O Estado de S. Paulo
Com crise no STF e Flávio eleito, golpistas vão sair da cadeia e manter patentes e privilégios
A enxurrada de notícias sobre relações do
Banco Master e de Daniel Vorcaro com ministros do Supremo continua fazendo
vítimas (que deveriam ser réus) e isso tem um efeito colateral num outro
julgamento, este no Superior Tribunal Militar (STM): o da perda de patentes do
ex-presidente e de altos oficiais condenados pela trama do golpe.
O processo foi aberto em fevereiro e, naquele momento, a tendência era francamente pela perda de patentes de generais, do almirante Almir Garnier e do capitão da reserva Jair Bolsonaro, mas isso vem mudando ao longo dos meses. Primeiro, para poupar dois generais, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira. Agora, pode desandar para poupar todos.
Os ministros do STM, na maioria militares,
acompanharam o julgamento no STF, as provas, as acusações e as defesas dos
articuladores do golpe e, nos bastidores, concordaram com as condenações,
apesar de considerar as penas excessivas, especialmente as dos que participaram
do 8/1, mas sem relevância.
As revelações escabrosas sobre a
promiscuidade de ministros do STF com um criminoso do quilate de Vorcaro,
principalmente de Alexandre de Moraes, contaminaram a percepção, não só da
sociedade civil, mas de amplas áreas militares e do STM.
Começou com uma pergunta: como vamos condenar
duplamente os réus do Supremo, se a credibilidade do relator (Moraes) foi por
água abaixo? E essa pergunta se ampliou: e como vamos tirar as patentes dos
“nossos”, se só se salvam três ou quatro no Supremo?
A indignação que já vinha desde as histórias
cabeludas de Dias Toffoli e o tal resort Tayayá chegou ao cume com o contrato
de R$ 131 milhões do escritório da família de Moraes e continua sendo
alimentada pelas “novidades” e nomes que não param de sair.
Depois das relações do filho e de festas de
Nunes Marques e as conversas e o carnaval do filho de Luiz Fux, chega a notícia
de que o instituto de André Mendonça recebeu R$ 5 milhões de um ex-parceiro de
negócios de Vorcaro e surge um novo nome: o da advogada Dalide Corrêa, chamada
de “canal direito com STF”, que recebeu R$ 33 milhões num ano.
O julgamento sobre as patentes depende do
eleito. Se for Lula, o processo prossegue e deverá ser julgado ainda neste ano.
Se for Flávio Bolsonaro, pode nem haver. Ele promete indultar o pai, generais,
almirante e todos os envolvidos no golpe e, assim, não haverá quem julgar.
Resumo da ópera: o que Alexandre de Moraes fez, Alexandre de Moraes desfaz e vira fator para transformar os réus em vítimas e os presos em livres, leves, soltos e com suas estrelas nos ombros. Menos Jair Bolsonaro, que não tem estrela nenhuma.

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