domingo, 20 de setembro de 2026

Lula x Lula, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Na reta final das eleições, a polarização Lula versus Bolsonaro virou Lula versus Lula, com Flávio Bolsonaro jogando parado e o candidato a um quarto mandato concentrando todas as atenções e toda a indignação nacional com qualquer coisa que aconteça, inclusive, ou principalmente, os escândalos do Supremo Tribunal Federal (STF).

É surpreendente que os R$ 134 milhões do contrato de Alexandre de Moraes façam mais estrago na campanha de Lula do que os R$ 131 milhões do filme Dark Horse na de Flávio. Um suspeito é ministro do STF que nem sequer foi nomeado por Lula. O outro é, ele próprio, candidato à Presidência.

Além de o efeito do caso Master ser pior por tabela do que pelo chute direto, o fato é que Lula potencializa a regra de que, em reeleições, tudo desaba sobre o incumbente, para o bem ou para o mal.

Lula atravessou a campanha como favorito, mas chega ao momento decisivo disputando voto a voto com Flávio e respondendo sobre tudo e todos que afetam o País, seja culpa dele ou não: Moraes, o próprio STF, o INSS, o tarifaço de Trump, as guerras e o preço da gasolina e a desconexão entre os índices oficiais e a percepção sobre a inflação. Sem falar do endividamento de empresas e famílias.

O presidente tem a seu favor o crescimento da economia e as taxas históricas de desemprego baixo, mas reage gastando, gastando, gastando. O último “saque” foi o reajuste no Bolsa Família, a 17 dias da eleição e previsto em quase R$ 23 bilhões em 2027. E se ele vencer? Como vai tourear a dívida?

De outro lado, nada parece colar em Flávio, nem a mentira de nunca ter conhecido o “irmão” Vorcaro, nem pedido de milhões a ele, nem o destino do dinheiro, nem o envolvimento direto dele e o 03, Eduardo, nos ataques virulentos dos EUA ao Brasil. A foto da viagem “familiar” com gente do escândalo do INSS não faz nem cosquinha.

O passado condena, mas o de um candidato custa muito mais votos. Lula tem o mensalão, o petrolão, a Lava Jato e 580 dias preso pelo triplex. Flávio tem rachadinhas, casa de milhões com financiamento duvidoso do BRB e escritura em cartório distante, negócios estonteantes com imóveis, parte em dinheiro vivo. Sempre passou ileso.

Lula carrega o filho, Lulinha, desde os primeiros mandatos e agora ele é citado no escândalo do INSS e da amigona Roberta Luchsinger. E Flávio carrega o pai, um desastre na pandemia e agora preso por uma trama de golpe confirmada, até em livro, pelo brigadeiro Carlos Baptista Jr., um militar exemplar.

Nesta reta final, há empate nas intenções de voto e na rejeição, mas a tendência dos votos dos concorrentes parece favorável a Flávio no segundo turno, e consolidou-se a convicção, não exatamente correta, mas de grande parte do eleitorado, de que Lula é o “grande vilão” e que tudo começou daí. Flávio não convence, mas o voto “anti-Lula” parece mais forte do que o “anti-Bolsonaro”. É Lula contra Lula.

 

2 comentários:

Anônimo disse...

Confirma a tese: versões importam mais do que fatos.

Anônimo disse...

o Lula velho conhecido do eleitor mais antenado com memória boa está envolvido em escândalo de corrupção desde o primeiro mandato que foi o mensalão corrompia deputados para votar no seu projeto depois vem Petróleo que fez um assalto a Petrobras de mais de 6 bilhões de reais e as empreiteiras Que também tinham o poder de corrupção imenso Lula e o PT se esbanjaram na dinheirama corrupta
Condenado por três instâncias nove juízes há mais de 12 anos de cadeia foi preso cumprindo pena foi retirado da cadeiapelo faccin ex advogado do MST, Nomeado pelo PT
Forçar a barra e eleger o ele presidente
Tudo que é crime de corrupção o Lula está presente e você fica catando filme tentando comparar o Flávio a esse corrupto velho de barba branca que é o Lula