O Globo
Cláudio Castro se lambuzava em caviar
enquanto estado era rapinado, indica PF
Um fantasma ronda a disputa pelo Palácio
Guanabara: o fantasma de Cláudio
Castro. O ex-governador virou um morto-vivo na política fluminense.
Os aliados fingem não conhecê-lo, e os rivais apostam nele como anticabo
eleitoral.
O candidato do PL, Douglas Ruas,
esconde o antigo chefe da propaganda partidária. Na TV, ele é apenas um
caminhante solitário que esbraveja contra o “Rio da novela” e repete que “a
gente não criou esses problemas”. Quem terá criado?
Os bolsonaristas que concorrem ao Senado também fazem ginástica para se distanciar do ex-governador. “Nunca fui aliado de Castro”, diz Carlos Jordy. “Não preciso defender o legado dos outros. Cada um tem seu CPF”, emenda Carlos Portinho.
Castro não cai no ostracismo completo porque
há quem insista em lembrá-lo no horário eleitoral. O candidato do PSD, Eduardo Paes,
tem explorado vídeos em que o ex-governador chama Ruas de “amigo” e “irmão”.
Faz com o adversário o que fizeram com ele em
2018, quando seu ex-padrinho Sérgio Cabral cumpria pena em Bangu 8 e estrelava
a propaganda de Wilson Witzel.
Na quinta-feira, Castro voltou a um lugar que
já conhece bem: as páginas policiais. Um novo relatório da PF expôs sua
intimidade com Ricardo Magro, considerado o maior sonegador do país. A amizade
era nutrida por mordomias e viagens ao exterior. “Aqui vc tem um amigo”,
derramou-se o então governador em 2025, após boca-livre em Nova York custeada
pelo dono da Refit.
A PF afirma que Castro “direcionou todos os
esforços de sua máquina pública” em favor de Magro. Teria mobilizado duas
secretarias, a Procuradoria-Geral do Estado e a Polícia Civil para proteger o
comparsa, que está foragido nos EUA e deve R$ 9,4 bilhões ao estado.
A investigação ainda identificou um advogado
suspeito de atuar como laranja de Castro. Como um larápio de chanchada, o
ex-governador esvaziou os cofres e se lambuzou de caviar. Numa só tacada,
torrou R$ 10.500 em ovas de esturjão.
A iguaria foi paga por uma empresa em nome do
laranja. “Caviar é comida de rico / Curioso fico, só sei que se come”, ensina o
samba gravado por Zeca Pagodinho. A composição de Barbeirinho do Jacarezinho,
Luiz Grande e Marquinhos Diniz é mais conhecida pelo refrão: “Você sabe o que é
caviar? / Nunca vi, nem comi / Eu só ouço falar”.
É o que os velhos aliados dizem hoje de
Castro.
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Apertem os cintos
Edson Fachin está
prestes a entrar na segunda metade de seu biênio na presidência do Supremo. Em
setembro de 2027, terá que passar a cadeira ao ministro mais antigo dos que
ainda não a ocuparam.
Pela ordem atual do rodízio, seria a vez
de Alexandre de
Moraes. Se ele não estiver mais na Corte, assume o ministro Kassio
Nunes Marques, tendo como sucessor André
Mendonça.
Num cenário de vitória de Flávio Bolsonaro, o novo governo conviverá com um novo Supremo, dirigido pelos dois ministros indicados pelo pai do presidente.

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