sexta-feira, 12 de abril de 2013

Oposição precisa estar unida em 2014 se quiser derrotar o PT, diz Caiado

Segundo Caiado, há necessidade de os partidos de oposição ampliarem o leque de apoios e deixarem a "vaidade" de lado

Por: Fábio Matos

Em pronunciamento durante a cerimônia de abertura da Conferência Política Nacional do PPS, nesta quinta-feira, no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), defendeu a união das oposições em torno de um projeto comum que derrote o governo do PT nas eleições presidenciais de 2014.

Segundo Caiado, há necessidade de os partidos de oposição ampliarem o leque de apoios e deixarem a “vaidade” de lado. “Se nós, da oposição, não nos entendermos e não deixarmos a vaidade de lado, defendendo uma tese única, tendo a condição de ampliar o nosso leque de alianças, nós não conseguiremos chegar lá”, alertou o parlamentar.

O líder do DEM começou seu discurso brincando com o público que acompanhava a abertura dos trabalhos da conferência “A Esquerda Democrática Pensa o Brasil” e elogiou a postura do PPS no Congresso. “Muitos de vocês podem estranhar o que o DEM está fazendo nesse fórum do PPS. Ao contrário: tenho que reconhecer que, neste momento, o PPS tem sido um sustentáculo da democracia no Parlamento brasileiro”, afirmou Caiado.

O deputado citou a escalada da inflação como um dos graves problemas enfrentados pelo país sob o governo Dilma Rousseff. “Estamos com uma inflação de 150% na farinha de mandioca no último ano. Onde vai parar isso?", questionou.

Fonte: Portal do PPS

A busca da alternativa - Merval Pereira

Por enquanto, a razão não consegue dominar a emoção dentro do PSDB, pelo menos na facção tucana paulista que ainda não se conforma com a candidatura do mineiro Aécio Neves à Presidência da República, depois de uma série de seis candidaturas paulistas com quatro candidatos: Mario Covas, Fernando Henrique, José Serra e Geraldo Alckmin. A dor de coluna de Serra é seletiva, o impediu de comparecer na mesma sessão do seminário do PPS em que o senador Aécio Neves estaria presente, mas tudo indica que dará trégua hoje, quando está previsto um pronunciamento seu.

Esse foi mais um exemplo claro da desunião partidária já criticada publicamente pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas desta vez há esperanças de que ela seja superada pelo espírito de sobrevivência dos tucanos, que já teriam entendido que não têm nenhuma chance de disputar a volta ao poder central se continuarem sem aproveitar o fato de que nos dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas Gerais, têm força partidária que poderia alavancar a candidatura tucana.

Num discurso em que pela primeira vez assumiu sua candidatura à Presidência da República em 2014, Aécio Neves dirigiu sua voz à união das oposições, num terreno em que um aliado quase automático como o PPS agora pretende servir de trampolim para reforçar a oposição ao governo petista, mas não necessariamente apoiando o PSDB no primeiro turno.

Esses primeiros movimentos da oposição se tornaram mais efetivos com a possibilidade, cada vez mais concreta, de o governador de Pernambuco Eduardo Campos sair candidato à Presidência da República pelo PSB. Embora não tenha querido afrontar o governo tão diretamente participando do seminário do PPS, Campos enviou seu líder Beto Albuquerque que, além do discurso oposicionista, deu uma indicação de como as forças podem estar juntas em um eventual segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff.

Ele criticou duramente a tentativa do PT e PMDB de aprovar uma legislação que dificultaria a criação de novos partidos, denunciando que essa manobra, que não deu resultado num primeiro momento, tem o objetivo de impedir que Marina Silva consiga formar seu partido Rede, com o qual pretende concorrer à eleição presidencial.

A manobra governista foi impedida por uma ação conjunta de PSDB, PSB e mesmo de partidos da base aliada, que se incomodam com a hegemonia dos dois partidos maiores na aliança governista.

A solidariedade oposicionista está sendo construída com muita dificuldade, pois há diferenças entre os partidos que precisam ser superadas, e algumas dificilmente o serão. A própria Marina não aceitou participar do seminário do PPS, embora a sigla já lhe tenha sido oferecida como abrigo caso não consiga viabilizar a Rede.

Há também diferenças conceituais importantes entre o PSB e a visão de Marina sobre o meio ambiente que terão que ser superadas para que os dois possam estar unidos num eventual segundo turno. Seria mais fácil, no entanto, para Marina fazer um acordo com o PSDB agora que o candidato será Aécio Neves, ao contrário do que aconteceu em 2010, quando Marina não apoiou Serra no segundo turno, permanecendo neutra.

Paradoxalmente, o governo, ao iniciar a campanha eleitoral mais cedo, prestou um serviço à oposição, que terá mais tempo para resolver seus problemas internos antes de se lançar à disputa. Esse foi o sentido do discurso de Aécio Neves ontem no seminário do PPS, e o do próprio seminário, que pretendia representar o pensamento de uma nova esquerda diante do que seria o fim de um ciclo político liderado pelo PT.

Mas a oposição só conseguirá decretar o fim do ciclo petista se, além de se unir, convencer o eleitorado de que tem um projeto alternativo melhor, o que ainda está para ser apresentado.

Os pontos-chave

1 A ausência de Serra no dia em que Aécio falaria no seminário do PPS foi mais um exemplo claro da desunião partidária já criticada publicamente pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas dessa vez há esperanças de que ela seja superada pelo espírito de sobrevivência dos tucanos

2 A solidariedade oposicionista está sendo construída com muita dificuldade, pois há diferenças entre os partidos que precisam ser superadas, e algumas dificilmente o serão. A própria Marina não aceitou participar do seminário do PPS, embora a sigla já lhe tenha sido oferecida como abrigo caso não consiga viabilizar a REDE

3 Paradoxalmente, o governo, ao iniciar a campanha eleitoral mais cedo, prestou um serviço à oposição, que terá mais tempo para resolver seus problemas internos antes de se lançar à disputa

Fonte: O Globo

Tudo de tudo - Eliane Cantanhêde

De um analista de poder: "Um problema da Dilma é que ela acha que sabe tudo de tudo, mas o pior é que a Dilma acha que só ela sabe tudo de tudo".

O autor do diagnóstico é do setor elétrico, área que alavancou a carreira política de Dilma: o seu cargo no governo gaúcho, o ministério no governo Lula e, enfim, a candidatura à Presidência. Mas o diagnóstico não é só para o setor elétrico, vale para "tudo de tudo", como ele frisou. E tem sido um complicador, particularmente, na gestão da economia.

O Brasil vive a curiosa situação de crescimento raquítico, com investimentos e indústria em baixa, ao lado de níveis pujantes de emprego e inflação preocupante. Com a palavra, o Banco Central, certo? Não, errado.

Da mesma forma com que Dilma jura dar prioridade ao combate à inflação, mas os seus quatro anos de governo registrarão índices sempre acima do centro da meta, ela jura dar autonomia ao BC, mas há controvérsia. Ao se reunir com três grandes economistas a uma semana do Copom (que define a taxa Selic no BC), ela sinaliza que quem decide é ela. Se vai seguir o que os convidados disseram, são outros quinhentos.

Dilma investe em pronunciamentos impecáveis pela TV para guerrear contra os juros altos e anunciar ora a redução da conta de luz, ora preços menores para a cesta básica. Não é fácil agora, politicamente, justificar aumento de juros, explicar quem afinal financia a luz mais barata e admitir que os produtos da cesta básica não caíram tanto assim.

Como presidente, Dilma capitaneou ao máximo as quedas de juros. Como candidata, vai engolir um recuo. E agora, José? Ou e agora, João Santana? Camila Pitanga, que comemorava a queda dos juros na CEF, sumiu. Mas ninguém esqueceu.

O BC, o mercado, os economistas e os acadêmicos sabem que não há alternativa: é subir os juros ou subir os juros, maior rigor fiscal ou maior rigor fiscal. Mas... é a Dilma que sabe tudo de tudo, certo?

Fonte: Folha de S. Paulo

Aécio, fase dois - Denise Rothenburg

Pré-candidato pelo PSDB contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves fez ontem seus lances mais ousados até o momento. Para quem não acompanhou o seminário do PPS, vale lembrar que ele não só se apresentou como pré-candidato de oposição como anunciou que, no próximo dia 19, assumirá a presidência do PSDB. Tudo isso, entretanto, teve um único motivo: se posicionar antes que os outros pré-candidatos ganhem mais terreno do que ele, que sai de Minas Gerais com um caminhão de votos, mas precisa de aliados para conquistar uma vaga no segundo turno de 2014 contra a favorita Dilma.

Até o momento, Aécio se mantinha fechado em São Paulo, tentando conquistar o próprio partido. Se a pré-campanha presidencial fosse um videogame, poderíamos dizer que Aécio dedicou o primeiro trimestre inteiro apenas na fase um, ou seja, atrás do PSDB paulista. Ele ultrapassou essa fase ao garantir o apoio dos deputados estaduais e de grande parte dos prefeitos e vereadores ligados ao governador Geraldo Alckmin. Mas ainda assim deixou algumas valiosas moedas escaparem.

Uma moeda preciosa que ainda está à solta e que pode ser recuperada na fase dois é o palanque único de Geraldo. No momento, como já dissemos aqui, o governador de São Paulo negocia a candidatura a vice-governador com o PSB de Eduardo Campos. Fechado o acordo, Aécio e Eduardo estarão dividindo o mesmo palanque em São Paulo.

A outra moeda que lhe escorre é o ex-candidato José Serra. O colega tucano alegou um problema no ciático para não comparecer à abertura do seminário do PPS ontem. Promete passar por lá ainda hoje. Serra, entretanto, está cada vez mais isolado dentro do PSDB e, se sair do partido, dificilmente levará um grande contingente consigo. Ou seja, é preparado, inteligente, tem bons projetos, mas seu colchão político se mostra cada vez mais estreito. Para boa parte do PSDB, só o fato de Serra não conseguir levar muitos correligionários com ele se optar por sair do partido já é considerado bom para Aécio.

Enquanto isso, na próxima fase...

Com São Paulo equacionado, mas nem tanto, Aécio partiu ontem para tentar conquistar aliados. Começou na convenção do PP, pela manhã, no Auditório Petrônio Portela, no Senado. Embora o PP tenha recebido muito bem o pré-candidato tucano, a figura do novo presidente do partido sinaliza a vontade de seguir com Dilma Rousseff. Não há nada fechado ainda, mas vale lembrar que o novo presidente da legenda, Ciro Nogueira, é aliado do PT no Piauí, onde se elegeu senador. E, para completar, não deseja que a sigla fique longe do Ministério das Cidades.

O PP sente saudades de vários cargos que tinha no governo Lula. Nos bastidores, seus parlamentares lembravam com nostalgia ontem das secretarias no Ministério da Saúde, uma diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no gasoduto Brasil-Bolívia, na Cia. Brasileira de Trens Urbanos, diretoria da Petrobras... Hoje, restou o Ministério das Cidades e, ainda assim, dividido com o PT. Hoje, é bem capaz que o PP vá pedir alguns desses cargos de volta para seguir com Dilma em 2014. E, se ela não ceder, o partido pode perfeitamente buscar outro rumo, se sentir viabilidade em algum outro projeto que não a reeleição da presidente. É esse rebote que Aécio pretende pegar.

E no PPS...

O mesmo não vale para conquistar o PPS. Ali, o discurso de Aécio foi no sentido de lembrar a unidade com o presidente Itamar Franco, eleito senador pelo PPS em Minas Gerais em parceria com o senador tucano. Não faltaram ainda lembranças dos tempos em que o presidente do PPS, Roberto Freire, então líder do governo Itamar, foi fundamental para aprovar o Plano Real no Congresso.

O gesto de carinho vem justamente num momento em que Freire começa a se aproximar do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, e a pensar em fusão com o PMN, abrindo as portas para José Serra. Em breve, Aécio fará algo semelhante para o DEM. A ordem agora, nessa fase, é conquistar aliados antes que Eduardo Campos o faça ou que Serra encontre algum fôlego para correr por fora do PSDB. Ontem, por exemplo, o PSB esteve no evento do PPS representado pelo líder do partido na Câmara, deputado Beto Albuquerque (RS), que também deu o recado, ao dizer que o melhor é ter um projeto para, depois, ver quem será melhor para representar esse projeto enquanto candidato.

O apoio do PPS e do DEM são moedas que Aécio pretende levar para a fase três contra o PT de Dilma. A ideia é fechar a oposição, para depois percorrer a base governista. Ainda tem muito jogo pela frente.

Fonte: Correio Braziliense

Ponta do iceberg - Dora Kramer

O Tribunal Superior Eleitoral tocou de leve, mas não foi ao cerne do problema da representatividade quando decidiu redistribuir as vagas de deputados na Câmara, alterando as bancadas de 13 dos 27 estados.

E qual é a questão de fundo? A absoluta desproporcionalidade que existe hoje e faz, por exemplo, São Paulo ter um deputado para cada 585 mil habitantes e, no outro extremo, Roraima contar com um representante para cada 51 mil habitantes. Pela Constituição, há o "piso" de oito e o "teto" de 70 deputados por unidade da federação.

Na opinião do cientista político José Álvaro Moisés, esse desequilíbrio "reduz a eficácia da representação e afeta a qualidade da democracia".

Segundo ele, não há uma solução fácil, até porque simplesmente aumentar ou reduzir a quantidade de cadeiras levando em conta o dado numérico poderia criar um problema "ao inverso": a concentração excessiva de representantes dos estados mais populosos em detrimento dos restantes.

"É difícil de resolver, mas uma hora essa desproporção terá de ser corrigida, pois tem efeito negativo sobre a legitimidade do sistema representativo", diz.

Verdade que nem seria o caso de o TSE ir mais fundo nesse assunto no exame de um pedido do Amazonas que, com oito deputados federais, considera-se sub-representado em relação a estados com população menor mas com direito a maior número de parlamentares.

Mas, quando, e se, o tema for levado ao Supremo Tribunal Federal é provável que esse iceberg, do qual nesse momento só se enxerga a ponta, venha à tona e suscite a discussão sobre o desequilíbrio. Tanto que os presidentes da Câmara e do Senado reagiram muito comedidamente, dizendo-se preocupados em examinar se é mesmo o caso de ir ao Supremo.

Em julgamento controverso, pois alguns ministros – entre eles a presidente do tribunal, Cármen Lúcia – entendiam que a mudança só poderia ser feita pelo Congresso, a decisão se baseou em lei que estabelece os dados populacionais do IBGE como critério para a distribuição das cadeiras na Câmara.

Preservado o direito dos que perderam ao protesto, as alterações são irrelevantes, principalmente se confrontadas com o tamanho do problema antiquíssimo e muito mais profundo que assola a proporcionalidade na representação parlamentar.

Dos 13 atingidos, oito estados perderam um ou dois deputados cada um e cinco ganharam também entre um e dois representantes, à exceção do Pará que a partir de 2014 terá direito a mais quatro vagas.

Enquanto isso, persiste uma enorme distorção que ninguém enfrenta e à qual nem sequer presta atenção.

Via-sacra. Com a certeza de que fala em nome de colegas que vivem o mesmo, um ministro qualifica como verdadeiro suplício o cerco que juízes fazem a autoridades atrás de apoio político para obter promoções.

"Os mais sóbrios levam o currículo e os mais despachados juram amor eterno." Mal sabem, relata ele, que a investida é inútil, pois os pleitos não são levados adiante.

Entre outros motivos porque, para assuntos de Judiciário, a presidente Dilma Rousseff só ouve duas pessoas na equipe ministerial: o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams.

Fatura. Na hipótese de ter sido absolvido pelo ministro Luiz Fux, será que José Dirceu o acusaria de tê-lo "assediado moralmente" com a promessa de absolvição em busca de apoio para a nomeação ao Supremo Tribunal Federal?

Se o problema de fato não fosse a posição de Fux no julgamento do mensalão, condenação à conduta (no mínimo inadequada) do então candidato ao STF teria sido feita à época do assédio. Ainda que internamente no governo.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Fevereiro magro - Míriam Leitão

A queda das vendas do comércio em fevereiro mostra que não se pode subestimar o efeito da inflação sobre o nível de atividade. Os economistas de mercado previam alta em torno de 1,5%. Houve retração de 0,4%. Foi uma surpresa, mas ao mesmo tempo já se sabe que assim é a economia: a inflação reduz capacidade de compra e afeta a atividade.

Por isso é tão ultrapassada a ideia de que não podem ser usadas políticas anti-inflacionárias que derrubem o crescimento. A inflação, por si só, derruba. No dado de ontem, o setor de supermercados caiu 1% em relação a janeiro e 2,1% sobre fevereiro de 2012, e o principal motivo é a inflação de alimentos. Na indústria, o mês de fevereiro foi de queda forte, -2,5%.

O Banco Central divulga hoje seu indicador de atividade, IBC-Br, e o número deve vir negativo, revertendo a alta de janeiro e confirmando assim o fevereiro magro. O primeiro mês do ano foi bom, e o segundo, ruim. Os economistas esperam que março seja positivo e o PIB do primeiro trimestre termine com um crescimento em torno de 1%, o que seria um ótimo resultado.

A grande dificuldade será manter essa taxa nos trimestres seguintes, para garantir um PIB acima de 3%, que compense o fraco desempenho de 2012. Nos dois primeiros meses do ano, houve aumento de bens de capital puxado por eventos bem específicos: venda de caminhões e de colheitadeiras, por causa da supersafra. Isso não deve ser repetir ao longo do ano.

O economista da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, Roque Pellizzaro Júnior, diz que há fatores conjunturais e outros estruturais para explicar o desempenho mais fraco do varejo em fevereiro. Este ano, houve reajuste menor do salário mínimo, a inflação está elevada, assim como a inadimplência e o endividamento das famílias. Essas são dificuldades que vão nos acompanhar ao longo do ano. Por outro lado, houve fatores momentâneos, como venda menor de bebidas no carnaval e antecipação de compras de eletrodomésticos, em dezembro, com a ameaça de aumento do IPI.

- A inflação é uma doença crônica, que a gente no início não nota, mas que vai pouco a pouco incomodando. De repente, quando menos se espera, causa um problema mais sério - disse.

É que, além de afetar diretamente na perda da capacidade de compra, a inflação vai elevando o medo do consumidor de se comprometer com novos gastos e faltar para o essencial. Isso é que é perigoso numa conjuntura como a atual.

O Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco avaliou que o consumo das famílias neste início de ano foi mais fraco que o esperado porque a renda cresceu menos, houve desempenho menos favorável do mercado de trabalho e a inflação dos alimentos foi forte. O banco previa alta de 1,5% do comércio no mês. A mediana do mercado era de 1,6%. Deu queda de 0,4%.

A Abrasce prevê abertura de 45 novos shoppings este ano e isso deve garantir um crescimento da receita de 13%. Haverá mais lojas em funcionamento. A superintendente da entidade, Adriana Colloca, explica que os shoppings se diferenciam do resto do varejo porque também oferecem serviços:

- No bimestre, tivemos crescimento de 3,4%, com alta de 10% nos 12 meses até fevereiro. Como os shoppings, além de lojas, também oferecem serviços de vários tipos, uma coisa acaba compensando a outra.

O economista-chefe da CNC, Calor Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central, também culpa a inflação pela queda do comércio em fevereiro, pelo seu impacto sobre o setor de supermercados. Ele defende elevação da taxa de juros para combater a alta dos preços e restabelecer a confiança na economia.

Mas o dilema do BC será como subir os juros com indústria e varejo em queda.

Fonte: O Globo

Fim de ciclo - Celso Ming

O ciclo de desaperto monetário do governo Dilma produziu, desde agosto de 2011, uma baixa nos juros básicos de 5,25 pontos porcentuais ao ano, de 12,50% para 7,25% ao ano, mas não conseguiu nem empurrar o PIB nem conter a inflação.

Em outras palavras, essa política monetária relativamente mais frouxa não se mostrou compatível com um quadro geral que inclui (1) uma política fiscal (gastos do governo federal) também frouxa, que, somente em desonerações tributárias, perderá R$ 70 bilhões neste ano; (2) um mercado de trabalho excessivamente aquecido, que puxa os reajustes salariais e, portanto, os custos das empresas, para acima do aumento da produtividade do trabalho; e (3) a pouco mudada propensão da economia a corrigir todos os preços pela inflação passada (realimentação da inflação).

Mais do que isso, a tolerância com que o governo Dilma e o Banco Central trataram até aqui a inflação acirrou os desequilíbrios e as distorções da economia. O outro preço importante do dinheiro, o da moeda estrangeira, por exemplo, também está sendo corroído pela inflação. E o que conta, a gente sabe, não é o câmbio nominal; é, sim, o câmbio real (descontada a inflação).

O Banco Central perdeu credibilidade nos últimos 18 meses e já não se mostra capaz de conduzir, como antes, as expectativas dos marcadores de preços – o que é limitação grave quando o sistema em vigor é o de metas de inflação. Não é verdade que a última palavra sobre juros é dada pelo Banco Central, como vem sendo dito reiteradas vezes por algumas autoridades. Não foi assim até aqui. Até certos desmentidos do Banco Central são feitos por encomenda superior. As projeções sobre a evolução do IPCA têm sido comunicadas "por baixo", como se o Banco Central não se dispusesse a ver as coisas com as formas e as cores que realmente têm. Ou então, como se não se dispusesse a repassar à sociedade e às forças do mercado as formas e as cores que de fato vê.

Parece claro que o impacto da inflação ganhou decisiva dimensão política, especialmente quando se leva em conta que o governo Dilma será tanto mais cobrado quanto mais se aproximarem as eleições de 2014.

De todo modo, essa nova dimensão política da inflação pode ser a chave da mudança da postura do Banco Central. Até agora, limitou-se a comunicar certo desconforto com a alta de preços e a manter uma atitude de cautela em relação a ela.

A partir do que pode ser aferido a partir dos comunicados do Banco Central, os planos eram de não mexer nos juros no dia 16 (próxima reunião do Copom) e deixar para agir, se fosse o caso, só dia 29 de maio. Mas, dada a cobrança da sociedade, fica difícil não acionar o contra-ataque já em abril. De mais a mais, se é para soltar a corda da guilhotina, por que não agora? Se não por outra razão, pelo menos para obter um resultado mais rápido...

É bom ter em conta que, mesmo se vier essa pancada nos juros, as causas da inflação não estarão sendo atacadas. O melhor que o governo poderia fazer seria puxar o breque nas contas públicas, sem medo de derrubar ainda mais o PIB, e concentrar os esforços nos investimentos em infraestrutura.

Assim foi a evolução das vendas do comércio varejista entre agosto de 2012 e fevereiro deste ano.

Consequências. A queda das vendas do varejo em fevereiro, de 0,4% em relação às do mês anterior, ainda não pode ser tomada como virada da tendência do consumo. Mas sugere que a inflação começa a corroer o poder aquisitivo. De um lado, esse efeito tenderá a provocar uma atitude mais conservadora do consumidor. De outro, o encurtamento do orçamento tende a reduzir a capacidade de endividamento e a puxar a inadimplência.

Fonte: O Estado de S. Paulo

"Russian Philharmonic - Bachiana Nº 5 - Heitor Villa Lobos

Guernica – Murilo Mendes

Subsiste, Guernica, o exemplo macho,
Subsiste para sempre a honra castiça,
A jovem e antiga tradição do carvalho
Que descerra o pálio de diamante.

A força do teu coração desencadeado
Contactou os subterrâneos de Espanha.
E o mundo da lucidez a recebeu:
O ar voa incorporando-se teu nome.

In: MENDES, Murilo. Antologia poética. Sel. João Cabral de Melo Neto. Introd. José Guilherme Merquior. Rio de Janeiro: Fontana; Brasília: INL, 1976

quinta-feira, 11 de abril de 2013

OPINIÃO DO DIA – Gilvan Cavalcanti: objetivo primordial

Nosso problema é outro. Em primeiro lugar, reconhecer que derrotar o atual bloco governista não é coisa fácil. Poder-se-ia derrotá-lo estimulando várias opções, inclusive, evitando a polarização PSDB versus PT - opção preferencial do lulismo.

Teremos de usar nossa capacidade de formular a grande política. Um bom legado para fugir da armadilha é trabalhar na desagregação, na dissidência, no deslocamento de forças da própria coligação governamental para outro bloco não governamental, já no primeiro turno e assegurar a unidade desse novo bloco, também, no segundo turno.É uma das possibilidades de vitória eleitoral.

Só para puxar pela nossa memória: em outras circunstâncias históricas, enfrentamos o desespero do confronto, inclusive, armado, e conquistamos a democracia. Por isso o mais importante não é saber quem vamos apoiar. Mas, em construir uma vitória: substituir a atual coligação no governo e substituir por outra, compartilhada, comprometida com os valores democráticos e republicanos.

Gilvan Cavalcanti de Melo, editor do blog Democracia Política e novo Reformismo, 6/4/2013

Manchetes de alguns dos principais jornais do País

O GLOBO
Pressão no bolso: Inflação passa teto da meta e juro pode subir
Meia-volta: Senado aprova a 'desaposentadoria'
Maracanã: Liminar suspende a privatização

FOLHA DE S. PAULO
Inflação estoura meta, e governo prevê juro maior
Não polemizo com réu, diz Fux sobre fala de José Dirceu
Prefeitura de SP pede doação de TVs para vigiar trânsito
Consumo elevado de álcool sobe 24% entre as mulheres
Aposentado que trabalha deve ter mais benefícios

O ESTADO DE S. PAULO
Inflação passa meta e cresce pressão por alta de juros
Senado aprova projeto para nova aposentadoria
Em 1 mês, nenhum projeto aprovado
Uso abusivo de álcool cresce 36% entre as mulheres
Em inserções na TV, Campos faz críticas ao governo Dilma
Justiça bloqueia bens da Eucatex, de Maluf

VALOR ECONÔMICO
Disputa de patentes no país atinge montadoras chinesas
Inflação bate teto e serviços recuam
BNDES aprova créditos de R$ 562 mi ao Boticário
Dirceu vai pedir revisão criminal

BRASIL ECONÔMICO
Governo não dá prazo para o fim do uso intensivo das termelétricas
“Petrobras tem opções além do Porto de Açu”
Desconfiança de investidor no Brasil volta a crescer
Chesf e Furnas ficarão de fora do leilão de transmissão em maio
Mantega diz que não vai poupar esforços para conter a inflação
Indústria pede a prorrogação do benefício fiscal aos exportadores

ESTADO DE MINAS
O sopro do dragão
Desaposentadoria: Comissão do Senado aprova a revisão do benefício
Congresso: Feliciano volta a fechar sessão após protestos

O TEMPO (MG)
PBH já gastou R$ 330 milhões sem sucesso na Pampulha
Betim e Ibirit? querem que Petrobras compense perdas
Aécio acusa lógica da reeleição
Preços de itens da cesta sobem até 38%

CORREIO BRAZILIENSE
A cidade perplexa com mais um crime bárbaro
O dragão volta a assombrar o Brasil
Direitos humanos, portas fechadas
Doações terão imposto menor

GAZETA DO POVO (PR)
Senado aprova projeto que prevê a “desaposentadoria”
Congresso quer manter número de deputados
Cebola supera o tomate e inflação estoura a meta
Entidades internacionais condenam proposta que tira investigação do MP
Nível de alerta chega ao limite nas Coreias

ZERO HORA (RS)
Mulheres bebem cada vez mais e com maior frequência
A inflação rompeu o teto
América Latina: A China entra na campanha venezuelana

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Geraldo admite fazer restrição de veículos
Pesquisa traz empate entre Dilma e Eduardo no Recife
Retorno dos aposentados ao mercado
Inflação acumulada em 12 meses estoura a meta do governo

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais do País

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Pressão no bolso: Inflação passa teto da meta e juro pode subir

Alimentos, etanol e empregado doméstico puxam reajuste de preços em março.

Em 12 meses, taxa oficial fica em 6,59%, e mercado aposta em alta da Selic na semana que vem.

Em março, o custo de vida subiu 0,47%, puxado pela alta de alimentos. Ficaram mais caros cebola, tomate, açaí, cenoura, feijão-carioca e batata-inglesa. Devido ao aumento do salário mínimo, o item empregado doméstico passou de 1,12% para 1,53%, na maior contribuição para o índice. Em 12 meses, o tomate subiu 122%. O custo de vida furou o teto da meta (6,5%) pela primeira vez desde novembro de 2011. Para os mais pobres, que ganham até cinco salários mínimos, a taxa foi ainda maior: 7,22%. O mercado aposta em alta de juros já na semana que vem.

Acima da meta

Inflação pelo IPCA sobe 0,47% em março, abaixo das previsões. Mas, em 12 meses, supera 6,5%

Clarice Spitz, Eliane Oliveira e Martha Beck

A inflação deu uma leve trégua em março. O IBGE informou ontem que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, usado nas metas de inflação do governo) ficou em 0,47%, abaixo do 0,60% registrado em fevereiro e inferior às projeções dos analistas do mercado, que previam uma alta de 0,50%. Mesmo assim, pela primeira vez desde novembro de 2011, o IPCA acumulado em 12 meses estourou o teto da meta de inflação perseguido pelo governo. O índice subiu 6,59% nesta conta - a meta de inflação do governo para este ano é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos para baixo e para cima, ou seja, no limite, até 6,5%.

No mês passado, os alimentos subiram 1,14% e tiveram o maior impacto na inflação, respondendo por mais de metade do índice (0,28 ponto percentual). Em 12 meses, acumulam alta de 13,48%. O grupo serviços, cujos preços têm subido devido ao mercado de trabalho aquecido, também tem pressionado a inflação e já registra alta de 8,37% nos últimos 12 meses. Em março, a alta dos serviços foi de 0,26%. O custo do empregado doméstico, que em fevereiro subiu 1,12%, teve aceleração, para1,53% no mês passado. Foi o maior impacto individual do mês, correspondendo a 0,06 ponto percentual do IPCA. Também ajudou a puxar a inflação a alta do etanol, de 3,55%.

BC pode adiar alta da selic

Enquanto alguns economistas viram no ligeiro recuo da inflação em março um alento que pode fazer o Banco Central (BC) adiar para maio uma elevação na taxa básica de juros Selic, outros apontam que o IPCA apresenta ainda um grande número de itens com elevação de preços. Em março, 69% dos produtos pesquisados pelo IBGE subiram. Em fevereiro, este índice de difusão havia sido de 72,3%. Para o estrategista chefe do Banco WestLB, Luciano Rostagno, a inflação permanece em patamar ainda elevado.

- Já são três anos de inflação muito acima dos centro da meta, apesar das desonerações que temos visto. O brasileiro está voltando a internalizar um cenário de inflação mais elevada e isso leva a reajustes automáticos de preços e aumenta o esforço necessário para o Banco Central levar a inflação para o centro da meta. O BC tem de agir logo.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o governo não poupará esforços para combater a inflação. O recado foi dado pouco depois da divulgação do IPCA.

- Não pouparemos medidas para conter a inflação e impedir que ela se propague. Estamos atentos à inflação. Ela é prejudicial à economia brasileira. É prejudicial aos trabalhadores que pagam o produto mais caro, e aos empresários, que têm dificuldades em calcular custos e realizar os seus projetos - disse o ministro, após participar de reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI).

Perguntado se sua declaração estaria relacionada a uma elevação da taxa básica de juro pelo BC, desconversou:

- Não falo sobre juros. Os juros são da responsabilidade do Banco Central e, portanto, principalmente em véspera de Copom, o ministro da Fazenda não fala sobre isso.

Na mesma linha, o BC informou em nota que está observando o comportamento da inflação para decidir de que forma a política monetária será conduzida. Entre os elementos analisados estão não apenas o IPCA fechado, mas os núcleos de inflação e seu nível de disseminação pelos preços. A autoridade monetária não comentou o estouro do teto da meta de inflação provavelmente pela proximidade da reunião do Copom, que ocorrerá nos dias 16 e 17 de abril.

A perspectiva dos analistas é que o IPCA acumulado em 12 meses perca fôlego em abril e maio. Mas, em junho, o índice deve voltar a furar o teto da meta.

Empregado doméstico teve maior peso

No mercado financeiro, depois de as taxas futuras de juros terem recuado pela manhã, com o resultado do IPCA de março abaixo do esperado, esses contratos fecharam em alta. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho subiu para 7,28% ao ano, contra 7,25% registrados na terça-feira. O DI para janeiro de 2014 subiu de 7,86% para 7,89%, enquanto o de janeiro de 2015 foi de 8,46% para 8,47%. Pesou a avaliação de que a inflação continua disseminada. A taxa desses contratos indicam que o mercado está apostando numa alta de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião do Copom.

As principais altas dos alimentos em março ficaram com a cebola, que avançou 21,43% frente a fevereiro e que já sobe 76,46% em 12 meses. O feijão carioca avançou 9,08% em relação a março, a batata inglesa e o tomate registram alta de 6,14% frente ao mês anterior. Em 12 meses, o tomate registra alta de 122,13%, a segunda maior variação entre os alimentos e só perde para a farinha de mandioca, que subiu 151,39% na mesma base de comparação.

Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índice de Preços do IBGE, ainda não é possível sentir de maneira clara o efeito da desoneração da cesta básica.

- Algum efeito houve, mas é difícil de captar de maneira clara.

Sobre a alta no custo do empregado doméstico, Eulina, do IBGE, afirma que este aumento não tem relação com os novos direitos conquistados pelas domésticas, mas é consequência do aumento do salário mínimo e da redução da oferta de mão de obra nessa categoria. Em 12 meses, os empregados domésticos acumulam a principal alta entre os itens não alimentícios da inflação: 12%.

Entre as pressões esperadas para abril estão os preços administrados, como o reajuste do metrô no Rio, a elevação de ônibus urbanos em Curitiba e o aumento da taxa de água e esgoto em Recife e Curitiba. Os remédios, que tiveram reajuste em abril, também devem impactar o índice. Mas, segundo técnicos da equipe econômica, o cenário futuro é positivo. Isso porque, apesar de o IPCA estar acima de 6,5% no resultado fechado em 12 meses, o índice mensal está caindo. Além disso, os alimentos, considerados o atual vilão da inflação, devem ter uma queda de preços a partir dos próximos meses com a entrada de uma safra recorde no mercado.

Mesmo assim, o governo avalia que não dá para brincar com inflação e, por isso, medidas de combate à alta de preços sempre estão no radar. Além dos juros, fazem parte do arsenal reduções de impostos. Outra ajuda poderia vir da política fiscal por meio de um corte maior no Orçamento para segurar os gastos públicos.

Especialistas ouvidos pelo GLOBO não creem que o Copom elevará os juros na semana que vem. O resultado do IPCA de março mostrou que o índice está desacelerando e tem menor dispersão. Segundo o economista-chefe do ABC Brasil, Luís Otávio Leal, as projeções indicam que o IPCA de abril ficará em torno de 0,4%, trazendo o índice para a meta fixada para o ano:

- O número de abril foi importante pelo lado da dispersão. A inflação está menos disseminada.

Fonte: O Globo

Inflação passa meta e cresce pressão por alta de juros

Alta de preços acumulada em 12 meses atingiu 6,59% em março; alimentos e serviços foram responsáveis

A inflação acumulada em 12 meses medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 6,59% em março, a maior desde novembro de 2011, e superou o teto da meta do governo (6,5%). O indicador, divulgado ontem pelo IBGE, faz aumentar a pressão de economistas e do mercado por uma resposta do Banco Central, com a elevação da taxa básica de juros, atualmente em 7,25%. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcada para a semana que vem. Apesar disso, a alta de preços recuou em março, ficando em 0,47%, em relação a fevereiro (0,60%). Os alimentos foram os principais responsáveis pelo estouro da meta, respondendo por cerca de 50% da inflação em 12 meses. O índice também foi puxado pelo setor de serviços, que, com alta de 8,37%, tem quatro itens entre os dez de maior impacto: refeição fora de casa, aluguel residencial, cursos regulares e lanches fora de casa. No primeiro trimestre, só investimentos arrojados superaram a inflação.

Inflação estoura teto da meta e reforça aposta em uma alta dos juros em abril

A inflação acumulada em 12 meses estourou, em março, a meta do governo, aumentando a pressão de economistas e do mercado por uma resposta do Banco Central (BG), com a elevação na taxa básica de juros (hoje em 7,25%). O índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador utilizado na meta, atingiu 6,59% em 12 meses, a maior taxa desde novembro de 2011, informou ontem o IBGE.
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que decide a taxa de juros, será realizada na semana que vem.

O resultado do IPCA levou os investidores a elevarem suas apostas em uma alta na próxima reunião. Os negócios fechados na Bolsa de São Paulo indicam uma chance de 80% de uma alta. A alta seria de 0,25 ponto porcentual, elevando a taxa a 7,5% ao ano.

Para a economista Priscila Godoy, da Rosenberg & Associados, o BC será contraditório se não elevar a Selic após o IPCA acumulado superar o teto da meta. Outros economistas dizem que o BC está mais propenso a iniciar a alta em maio, como Silvia Matos, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/ FGV), e Solange Srour, do BNY MellonARX.

Os alimentos foram os principais responsáveis pelo estouro da meta, respondendo por cerca de 50% da inflação em 12 meses. O IPCA veio mais comportado em março, mas os produtos alimentícios ainda subiram de forma considerável no mês, apesar dos esforços do governo.

O efeito da desoneração de S itens da cesta básica, anunciada no início de março, ainda não pôde ser percebido com clareza, segundo Eulina dos Santos, coordenadora de índices de Preços do IBGE. "Algum efeito houve, no sentido de reduzir a taxa de crescimento em produtos específicos."

Outras contribuições para o alívio nos preços, segundo Eulina são as previsões de saíra recorde em 2013, com aumento da produção de soja e arroz, além da melhora nas condições climáticas nos EUA e Argentina.

Produtos beneficiados pela desoneração figuraram na lista de maiores quedas entre os alimentos: açúcar, carnes e óleo de soja. Porém, todos já tinham registrado deflação em fevereiro.

Segundo Eulina, os produtos estavam ficando mais baratos por outros fatores, como a entrada da safra, mas a desoneração pode ter ajudado os preços a recuarem mais. Entre os itens de higiene desonerados, apenas a pasta de dente ficou mais barata.

A conta de luz voltou a subir no mês, depois dos esforços do governo para cortar o valor da tarifa em 18%. Mas Eulina disse que a redução nos dois primeiros meses do ano ainda está segurando o IPCA.

"Os aumentos vieram sobre um preço mais baixo. Embora no IPCA de março tenha tido um impacto, as pessoas estão de fato pagando 18% menos.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Dilma já admite alta nos juros neste mês

Valdo Cruz, Sheila D'Amorim

BRASÍLIA - O Planalto já trabalha com a possibilidade de o Banco Central elevar os juros na próxima semana, apesar de fazer uma avaliação positiva da inflação oficial de março.
No mês passado, o IPCA avançou 0,47%, ante 0,60% em fevereiro.

Mesmo com o rompimento do teto da meta --o IPCA em 12 meses atingiu 6,59%--, assessores presidenciais ponderam que o BC poderia esperar mais para decidir se sobe o juro diante de sinais de que a inflação deve seguir em queda.

Dois motivos, porém, indicam que a alta da Selic pode acontecer já na reunião do Copom da semana que vem.

Em primeiro lugar, o BC precisa reforçar a credibilidade de seu discurso, que passou a sinalizar preocupação com a inflação desde janeiro.

A diretoria do BC também tem que mostrar que não é mais possível conviver com uma inflação rondando o teto da meta, de 6,5%, sob risco de estimular uma onda forte de indexação da economia.

Na avaliação de auxiliares de Dilma, o BC pode decidir agir imediatamente mais para, no curto prazo, influenciar na formação das expectativas sobre a inflação. O efeito de médio prazo seria garantir que o IPCA se distancie dos 6%, iniciando trajetória mais consistente na direção do centro da meta, de 4,5%.

Pontos positivos

Na visão da equipe econômica, além da alta mais moderada do que em fevereiro, os preços dos serviços recuaram em março e o índice de difusão (o percentual de itens que encareceram) caiu de 72,3% para 69,04%.

Ainda assim, o resultado não foi visto como "alívio", principalmente por parte do BC. A queda está num ritmo menor que o desejado e isso motivou a mudança de discurso do banco, sinalizando maior preocupação com a inflação e possível alta no juro.

A previsão inicial, contudo, era que o banco iria analisar uma alta nos juros em maio, e não neste mês.

As apostas no governo mudaram de rumo depois das declarações de Dilma na África do Sul, quando ela disse ser contra medidas de combate à inflação que afetem o crescimento da economia.

O episódio prejudicou o trabalho de recuperação de credibilidade do BC, o que pode levar, segundo esses assessores, a um aumento imediato dos juros.

A expectativa é que a taxa, em 7,25% ao ano, sofra ajustes moderados e possa ter quatro aumentos de 0,25 ponto percentual até dezembro.

Dilma determinou que só o BC fala sobre os juros. Ontem, Guido Mantega (Fazenda) já foi nesta linha. "Juros são responsabilidade do BC."

O ministro disse que o governo "não poupará medidas para conter a inflação e impedir que ela se propague".

Fonte: Folha de S. Paulo

Acusado por Dirceu, Fux diz que 'não polemiza com réu'

Ministro evita confronto após ser acusado de prometer absolvição no STF

Colegas no tribunal não se manifestam sobre acusações de petista, mas lamentam desgaste sofrido pela corte

Felipe Seligman

BRASÍLIA - O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux evitou ontem o confronto com o ex-ministro José Dirceu, dizendo que não responderia às suas acusações porque não "polemiza com réu".

Em entrevista à Folha e ao UOL publicada ontem, Dirceu afirmou que Fux o "assediou moralmente" quando estava em campanha para ocupar uma vaga no STF e disse que ele prometeu sua absolvição no julgamento do mensalão.

Indicado para o Supremo pela presidente Dilma Rousseff no início de 2011, Fux era considerado pelos petistas voto certo a favor dos réus, mas foi um dos mais rigorosos no julgamento e votou pela condenação de Dirceu.

"Ministro do STF não polemiza com réu", disse Fux ontem. Ele não quis fazer nenhum outro comentário sobre a entrevista de Dirceu.

Antes de ser nomeado por Dilma, Fux era ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Em entrevista concedida à Folha no fim do ano passado, ele havia admitido que procurara Dirceu quando buscava apoio para realizar o "sonho" de ir para o STF.

"Fui a várias pessoas de São Paulo, à Fiesp. Alguém me levou ao Zé Dirceu porque ele era influente no governo Lula", afirmou. Fux disse também que na época não se lembrou de que Dirceu era réu no mensalão, afirmação que o petista classificou como "tragicômica" e "ridícula".

Dirceu foi condenado a 10 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. A maioria dos ministros do STF concluiu que ele comandou a organização do mensalão para comprar apoio político no Congresso no início do governo do ex-presidente Lula.

O julgamento do mensalão foi concluído no ano passado. O acórdão que resumirá suas decisões e os votos dos ministros deve ser publicados em breve, o que permitirá que réus como Dirceu apresentem recursos para tentar reverter suas condenações.

As acusações de Dirceu causaram constrangimento no tribunal. Colegas de Fux preferiram não falar sobre o caso, alegando não ter lido a entrevista. O único a se manifestar foi Marco Aurélio Mello.

"Desgasta o Supremo", afirmou. "Mas não fragiliza o julgamento, porque não se trata de um argumento jurídico. Pelo contrário. Ele [Fux] foi um dos mais rigorosos."

Não houve referência ao tema na sessão de ontem do STF e ministros ouvidos pela Folha afirmaram não ter conversado com Fux sobre ele.

Nos bastidores, no entanto, os ministros lamentaram o ocorrido, dizendo se tratar de um desgaste desnecessário, que amplia o embaraço criado pela entrevista do próprio Fux no ano passado.

Fonte: Folha de S. Paulo

Aécio acusa lógica da reeleição

"O governo, hoje, é nosso maior aliado para mostrar suas falhas", diz tucano

SANTOS - O senador mineiro Aécio Neves, provável candidato do PSDB à Presidência da República em 2014, voltou a atacar ontem a criação do 39º ministério do governo Dilma Rousseff (da Micro e Pequena Empresa) e da 5ª estatal (a Hidrobrás), além do retorno do PR ao Ministério dos Transportes. Para o tucano, as medidas mostram que a teoria da "faxina" da presidente indica "que era um discurso sem consistência". "O que move o governo em todas as áreas é a lógica da reeleição", acusou.

O presidenciável foi convidado de honra do 57º Congresso Estadual de Municípios, em Santos. Após discursar, Aécio disse que o governo federal não está preocupado com as questões centrais do país, como "a paralisia da economia, os gargalos da infraestrutura", entre outros.

"Isso só comprova o que tenho dito: quem governa o Brasil não é mais a presidente, é a lógica da reeleição. Os espaços públicos não têm servido para melhorar a qualidade dos serviços públicos, mas para garantir alguns minutos a mais na propaganda eleitoral da presidente", apontou.

Para o senador, cabe à oposição mostrar ao país a diferença entre a situação "virtual", mostrada pelo governo, e a situação "real". O tucano disse que seu discurso será focado nas omissões, nas falhas e no caráter eleitoral das iniciativas do governo. "O governo, hoje, é nosso maior aliado para mostrar suas falhas", considerou o senador, que classificou a gestão da presidente Dilma de "improvisada" e de um governo "da insegurança jurídica".

A participação de Aécio no congresso estava prevista inicialmente para hoje, mesmo dia em que estará presente o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). No entanto, a agenda foi alterada porque o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), decidiu comparecer ontem e preferiu que Aécio que fosse junto com ele.

O senador negou que a troca de data tenha acontecido para evitar um encontro com Eduardo Campos. "Bom é vir com Geraldo, não acha? Eu encontro com o Eduardo todos os dias, mais do que você imagina", brincou o mineiro.

Gafe. Recebido por prefeitos paulistas como "exemplo de gestor", o ex-governador de Minas utilizou o termo "revolução" para se referir ao golpe militar de 1964. Indagado sobre a razão de ter usado essa expressão, Aécio tergiversou: "Ditadura, revolução, como quiserem".

O termo foi usado em seu discurso, no momento em que fazia um breve relato de episódios históricos, considerados por ele exemplos que retratam a política centralizadora do governo federal, ao corroborar a principal reclamação dos prefeitos sobre a concentração de poder do Planalto.

"Veio a revolução de 64, novo período de grande concentração nas mãos da União, apesar de ter sido um período em que foram criadas políticas compensatórias para determinadas regiões menos desenvolvidas".

Fonte: O Tempo (MG)

FH quer tucanos se opondo a projeto de lei sobre drogas

Texto prevê cadastro de usuários e internação; votação foi adiada

Ailton de Freitas

BRASÍLIA - Após defender a descriminalização da maconha e provocar uma ampla discussão sobre o assunto ao assumir essa posição, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) decidiu interferir diretamente na apreciação do projeto de lei que prevê a criação de um cadastro de usuários de drogas no país. Ele ligou para o líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP), e pediu uma posição contrária da bancada tucana ao projeto, segundo o parlamentar.
A proposta estava incluída na pauta de votação de ontem na Câmara e foi retirada, a pedido dos líderes do PSDB e do PCdoB. A nova data para o plenário votar o projeto é dia 16. Sampaio prepara emendas ou até um substitutivo ao projeto de lei nº 7.663/2010, de autoria do deputado Osmar Terra (PMDB-RS).

- Fernando Henrique me ligou há dez dias e disse que tem sérias discordâncias em relação ao projeto. Ele considera que a filosofia do projeto não é a que vem sendo discutida no mundo.

Segundo o líder tucano, FH não detalhou quais pontos do projeto considera inadequados. Ele apenas teria pedido que a bancada do PSDB na Câmara "se debruce mais sobre o tema". Pessoas próximas a Fernando Henrique dizem que ele defende uma nova política para as drogas, o que não estaria contemplado no projeto de lei prestes a ser votado.

A proposta prevê que, em até 72 horas, todas as internações e altas hospitalares relacionadas a dependentes químicos sejam registradas no Sistema Nacional de Informações sobre Drogas. Propõe ainda o registro de usuários de drogas e de suspeitos de uso nas escolas. Essa função caberia a professores e diretores das instituições de ensino.

O projeto também prevê a internação compulsória de dependentes químicos, a ser solicitada por familiares ou servidores públicos que tiveram algum contato com o usuário. Comunidades terapêuticas ligadas a instituições religiosas passariam a contar com um financiamento paralelo ao Sistema Único de Saúde (SUS). A pena mínima para traficantes de drogas aumenta de cinco para oito anos de prisão.

Entre as emendas preparadas pelo líder do PSDB está a supressão do aumento da pena mínima para traficantes e usuários e do fichamento de estudantes usuários de drogas.

Fonte: O Globo

Aécio e Serra se encontram hoje em conferência do PPS

Tucanos se dividem sobre melhor candidatura à Presidência

Maria Lima

BRASÍLIA - No meio de um processo delicado de negociação para manter espaço de destaque no seu partido, o PSDB, e promover reaproximação com os tucanos mineiros, o ex-ministro José Serra terá oportunidade de mostrar hoje, de público, se a relação com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) realmente está se distensionando ou se permanece o mal-estar em relação ao provável candidato do partido a presidente. No momento em que circulam notícias sobre a possível saída do ex-governador paulista do PSDB, Serra e Aécio vão comparecer, juntos, à abertura da conferência "A Esquerda Democrática pensa o Brasil", promovido pelo PPS. O PPS é justamente o partido que articula a ida de Serra para uma nova legenda, se vingar a fusão com o PMN.

Gabeira está confirmado

Foram convidados para o encontro de hoje outros pré-candidatos à sucessão da presidente Dilma Rousseff, como Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva. Mas só Fernando Gabeira (PV) e Aécio confirmaram presença. Campos viajou para os Estados Unidos para uma reunião no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, convidado, também não comparecerá.

Inicialmente, Aécio e Fernando Henrique participariam hoje, e Serra só discursaria amanhã, com Marina Silva. Como os demais convidados não confirmaram presença, Serra acabou sendo convidado a participar da solenidade de abertura do seminário, junto com Aécio. O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), conversou com Aécio e Serra para averiguar se haveria algum constrangimento.

- Conversei com o Serra e ele me garantiu que está tudo bem. Não vai haver nenhuma saia-justa. São civilizados - disse Freire.

Campos será representado

Serra, Aécio e Gabeira devem discursar. Todos com críticas ao governo e à presidente Dilma Rousseff. O líder do PSB, senador Rodrigo Rollemberg (DF), representará Eduardo Campos.

- Vai dar tudo certo. Eu e o Serra somos mais próximos do que vocês imaginam - disse Aécio, ontem.

A conferência do PPS vai até sábado e será realizada no plenário Nereu Ramos da Câmara dos Deputados. O tema do debate de abertura será "Desafios do Brasil: Desenvolvimento, Sustentabilidade e Equidade". No encerramento, o PPS deverá reunir seu Diretório Nacional para discutir a possibilidade de fusão com o PMN, o que abriria uma janela para a adesão dos descontentes, inclusive Serra, se for o caso.

- Se avançarem as articulações sobre a fusão do PPS com o PMN, o Diretório Nacional precisa convocar um congresso nacional do partido para deliberar. Então, vamos começar a discutir essa possibilidade com a direção do partido, para não ficar só eu falando sobre isso - disse Freire.

Também hoje em Brasília, o PSD, partido criado pelo ex-prefeito de SP Gilberto Kassab, fará nova rodada de reunião com diretórios estaduais para discutir a posição do partido nas eleições presidenciais do ano que vem. Prevalece a ideia de apoiar a reeleição de Dilma, mas sem comprometimento com o governo

Fonte: O Globo

Campos é estrela única de inserções políticas do PSB

João Domingos

O PSB dá início nesta quinta-feira (11) à série de inserções políticas do partido na TV e no rádio, tendo como estrela única o governador de Pernambuco e presidente nacional da legenda, Eduardo Campos. As publicidades que irão ao ar também neste sábado (13), terça-feira (16) e dia 18 exibem ainda o slogan da campanha de Campos, caso ele saia mesmo candidato a presidente: "É possível fazer mais". Serão dez inserções em cada um dos dias da exibição. No dia 25, será veiculado a publicidade partidária gratuita de dez minutos, também em rede de televisão e rádio. Toda em torno de Campos.

Fica ainda claro que a sigla quer agora mostrar independência em relação ao governo Dilma Rousseff e ao PT. Os filmetes exibirão o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB no comando de um discurso crítico, com várias indiretas à gestão da economia, que tem por base o consumo. "A hora é de resgatar a confiança na nossa economia e ter foco no consumo, mas, principalmente, na produção. A hora é de fazer o Brasil crescer e ganhar 2013."

Na mesma inserção, Campos insinua uma centralização de poder que sufocaria os aliados na hora das decisões. "Quem governa precisa saber decidir, mas não pode ser o dono da verdade. Como aliado do governo, temos o dever de propor, participar, apoiar, criticar até quando necessário, mas sempre com um objetivo: de fazer o País avançar."

Há também críticas a respeito da carência de infraestrutura e logística no País. Um locutor dá a deixa para o comentário do governador de Pernambuco e presidente nacional da agremiação: "Somos um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas falta infraestrutura para estocar e transportar nossa produção. Temos a matriz energética mais limpa do planeta, mas gastamos R$ 400 milhões por mês para manter termoelétricas poluidoras." Em seguida, Campos entra: "Temos um País que nos estimula, pelas conquistas e vitórias que ajudamos a construir. Mas, dentro dele, tem um País que nos pede para fazer muito mais."

Em outra das cinco inserções, ele diz que "o PSB está mostrando que dá para usar melhor o dinheiro público, que é possível fazer mais, planejando com a participação do povo, usando modernas ferramentas de gestão, dando um passo adiante". Campos é ainda apresentado como o governador mais bem avaliado do Brasil, aprovado por 93% dos pernambucanos. Segundo o programa, isso ocorre porque no governo de Pernambuco há participação popular, planejamento, metas, controle de gestão e, principalmente, resultado. "Isto é Eduardo Campos, governador de Pernambuco. Isto é PSB", diz o locutor em um dos filmetes.

Torcida

Ao apresentar os programas que irão ao ar a partir desta quinta-feira, o primeiro-secretário do PSB, Carlos Siqueira, disse que as bases, os governadores, os prefeitos e toda a direção do partido querem e torcem para que Campos seja candidato a presidente. "O partido tem um projeto de poder e quer chegar à Presidência. Tem uma liderança jovem e respeitada. É incompreensível que não tenha candidato. Negar a candidatura é não ter a compreensão do papel do partido na disputa pelo poder na democracia."

Fonte: O Estado de S. Paulo

Em horário nobre, Eduardo Campos vai atacar fragilidades do governo Dilma

Possível candidato à presidência usará dez inserções em quatro dias para trazer slogan ‘É possível fazer mais’

Maria Lima

BRASÍLIA - O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), visto como um obstáculo pelos setores do governo e do PT à reeleição da presidente Dilma Rousseff, terá, a partir de quinta-feira e nos dias 13,16 e 18, sua imagem e fala bombardeadas em horário nobre nas TVs e rádios de lares do Brasil inteiro como alternativa real ao Planalto em 2014. Serão 10 inserções de 30 segundos diárias, no horário reservado ao PSB, onde o aliado repisa o slogan “é possível fazer mais”, e mostra, de forma contundente, fragilidades do governo Dilma nas áreas estratégicas como educação, segurança e infraestrutura.

Eduardo Campos bota o dedo em feridas. Desmonta o mito da presidente boa gestora, que depende do ex-presidente Lula para decidir os rumos do governo e, principalmente, sua falta de capacidade de dialogar com os aliados. Além dessas inserções, que somarão cinco minutos de aparição diárias, ele deverá ser a estrela do programa semestral do PSB, de 10 minutos, que será veiculado no dia 25 de abril.

Ele deixou para o último programa as críticas mais pesadas à condução econômica do governo Dilma. Dá o troco, por exemplo, na questão da disputa pela federalização do Porto de Suape, através da medida provisória (MP) 595, que ele diz estar sendo imposta aos governadores sem negociação e diálogo.

“Quem governa precisa saber decidir, mas não pode ser o dono da verdade. Como aliado do governo, temos o dever de propor, participar, apoiar, criticar até quando necessário, mas sempre com um objetivo: de fazer o país avançar. A hora é de resgatar a confiança na nossa economia e ter foco no consumo, mas principalmente na produção. A hora é de fazer o Brasil crescer e ganhar 2013”, dirá Eduardo Campos, que trava duro embate com o governo contra a MP do marco regulatório dos Portos.

Em outra inserção, o governador de Pernambuco é apresentado como o de melhor avaliação no país - 93% de aprovação entre os pernambucanos. O locutor, com imagens sobre o tema, aborda problemas de infraestrutura do governo Dilma. Diz que o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas falta infraestrutura para estocar e transportar a produção. E critica o uso de termelétricas para fugir dos apagões e resolver um problema de falta de investimentos em geração de energia. “Temos a matriz energética mais limpa do planeta, mas gastamos R$ 400 milhões por mês para manter termoelétricas poluidoras”, diz.

É a deixa para Eduardo Campos aparecer mostrando que, como aliado, ajudou muito o governo em suas conquistas, mas que é preciso fazer mais. “Temos um país que nos estimula, pelas conquistas e vitórias que ajudamos a construir. Mas dentro dele tem um país que nos pede para fazer muito mais.”

Em todas as falas Eduardo Campos diz que o PSB está mostrando que dá para usar melhor o dinheiro público, que é possível fazer mais, planejando com a participação do povo, usando modernas ferramentas de gestão, dando um passo adiante. “O partido socialista brasileiro tem o governador mais bem avaliado do Brasil: 93% dos pernambucanos aprovam o seu governo, porque tem participação popular, planejamento, metas, controle de gestão e, principalmente, resultado. Isto é Eduardo Campos, governador de Pernambuco. Isto é PSB”, diz o locutor dos programas.

Os filmetes foram apresentado pelo secretário geral do PSB, Carlos Siqueira, que disse ser “inconcebível” e “inaceitável” a suposta espionagem da Abin em reuniões do governador Eduardo Campos com sindicalistas do Porto de Suape.

- Essa coisa de espionagem cheira muito mal - disse Siqueira, declarando, entretanto, que o PSB e Eduardo Campos estão preparados para eventuais ataques caso se confirme sua candidatura a presidente em 2014.

- Ninguém pode entrar num projeto desses sem se preparar. Tem que saber que você pode receber crítica, elogios. É um embate. Num embate muitas coisas podem acontecer e devemos estar preparados para responder á altura. E repudiar totalmente essa coisa de espionagem, de utilização da máquina do estado contra possíveis adversários. Porque isso é absolutamente inaceitável - disse Carlos Siqueira.

Fonte: O Globo

Pesquisa traz empate entre Dilma e Eduardo no Recife

Levantamento do Instituto Maurício de Nassau/JC mostra presidente e governador tecnicamente empatados na corrida presidencial entre os recifenses, ela com 36% e ele, 34%. Gestão estadual tem 75% de aprovação.

Dilma 36%, Eduardo 34%

PESQUISA JC/IPMN 2014 - Entre os recifenses, presidente e governador estão em empate técnico na corrida presidencial, gestão estadual tem 75% de aprovação

Mesmo à frente de uma gestão cujo índice de aprovação é de 75%, o governador Eduardo Campos (PSB) enfrentaria uma disputa acirrada com a presidente Dilma Rousseff (PT), no Recife, caso a eleição presidencial acontecesse hoje e os dois se enfrentassem. No levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN), em parceria com o Jornal do Commercio, os dois aparecem empatados tecnicamente em primeiro lugar. Dentre os 816 entrevistados, 36% declararam voto na petista enquanto 34% afirmaram que votariam no governador. Os outros dois prováveis concorrentes, Marina Silva (ex-PV) e Aécio Neves (PSDB) somaram, respectivamente, 4% e 2 % das intenções de votos. A margem de erro da pesquisa é de 3,5 pontos percentuais.O número de pessoas que votariam em Eduardo Campos para assumir a Presidência é menor do que o índice de satisfação com a sua administração - 75%, sendo 28% que a consideram excelente e 47% como boa. Do grupo que considerou a gestão como "excelente" (28%), 63% confirmaram o voto no pernambucano. Mas entre os 47% que avaliaram o governo como "bom", apenas 32% disseram que votariam em Eduardo, enquanto 40% declararam voto em Dilma.

De acordo com o cientista político e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Adriano Oliveira, os números sugerem não só que a disputa será "dura" como também apontam qual será um dos principais desafios do governador até outubro de 2014. "O grande desafio será transformar seu capital administrativo em capital eleitoral. Fazer com que as pessoas que aprovam sua gestão também votem nele. No caso de Dilma, ela precisa aumentar suas intenções de votos num Estado e numa cidade onde haverá um candidato extremamente bem avaliado. A pesquisa mostra claramente que a eleição será muito difícil", pondera.

A gestão do governador foi avaliada como "ruim" ou "péssima" por 3% dos entrevistados e enquadrada como "regular" por 19%. A proporção entre a avaliação do governo e as intenções de voto em Eduardo podem crescer, de acordo com o cientista político, quando sua candidatura à Presidência for oficialmente confirmada. "Apesar das suas movimentações, os eleitores ainda não têm certeza se ele é candidato, de fato", diz. A pesquisa ainda revela que 55% dos recifenses consultados acham que ele deve participar da disputa presidencial, enquanto 27% opinaram que não deveria. O curioso é que do grupo favorável à candidatura do governador, 33% afirmaram que não votariam nele. "Não há contradição nisso. Só reforça que a interpretação do comportamento do eleitor não é tão simples como os dados sugerem. Parte do eleitorado aprova a gestão do governador, quer que ele saia candidato, mas não vota nele", analisa Adriano Oliveira.

À margem da polarização entre Dilma e Eduardo estão os presidenciáveis Marina Silva e Aécio Neves. No primeiro caso, segundo o economista e membro do conselho científico do IPMN Maurício Romão fica evidente que o capital político conquistado pela ex-integrante do Partido Verde na eleição de 2010 se diluiu. Um dos motivos, de acordo com Romão, é a ascensão política de Eduardo Campos. Em 2010, por exemplo, Marina obteve 102.142 votos (33,63%) no Recife, chegando em segundo lugar. Em relação a Aécio, o resultado mostra que ele ainda é uma figura desconhecida da população recifense.

Metodologia

Nos dias 1º e 2 de abril, a pesquisa JC/IPMN ouviu 816 entrevistados no Recife, a partir de um plano de amostragem estratificada. O nível de confiança do estudo é de 95%.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Inflação e juros. Reações e cobranças sobre as duas variáveis econômicas e eleitorais – Jarbas de Holanda

Diante dos sucessivos sinais de avanço da inflação - a ser confirmado hoje com o anúncio do IBGE de que em março, anualizada, ela ultrapassou o texto da meta, de 6,5%, com grande impacto nos meios políticos e empresariais – a presidente Dilma Rousseff intensificou nas últimas semanas as ações voltadas ao controle de preços através de novas medidas de desoneração de tributos. Articuladas com projetos para uma retomada do crescimento, entre os quais os de pragmática atração de investimentos privados para a infraestrutura. E com a ampliação dos programas assistencialistas. Tudo isso com o respaldo de crescente presença na mídia, centrada inicial-mente em eventos no Nordeste para bloqueio da dissidência política do governador de Pernambuco Eduardo Campos.

O novo patamar a que a inflação está chegando, com forte disseminação e com a correspondente aos preços pagos pela população pobre (de até 2,5 salários) já nos 7%, passa a impor um aumento de juros, que a presidente rejeitava com veemência, qualificando-o como obstáculo ao crescimento. O controle inflacionário por meio de atos pontuais de desoneração fiscal – a ser descontada não por uma queda dos enormes gastos de custeio mas por maior redução do superávit primário, isto é, com mais deterioração das contas públicas – e a manutenção de juros baixos, mesmo que também artificialmente, são os dois ingredientes básicos dos objetivos econômicos e eleitorais do governo Dilma: uma retomada do crescimento apoiada em alto grau de consumo, com a preservação do nível de emprego, e o controle da inflação mesmo que com distorções macro e microeconômicas cujas implicações negativas possam ser enfrentadas depois das eleições. Combinação que, de par com o reforço dos programas assistencialistas, garantiria a continuidade de seu elevado nível de aprovação popular e, assim, o amplo favoritismo inicial para a reeleição (que poderá erodir-se com o fracasso dessa combinação).

Tais ingredientes, porém, estão sendo postos em xeque pela persistência e até o agravamento da pressão inflacionária. E as preocupações com isso, agudas no mercado e já forçando a direção do Banco Central a assumi-las, terminaram chegando ao núcleo do governo. Constituindo o tema de almoço anteontem no Palácio do Planalto, da presidente (acompanhada de Guido Mantega e de Arno Agostin, secretário do Tesouro) com Delfim Netto, Luiz Gonzaga Belluzzo e Yoshiaki Nakano. Encontro entre cujos dividendos incluiu-se certamente o reconhecimento, enfim, por Dilma do imperativo de aumento da Selic como resposta à ameaça inflacionária.

No outro pólo da cena política nacional, com a precariedade das respostas à pressão inflacionária e os vários outros problemas que se manifestam na economia neste início de ano (da queda da produção industrial aos prejuízos da Petrobras e da Eletrobras, passando pelo déficit da balança comercial), o candidato oposicionista Aécio Neves e o cada vez mais provável candidato dissidente Eduardo Campos ganham espaço para contraposição ao governo e à campanha da presidente e candidata Dilma Rousseff. Aécio, em entrevista ao Estadão, de sábado último, advertiu que “as bases da estabilidade do país estão ameaçadas”. E em pronunciamentos que passou a fazer em eventos promovidos por diretórios estaduais do PSDB ele reitera seu diagnóstico do “baixo nível gerencial do governo” : “a partidarização e o gigantismo da máquina federal”, que seriam agravados pela “precipitação da agenda eleitoral”. Por sua vez, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, acentua ataques às ações políticas e administrativas do Planalto. Anteontem, num encontro promovido em São Paulo pela Força Sindical, ele afirmou que “a ausência de uma estratégia que privilegie um crescimento consistente da economia ameaça a geração de empregos no Brasil”.

Jarbas de Holanda é jornalista

Teto perfurado - Celso Ming

O fato mais notável na inflação de março não foi o sobe e desce dos números. Foi ter caído na boca do povo e virado motivo de piadas. Ou seja, a inflação deixou de ser assunto exclusivamente técnico; ganhou inesperada dimensão política.

Como sempre, as autoridades farão o jogo do contente. Dirão, como já fazem, que o avanço dos núcleos de inflação e o índice de difusão (medida de quanto a inflação está espalhada) caíram em março sobre fevereiro. Enquanto isso, o povão começa a rir da alta da farinha de mandioca (de 151,4% em 12 meses), do tomate (122,1%), da cebola (76,5%) e do alho (53,1%).

Nesta quarta-feira, a apresentadora da TV Globo Ana Maria Braga, por exemplo, passou a maior parte da manhã exibindo um vistoso colar de tomates, ao qual o papagaio dela se referia a todo momento.

Do ponto de vista técnico, o teto da meta de inflação, de 6,5% ao final do ano, foi perfurado. O índice em 12 meses foi para 6,59%. A credibilidade do Banco Central levou mais um tiro. Sua última projeção no Relatório de Inflação, feita há duas semanas, cravava 6,5% no final do primeiro trimestre – e dava a impressão de estar mais interessado em enfeitar o bolo do que em lhe dar qualidade.

Até agora, a atitude do governo em relação à inflação foi de tolerância e de pouco-caso. A todo momento, a presidente Dilma se mostrou mais interessada em reverter a sucessão de pibinhos do que em combater a inflação. Há duas semanas, na África do Sul, chegou a condenar políticas de aperto monetário (alta dos juros) por destruírem empregos e força de produção. O desmentido que veio depois não revogou a percepção geral de que o atual governo optou por ser leniente com a inflação.

Mas as condições políticas começam a virar. Está claro que a terapia de panos quentes não funcionou. Segurar a inflação com desonerações tributárias, como a dos produtos da cesta básica e dos veículos, e com adiamento de remarcações (como dos combustíveis e da condução) criou mais distorções do que controle.

Diagnóstico e prognóstico do governo estão pelo menos parcialmente equivocados. Essa inflação não é gerada por choques internacionais de oferta (quebra de safras de grãos nos Estados Unidos). Há, sim, um pedaço da inflação proveniente de choque de oferta que não tem nada a ver com o que acontece lá fora. É o que se passa, por exemplo, com a farinha de mandioca, com o tomate e com a cebola.

Outro pedaço enorme da inflação é produzido por desequilíbrios internos que, mais recentemente, o Banco Central (e aparentemente não o resto do governo) passou a reconhecer. Entre esses desequilíbrios estão a disparada das despesas públicas (política fiscal expansionista); a demanda por bens e serviços exacerbada por transferências de renda; e o mercado de trabalho aquecido demais.

Há falhas também no prognóstico. A inflação não é o cavalo paraguaio, que sai na frente e, na primeira curva, perde o fôlego. É perigosa pelo risco de se perpetuar, como mostra o segmento dos serviços (alta de 8,37% em 12 meses). Nas atuais condições de baixa capacidade de condução das expectativas pelo Banco Central, a inflação é resistente. Só um antibiótico de espectro largo parece capaz de detê-la.

CONFIRA

Esses são os seis alimentos cujos preços mais subiram no período de 12 meses terminado em março.

Agora acerta? Relatório de Inflação do primeiro trimestre, o Banco Central previu uma inflação em 12 meses de 6,70% no segundo trimestre, portanto, também acima do teto da meta. Mas, para que, em abril, continue acima de 6,50% em 12 meses, será preciso que a evolução do IPCA do mês seja superior a 0,55%.

Fonte: O Estado de S. Paulo