Valor Econômico
Noticiário sobre possível envolvimento de ministros da Corte com Vorcaro jogou atenção nas mídias para plano secundário e, em graus diferentes, atinge os seis principais candidatos
A crise dentro do Supremo Tribunal Federal (STF), que poderá ter seu ponto alto nesta terça-feira (15), com a deliberação em plenário sobre a abertura ou não de investigação contra o ministro Alexandre Moraes, esvaziou a campanha eleitoral. O noticiário sobre o possível envolvimento dos ministros da Corte com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, jogou para um plano secundário de atenção nas mídias eventos de impacto eleitoral óbvio, como por exemplo a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que eliminou a chamada “taxa das blusinhas”. A crise já havia desconcentrado o Congresso Nacional, que prometera na primeira semana de setembro um esforço concentrado que poderia ter aprovado a PEC que acaba com a escala 6 por 1 de trabalho, outra iniciativa de apelo eleitoral que poderia beneficiar o governo.
Em declínio nas pesquisas, Lula é o principal
prejudicado com o esvaziamento da campanha. O único ponto positivo para a
campanha do presidente com a eclosão da crise no Judiciário é que as
investigações contra o filho do presidente, o empresário Fabio Luís Lula
da Silva, por ora saíram do radar.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em
ascensão, caminha no fio da navalha, já que o Supremo
confirmou que o parlamentar é investigado por seu papel no financiamento do
filme “Dark Horse”, bancado por Vorcaro. O relator do caso Master no
STF, ministro André Mendonça, claramente estava mantendo essa investigação
em ritmo lento, mas a ordem do presidente da Corte, Edson Fachin, de
quebra de sigilo de todos os documentos, pode diminuir o seu controle sobre a
investigação.
De todo modo, o esvaziamento da campanha
ocorre em um momento de reversão do favoritismo inicial de Lula e prejudica
ainda mais seus concorrentes, Augusto Cury (Avante), Renan Santos
(Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que foram
invisibilizados.
Não há precedente de campanha presidencial no Brasil tão esvaziada por um evento externo. Na eleição de 2014, as investigações sobre a Lava-Jato ganharam tração em novembro, semanas depois de consolidada a reeleição da então presidente Dilma Rousseff. Em 2006, Lula se reelegeu em uma janela das atenções sobre o escândalo do Mensalão. As denúncias foram notícia no ano anterior. O Supremo só começou a examinar o caso no ano seguinte. O paralelo mais próximo é o da campanha eleitoral de 1994, que perdeu a atenção da opinião pública assim que foi lançado o Plano Real, com a troca do padrão monetário e o fim do processo da hiperinflação. Fernando Henrique Cardoso, recém saído do Ministério da Fazenda, virou uma eleição que parecia destinada a consagrar Lula.

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