domingo, 13 de setembro de 2026

Sem precedente, crise no STF esvazia campanha presidencial, por César Felício

Valor Econômico

Noticiário sobre possível envolvimento de ministros da Corte com Vorcaro jogou atenção nas mídias para plano secundário e, em graus diferentes, atinge os seis principais candidatos

A crise dentro do Supremo Tribunal Federal (STF), que poderá ter seu ponto alto nesta terça-feira (15), com a deliberação em plenário sobre a abertura ou não de investigação contra o ministro Alexandre Moraes, esvaziou a campanha eleitoral. O noticiário sobre o possível envolvimento dos ministros da Corte com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, jogou para um plano secundário de atenção nas mídias eventos de impacto eleitoral óbvio, como por exemplo a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que eliminou a chamada “taxa das blusinhas”. A crise já havia desconcentrado o Congresso Nacional, que prometera na primeira semana de setembro um esforço concentrado que poderia ter aprovado a PEC que acaba com a escala 6 por 1 de trabalho, outra iniciativa de apelo eleitoral que poderia beneficiar o governo.

Em declínio nas pesquisas, Lula é o principal prejudicado com o esvaziamento da campanha. O único ponto positivo para a campanha do presidente com a eclosão da crise no Judiciário é que as investigações contra o filho do presidente, o empresário Fabio Luís Lula da Silva, por ora saíram do radar.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em ascensão, caminha no fio da navalha, já que o Supremo confirmou que o parlamentar é investigado por seu papel no financiamento do filme “Dark Horse”, bancado por Vorcaro. O relator do caso Master no STF, ministro André Mendonça, claramente estava mantendo essa investigação em ritmo lento, mas a ordem do presidente da Corte, Edson Fachin, de quebra de sigilo de todos os documentos, pode diminuir o seu controle sobre a investigação.

De todo modo, o esvaziamento da campanha ocorre em um momento de reversão do favoritismo inicial de Lula e prejudica ainda mais seus concorrentes, Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que foram invisibilizados.

Não há precedente de campanha presidencial no Brasil tão esvaziada por um evento externo. Na eleição de 2014, as investigações sobre a Lava-Jato ganharam tração em novembro, semanas depois de consolidada a reeleição da então presidente Dilma Rousseff. Em 2006, Lula se reelegeu em uma janela das atenções sobre o escândalo do Mensalão. As denúncias foram notícia no ano anterior. O Supremo só começou a examinar o caso no ano seguinte. O paralelo mais próximo é o da campanha eleitoral de 1994, que perdeu a atenção da opinião pública assim que foi lançado o Plano Real, com a troca do padrão monetário e o fim do processo da hiperinflação. Fernando Henrique Cardoso, recém saído do Ministério da Fazenda, virou uma eleição que parecia destinada a consagrar Lula.

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