica PF

Um fantasma ronda a disputa pelo Palácio Guanabara: o fantasma de Cláudio Castro. O ex-governador virou um morto-vivo na política fluminense. Os aliados fingem não conhecê-lo, e os rivais apostam nele como anticabo eleitoral.

O candidato do PL, Douglas Ruas, esconde o antigo chefe da propaganda partidária. Na TV, ele é apenas um caminhante solitário que esbraveja contra o “Rio da novela” e repete que “a gente não criou esses problemas”. Quem terá criado?

Os bolsonaristas que concorrem ao Senado também fazem ginástica para se distanciar do ex-governador. “Nunca fui aliado de Castro”, diz Carlos Jordy. “Não preciso defender o legado dos outros. Cada um tem seu CPF”, emenda Carlos Portinho.

Castro não cai no ostracismo completo porque há quem insista em lembrá-lo no horário eleitoral. O candidato do PSD, Eduardo Paes, tem explorado vídeos em que o ex-governador chama Ruas de “amigo” e “irmão”.

Faz com o adversário o que fizeram com ele em 2018, quando seu ex-padrinho Sérgio Cabral cumpria pena em Bangu 8 e estrelava a propaganda de Wilson Witzel.

Na quinta-feira, Castro voltou a um lugar que já conhece bem: as páginas policiais. Um novo relatório da PF expôs sua intimidade com Ricardo Magro, considerado o maior sonegador do país. A amizade era nutrida por mordomias e viagens ao exterior. “Aqui vc tem um amigo”, derramou-se o então governador em 2025, após boca-livre em Nova York custeada pelo dono da Refit.

A PF afirma que Castro “direcionou todos os esforços de sua máquina pública” em favor de Magro. Teria mobilizado duas secretarias, a Procuradoria-Geral do Estado e a Polícia Civil para proteger o comparsa, que está foragido nos EUA e deve R$ 9,4 bilhões ao estado.

A investigação ainda identificou um advogado suspeito de atuar como laranja de Castro. Como um larápio de chanchada, o ex-governador esvaziou os cofres e se lambuzou de caviar. Numa só tacada, torrou R$ 10.500 em ovas de esturjão.

A iguaria foi paga por uma empresa em nome do laranja. “Caviar é comida de rico / Curioso fico, só sei que se come”, ensina o samba gravado por Zeca Pagodinho. A composição de Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz é mais conhecida pelo refrão: “Você sabe o que é caviar? / Nunca vi, nem comi / Eu só ouço falar”.

É o que os velhos aliados dizem hoje de Castro.

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Apertem os cintos

Edson Fachin está prestes a entrar na segunda metade de seu biênio na presidência do Supremo. Em setembro de 2027, terá que passar a cadeira ao ministro mais antigo dos que ainda não a ocuparam.

Pela ordem atual do rodízio, seria a vez de Alexandre de Moraes. Se ele não estiver mais na Corte, assume o ministro Kassio Nunes Marques, tendo como sucessor André Mendonça.

Num cenário de vitória de Flávio Bolsonaro, o novo governo conviverá com um novo Supremo, dirigido pelos dois ministros indicados pelo pai do presidente.

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