sábado, 14 de janeiro de 2012

Roberta Sá - Samba De Um Minuto

Conciliação II:: Merval Pereira

A coluna de ontem, intitulada "Conciliação", sobre as origens da negociação política que levou à Lei da Anistia, e o alcance que a Comissão da Verdade pode vir a ter na revisão de nossa história recente provocou diversas manifestações, entre elas a do deputado federal Chico Alencar, do PSOL do Rio, que faz parte da Comissão Parlamentar da Verdade e da Justiça, subcomissão da de Direitos Humanos, presidida pela deputada Luiza Erundina, do PSB de São Paulo.

Seu depoimento é importante para definir a posição de um segmento da esquerda que se entrincheirou no Congresso para uma atuação política que recusa o alinhamento automático ao governo petista, do qual dissentiu, para reivindicar para si uma ação mais autêntica.

Segundo o deputado, atuará "com firmeza, serenidade e visão de processo histórico". Ele garante que "ninguém quer torturar torturadores, realizar prisões arbitrárias, negar direito de defesa nem praticar qualquer revanchismo, mas sim fazer valer o direito ao conhecimento histórico, à memória coletiva e à Justiça".

Também professor de História, Chico Alencar admite que "toda lei, em qualquer sociedade, é resultado das circunstâncias conjunturais, sem dúvida". Mas acha que "por isso mesmo nenhuma lei é pétrea, intocável, perene".

Ninguém quer, como afirma Werneck Vianna, "rasgar a Lei da Anistia", e sim reinterpretá-la de acordo com as necessidades do Brasil do século XXI, diz Alencar, alegando que "até a Corte Interamericana dos Direitos Humanos entende assim. Isso é avanço civilizatório e não anacronismo".

Na visão de Chico Alencar, o crime da tortura e do desaparecimento de presos políticos "é hediondo e imprescritível. Ninguém pode ser conivente com ele, e vários que ascenderam hierarquicamente no serviço público, sobretudo militar, e na vida política, foram praticantes ou cúmplices - até por omissão - desses atos abomináveis".

O deputado do PSOL diz que quando se alega que também houve prática "terrorista" por parte daqueles que se insurgiram contra a ditadura, igualando-os aos torturadores, "omite-se que estes agiam, sem legitimidade para tanto, em nome do Estado, sobre pessoas já imobilizadas, e aqueles pagaram seus atos com prisão, sevícias cruéis, banimento, morte".

Respondendo a Werneck Vianna, ele diz que "passado não é apenas o que passou, mas o que, sendo devidamente lido e relido, nos constitui".

Segundo ele, "o que nós queremos é conhecer quem torturou, quem ordenou a tortura, quem montou a estratégia da violência oficial contra opositores, quem a financiou, quem praticou atos tão covardes que nem mesmo o regime, embora os tenha organizado "cientificamente" e exportado seu "know how" para governos obscurantistas vizinhos, os assumiu".

O que queremos, diz o deputado, "é que as novas gerações da hierarquia militar não se solidarizem com processos espúrios que só desonraram seus estamentos".

Que corporativismo é esse que assume como seu "patrimônio" práticas que atentam contra os mais elementares direitos dos homens e dos animais?, pergunta Chico Alencar.

O que o deputado do PSOL defende é que "as famílias que não tiveram sequer o direito de sepultar seus entes queridos, ou que viveram o drama indizível de sabê-los nas masmorras sofrendo todo tipo de violentação, conheçam seus algozes para usar, se desejarem, o direito de acioná-los judicialmente".

Ele lembra que, na África do Sul, muitos "dos que ainda estão vivos e conscientes" tiveram "a hombridade de reconhecer que praticaram atrocidades, caminhando assim para o que em direito se chama de "arrependimento eficaz"".

Chico Alencar acha que "nossa gente precisa reverenciar é a luta daqueles que nos trouxeram a democracia, mesmo com suas limitações atuais, inclusive os jovens que pegaram em armas contra o fascismo brasileiro, em inglória batalha".

Ele lembra que, ao contrário de Werneck Vianna agora, "todos os que resistiram ao arbítrio pela via exclusivamente institucional reconhecem a coragem histórica dessa geração e seu papel na redemocratização - a começar por Ulysses Guimarães".

Alencar acha que a chamada "transição pelo alto", pactuada, negociada, "só aconteceu também porque alguns colocaram suas próprias vidas em risco para romper o círculo de ferro do regime militar".

Na coluna de ontem não fiz referências explícitas a algumas pessoas que tiveram papéis importantes no processo da anistia.

Terezinha Zerbine foi a primeira pessoa a organizar a luta em prol da anistia através do MFA - Movimento Feminino pela Anistia, em 1975. E, em fevereiro de 1978, surgiu o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA), do qual a presidente fundadora foi Eny Moreira.

Também o médico Leo Benjamim, filho de Iramaya Benjamim, sucessora de Eny Moreira no CBA, enviou mensagem onde destaca que foi lá que surgiu o slogan "Anistia Ampla, Geral e Irrestrita", dando um cunho nacional ao movimento iniciado por Terezinha Zerbini.

O historiador Carlos Fico, por sua vez, lembra que "mesmo a D. Terezinha Zerbini escreveu uma carta ao Dr. Ulysses pedindo que o "MDB autêntico" não obstruísse e votasse o projeto do governo evitando "uma inútil e contraditória confrontação".

A carta está no Arquivo do CPDOC. Acho que não foi divulgada na época.

FONTE: O GLOBO

Dores do crescimento:: Igor Gielow

A política externa do governo Dilma enfrentará um teste no fim deste mês, quando a presidente visitará Cuba e Haiti.

Como em todas as áreas do governo, 2011 foi pálido nesse setor. O que não é especialmente ruim, já que o país vinha de oito anos de um histrionismo quase apoplético da gestão Lula-Celso Amorim.

O Brasil cresceu no mundo por seu evidente peso econômico, pela ascensão do apetite chinês, pelo declínio político do Ocidente. Então, buscar uma nova estatura política seria decorrência natural no cenário.

O problema ao longo dos anos foi a insistência numa arrogância desproporcional ao poder real do Brasil, muitas vezes contaminada pelo antiamericanismo estudantil dos chefes do Itamaraty e pelo voluntarismo único da "persona" de Lula.

Dilma então entrou em cena e baixou a fervura. Reatou laços com os EUA e criticou aliados bizarros como o Irã dos aiatolás atômicos. Retórica, é claro, mas é saudável ver Ahmadinejad desfilando apenas pelos cachorros-loucos da esquerda continental -e não sendo adulado com pompa no Planalto.

Assim, será interessante ver como a ex-guerrilheira comunista Dilma se portará frente a frente com o fetiche de sua geração em Havana.

Há três anos, ela esteve numa tenda celebrando a revolução cubana no Fórum Social Mundial, mas não rasgou fantasia como Lula -cuja visita aos irmãos Castro enquanto agonizava um dissidente mancha a história diplomática do Brasil.

Mas Cuba é Cuba. Não há coração esquerdista que não fique embevecido com a utopia orwelliana tropical.

E há o Haiti. De repente, o Brasil virou uma potência imperialista que não quer algum tipo de "invasão bárbara", e será cobrado por isso, esteja certo ou não em suas medidas.

O que vai de encontro, bem do tamanho político verdadeiro do Brasil, às pretensões externas do país. Devem ser as tais dores do crescimento.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

A dessacralização do Judiciário :: Maria Tereza Aina Sadek

O Judiciário brasileiro tem sido identificado com uma caixa-preta. O juízo crítico propagou-se. Encontrou receptividade por retratar em uma só imagem a percepção popular de uma instituição fechada e desconhecida. Uma combinação de traços associados ao segredo, à opacidade, ao isolamento em relação à sociedade constrói a representação. Características peculiares da magistratura contribuem para a imagem. Entre elas estão desde garantias constitucionais - vitaliciedade, irredutibilidade de vencimentos, inamovibilidade - até uma tradição assentada na discrição, numa cultura formalista e num linguajar hermético.

Uma magistratura homogênea, corporativa e refratária a críticas resultaria dessa percepção. Para completar, o retrato teria o condão de ser imune ao transcorrer do tempo, guardando no presente as marcas do passado.

Essa representação vem sendo posta em xeque. Aspectos novos indicam o desenrolar de um processo de transformação. Os efeitos da Constituição de 1988 e especialmente da Emenda Constitucional 45, de dezembro de 2004, tornam-se visíveis não apenas no perfil e na atuação da instituição, mas nas características de seus integrantes.

Vários fatores podem ser arrolados como impulsionadores desta nova magistratura. Em primeiro lugar deve-se notar o crescimento numérico, que, por si só, já imporia mudanças. O número de juízes mais do triplicou desde a redemocratização do País, passando de quase 5 mil em 1988 para aproximadamente 15 mil 23 anos depois. A participação feminina, que até os anos 80 era de apenas 8%, atingiu 25%, inclusive com mulheres integrando os tribunais superiores. Essas alterações de caráter demográfico foram acompanhadas de significativas mudanças de natureza sociológica. Houve uma clara democratização na composição interna da magistratura, com uma importante proporção de juízas e juízes provenientes de famílias sem tradição no sistema de justiça e com pais e mães com baixos índices de escolaridade, havendo até aqueles com pais sem instrução formal.

Informações propiciadas por pesquisa realizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) em 2005 revelavam que as mudanças em curso não se resumiam a esses aspectos. Sinais ainda mais excepcionais puderam ser observados nas opiniões expressas sobre uma série de questões, incluindo temas relacionados à distribuição de justiça e a questões corporativas. A pesquisa da AMB mostrava que variáveis como gênero, idade, tempo na magistratura, instância de atuação e região apresentavam correlação com avaliações e percepções tanto sobre a instituição como acerca de temas da vida pública. No conjunto, esses dados permitiam concluir que muitos dos mitos, estereótipos e suposições sobre a magistratura não coincidiam com a realidade. A diversidade interna e o pluralismo de opiniões desenhavam um perfil novo da magistratura.

O pluralismo pode ser constatado em manifestações sobre vários temas. Muitas das inovações criadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não haviam ainda sido implantadas. Uma, por exemplo, a proibição de contratar parentes para cargos em comissão, obteve o apoio da maioria. Notava-se, contudo, que o apoio era muito mais expressivo entre os juízes de primeiro grau do que entre os que atuavam em tribunais (71% x 58%), entre os com menor tempo na magistratura do que entre os mais antigos (75% x 60%), entre os do Sul do País do que entre os do Centro-Oeste (73% x 60%), entre os que exerciam suas funções nas unidades da Federação com IDH mais alto do que nas de IDH baixo (72% x 67%).
Os exemplos poderiam ser multiplicados. O que se pretende salientar é que a diversidade interna, que desde então já se manifestava, ganhou ímpeto e novos fóruns. O pluralismo tem-se evidenciado não apenas internamente, mas também de forma pública. Posições sobre temas relevantes têm sido explicitadas, ampliando o debate de questões que afetam não só o corpo de juízes, mas a vida social, econômica e política do País.

O recente questionamento da AMB sobre as competências do CNJ evidenciou tanto o pluralismo no interior da magistratura como a ampliação do fórum de debates. Tais fenômenos são auspiciosos do ponto de vista do processo de construção de uma instituição guiada por valores democráticos e republicanos. Ministros, desembargadores, juízes expuseram argumentos revelando suas posições. Divergências vieram a público explicitando princípios em confronto. As discordâncias e sua divulgação mostram quão anacrônica se tornou a figura do "juiz boca da lei", do juiz que não manifesta opiniões, do juiz alheio ao que se passa na sociedade.

Acompanhando e impulsionando esse processo de transformação da magistratura e de sua relação com a opinião pública, os meios de comunicação têm reservado espaço cada vez maior para temas envolvendo o Judiciário, ampliando significativamente a arena de debates. Com efeito, o exame de editoriais, reportagens, cartas de leitores sobre o trabalho do CNJ tornou manifesto o desgaste do paradigma segundo o qual "juiz só se pronuncia nos autos" e questões da justiça são muito técnicas para serem debatidas por não iniciados.

Do ponto de vista da opinião pública, vem ocorrendo um fenômeno que poderia ser caracterizado como de dessacralização do Judiciário, aventando-se a possibilidade de punição de comportamentos desviantes, de questionamentos do que é visto como regalias e privilégios. Tal fenômeno, além de indicar um processo de mudanças no interior da magistratura e na percepção sobre o Judiciário pela sociedade, indica também que exigências centrais da democracia e da República - transparência e prestação de contas pelas instituições - se tornaram demandas de difícil reversão.

* Cientista política, professora do departamento de ciência política da USP, é pesquisadora sênior do Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisas Judiciais

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Chovendo no molhado:: Zuenir Ventura

Não é de hoje que chove torrencialmente no verão, que rios transbordam, que correntezas arrastam pontes, que enxurradas derrubam casas, que estradas viram crateras, e que autoridades alegam ter sido apanhadas de surpresa (delas recolhi algumas pérolas: "a natureza é imprevisível", "ela às vezes se rebela", "não há o que fazer, a não ser rezar para que isso não se repita"). Acho que cada morador do Rio pode escrever sua história pessoal através das enchentes a que assistiu. Para não ir muito longe - a 1711, por exemplo, quando se registrou pela primeira vez a ocorrência de grandes inundações na cidade -, basta recordar algumas tragédias marcantes causadas pelas águas de janeiro, fevereiro ou março. A mais lembrada costuma ser a de 1966, quando chuvas de uma semana provocaram desabamentos com a morte de 250 pessoas e 50 mil desabrigados. No ano seguinte, houve soterramento de uma casa e dois edifícios em Laranjeiras, com 200 mortos e 300 feridos. E assim por diante. De 2000 a 2011, calcula-se que cerca de três mil pessoas morreram em consequência de desastres naturais.

Para mim, a rotina começou em 1942, quando minha família mudou-se de Ponte Nova para Nova Friburgo, percorrendo mais ou menos o mesmo roteiro das regiões atingidas agora: Zona da Mata mineira e serra fluminense. Viajando num velho trem da Leopoldina Railway, levamos quase uma semana para chegar ao destino, entre paradas e baldeações. Chuvas fortes ininterruptas, estradas interrompidas, pontes arrastadas, barreiras caídas, mortes, desabrigados, o mesmo estado de calamidade. Parece que foi hoje. A repetição do óbvio. Um ano depois da tragédia que matou 900 pessoas em Friburgo e sete décadas após nossa acidentada mudança para aquela cidade serrana, as autoridades continuam chovendo no molhado.

O jornalista e escritor Antonio Callado dizia que o Brasil não ia pra frente porque aqui se roubam as rodas do carro. Pior: roubam merenda escolar, remédios, equipamento hospitalar, donativos, doações e, como aconteceu há um ano na Região Serrana, são desviados milhões de reais destinados às vítimas. Em vez de prevenir, as autoridades preferem remediar, até porque é mais rentável. Além do quê, basta prometer providências, como fez o governo do estado: prometeu 75 pontes e entregou uma. Garantiu que ia construir milhares de casas para os desabrigados, e nenhuma foi construída. Como disse o presidente do Crea-RJ, "é hora de dar um basta. Nem 10% das obras necessárias foram realizadas".

Enquanto isso, o ministro do meu pirão primeiro - verba para meu estado, emendas para meu filho, cargo para meu irmão e empregos para o pai e o tio de minha nora - continua se explicando. De explicação em explicação, ele pode acabar caindo, digamos, de maduro, como os que caíram antes. É só a Dilma tomar coragem de sacudir o galho.

FONTE: O GLOBO

Rebaixamento:: Celso Ming

O tão temido rebaixamento da qualidade dos títulos da França por uma das mais importantes agências de classificação de risco, afinal, aconteceu nesta sexta-feira. A Standard & Poor"s (S&P) retirou o triplo A da França e da Áustria e rebaixou a nota de outros três importantes países da área do euro: Itália, Espanha e Portugal.

Essa decisão azedou as coisas no mercado financeiro, que vinha se recuperando com boa velocidade. A revisão da avaliação de crédito da França vinha sendo temida sobretudo por seu presidente, Nicolas Sarkozy – que, segundo o diário de Madri El País chegou a afirmar: "Se nos tiram o triplo A, estou morto", referindo-se às eleições a serem realizadas em abril e maio.

Há nove semanas, o rebaixamento dos títulos de dívida da França pela S&P havia sido anunciado no portal da agência e depois retirado como engano – como se alguém tivesse inadvertidamente apertado o botão errado. Mas, na ocasião, não foram apresentadas explicações convincentes para esse surpreendente vale-não-vale.

Três são os principais impactos do rebaixamento anunciado nesta sexta. O primeiro é o aumento dos juros a serem cobrados tanto na rolagem como na emissão de novos títulos de dívida da França. Um título que, em princípio, oferece mais risco de calote – daí o rebaixamento – deve afastar certo número de investidores, especialmente os mais exigentes. Essa retração vai diminuir a procura por esses papéis. E essa procura menor, por sua vez, tenderá a reduzir o valor de mercado dos títulos e, portanto, elevar sua remuneração.

Os juros mais altos, provavelmente, expandirão as despesas dos Tesouros da França e dos demais. Num segundo momento, agravarão o impacto do atual déficit público – de 3,2% do PIB na França e de 3,8% do PIB na Áustria.

Outro desdobramento deve ser a necessidade de maior capitalização dos bancos que carregam os títulos desses países. Como aumenta o risco, os bancos credores terão de reforçar seu patrimônio de maneira a guardar a proporção adequada para seu volume de ativos. E a maior exigência de capital poderá puxar para cima as despesas desses Tesouros, na medida em que serão chamados a canalizar mais recursos para suas principais instituições financeiras.

No entanto, o efeito mais importante desse rebaixamento deverá ser o enfraquecimento estratégico da França nas negociações sobre as providências destinadas a fortalecer o euro. Ficam mais complicados, por exemplo, os trâmites para a constituição do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) e do Mecanismo Europeu de Estabilização, que deverá substituí-lo em 2013. E a França, ao lado da Alemanha, tem sido um dos principais negociadores desse fundo, montado para socorrer países do euro em caso de incapacidade de atender a seu fluxo de pagamentos.

Como de outras vezes, os dirigentes do euro tentarão demonizar a decisão da S&P. Mas isso não muda o principal. Não muda o fato de que pioraram as condições de que esses países honrem seus compromissos financeiros.

CONFIRA


Estes são alguns dos ratings já atualizados da Standard & Poor"s

Agora, vem carga. O rebaixamento da dívida da França e de mais cinco países da área do euro deve aumentar a pressão sobre o Banco Central Europeu (BCE) para que eleve as recompras de títulos dos países agora sob foco, para reduzir o impacto sobre os juros no mercado. Efeito colateral dessa atuação do BCE será o aprofundamento da desvalorização do euro nos mercados de câmbio.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

EUA não são uma empresa :: Paul Krugman

A economia é muitíssimo mais complexa do que mesmo a maior das corporações privadas

"E a cobiça -guarde bem minhas palavras- vai salvar não apenas a Teldar Paper, mas também essa outra corporação que não funciona corretamente, chamada EUA."

Foi assim que o fictício Gordon Gekko encerrou seu discurso no filme "Wall Street - Poder e Cobiça".

No filme, Gekko recebeu o castigo merecido. Na vida real, porém, a política baseada na noção de que a cobiça é uma coisa boa é a razão principal pela qual a renda dos 1% mais ricos vem crescendo tão mais rapidamente que a da classe média.

Hoje, porém, vamos voltar nossa atenção ao resto da frase, a parte que compara a América a uma corporação. Também esta é uma ideia que vem sendo amplamente aceita. E é a base principal do argumento de Mitt Romney de que ele deve ser presidente: concretamente, ele afirma que o que precisamos para consertar nossa economia é alguém que já fez sucesso nos negócios.

É claro que, com isso, Romney abriu as portas para sua carreira como empresário ser sujeita a escrutínio intenso.

Na Bain Capital, ele foi comprador e vendedor de empresas, muitas vezes em detrimento dos empregados delas, e não alguém que administrou empresas com vistas para seu sucesso no longo prazo.

Mas há um problema mais profundo em toda a noção de que aquilo de que este país precisa é um empresário de sucesso para ser seu presidente: na verdade, a América não é uma corporação.

Por que uma economia nacional não é como uma corporação? Para começo de conversa, não existe um resultado final simples. Outra coisa: a economia é muitíssimo mais complexa que mesmo a maior empresa privada.

O que é mais relevante para nossa situação atual, contudo, é que até mesmo as corporações gigantes vendem a maior parte do que produzem para outras pessoas, não para seus próprios funcionários. Enquanto isso, mesmo os países pequenos vendem a maior parte do que produzem para eles mesmos, e os grandes países, como a América, são quase completamente seus próprios maiores clientes.

Considere o que acontece quando uma empresa pratica cortes implacáveis de despesas. Desde o ponto de vista dos donos da empresa, quanto mais custos são cortados, melhor. Quaisquer dólares tirados do lado dos custos serão acrescentados ao resultado final.

Mas a história muda de figura quando um governo reduz seus gastos diante de uma economia deprimida. Veja o caso da Grécia, Espanha e Irlanda, todas as quais adotaram políticas de austeridade intransigentes. Em cada um desses casos o desemprego aumentou, porque os cortes nos gastos do governo atingiram principalmente produtores domésticos. E, em cada um desses casos, a redução dos deficits orçamentários foi muito menor que o previsto, porque a receita fiscal caiu na medida em que a produção e o desemprego desabaram.

Agora, para sermos justos, ser político de carreira não constitui necessariamente uma preparação melhor para administrar a política econômica que ter sido um empresário. Mas é Romney quem está afirmando que sua carreira anterior o torna adequado para a Presidência.

Tradução de Clara Allain

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Noves fora:: Míriam Leitão

A revisão da nota da França não só era esperada como inevitável. A Standard & Poor"s já tinha avisado que o rating estava sob revisão, o mercado já estava cobrando juros de país com nível abaixo de AAA. Mesmo assim, o evento complica muito a situação da Europa, torna mais difícil a equação financeira para resolver a crise e encerra a série de bons leilões de dívida europeia dos últimos dias.

Itália e Espanha conseguiram rolar esta semana suas dívidas em níveis mais baixos que em leilões anteriores. Essa onda boa se encerra a partir do momento em que a maior agência rebaixa a França; a Áustria, outro país AAA; e encrencados como Espanha e Itália. O título português foi rebaixado a lixo, e outros quatro países também sofreram corte. Os italianos desceram dois níveis, mesmo assim estão um degrau acima do Brasil, que tem dívida e déficit menores.

A França tem uma dívida de 86% do PIB, e um déficit de 5,8% do PIB, o que significa que o total da dívida vai continuar crescendo. Não fazia sentido classificar o país como triplo A. A manutenção francesa no nível que significa risco zero só se justificava por motivos políticos.

A situação econômica da Europa tem várias incertezas este ano: os países precisam fechar o pacto fiscal até o fim do março; os bancos precisam cumprir novas exigências de capital; a Grécia permanece uma ferida aberta e ontem a negociação com os bancos chegou a um impasse. Nessa lista de fatos negativos já constava a possibilidade, confirmada ontem, de rebaixamento da França. Ocorre ao fim de uma semana em que houve melhoria leve da confiança nos países e na solução que está sendo costurada por Alemanha e França. Haverá consequência direta sobre o Fundo de Estabilização Financeira, criado para socorrer países como a Grécia, Irlanda e Portugal. Ele precisa ser financiado por países de risco AAA. Agora, há dois a menos:

- O Fundo Europeu não tem dinheiro vivo, mas sim o compromisso dos países de financiá-lo caso algum governo precise. Com o rebaixamento de França e Áustria, o conjunto de fiadores AAA para o Fundo fica menor. Isso tem um efeito ruim sobre a percepção de risco da Europa e deve tornar mais cara a rolagem das dívidas dos países problemáticos - disse a economista Monica de Bolle, da Galanto Consultoria.

O momento político também é delicado. A França está a 100 dias das eleições e o presidente Nicolas Sarkozy fica mais frágil como líder do processo de solução da crise. Uma troca de comando no país poderá significar um recuo de várias casas no caminho da unificação fiscal da Europa. A decisão da S&P também torna mais desigual a Zona do Euro. A diferença entre os juros pagos pelo governo francês, em relação ao governo alemão, atingiu ontem recorde de 130 pontos, para títulos de 10 anos. Têm a mesma moeda, pilotam o mesmo avião, mas cada governo paga taxa de juros diferentes.

O dia ontem ganhou contornos mais dramáticos com o anúncio de que não avançaram as negociações sobre o calote "ordenado" da Grécia. O país negocia com credores uma redução de 50% de sua dívida. Monica de Bolle explica que há três caminhos para se chegar a esse percentual: alongamento da dívida; redução de juros; corte do valor de face dos títulos:

- Os credores preferem alongar o prazo porque assim não precisam contabilizar perdas nos balanços. Mas o corte da dívida grega é muito grande, e será preciso mexer nos juros e no valor de face. Isso torna a negociação muito mais difícil - explicou.

As decisões das agências, apesar das críticas merecidas que têm recebido, continuam tendo influência no mercado, principalmente das duas maiores: Standard & Poor"s e Moody"s. Com base nessas notas os investidores e instituições tomam decisões sobre quanto comprar de dívidas desses países. Após o rebaixamento, começa a sucessão de revisão das notas das empresas e bancos dos países atingidos. Isso realimenta o pessimismo, que acaba, neste mundo globalizado, afetando todos os outros mercados. Ontem, o dólar subiu no Brasil e o Ibovespa caiu em função dessa notícia que não tem nada a ver conosco.

A mudança da nota da França não tem a mesma dramaticidade que o rebaixamento dos EUA, porque o título do Tesouro americano foi considerado risco zero por 70 anos, e são os papéis de referência do mercado. Mesmo assim, ajuda a lembrar que a Europa é uma crise em evolução. Ainda não se sabe a solução do problema e esse é um ano que os dois principais líderes, Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, avisaram que seria difícil. E políticos não costumam dar más notícias nas viradas de ano. Há outros temores na linha do horizonte como o de que alguns bancos europeus tenham dificuldade de captação no momento em que as autoridades bancárias exigem elevação do nível de capital das instituições. Se houver quebra de algum banco, os governos terão menos capacidade de socorrê-lo. A situação deve continuar instável no primeiro semestre deste ano. Com sorte, a conjuntura europeia melhora no segundo semestre.

FONTE: O GLOBO

O ovo da serpente é a promiscuidade público-privado

SÃO PAULO - Leia a seguir a entrevista com o filósofo Roberto Romano, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Valor: O senhor escreve que no Brasil o termo "ética" é confundido com "agir bem", mas temos no país uma ética, embora distorcida.

Roberto Romano: O elemento fundamental e mais perigoso da ética é que é um comportamento coletivo, aprendido e reiterado, mas inconsciente. Por ser automático, inculcado desde a primeira infância, depois reiterado na vida social, as pessoas agem em termos éticos inconscientemente. Para o bem e para o mal. O parentesco mais exato da ética é com o termo grego "hexis": postura. A ética resulta da postura. Se a pessoa não aprendesse a ter a postura correta na guerra, avançar e recuar, guerra estaria ameaçada. O esforço é para que a postura seja a mais correta possível desde a infância. Assim, quando o guerreiro estivesse na batalha, não teria de pensar em como usar o corpo. E a ideia de postura passou para os valores.

Valor: A analogia continua valendo?

Romano: Nossas sociedades estão cada vez maiores e mais velozes, os valores não conseguem ser transmitidos às novas gerações. Dou o trânsito brasileiro como exemplo. Desde a era Juscelino Kubitschek, no Brasil o certo é acelerar quando aparece um pedestre. Até então, a sociedade brasileira urbana era atlântica. No interior, havia o código rígido dos caipiras, descrito em livros de Antonio Candido e Maria Silvia Carvalho Franco: o tratamento cerimonioso, o decoro estrito. No litoral, havia procedimentos copiados da Europa. Com Juscelino, veio a rápida interiorização das urbes. A ética tem um tempo de maturação para ser socializada e definida. Desde os anos 70, ela está indefinida. É muita gente para se aculturar em novas regras: as múltiplas experiências éticas conflitantes precisam de tempo para formar uma cultura.

Valor: Se vivemos um período de adaptação, como sabemos que caminhamos para solidificar um código ético?

Romano: A solidificação de um paradigma ético conta com a concorrência da religião, das artes, dos esportes, da guerra etc. A partir daí, as pessoas agem automaticamente e a inconsciência é o que faz com que as pessoas muitas vezes ajam de uma maneira violenta, truculenta, corrupta, mas pensando que são boas. Acham que é bastante natural agir assim.

Valor: Daí, então, a frase de Fernando Bezerra Coelho sobre discriminar Pernambuco?

Romano: Há coisas até mais extremas. O mais corrupto dos corruptos, quando vê no jornal que é um corrupto, fica indignado. O que ele está fazendo é o certo. É típico no Brasil. E tem a questão dos municípios também, porque no Brasil não temos município de verdade. O município, tradição herdada de Roma, é a principal instância de poder local. É uma localidade que mantém sua autonomia. Os municípios do Brasil não têm autonomia, nem financeira, nem jurídica. Não são realmente municípios. O dinheiro vai dos municípios para Brasília e é redistribuído para as regiões de acordo com a força das oligarquias regionais. Enquanto houver centralização de impostos no Brasil, vai haver corrupção. O único jeito que tem o político de se reeleger é trazendo obras para a região. E o que é necessário fazer para conseguir trazer as obras? Isso que Fernando Bezerra faz e que todos os políticos, de esquerda e de direita, fazem. É dando que se recebe. Isso criou uma ética.

Valor: É uma corrupção compulsória?

Romano: Sim. Por mais que o eleitor pense que determinados escândalos são uma vergonha, pergunte a ele se ele não vota em alguém que traz obras para o município. É resultado do sistema superconcentrado de poderes no Brasil. A centralização criou essa ética. No século XIX, as cidades mais ricas do ciclo do café passavam décadas sem receber obras públicas, hospitais, curtumes, escolas. Aí os "homens bons" (um termo latino, "boni viri", que designa os ricos), que eram prefeitos e vereadores, emprestavam de seus bolsos para obras no município. O que aparecia para o cidadão comum? Que era um favor enorme. Aí aparece o ovo da serpente da ética brasileira: a promiscuidade entre o cofre público e o cofre privado.

Valor: E foi esse raciocínio que, ao se tornar hegemônico, fundeou a ética brasileira?

Romano: Os políticos não tiram mais dinheiro do bolso, mas se sentem no direito de tirar uma parcela do dinheiro público para se reeleger, porque são beneméritos da região. Para usar os termos do Bezerra, fazem o que tem de ser feito. Se um político, acostumado a esse modus operandi, ouvir "você é corrupto", dá um tiro na cara. Na cabeça dele, está fazendo o que é certo, natural, que é consagrado e vai dar votos.

Valor: Isso se aplica também ao caso do CNJ e demais instrumentos de controle?

Romano: O Judiciário brasileiro herdou a tradição centralista e absolutista. Tem estrutura própria, não responde diante da cidadania, os juristas se acham superiores. O maior insulto que um pode fazer a outro é "leigo". É defeito de nossos juristas, colocar-se como sapientes e o resto tem de calar a boca. Se for falar em eleição para qualquer jurista brasileiro, ele responde: "Que absurdo! Como um juiz vai ser influenciado pela cabeça do eleitor!" Como por a sacralidade da lei na mão de eleitor? É curioso que sobreviva o discurso do povo soberano aqui. Estranho soberano, porque todo mundo cospe em cima. Entra-se em qualquer repartição no Brasil tem um cartaz dizendo que quem desrespeitar uma autoridade está sujeito a tal e tal punição. Nunca se vê nenhuma referência a autoridades tendo de respeitar o cidadão.

Valor: Em termos de controle do comportamento público, não podemos ficar pelo menos um pouco animados com instituições de controle como o próprio CNJ, a CGU, a AGU, a PF?

Romano: Acho que sim. A CGU [Controladoria Geral da União] é excelente. Mas são mais de 5 mil municípios e a CGU tem a marca da centralização do Executivo. Já o CNJ, que veio no bojo da constituição de 1988, também é fundamental, mas é uma estrutura de cúpula e tem representantes de setores sem o poder Judiciário na mão. Uma juíza como Eliana Calmon, que merece todo apoio, pode agir como corregedora com tanta força porque ela também é juíza, ou seja, integrante do Judiciário. (DV)

FONTE: VALOR ECONÔMICO, 13/1/2012.

Poema da gare de Astapovo: Mário Quintana

O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua...
Sentou-se ...e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Gloria,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E entao a Morte,
Ao vê-lo tao sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

OPINIÃO DO DIA – José Serra: a maior conquista do século 20

"Ao se desindustrializar, o país está perdendo a sua maior conquista econômica do século 20. Estamos a regredir bravamente à economia primário-exportadora do século 19; a médio e longo prazos, esse modelo é vulnerável no seu dinamismo, por ser muito dependente do centro (hoje asiático) da economia mundial. Os países com desenvolvimento brilhante têm sido puxados pela indústria, setor que é o lugar geométrico do progresso tecnológico e da geração dos melhores empregos em relação à média da economia.

O Brasil tem 190 milhões de habitantes, a 77ª renda per capita e o 84º IDH do mundo. É preciso ter claro: sua economia continental não proporcionará a renda e os milhões de empregos de qualidade que o progresso social requer tendo como eixo dinâmico o consumo das receitas de exportação de commodities.

A indagação retórica que fiz acima envolve um conceito que tornaria o futuro da economia brasileira vítima de um presente de leniência e indecisão. Conceito que pauta, de fato, o lulopetismo. É que um marketing competente consegue dar uma roupagem moderna a essa nova vanguarda do atraso."

José Serra, ex-prefeito e ex-governador de S. Paulo. “A nova vanguarda do atraso”. O Estado de S. Paulo, 12/1/2012.

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Silicone opõe pacientes e médicos ao governo
Câmera de segurança máxima era paraguaia
As operações atípicas no Judiciário
Dilma quer turbinar infraestrutura, mas setor faz críticas

FOLHA DE S. PAULO
CNJ vê R$ 856 mi atípicos em contas bancárias de juízes
Haitianos são os primeiros a ter limite de vistos no Brasil
Falta de diálogo entre governos atrapalha ação contra o crack

O ESTADO DE S. PAULO
Contas no Judiciário têm R$ 855 milhões 'atípicos', diz Coaf
Irmão de Bezerra é demitido de estatal
Dilma diz que diferenças com oposição são 'só eleitorais'
Cultura privilegia SP

VALOR ECONÔMICO
Plano para hidrovias fica no papel
Brasil ameaça retaliar Argentina
Os riscos da expansão das montadoras
Juros de um dígito em 2012

CORREIO BRAZILIENSE
Ameaça de greve põe o governo em saia justa
Bronca com Dilma
R$ 51 mil é demais
Oposição "poupa" Bezerra e mira o Planalto

ESTADO DE MINAS
O pepino sumiu
A água baixou. Mas e agora?
Bezerra depõe sob forte blindagem

ZERO HORA (RS)
O pacote da seca
Relatório aponta operações atípicas

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Infratores no comando
Ministro vê interesse em desgastar o PSB

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Governo da infeliz cantilena :: Roberto Freire

Há algo terrivelmente familiar no rastro das chuvas que varrem o Rio de Janeiro e Minas Gerais, bem como na seca que devasta a Região Sul atualmente, sua previsibilidade.

Faz algum tempo que o Brasil enfrenta o aumento de ocorrência de desastres naturais, com um padrão de destruição e fatalidade sem precedentes.

Foi o Furacão Catarina que em 2004 deu o tom da mudança climática que estamos experimentando, quando, em Santa Catarina, destruiu 1.500 casas e fez milhares de desabrigados; em 2008, no mesmo estado, outra tempestade arrasou encostas, transbordou rios e deixou um saldo, segundo a Defesa Civil, de quase 80 mil desabrigados, uma centena de mortes, 19 desaparecimentos, e afetou a vida de 1,5 milhão de brasileiros.

Em janeiro de 2010, a mesma coisa pôde ser percebida no Rio de Janeiro, uma chuva varreu cidades inteiras em sua região serrana, como Teresópolis e Friburgo, com mais de mil mortos e desaparecidos e milhões de reais em prejuízo econômico para empresas e famílias.
A resposta do governo federal foi a omissão, pois desde o governo Lula vem anunciando planos mirabolantes para “prevenção de tragédias”, para consumo meramente propagandístico, e absolutamente nada foi feito ou teve consequências práticas.

Como denunciou o secretário demissionário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luiz Antônio Barreto de Castro, quando admitiu que o governo federal falou mais do que fez e poderia ter evitado a tragédia de 2010.

Um levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostra que somente 13% dos recursos gastos pelo governo federal em ações da Defesa Civil foram investidos na prevenção de desastres naturais, como deslizamentos de terra, enchentes e seca, no período de 2006 a 2011.

Quando confrontado com as necessidades reais do povo brasileiro, o governo do PT só o trata bem em sua farta propaganda.

Os pequenos “apagões” diários de energia elétrica que transtornam a vida dos cidadãos, nas mais diversas regiões do país, a total ausência de uma efetiva política de combate ao dengue, por exemplo, as questões que envolvem o risco direto de vidas preciosas, como um sistema integrado de monitoramento de catástrofes provenientes das chuvas em nossas cidades, que a cada ano, quase na mesma época, infelicitam tantas famílias, somadas a uma precária infraestrutura urbana, explicam o que assistimos nos últimos dias no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

E, mais uma vez, a velha pantomima da presidente Dilma se repete, reuniu ministros, muitos dos quais, como ela, estavam em férias, para providenciar planos que já deveriam ter sido executados.

Nos falta um governo que previna, que planeje e que respeite seu povo.

Assistimos pasmos ao resultado de quase dez anos de gestão Lulo-petista que sempre buscou se notabilizar por sua excelência, e na propaganda isso beira a perfeição, mas o que temos efetivamente é a velha cantilena das tragédias anunciadas.

Roberto Freire, deputado federal (SP) e presidente do PPS

FONTE: BRASIL ECONÔMICO

Ministro vê interesse em desgastar o PSB

No Congresso, Fernando Bezerra Coelho avaliou denúncias de favorecimento contra ele como forma de atingir seu partido. Oposição criticou o depoimento

Bezerra vê PSB como alvo

Blindado pela base governista, ministro vai ao Congresso para se defender das acusações das quais é alvo e vê campanha contra PSB

Folhapress

BRASÍLIA – Blindado pela base governista, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, disse ontem em depoimento no Congresso que as acusações de nepotismo e de favorecimento a Pernambuco na distribuição de recursos federais têm objetivo de desgastar seu partido, o PSB. Comandada pelo governador Eduardo Campos (PE), a legenda tem tido atritos com o PT e flerta com o PSDB.

Para Bezerra, ele virou alvo de ataques por quem pretende “desqualificar o PSB”. “O que se quer nessa campanha é atacar não só minha imagem, mas do meu partido, que preserva valores de impessoalidade, moralidade, conduta ética na missão dos cargos públicos”, afirmou.

Com a relação entre os partidos em teste, senadores e deputados governistas fizeram questão de comparecer ao depoimento em pleno recesso parlamentar para defender e elogiar a gestão de Bezerra, seguindo orientação do Planalto.

No depoimento, Bezerra não passou por constrangimentos, já que os oposicionistas tentaram responsabilizar a presidente Dilma pelos problemas das chuvas no Sudeste.

Usando transparências, Fernando Bezerra fez longa exposição técnica. Disse que os recursos de sua pasta e vários outros ministérios foram todos concentrados num único programa, de gestão de riscos e respostas a desastres. Que foram aprovados R$ 11,5 bilhões para o período de 2012 a 2015 e que, em 2011, foram empenhados R$ 2,2 bilhões para vários ministérios, principalmente Cidades. Desses, afirmou, 26% foram para São Paulo, 18%, para o Rio, 11%, para Minas, e 9%, para Pernambuco.

Bezerra voltou a dizer que, dos R$ 98 milhões em prevenção para Pernambuco, R$ 70 milhões foram para construir cinco barragens. Segundo ele, a medida foi aprovada pelo Planalto: “Teve a anuência e aprovação do Ministério do Planejamento, da Casa Civil da Presidência e da própria presidente”.

Critérios

Ao justificar o repasse, disse que seguiu critérios técnicos e reclamou da omissão de Estados e municípios. “Nenhum Estado e nenhum município apresentou mapeamento de áreas de risco. Defesa Civil é uma responsabilidade compartilhada.”

Outro argumento de Bezerra foi a falta de um corpo técnico para avaliar projetos. O ministro disse que três mil projetos de precaução de desastres foram analisados por apenas 18 técnicos. “Ao longo de 2011, o ministério recebeu três mil propostas de prevenção. Nós temos um corpo de 18 técnicos para avaliar essas propostas. (Mas) Estamos melhorando a qualidade dos alertas meteorológicos do Brasil e atuando.”

O ministro negou ainda as denúncias de nepotismo no ministério e na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), que teve seu irmão, Clementino Coelho na presidência interinamente por quase um ano.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Oposição "poupa" Bezerra e mira o Planalto

Parlamentares do PSDB e do DEM aproveitam depoimento de ministro acuado por denúncias para criticar fiasco do governo na prevenção das enchentes

Em vez de Bezerra, oposição mira Dilma

Ministro depõe no Congresso e diz ser alvo de disputas políticas em Pernambuco. Os parlamentares contrários ao Palácio do Planalto, por sua vez, direcionam a artilharia à capacidade de gestão do governo

Paulo de Tarso Lyra

A oposição transformou a sessão de ontem da Comissão Representativa do Congresso Nacional para ouvir o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, em uma audiência de críticas ao governo federal. À exceção do líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), que abordou as denúncias que atormentam o ministro há quase duas semanas, todos os demais oposicionistas optaram por questionar a capacidade gerencial da presidente Dilma Rousseff e livrar Bezerra de artilharia pesada.

Com o clima afável, o ministro terminou a sessão demonstrando tranquilidade. "O que fortalece um ministro é a confiança da presidente Dilma Rousseff. E eu sinto que ela confia em meu trabalho", disse ele. "Se não surgirem novos fatos daqui para frente, ele está livre", disse ao Correio um petista que participou da audiência pública.

Primeiro parlamentar a usar a tribuna, Alvaro Dias questionou se as vítimas de Santa Catarina, do Rio de Janeiro e de São Paulo não eram suficientes para sensibilizar o governo, já que a maior parte dos recursos do Ministério da Integração Nacional foram encaminhados para Pernambuco. "Beneficiar parlamentares ou partidos políticos fere o princípio da impessoalidade e isonomia na gestão pública", disse o tucano.

O ministro disse que a oposição e a imprensa erravam ao dizer que 90% dos recursos foram destinados ao seu estado natal. "Essa confusão vai acabar porque, a partir do Plano Plurianual (PPA) 2012-2015, estaremos concentrando todas as verbas para prevenção de enchentes pulverizadas por diversos ministérios em uma única rubrica", esclareceu.

Plano de prevenção

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), e o vice-líder do DEM, Rodrigo Maia (RJ), questionaram a capacidade gerencial da presidente. "Em sua mensagem ao Congresso Nacional, a presidente Dilma afirmou que pretendia acabar, de uma vez por todas, com as enchentes. São 10 anos de governo do PT e continuamos contando os mortos porque não existe um plano de prevenção para essas catástrofes", afirmou o tucano. "Onde está a grande controladora (gestora) apresentada ao longo do governo Lula e durante a campanha?", questionou Maia.

Bezerra defendeu a presidente, afirmando que ela é muito dura no gerenciamento dos problemas. E que já deu provas de sua capacidade de gerenciamento ao reformular o setor elétrico, que, atualmente, retomou o volume de investimentos. O líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), também defendeu o governo. "Não queremos contar os mortos todo janeiro, mas se formos comparar com o que aconteceu ano passado, veremos que o governo se preparou para esse período de chuvas."

Teixeira e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), também hipotecaram seu apoio ao ministro. Os dois partidos são apontados pelo PSB como os responsáveis pelo "fogo amigo" contra Bezerra. "Em alguns, eu vi sinceridade. Em outros, mero formalismo político", devolveu um parlamentar do PSB.

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE

A plateia governista, Bezerra nega denúncias

Oposição concentrou perguntas em críticas à gestão da presidente Dilma Rousseff; ministro admitiu falta de estrutura na pasta

Maria Lima, Isabel Braga

BRASÍLIA. Sem questionamentos que o pusessem em dificuldades, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, foi ontem ao Congresso dar explicações sobre denúncias de nepotismo e favorecimento a Pernambuco na distribuição de verbas da pasta. A oposição transformou a presidente Dilma Rousseff em alvo no discurso, ao dizer que são "graves os problemas de gestão" no governo. O próprio ministro começou sua fala dividindo responsabilidades, reforçando que todas as suas ações foram autorizadas pelo Planalto. E disse não ter equipe suficiente para as demandas do setor.

Diante das insistentes cobranças de ações do governo para evitar tragédias todo ano, devido às chuvas, o ministro afirmou:

- Ao longo de 2011, o ministério recebeu três mil propostas de prevenção. Nós temos um corpo de 18 técnicos para avaliar essas propostas. (Mas) Estamos melhorando a qualidade dos alertas meteorológicos do Brasil e atuando.

Usando transparências, Fernando Bezerra fez longa exposição técnica. Disse que os recursos de sua pasta e vários outros ministérios foram todos concentrados num único programa, de gestão de riscos e respostas a desastres. Que foram aprovados R$11,5 bilhões para o período de 2012 a 2015 e que, em 2011, foram empenhados R$2,2 bilhões para vários ministérios, principalmente Cidades. Desses, afirmou, 26% foram para São Paulo; 18%, para o Rio; 11%, para Minas; e 9%, para Pernambuco.

Bezerra voltou a dizer que, dos R$98 milhões em prevenção para Pernambuco, R$70 milhões foram para construir cinco barragens. Segundo ele, a medida foi aprovada pelo Planalto:

- Teve a anuência e aprovação do Ministério do Planejamento, da Casa Civil da Presidência e da própria presidente.

Disse ainda que há uma tentativa de atingir o PSB do governador Eduardo Campos (PE):

- O que se quer com essa campanha não é atingir só a mim, mas a meu partido, que preserva os princípios da impessoalidade e da ética. É preciso não atacar e denegrir a imagem das pessoas - reclamou.

Primeiro a falar após Bezerra, o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), citou declaração de Eduardo Campos, aliado de Bezerra, atribuindo à presidente Dilma a orientação para destinar recursos ao estado.

- Estaria dessa forma a presidente voltando as costas para os demais estados brasileiros? Pernambuco merece muito, merece mais, mas os outros estados não podem ser órfãos da República. As mortes na Região Serrana do Rio, em Santa Catarina e Minas não sensibilizam a presidente? Ela o orientou a usar 90% das verbas em Pernambuco - disse Álvaro Dias.

O líder tucano também questionou sobre nepotismo envolvendo o irmão Clementino Coelho, na Codevasf (estatal ligada à Integração Nacional), o sogro de seu filho, o deputado Fernando Coelho, e a nora, em Suape.

- Antonio de Pádua Kherle, sogro de meu filho, foi nomeado coordenador regional do Dnocs em 2010, e o casamento só aconteceu em julho de 2011. E quem fez a indicação foi o deputado Pedro Eugênio, do PT. Minha nora é outro absurdo! Quando foi contratada em 2007, nem conhecia meu filho - defendeu-se Bezerra, repetindo, sobre o caso do irmão, que foi o Planalto que demorou em efetivar o novo presidente da Codevasf.

Duarte Nogueira, líder do PSDB na Câmara, lembrou o discurso de Dilma, em fevereiro do ano passado, no qual ela prometera mais investimentos em prevenção e apoio aos estados:

- Um ano depois, as chuvas chegaram, e estamos chorando mais vítimas.

Blindado pelo PSB e outros partidos governistas, Bezerra chegou ao Senado declarando-se tranquilo. Por vezes sorridente, entrou aplaudido no plenário e recebeu solidariedade e apoio total dos líderes da base.

A defesa mais enfática de Bezerra foi feita pelo líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), que falou em preconceito contra o "ministro nordestino".

FONTE: O GLOBO

Para o Planalto, bom resultado

Gerson Camarotti

BRASÍLIA. O depoimento do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, à Comissão Representativa do Congresso Nacional reforçou sua posição política dentro do governo. Avaliação feita no início da noite por integrantes do Palácio do Planalto foi que Bezerra conseguiu esvaziar as denúncias. Nas palavras de um interlocutor da presidente Dilma Rousseff, se não surgir fato novo envolvendo diretamente o ministro, o episódio estará encerrado. Ainda que a oposição tenha voltado a artilharia para a presidente, o governo avalia que ganhou o jogo ontem

Antes mesmo do fim do depoimento, o Planalto sinalizou para a cúpula do PSB que Bezerra tem o apoio de todo o governo e que ele permanece na equipe da presidente Dilma. A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, telefonou para o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos (PE), para prestar apoio do governo ao partido.

No governo, o depoimento do ministro foi avaliado como eficiente: evitou cometer erros e contradições, e não foi arrogante. Havia preocupação de que Bezerra repetisse o desempenho de outros que deixaram o governo após explicações desastrosas, como o ex-titular do Trabalho Carlos Lupi.

O governo reconhece que, diferentemente de outros casos, não surgiu ainda nenhuma denúncia definitiva de irregularidade cometida por Bezerra.

- Ele passou no teste - resumiu o líder do PT, deputado Paulo Teixeira (SP).

FONTE: O GLOBO

Dilma discute reforma ministerial com Lula

Encontro reservado ocorreu no escritório da Presidência na capital paulista e na pauta estavam a reforma ministerial e as eleições municipais deste ano

Daiene Cardoso

Dilma e Lula se reúnem por três horas em SP

A poucas semanas de realizar sua primeira reforma ministerial, a presidente Dilma Rousseff se reuniu por três horas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na tarde de ontem, no escritório da Presidência da República, na área central de São Paulo.

Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, os dois almoçaram a sós. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhou Dilma no trajeto entre o Palácio dos Bandeirantes - onde ela participou de evento pela manhã - e o escritório, mas não participou do encontro.

O conteúdo da conversa entre Dilma e Lula não foi divulgado. Mas a pauta do encontro incluía, além das condições de saúde do ex-presidente, a dança das cadeiras na Esplanada e as eleições municipais deste ano.

Lula é o artífice da candidatura do ministro Fernando Haddad (Educação) a prefeito de São Paulo, porém, para entrar de vez na pré-campanha, Haddad precisa que Dilma faça a reforma do seu ministério.

Desde o final de 2011, Dilma tem ouvido do ex-presidente conselhos para que comande pessoalmente as negociações políticas da gestão. Agora, ela se vê no momento de conciliar interesses de aliados importantes.

Temer. O nome do presidente municipal do DEM em São Paulo, Alexandre de Moraes, desponta como alternativa mais forte ao preenchimento da vaga de vice na chapa encabeçada por Gabriel Chalita (SP), pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo. O assunto foi discutido em uma reunião realizada na última segunda-feira na casa do vice-presidente da República, Michel Temer, também em São Paulo, em que estavam presentes Chalita, Moraes e o próprio Temer.

Na terça, Temer e Chalita reuniram-se com o presidente do DEM em São Paulo, Jorge Tadeu Mudalen, que ontem também esteve com Geraldo Alckmin

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Dilma diz que diferenças com oposição são 'só eleitorais'

Ao anunciar em São Paulo a construção de casas populares, a presidente Dilma Rousseff fez afagos ao governador Geraldo Alckmin e ao prefeito Gilberto Kassab: "Podemos ter nossas divergências eleitorais, mas, terminadas as eleições, essas divergências deixam de existir". Ela afirmou que a meta é criar um "País de classe média"

"Diferenças são só eleitorais", diz Dilma

A dez meses da eleição e ao lado de Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD) no Bandeirantes, presidente enaltece boa "parceria"

Bruno Boghossian, Anne Warth

A menos de dez meses das eleições municipais, os três principais protagonistas da disputa eleitoral até agora dividiram ontem um palanque em clima de parceria e descontração. A presidente Dilma Rousseff, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (PSD) participaram do lançamento de uma nova etapa do programa Minha Casa, Minha Vida em São Paulo.

Após a assinatura de um contrato de investimentos de R$ 8,4 bilhões para a construção de moradias populares no Estado, Dilma elogiou a participação do governo paulista na empreitada e descartou a existência de atritos com o tucano.

"Podemos ter nossas divergências eleitorais, mas, terminadas as eleições, essas divergências deixam de existir", afirmou a presidente. "O que mostra a maturidade do Brasil é essa relação que nós conseguimos estabelecer, independentemente de origem partidária, credo político e religioso ou opção futebolística."

Na cerimônia realizada ontem no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, Dilma destacou que pretende manter o processo de aproximação com políticos de outros partidos, ressaltando que "é impossível um governante achar que governa sem o governo estadual e os prefeitos". A presidente também fez referência a Kassab, com quem afirmou ter "uma parceria muito produtiva e excepcional".

"Não se pode ter, dentro de políticas governamentais, uma relação de atrito com Estados e municípios. Essa é a grande característica do decoro governamental", destacou a presidente. Nos últimos dias, Kassab tem afirmado que pode até se aliar ao PT nas eleições deste ano na capital paulista. Em outras cidades do Estado, essa aliança já existe.

O discurso objetivo de Dilma - abandonando a disputa partidária em nome de resultados concretos - a aproxima cada vez mais de Alckmin. No ano passado, primeiro ano de mandato de ambos, a presidente e o governador firmaram acordos nas áreas de infraestrutura, habitação, educação e combate à pobreza. Para tucanos e petistas, Alckmin pode reduzir a polarização com o governo federal por afirmar publicamente não ter planos de disputar a Presidência em 2014. Dilma, por sua vez, também não enxerga o governador paulista como potencial adversário.

Esta foi a terceira vez que Dilma participou de eventos em São Paulo ao lado do governador nos últimos seis meses.

Dilma fez até um agradecimento especial a Alckmin pela parceria na construção de 100 mil moradias no Estado pelo Minha Casa, Minha Vida - uma de suas principais bandeiras. "O governador vai viabilizar um processo que nós tínhamos dificuldade de fazer", afirmou Dilma, em referência ao subsídio de R$ 20 mil por casa oferecido por Alckmin nesta etapa do programa, em um total de R$ 1,9 bilhão. Sem essa quantia, o governo federal vinha encontrando barreiras para encontrar terrenos com preços que se encaixavam nos requisitos do projeto.

"A presença do governo de São Paulo é estratégica, complementando os nossos R$ 65 mil de subsídio, com R$ 20 mil", afirmou a presidente.

Em seu discurso, Alckmin se referiu a Dilma como "presidenta", termo que ela afirma preferir, e também agradeceu ao governo federal pela parceria no programa habitacional, descartando divergências políticas.

Ao turbinar a construção de casas populares pelo programa Minha Casa, Minha Vida, a presidente Dilma Rousseff afirmou que os investimentos do governo têm o objetivo de reduzir as desigualdades no Brasil e criar um "País de classe média".

"Não queremos um País de bilionários, e de pobres e miseráveis. Nós queremos obviamente um País de pessoas ricas e prósperas, mas queremos, sobretudo, um País de classe média", disse. "E ninguém é classe média se não tiver sua casa."

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Charge: Reforma do Ministério (Aroeira)

FONTE: O DIA - Aroeira

Convivência cordial entre o PT e o PSDB é apenas aparência

Apesar das aparências e da imensa confusão de alianças e de atores na eleição de São Paulo, é um contra o outro

Eliane Cantanhêde

Acabou a solenidade do Minha Casa, Minha Vida, a presidente petista Dilma Rousseff correu para uma conversa de três horas com o padrinho Lula, enquanto o governador tucano Geraldo Alckmin foi trocar ideias com o prefeito Gilberto Kassab.

Os dois movimentos reforçam a polarização PT-PSDB. Apesar das aparências, da convivência cordial de Dilma e Alckmin e da imensa confusão de alianças e de atores na eleição de São Paulo, é um contra o outro. Os demais girando como satélites.

O PT mudou muito, mas é o PT. O PSDB está totalmente rachado, mas é o PSDB. As duas novidades são a entrada em cena do PSD de Kassab, que oscila entre ambos, e a tentativa do PMDB de lançar a candidatura de Gabriel Chalita para recuperar liderança política em São Paulo.

É por isso que, ao oferecer um nome -qualquer nome- do seu PSD para Lula como vice do petista Fernando Haddad, Kassab confundiu ainda mais o cenário e deixou os dois lados atordoados. Serviu como pausa para pensar.

Se o PT já engoliu a candidatura Haddad só porque Lula quis, é muito difícil assimilar um vice indicado por Kassab. Lula até gostaria de reunir o máximo de forças políticas e isolar os tucanos, mas o prefeito é a alma da campanha petista. Sem Kassab, quem será o alvo? Qual será o discurso?

No caso do PSDB ocorre o mesmo, em sentido contrário. A eleição, a vitória e a gestão de Kassab na prefeitura são indissociáveis dos tucanos, o que vale mais para o ex-governador José Serra, mas vale também para Alckmin, queira ele ou não.

Quem é mesmo o seu vice? Guilherme Afif Domingos, que é do PSD, pré-candidato de Kassab à sua sucessão.

Como, então, o PT poderia usar seus palanques para defender ou no mínimo ignorar Kassab? E como o PSDB poderia se esgoelar para criticar a gestão dele?

O plano A de Kassab segue sendo lançar o cabeça de chapa e ter apoio de Alckmin, que é quem dá as cartas tucanas no Estado e na capital e está atolado em várias candidaturas, três delas de secretários de seu governo. Preferia Bruno Covas, recuou e virou uma esfinge.

Kassab, portanto, é o centro do universo neste momento em São Paulo. Não apenas por ser formalmente o prefeito, mas por aliar índices medíocres de popularidade à capacidade política de criar um novo partido tão eclético e por ameaçar desequilibrar para um lado ou para o outro a polarização PT-PSDB.

O excesso de interrogações ainda é, assim, o forte da campanha paulistana. O que há de concreto é uma transição geracional, com nomes e caras novas, e um novo peso local para Lula. A capital nunca foi seu forte, mas isso parece coisa do passado.

Mais uma vez, o jogo nacional começa a se definir por São Paulo e pela disputa PT-PSDB. E o PSDB parece claramente em desvantagem.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Tucanos estimulam debate político

Jovens militantes da Turma do Chapéu – grupo criado por simpatizantes do PSDB na campanha presidencial de 2010 em Belo Horizonte – passaram pelo Recife, esta semana, para ouvir e colher informações sobre o que os cidadãos pernambucanos acham dos problemas políticos e socioeconômicos da cidade. A iniciativa faz parte de um projeto desenvolvido por eles, o Chapéu na Estrada, com o objetivo de atrair mais a juventude para o debate político e, sobretudo, propor alternativas aos mais variados problemas das capitais brasileiras.

“São poucos os jovens interessados em discutir a respeito da política. Procuramos levar à juventude informação e conteúdo através do nosso site e das redes sociais e, consequentemente, aproximar essas pessoas dos assuntos de interesse público”, explica um dos componentes do grupo, Marcel Beghini, responsável pela coluna Cenário Político para 2012 do site turmadochapeu.com.br.

Os integrantes da Turma do Chapéu promovem ações que vão muito além de posições políticas ou ideológicas. Eles produzem um documentário, previsto para ser lançado em maio de 2013. Para isso, estão discutindo sobre os males que mais causam insatisfação nas pessoas. “Em nossa passagem pelo Recife, por exemplo, vimos que a sociedade está muito insatisfeita com o mercado de trabalho”, conta o responsável pela secção de Causas e Curiosidades, Felipe Schuvartt.

A Turma do Chapéu atuou em 2010 nas campanhas dos tucanos José Serra à Presidência da República, de Aécio Neves ao Senado Federal e Antônio Anastasia ao governo de Minas Gerais. Sabendo que a oposição está bem reduzida no País, por conta do adesismo e das alianças formadas pelo PT, uma das preocupações do grupo é reestruturar as bases do PSDB, gradualmente. Do Recife eles seguiram para João Pessoa.

Em visita ao JC, o grupo também se pronunciou a respeito das denúncias levantadas contra o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, alvo de um “bombardeio” iniciado por conta das liberações de recursos para para prevenção de enchentes.

”A imprensa cumpre a função de denunciar. No entanto, nossas instituições brasileiras é que deveriam exercer melhor esse papel”, disse Marcel Beghin, considerando um “absurdo” as “disparidades” entre os valores destinados aos diferentes Estados.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Hora de definição nas lideranças

Pelo menos cinco legendas na Câmara ainda não fecharam os responsáveis por comandar as bancadas em votações e indicações para cargos. Posto de representante do Planalto na Casa também é alvo de cobiça

Karla Correia

As disputas internas nas bancadas partidárias da Câmara devem marcar o retorno dos trabalhos parlamentares no próximo mês. Uma parte considerável das legendas chega a fevereiro sem ter pacificado ou sequer iniciado a discussão sobre a escolha de seus líderes na Casa, gerando tensão nas bancadas desde a largada do Ano Legislativo. O dono da batuta está vago, inicialmente, no PT, DEM, PCdoB, PSC e PDT. Os cinco partidos somam 169 parlamentares.

No caso do PT, em que Jilmar Tatto (SP) e José Guimarães (CE) travam uma guerra de bastidores durante o recesso parlamentar pela sucessão do atual líder da sigla, Paulo Teixeira (SP). Tatto aspira ao cargo como uma espécie de compensação por ter aberto mão de se candidatar à prefeitura de São Paulo, favorecendo ao escolhido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Educação, Fernando Haddad. José Guimarães, contudo, tem maior influência dentro do partido e é visto como favorito para ocupar o posto de Teixeira .

Do outro lado do espectro partidário, a bancada do DEM vive outra acirrada disputa pela liderança da legenda na Câmara. Brigando pela sua recondução ao cargo, o atual líder da sigla enfrenta ao menos dois adversários — Mendonça Filho (PE) e Pauderney Avelino (AM) — que entram na disputa confiados em um acordo informal sobre o rodízio de deputados na liderança. Para ACM Neto, contudo, a visibilidade garantida pelo cargo é considerada fundamental para suas aspirações na disputa pelo governo baiano, em 2014. Daí a resistência do atual líder em largar o posto.

Nem todos os partidos, contudo, terão rixas internas a resolver com a escolha de lideranças, neste início de ano. O PSDB, por exemplo, optou pelo deputado Bruno Araújo (PE) como forma de tentar arrefecer a polaridade interna da legenda entre parlamentares de São Paulo e de Minas Gerais e dar à bancada um caráter mais nacional do que regional.

Racha contornado


Enfrentando uma profunda divisão por conta da situação política do ministro das Cidades, Mário Negromonte, a bancada do PP conseguiu vencer diferenças e reconduziu ao cargo o líder Agnaldo Ribeiro (PB), ainda em meados de dezembro, dia seguinte a uma reunião do partido pensada para demonstrar união em torno de Negromonte, mas que apenas demonstrou o quanto a legenda estava rachada no apoio ao ministro.

As lideranças partidárias, aliás, apresentam um alto índice de continuidade nesse segundo ano da legislatura. Continuam no comando de suas bancadas os líderes do PR, Lincoln Portela (MG), do PPS, Rubens Bueno (PR), do PTB, Jovair Arantes (GO), do PSOL, Chico Alencar (RJ) e do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN).

Um dos mais antigos parlamentares do Congresso, Henrique Eduardo Alves ocupa a liderança peemedebista pelo sexto ano consecutivo e sonha em trocar o cargo pela presidência da Câmara. Seu empenho pelo comando da Casa é visto com reserva por boa parte da bancada de seu partido.

Mas apesar das reclamações cada vez menos discretas sobre o comportamento de Alves, os parlamentares optaram por mantê-lo no cargo — o que o fortalece na disputa para sucessão do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS).

Olho no governo

O atual líder petista está concentrado na discussão sobre a liderança do governo. Hoje titular do cargo, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) colecionou desavenças com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, mais próxima de Paulo Teixeira. O cenário alimenta especulações sobre uma eventual substituição de Vaccarezza na sequência da definição do novo líder do PT.

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE

População reprova sistema de saúde

BRASÍLIA. A maioria da população brasileira desaprova o sistema público de saúde no país: 61% o consideram ruim ou péssimo e 85% disseram que não perceberam avanços no setor nos últimos três anos, revela a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Saúde Pública, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e feita em parceria com o Ibope. O principal problema apontado é a demora no atendimento. Quando perguntados sobre o serviço público de saúde de sua cidade, 54% disseram que é ruim ou péssimo.

Apenas 10% avaliaram a saúde pública como boa ou ótima, enquanto 28% a consideraram regular e 1% não respondeu. A pesquisa também mostra que 61% dos brasileiros usaram algum serviço de saúde nos últimos 12 meses.

A nota dos hospitais públicos, numa escala de 0 a 10, foi de 5,7, chegando a 8,1 nos hospitais privados. Já os profissionais dos hospitais públicos tiveram nota 6,3, e os dos hospitais privados, 8,2.

FONTE: O GLOBO