sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O paradoxo do Master, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Em alta nas pesquisas, Flávio Bolsonaro é beneficiado por crise no STF

O escândalo do Banco Master pode dar votos ao único candidato que tomou dinheiro de Daniel Vorcaro? É o que parece acontecer na eleição presidencial, a julgar pelas pesquisas divulgadas nos últimos dias.

Dos 12 concorrentes, só Flávio Bolsonaro figura como beneficiário direto do esquema. Ele é investigado pela Polícia Federal por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Foi flagrado pedindo R$ 134 milhões a Vorcaro, a quem chamava de “irmão”.

Ao ser questionado sobre o rolo, o senador simulou indignação: “É mentira! De onde você tirou isso?”. Quando ficou claro que o mentiroso não era o repórter, ele mudou de tom e alegou ter pedido patrocínio para o que descreveu como uma “obra-prima”.

Flávio nunca apresentou a prestação de contas que prometeu. Tampouco explicou como uma fita capenga, produzida pelo astro de “Floribella”, poderia se tornar o filme mais caro da história do cinema brasileiro.

Poupado das operações policiais que atingiram outros políticos da lista de Vorcaro, o senador conseguiu recuperar os pontos que perdeu em maio, quando o “Dark horse” saiu da cocheira. Agora aparece em empate técnico com Lula nas simulações de segundo turno.

Há algumas explicações na praça para o paradoxo do Master. A principal, aceita pelas duas campanhas, sustenta que Flávio é o maior beneficiário da crise no Supremo. A percepção de que até a cúpula do Judiciário se envolveu em corrupção tende a favorecer políticos que apostam no discurso antissistema. O pai do senador já surfou essa onda em 2018, no auge da Lava-Jato.

O fato de Alexandre de Moraes estar no centro das suspeitas também impulsiona o candidato do PL. O ministro foi indicado por um presidente de direita, mas se notabilizou como o homem que prendeu Jair Bolsonaro. Seu derretimento respinga na imagem de Lula, ainda que o presidente tente se distanciar do caso.

Por fim, é difícil não notar a mão amiga de André Mendonça em favor de Flávio. O ministro ocultou por quase dois meses a informação de que o presidenciável era investigado pela PF. E ainda protegeu três colegas citados no celular de Vorcaro enquanto lançava Moraes sozinho na fogueira.

 

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