Folha de S. Paulo
Democracia não se presta a favorecer boas
escolhas para governantes
Possibilidade real de eleição do candidato do
PL é a melhor prova disso
O ponto forte da democracia é assegurar que
governantes reprovados nas urnas entreguem o poder pacificamente, não favorecer
a escolha de bons líderes —o que, infelizmente, ela não faz. A melhor prova
disso é a possibilidade
muito real de Flávio
Bolsonaro (PL)
ser eleito presidente da República.
O currículo do senador e candidato é uma longa sucessão de suspeitas. Começa com as rachadinhas, na Alerj, passa pela incrível loja de chocolates que, ao contrário de todo o mercado, não via suas vendas majoradas na Páscoa e pela compra de uma mansão em Brasília por valor incompatível com seus rendimentos e patrimônio conhecidos. A história de como as cortes superiores abortaram essas investigações está por ser contada. A escalada de desconfianças culmina no singelo pedido de R$ 134 milhões ao famigerado Daniel Vorcaro. Tirando as suspeitas, o que salta aos olhos no currículo de Flávio Bolsonaro são suas ligações com milicianos.
E quanto ao risco institucional? Um princípio
elementar do Estado de Direito é o de que a culpa de um criminoso não se
transfere para seus familiares. É Jair e não Flávio que foi, com seus corréus,
condenado por tentativa de golpe. E é por isso que o senador está em pleno gozo
de seus direitos políticos e pode concorrer à Presidência. Isso dito, é
preocupante a ameaça de Flávio de subir a rampa ao lado do pai. Um indulto
presidencial aos golpistas reverteria o que talvez seja o único avanço
institucional que obtivemos na história no que diz respeito ao controle do
Estado sobre militares.
O adversário de Flávio Bolsonaro, Lula,
tem é claro sua própria lista de pecados, ainda que de outra ordem. Aludi a
alguns deles numa coluna publicada poucos dias atrás. Nem deveria ser
necessário dizê-lo, mas a tarefa do jornalismo
de opinião é criticar, de preferência com propriedade, tudo o que pode ser
criticado em qualquer campo político. Cabe ao jornalismo informar e subsidiar
argumentações, não substituir a faculdade de julgar do eleitor, por mais
imperfeita que seja.
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2 comentários:
Muito bom! Parabéns ao colunista, e obrigado ao blog por divulgar seu texto!
Como um desqualificado como o filho do capitão das trevas pretende comandar nosso país?? O canalha mal consegue esconder a lavação de dinheiro na sua loja de chocolates... Não conseguiu nem fazer rachadinhas bem planejadas e que não viessem a público.
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